segunda-feira, dezembro 03, 2012

A EPOPÉIA E OS LUGARES


Dezembro de 2012, faleceu Décio Pignatari. Esse não será o melhor dos obtuários, pois tive um breve e tenso convívio com o mestre, tive o prazer de ouvir algumas de suas histórias, episódios de bastidor da poesia e literatura geral. Tive tambem o dissabor de levar uma xinchada, me perdoem, homérica. Fui contrarregra e seu guia numa ópera multimídia. Como devem saber, qualquer coisa multimídia é um território muito perigoso, principalmente para um , na época, octagenário como Décio Pignatari. Devia fazer alguns ajustes de cena e levá-lo até o centro do palco, obscuro e após a récita, trazê-lo, seguro até uma cadeira no bastidor. Ocorre que alguém muito significativo no trabalho, sugeriu que eu deveria quebrar com a regra da contrarregragem, romper com a figura comportada e discreta do contrarregra. Aí vestí uma saia agarradíssima e entrei. Estávamos em São José dos Campos, eram alunos de algum curso noturno, não era necessário muito estímulo para a eclosão de uma manifestação juvenil, digamos, jocosa...os meninos urraram, mas alguém disse que vaiaram. Se vaiaram? Não sei. Do meu ponto de vista, vaiaram a vivavaia oswaldiana, aquele da Semana de 22... O Mestre desconsiderou esse fetiche e explodiu: - Você me arruinou!!!!!
Pronto desde então tenho isso no meu currículo: fui o rabo de saia que arruinou poeta!!!

domingo, dezembro 02, 2012

PAULISTÂNIDAS DEZEMBRINAS


...último mes da temporada do POR UMA ESTRELA da Cia. TRuks, da qual todos os meus dois leitores sabem, faço parte do elenco. Tem sido uma luta diária viver em São paulo, distante da minha amada e do meu filhote. Mas trabalhar na Truks tem sido uma aula. Um dos tópicos do aprendizado é a dimensão paulistana. São Paulo é um dos umbigos mundiais, ponto! Curitiba não; e dificilmente será. Dois pontos!!! Em Curitiba um alvoroço era Luiz Melo aparecer nos eventos. Aqui num único final de semana do POR UMA ESTRELA apareceram a Denise Stocklos, Gabriela Rabello, Dib Carneiro e outros corpos celestes que fui incapaz de nomear. Luiz Melo é ótimo, mas para uma capital que deseja ser cultural... Curitiba sofre de monocultura.XXXXXXXX Falava da São Paulo como umbigo mundial. Só aqui posso encontrar lego para o meu filho a preço não tabelado. E se quiser preço melhor posso encontrar o pesssoal que traz de tudo nas malas que passam pelo aeroporto de Cumbica. Agora por exemplo, procuro por um lego fora de linha, que saiu do catálogo. Só em São Paulo posso encontrar na av. do Cursino, algo que nem em New York tem!!!XXXXXXXX Sinto falta das minha luvas, de levantar meus fantoches. Jogar num time como a Truks é bom. Ultimamente estou até recebendo elogios em algumas jogadas. Mas sinto falta das minhas raquetes, do meu esporte individual, do Brisalenta, do Luvazine, do Shishi... do bom Gato por Lebre. Continuo os meus exercícios mas apresentar é outra coisa. Tenho vontade de aprender tocar um instrumento: guitarra, acordeão... para não calcificar os dedos!!! Acho que é paranóia.XXXXXXXXXXX Teve o festival do Sobrevento cuja essência é abordar uma condição. E eles tocaram na fragilidade. é engraçado falar em fragilidade e convidar um espetáculo iraniano cujo solista é praticante de kung fu e o espetáculo foi um exercício de estertor marcial. Foi chocante, foi estarrecedor, foi ótimo.XXXXXXXX ... e os Hermanos Oligor retornaram com a mesma performance para revelar que a história do protagonista coincidentemente do performer, em que ele é abandonado pela amada é uma ficção, para estarrecimento dos crédulos. Nunca me importei em averiguar a veracidade das narrativas, já que a vida ensina que a realidade é relativa e portanto realidade não quer dizer verdade. Mas achei admiravel ele não tentar criar uma franquia teatral e partir para o projeto de vinicultura. Aliás um excelente vinho; comprei uma garrafa.XXXXXXXXXX Aiaiai! A bateria está indo embora e talvez não tenha tempo de voltar a escrever... tchau!

