domingo, julho 22, 2012

LENDAS E MITOS SOBRE O TÍTERE


O BONECO É MELHOR QUE O ATOR:
Não sei por que ouço de alguns doutos palestrantes, habilidosos oficineiros, o argumento, como o disco de chocolate em letras douradas sobre a bomba de creme, arrematando o enumerado de vantagens do títere: ... alem do mais, o boneco faz o que seria impossível do ator fazer, voar, morrer várias vezes etc. Essas frases, repetidas muitas vezes, incitou uma análise atenta. De que forma o boneco seria melhor que o ator? Primeiro, gostaria de saber quem emitiu esse enunciado sem qualquer premissa. Pois, se a dramaturgia assim desejar, um ator seria impedido de falecer e ressucitar? Que seria de Peter Pan se um ator não pudesse ser suspenso no ar e na imaginação? Que seria do ator sem as asas da metáfora? Assim que conversa é essa de que um boneco transita no território da impossibilidade, muito mais que um ator? Talvez, o contexto dessa frase tenha sido mal interpretado e que contexto é esse não faço idéia. Pois um ator com habilidade de intérprete com o próprio corpo ou um títere, ou mesmo um objeto, é sempre ator.
QUAL É A MELHOR TÉCNICA?
Existe isso? Todos sabem que não. Mas de repente alguém deixa escapar que a luva é mais fácil, o fio é mais difícil. Eu por exemplo acho que fazer o que os Yang Fengs fazem é algo próximo de calcular o padrão de trajetória da caminhada de pombas ciscando pipoca num parque. Outros dizem que a manipulação direta, transversa é fácil; eu acho que não. A verdade é que, isso poucos admitem, existem artistas geniais, que interpretam, manipulam seus bonecos magistrais de tal forma inimitável!

4 comentários:

ABTB disse...

Adorei sua matéria. Realmente não existe o mais difícil e nem a melhor, existem as bem executadas, bem estudas e a prática leva a perfeição.

Jorge Miyashiro disse...

Mas não é mesmo??? Obrigado pelo comentário.

Fábio Pinheiro disse...

Carência de ser legitimado, né não? Angústia de quem só consegue existir em comparação ao outro.

Jorge Miyashiro disse...

Hum... não queria falar, mas afinal atire o primeiro tomate para quem não entrou no teatro pensando ser o palco principal? Mas vá, somos todos carentes, mas que tal ser carente com estilo? Hahahaha!