segunda-feira, dezembro 03, 2012

A EPOPÉIA E OS LUGARES


Dezembro de 2012, faleceu Décio Pignatari. Esse não será o melhor dos obtuários, pois tive um breve e tenso convívio com o mestre, tive o prazer de ouvir algumas de suas histórias, episódios de bastidor da poesia e literatura geral. Tive tambem o dissabor de levar uma xinchada, me perdoem, homérica. Fui contrarregra e seu guia numa ópera multimídia. Como devem saber, qualquer coisa multimídia é um território muito perigoso, principalmente para um , na época, octagenário como Décio Pignatari. Devia fazer alguns ajustes de cena e levá-lo até o centro do palco, obscuro e após a récita, trazê-lo, seguro até uma cadeira no bastidor. Ocorre que alguém muito significativo no trabalho, sugeriu que eu deveria quebrar com a regra da contrarregragem, romper com a figura comportada e discreta do contrarregra. Aí vestí uma saia agarradíssima e entrei. Estávamos em São José dos Campos, eram alunos de algum curso noturno, não era necessário muito estímulo para a eclosão de uma manifestação juvenil, digamos, jocosa...os meninos urraram, mas alguém disse que vaiaram. Se vaiaram? Não sei. Do meu ponto de vista, vaiaram a vivavaia oswaldiana, aquele da Semana de 22... O Mestre desconsiderou esse fetiche e explodiu: - Você me arruinou!!!!!
Pronto desde então tenho isso no meu currículo: fui o rabo de saia que arruinou poeta!!!

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