quarta-feira, outubro 31, 2012

Entrevista


Aos meus dois leitores desse blog. A entrevista do administrador na TV Cronópios. Tá aí!

domingo, outubro 28, 2012

Cinquenta tons de um frapê de café


Tenho sido bastante condescendente com o trabalho alheio. Não sei se a cafeína de frapê acabou por provocar uma súbita ira, mas não pude me conter ao ver um teatro de fantoches na livraria Saraiva. Uma empanada de madeira singela, uma pequena caixa de som de home theater e um único refletor pendurado na frente do palco, como um chifre de rinoceronte, prenunciava uma deliciosa apresentação para as crianças. Música de playback, antigas músicas de trilhas sonoras de peças dos anos 80 e 90, ah vai, qual o problema? Falta o pagamento para o ecad? Mas subitamente o boneco mestre de cerimônias, a marca da companhia agradece ao "papai do céu" pela presença das crianças. A cia. era evangélica, e sorrateiramente divulgava a palavra do seu "Senhor", para as crianças e pais incautos. Isso mais as barrigas, as manobras de luva mal feitas, os apelos do personagem MC da peça para que não esqueçam o seu nome... despedaçaram meu encantamento. Era um SENHORA peça comercial. Um produto de baixa qualidade, um refrigerante com um sapo morto dentro, um restaurante com baratas subindo pelas paredes. Mas o maior insulto foi a condescendência dos consumidores, os pais. Tão ciosos em pagar por aulas de mecatrônica no jardim de infância. Felizes em apresentar os doces e a coca-cola aos bebês. Eles próprios, pais, adultos, se matam no trabalho para poder saltar na piscina do consumo e prestações de juros criminosos. Com tal fome voraz com que consomem a religião que lhes pede 10% do seu salário bruto. Deus quer parte do seu salário. Deus precisa do seu salário. Esse é o sacrifício de Iacov, que não vacilou em levar seu primogênito no topo da montanha para imolar, cravar a faca na garganta da criança como prova de fidelidade religiosa; como você pode reclamar de pagar o dízimo, a contribuição religiosa, a cota do carnê? Será que os adultos não vêem nem isso? Será que estou paranóico? Será que estão perdendo a mínima referência racional, de que um espaço laico como uma livraria deve respeitar pelo menos em vender livros com as capas certas, que não quero consumir um Liev Tolstói e encontrar a saga do padre Marcelo ou as dicas de enriquecimento do pastor Malafaia. Quanto mais meu filho que vai ver um conto dos irmãos Grimm ou Charles Perrault, sei lá em qual versão, e dá de cara com a do Edir Macedo, pô!!!! Que bola fora!

segunda-feira, julho 30, 2012

2ª Edição da TV BRISALENTA


Para quem duvidava (eu inclusive) que o programa iria durar... saiu a segunda edição!!! Não com a qualidade do primeiro, lógico, ficou pior!!! Mas vamos trampando para chegar num nivel insuportável e enfim enterrarei a idéia. Kkkkk!

terça-feira, julho 24, 2012

Tv BRISALENTA


Pois é gente... sou brasileiro e não desisto nunca. Aqui mais um projeto que vai bombar nas redes sociais. A minha televisão!!!!! O meu programete feito às próprias custas, com os meus bonecos, minha camerazinha iluminado com abajour, desse jeito mesmo. Ainda não sei qual o público-alvo. Por enquanto eu atiro em quem passar na frente (que infâmia!!!)... talvez uma criançada esperta, nada bobinha. Quem sabe! Me ajude pessoal. Divulgue a iniciativa do velho Mia. E ajude a me livrar das garras dos editais governamentais! Help!

domingo, julho 22, 2012

LENDAS E MITOS SOBRE O TÍTERE


O BONECO É MELHOR QUE O ATOR:
Não sei por que ouço de alguns doutos palestrantes, habilidosos oficineiros, o argumento, como o disco de chocolate em letras douradas sobre a bomba de creme, arrematando o enumerado de vantagens do títere: ... alem do mais, o boneco faz o que seria impossível do ator fazer, voar, morrer várias vezes etc. Essas frases, repetidas muitas vezes, incitou uma análise atenta. De que forma o boneco seria melhor que o ator? Primeiro, gostaria de saber quem emitiu esse enunciado sem qualquer premissa. Pois, se a dramaturgia assim desejar, um ator seria impedido de falecer e ressucitar? Que seria de Peter Pan se um ator não pudesse ser suspenso no ar e na imaginação? Que seria do ator sem as asas da metáfora? Assim que conversa é essa de que um boneco transita no território da impossibilidade, muito mais que um ator? Talvez, o contexto dessa frase tenha sido mal interpretado e que contexto é esse não faço idéia. Pois um ator com habilidade de intérprete com o próprio corpo ou um títere, ou mesmo um objeto, é sempre ator.
QUAL É A MELHOR TÉCNICA?
Existe isso? Todos sabem que não. Mas de repente alguém deixa escapar que a luva é mais fácil, o fio é mais difícil. Eu por exemplo acho que fazer o que os Yang Fengs fazem é algo próximo de calcular o padrão de trajetória da caminhada de pombas ciscando pipoca num parque. Outros dizem que a manipulação direta, transversa é fácil; eu acho que não. A verdade é que, isso poucos admitem, existem artistas geniais, que interpretam, manipulam seus bonecos magistrais de tal forma inimitável!

segunda-feira, julho 16, 2012

FRIO NO INVERNO??? - COLD IN WINTER???


Os Hermanos Oligor estão morando no Brasil e ocuparam a cafeteria do Espaço Sobrevento, onde servem vinhos e tapas. Os Oligor apresentaram em 2011 As Atribulações De Virgínia, no mesmo espaço e em vários festivais no país com grande sucesso. O espetáculo/performance/evento acontecia num reduzido picadeiro com uma platéia apertada em uma arquibancada de um circo provavelmente projetado para ser armado em quintais... mas que coisa maravilhosa foi aquilo! Jomi Oligor o protagonizante do... daquilo no mais esplêndido dos sentidos, em conversa foi inquirido sobre um novo projeto. Jomi respondeu que sempre era cobrado por isso, mas que agora estava envolvido num sonho de recuperar uma casta de uva vinícula que estava em vias de extinção. Que satisfação em revê-lo com os vinhos engarrafados e acima de tudo prová-lo. Uma meia taça de um vinho denso, com tinta escura, sabor aveludado... ah, gostoso praca!!! Leia aqui, vc. que gosta de vinhos: VINHO CIENTRUENOS Como se numa escrivaninha de um escritório empoeirado do vinhedo alguns papéis, anotações em folhas de caderno pautado, dão conta de que uva é aquela. Uma foto mostra o parreiral abandonado, caules bulbosos, grossos, antigos que de repente lançam algumas hastes longas, como fios de cabelos saindo de um crânio calvo. Esse resgate de um dna, foi ouvido aqui e o vinho pode ser degustado no Espaço Sobrevento ou no D.O.M de Alex Atalla. No Sobrevento uma meia taça degustativa sai por entre R$6 e R$8, e a garrafa por R$60. No DOM eu não sei... Se vc. for ao Sobrevento nos finais de semana às 20h., agora em julho de 2012, poderá pagar para beber o vinho, e assistir gratuitamente O THEATRO DE BRINQUEDOS. Valle!
Espaço Sobrevento Rua Coronel Albino Bairão,42 Brás, São Paulo-SP A duas quadras da estação Bresser do Metrô, não se inquietem com a escuridão e a condição erma das ruas, é seguro por lá.
Alguns perguntarão por que tanta paixão de um ator bonequeiro por uma saga literária sobre marinha naval inglesa. Patrick o'Brien escreveu as aventuras do capitão Jack Aubrei e seu companheiro de jornada , o médico naturalista e espião da coroa inglesa Stephen Maturin. Não sei se justifica, mas acho que a mecânica de uma caixa cênica se compara às amarrações e cordame de um veleiro. Reparem nos cabos que seguram o urdimento num palco como são semelhantes às enxárcias, aqueles cabos que sobem até as velas dos navios. Acredito que a partir dessa engenharia toda a condução interpessoal do teatro assemelha-se aos comandos e tripulação de um navio. Vejam o gosto pelo butim incerto em busca do carregamento de ouro espanhol será, como no teatro acaba sendo a mesma razão que motiva um elenco a empreender a incerta jornada teatral! Odeio frio no inverno!!!
ENGLISHED The Oligor Brothers, a spanish theater group, are living in Brazil and occupied the coffe shop on Espaço Sobrevento in São Paulo. They offer in menu wine and tapas. The Oligor presented “Las Atribulaciones de Virginia” with great success with public. The show/play/performance/event are played for a audience together like sardines in a can, in a tight ring of a circus probably made for backyards... but what wonderfull thing was that!!! Jomi Oligor, the master in scene/player/performer was asked for a new show. He replyed he was always charged for it, but his new dream is to recover a 60 years old vine in their way to extinction. What satisfaction to find him again with the bottled wine and above all expectation, taste it. A half glass of a wine dense, dark... oh, very yummy! As a dusty office of a vineyard, some papers, notes in sheets of ruled notebook, describes about the grape. A photo shows the abandoned vineyard, bulbous stems, ancients, thicks, suddenly they cast some wires as a hair in a bald head. This rescue of a dna was heard here in Brazil and could be taste in Espaço Sobrevento or in Alex Atalla 's D.O.M., an expensive restaurant in São Paulo. In Espaço Sobrevento a half glass cost R$6 to R$8. In D.O.M., i don't know the cost. If you go to Sobrevento in weekends at 20h., now in July, 2012, you could buy the wine and enjoy a free puppet theater, THEATRO DE BRINQUEDOS. It worth!!! Espaço Sobrevento: Rua Coronel Albino Bairão, 42 – São Paulo-SP. Near two squares from Bresser METRO station. Don't be afraid of dark streets and some beggars, the street is pretty safe. Somebody ask why so much passion from a puppeteer to a book of about a old Royal Navy saga. Patrick Obrien wrote of adventures of Captain Jack Aubrei and his journey body, the physician, naturalist and Crown recruited spy, Stephen Maturin. Maybe this not justified but I guess the mecanic of scenic box of theater is very similar to teh rigging and ropes of a boat. The ropes that holds the screens and rods in stage are similar with riggings. I believe that as this engineering all directions and relationship in theater resembles with the commands and crew in ship. As like the taste for uncertain booty in search for shipment of Spanish gold, will be, as in theater the same greed that moves the cast to endeavor a uncertain theater journey. Cold in winter sucks!!!

segunda-feira, maio 14, 2012

VAIDADE, EGO E OUTRAS PRÓTESES DO ATOR


Tietê-SP, 2012
Rio Tietê 150km da capital
Votuporanga-SP, 2012
Estou para completar cinco meses na cia. Truks. Quando chegar a seis acendo um charuto que queimarei nas ruas da Vila Gumercindo, respeitando a Lei Antifumo. Com óbvia intenção pedagógica a permanência no quadro da Truks tem sido muito surpreendente; descobri aptidões latentes em mim, que jamais pensaria em exercer nessa vida. Jamais imaginaria memorizar cinco espetáculos, um espetáculo por mês!? Estar na Truks está sendo um exercício de humildade. Alcancei meus orgulhosos 45 anos porém feri meu orgulho ao ver diminuído minha capacidade de explosão muscular. A rapaziada hoje em dia possuem habilidades corriqueiras que antigamente (nossaaa!!) meus contemporâneos não tinham. O convívio com a diferença etária requer habilidade diplomática extrema em qualquer lugar e alí é preciso vigilância para não ceder às provocações como num debate com um jovenzinho impertinente dizendo-se tradicional e portanto respeitador dos mais velhos. O mesmo jovenzinho que num acerto de contas numa reunião denunciou-me por ser pouco "mano" ao não compartilhar da tristeza coletiva por um pequeno fracasso num espetáculo; respondi que do alto da minha experiência seria preciso fracassos verdadeiros para arranhar minha serenidade... Cara, é bom ser velho, vivido, ter o corpo marcado pelas cicatrizes do tempo; e para mim, mulheres marcadas pelo tempo são personalizadas pela vida, falou? Ser dirigido por alguém que se respeita é muita sorte. Novamente aquela palestra do Grotowski em 1993. O ator que elimina a dualidade entre a atuação e a mirada do público. Vou entender assim. Qual é a virtude e o vício do ator? Ego. O ego do artista é ao mesmo tempo musa e nêmises, inspiração e derrota. Portanto o ego não é o melhor apoio do ator, aliás bem se sabe que o ego não é bom para nada no fim das contas. É um poderoso entorpecente que cobra alto a fatura no dia seguinte. A boa direção, por mais que venha a lamentar por essa declaração, é aquela que aniquila o ego implacavelmente. Bons diretores são os cruéis, impiedosos e escravocratas; estes produzem atores soberbos pelo simples fato de destruirem o ego do ator. Este ator, finalmente está apto a ser moldado por qualquer direção. Existe suplício maior do que dirigir um ator que não é capaz de responder a um pedido de ação no palco? Um pedido de cinco passos no palco e ele dá dois... porque dois e não os cinco? Porque não quatro ou seis? Mas o ator egodicto dá dois passos e nada mais, nada menos. Henrique Sitchin é um matador de egos. Ele ostenta troféus de egos abatidos, narra a epopéia de egos fugitivos como caçadas a Moby Dicks. Percebi essa oportunidade de permitir o homicídio do meu ego. Meu ego. Um senhorzinho intranquilo, incapaz e reclamão. Cego circunstancial, pouco voluntarioso e muito abatido. Cheio de auto comiserações, cheio de verdades a serem ditas. Teoricamente percebo como a ausência desse senhorzinho permite fluir as ações de maneira muito mais tranquila. É como se toda vez que fosse fazer um trabalho esse senhorzinho tivesse que fazer seu discurso sobre os assuntos frívolos que acreditasse ser importantes. Ego não serve para nada! Portanto, calar e agir quando gente jovem e menos experiente que eu, ordenar; calar e agir quando o diretor mandar; para mim, um velho que muitos colegas cravaram o epitáfio de "mestre", estar na Truks está sendo um período de treinamento zen-budista há muito desejado.

quinta-feira, maio 10, 2012

ARTE E O IMPALPÁVEL- ART AND INTANGIBLE


Navegando num mar de puro deleite, pondero sobre a insatisfação humana. Há dia que tudo ocorre como planejado, que a aventura provoca surpresa; há dia que o peito aberto acolhe a adaga furtiva de alguém próximo e a amarga mistura de frustração e incapacidade contamina o peito. Onde está o espírito da arte? No coração, na mente, nos olhos? Como despertar nas pessoas a admiração pela recriação através dos símbolos no gesto teatral? A próxima pergunta que atormenta meu mais profundo sonho é, será que todo artista esta cônscio de que a razão de lidar com símbolos é recriar o que já existe através de uma luz diferente da que usualmente se manifesta. Será que todo artista acessa esse estado de arte? A vida é plena de símbolos onde desde a mais superficial leitura até ao profundo mergulho expressa a dor e o prazer do nascimento, do existir e da morte. Todo o cantar, toda mancha, todo ritmo deseja invocar esse estado de arte, essa região impalpável, jamais descoberta completamente, sempre nublada e desconhecida. A obra de arte é como uma criança sempre jovem, capaz de brilhar com megatons infinitos, de alterar a rota dos planetas, mas frágil tão frágil que morre diante do primeiro olhar reprovador! Como pode? Não sei, mas assim é!
Sailing in a pure delight sea, I thought under unsatisfaction of humanity. There are days that everything happens as planned, when the adventure causes surprise. There're days when the openned chest receives a sneak dagger from someone around and hte bitter mixed of frustration and failures contaminates the heart. Where's the spirit of art? In the heart? In the mind? In eyes? How to awaken people's admiration for the recreation through the symbals in the theatrical action? Next question that haunts my deepst dreams is: is every artist is aware that the reason for dealing with the symbols is recreate what already exist through a different light from that usually manifest. Does every artist accesses the state of art? Life is plenty of symbols from which the most superficial reading, or the most deepest expression of pain and pleasure of birth, existence and death. All singing, all ink stain, any pace you want to invoke this state of the art, this region intagible, ever discovered completely, always cloudy and unknown. The masterpiece of art is as a eternal child, able to shine with endless megatons, to change the route of the planets, but fragile so frail that dies before the first reproachful look! How it's possible? I do not know, but so is.

sexta-feira, março 30, 2012

FELICIDADE BRUTA 2- HARD HAPPYNESS 2

Domingo à noite voltava de um apresentação, cansado da viagem tomei o metrô e ainda tinha um kilômetro de caminhada. Os últimos passageiros saíram comigo, umas tres pessoas que apertaram o passo. Apesar do mp3 no ouvido, olhei para trás e ví um cara numa moto, ao seu lado corria um cara de boné, como que entregando jornal pelas casas. Mas percebi algo de errado, ele vinha em minha direção. Era um assalto. Minha reação foi sorrir, pedir calma e levantar os braços. Procurei em suas mãos uma revólver, ele tinha um punhal enferrujado apontado para mim, mas encolhido bem perto do corpo dele, prevenido contra a reação de vítimas mais heróicas. Pediu o celular, mostrei meu motorola modelo 1999 (do bug do milênio-nunca deu problema. Ele olhou, devolveu, montou na garupa da moto e se foi sem despregar os olhos de mim. Do episódio o que mais gostei é que nem uma gota de adrenalina caiu na corrente sanguínea! Comi uma refeição leve, não tive pesadelos e acordei sorrindo. Se viver bem é ser feliz, acho que para ser feliz é preciso um pouco de planejamento. Estava condicionado a não reagir a um assalto. Estabeleci como ordem não dar um golpe infalivel de jiu-jitsu, nem o soco de meia polegada no peito do assaltante. Depois, revendo a situação, ví que era o assaltante tinha conhecimento, estava focado no celular (não quis dinheiro, relógio ou roupa, esperava uma reação e me avaliou, me leu, viu que eu não usava roupa descolada, tênis caro e por fim celular da hora. Deixou-me ir apesar de levar o macbook e uma filmadora HD na mochila com o zipper quebrado e lona rasgada... Seria mais feliz se imobilizasse o assaltante e livrasse a sociedade do meliante? Seria feliz varado pelo punhal enferrujado (calcule as consequências, a mídia, uma grana inesperada de uma ajuda, seguro...). As vezes digo que sou ateu, e a descrença é contra a instituição religiosa que admoesta regras morais com sacrifícios pessoais para o enriquecimento da instituição. A regra moral é cidadania, bom convívio com os vizinhos, a tribo. Uma alcatéia de lobos sabe disso, não é necessário fé no dogma. Fé de que se eu trabalhar para minha igreja estarei livre do mal. As pessoas entendem felicidade como uma confortável estabilidade, isenta de mudanças que exijam esforço para retornar àquela posição confortável. Pense assim, racional, previdente ou crente: Uma força opressora terrível impõe a você duas escolhas; de um lado a execução sumária do seu filho ou filha. Um deles. Do outro o massacre de cem crianças que você jamais encontrou, ou conheceu, sem nenhum vínculo pessoal. Estão diante de ti; seu filho e do outro as cem crianças. Imediatamente a sua escolha de vida a sentença é imposta. Como seria sua vida depois de testemunhar cem crianças trucidadas após a sua decisão? Poderia caminhar sobre as próprias pernas após rejeitar seu filho, ver cem crianças vivas sobre o sangue do teu filho? Ser feliz pode ser o aguardo da dor insuportável. ENGLISH
Sunday night I was returning from a puppet session, tired from the trip I took the subway and still had a mile to walk to home. The last passengers got out to me some three people who pressed the pace. Despite the mp3 headphone on ear, looked back and saw a guy on a bike and other one running by his side, as like delivering newspapers to homes. But I noticed something wrong, he came towards me. It was an assault. My reaction was to smile, get calm and raise my arms. I looked your hands for a gun, he had a rusty dagger pointed at me, but shrunk very close to his body, warned against the reaction of most heroic victims. He asked for the cellphones, I showed my motorola model 1999 (from the millennium bug, never gave problem). He looked, gave me back the cell phone, mounted on the back of the bike and went without taking hir eyes off me. From the episode I liked most is that not wasted a drop of adrenaline into the bloodstream! I ate a light meal, I had not nightmares and woke up smiling. If living well is to be happy, be happy is to make a little planning. I was conditioned not to react to an assault. Established a order do not give a infallible blow of jiu-jitsu, or the punch-half inch in the chest of the assaltant. After reviewing the situation, saw that the assaltant got know how of his job, was focused on the cellphone (did not want money, watch, or clothes), expecting a reaction and evaluated me, read me, saw I was not wearing cool clothes, expensive shoes and finally no special cellphone. He let me go despite having the macbook and an HD camcorder in the bagpack with the zipper broken and torn canvas ... It would be happier if the assaltant immobilized and rid society of the perp? Would be happy if the dagger pierced me (calculate the consequences, the media, an unexpected money for aid, insurance ...). Sometimes I say I am an atheist, and unbelief is against the religious institution that admonishes moral rules with personal sacrifices for the enrichment of the institution. A moral rule is citizenship, good contact with the neighbors, the tribe. A pack of wolves know it is not necessary faith in the dogma. Faith that if I work for my church will be free from evil. People understand happiness as a comfortable stability, free from changes that require effort to return to that comfortable position. Think so, rational, farsighted or a believer: A terrible stranglehold imposes on you two choices: on one hand the summary execution of your son or daughter. One of them. Otherside, the massacre of a hundred other children that you never met, or with no personal connection. Are before you, his son and the other one hundred children. Immediately to your choice of life sentence is imposed. How would your life after witnessing a hundred children slaughtered after his decision? Could walk on his own legs after rejecting his son and see a hundred children living over the blood of your son? Being happy can be the unbearable pain of waiting.

quarta-feira, março 28, 2012

FELICIDADE BRUTA

A FGV está formando os parâmetros para aferir o FIB, a felicidade bruta interna num país. A idéia lançada pelo Bhutão, um país no Himalaya propõe que a qualidade de vida da população não pode ser calculada apenas pela capacidade de consumo ou produção de riquezas. Diz-se que o brasileiro é um povo feliz, pode ser. Interessa saber? Você é feliz? Outro dia no facebook um amigo postou uma frase de um desses padres bonitões e disse que as pessoas invejam a felicidade alheia a ponto de isolar os felizes. Assim, pelo alto, a felicidade é um saco! Contestei esse amigo e a resposta foi um ataque indireto das "amigas" desse amigo, evidentemente me arrolando na categoria daqueles que INVEJAM a felicidade alheia. Para arrematar esse amigo responde em caixa alta que amava a família, deus, a igreja... (chega né?) e por aí afora. Nossa, como a TFP está próxima de mim! Ser feliz é entorpecer, não importa de qual droga. Seja a química de laboratório, seja as endorfinas cerebrais. O estado de felicidade faz ver ouro no chumbo. É bom para passar o tempo mas provoca um série de transtornos no convívio social, uma hora vai haver decréscimo no índice de FIB dessa pessoa. Para mim ser feliz... deixa pensar qual seria meu ideal de paraíso provocador de uma maremoto químico. Como diria a mulher disposta: o que me deixa úmida... não seria uma überwomen, de um certo modo uma fonte monetária um pouco durável provocaria um delicioso deleite... ah, sim! Minha piscina de felicidade seria um NÃO e um FAZER. Primeiro eu queria não pagar mais contas, ou ter uma tamanha poupança que seria suficiente para eu por tudo e débito automático e esquecer de pagá-las. Queria fazer coisas divertidas.

terça-feira, março 13, 2012

SAMPA REPORT

Ah meus amigos perdão. Tenho deixado todos ao léu. Confesso que a rotina e as seduções do facebook tem atraído minha atenção, além da completa falta de assunto. A vida na Truks não é facil. Acordo 5h da manhã para tomar o metrô e o trem da CPTM entre 7:20, 7:50h. no máximo. Isso significa que posso não chegar ao trabalho no horário, pois outro dia o metrô parou porque alguém entrara na linha; no outro o trem parou porque estourou um quebra-quebra na estação do Brás. em casa chego entre 19 e 20h, coisa abominável viver em São Paulo. Criativamente, eu diria, no campo das artes, estou trabalhando numa marionete, mas ela está em Botucatu e tenho visitado muito pouco minha esposa e filho... na Truks estou experimentando o método Truks, embora não seja especificamente metódico, mas é mais um deixar fluir, um modo de ser Truks. O método é defendido com punho cerrado pelo Henrique Sitchin, não teci qualquer julgamento ainda, pois estou... deixando fluir.
Eu na mesa do Sesc de São José do Rio Preto, operando "A Bruxinha"
JORNADA INTERIOR O bom de ser velho é que nada mais impressiona e sendo veterano nenhuma guerra é suficientemente válida que mereça 100% do empenho. Apesar disso o mundo ao meu redor eu vejo esforço doloroso, frustração e frases vazias. É incrível a disparidade entre o discurso e a ação. É inacreditável como as pessoas se imbuíram da fala do político, da ética política e da inação política. Como não sou "todo mundo". Levanto, tomo minha guaraná e faço meu trabalho. Vejo uma certa infelicidade na incongruência, somente isso. Não é um julgamento pois o caminho é individual, a viagem é coletiva; o convívio é impermanente. No altos destes 45 anos, em breve 46, aprendí a ver e calar-me. Guardar segredos inauditos no baú da ponta da língua tem sido um jubiloso troféu. Quando a mente silencia uma pergunta reverbera: aonde eu quero chegar? ... Sinceramente, eu precisava ganhar na loteria!

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

O TREM DE JOHN CAGE

Janete El Haoli- agência UEL
Aqui no RADIOFORUMBR, um rádio blog que toca música contemporânea, sound designs, paisagens sonoras, trilhas de teatro, dança... coordenado por uma equipe, mas principalmente pela Janete El Haoli, a quem tive a sorte de assistir sua inusitada defesa de doutorado na USP. Aqui "O Trem de John Cage"de Tito Gotti. São três percursos registrados, uma viagem sonora que vai nos tomando, envolvendo. Ouça AQUI e aproveite para embarcar em outros passeios.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

TRUKS REPORT

Qual o tecido da imaginação? ZOOILÓGICO, S. Bernardo do Campo-SP, 2012
O que você diz diante do espelho? Frases como: "vou chegar lá"(?), "vencerei"(?), ou, "meus inimigos hão de lamber minhas pegadas" (Afe!)... Ótimo! E quando chegar lá, quando venceres e teus inimigos descobrirem que teu desodorante podólogo é ótimo? É uma questão retórica, pois não sei bem se cheguei onde queria estar, não venci coisa alguma e não desejo a derrota dos meus inimigos a quem só quero uma saudável distância e que encontrem outros inimigos mais empenhados que eu. Enfim, o fato é que para quem não soube agora empresto meu talento e energia para a cia. Truks de São Paulo, um grupo de animação de bonecos a quem respeito, desde os anos 80, quando nem imaginava ascender ao sacro tablado, quanto mais insuflar vida a imagens inertes feito um demiurgo anacrônico.
Robson em ZOOILÓGICO, fixando suas máscaras, invocando pequenos deuses inauditos, antes do espetáculo.
Estou na Truks para preencher minhas deficiências. Essas deficiências são habilidades que admiro em outros artistas e que até agora não estava obtendo êxito em conseguir. São atitudes prazerosas, algo que motivou-me no início e aos poucos fui perdendo. Algo que fazia parte do meu atuar e foi castrado por direções e métodos exógenos do bem-viver. Uma adorável atriz, Maria Bozzanigo uma vez disse: (...) não é possivel invocar a dor psíquica toda vez que for interpretar um drama, é preciso preservar o núcleo onde reside sua individualidade."
Robson e Henrique Sitchin em ZOOILÓGICO.
Qual é a função do ator? Hahaha! Pronto respondido. Para que dar respostas? O ator não busca soluções, não tem ferramentas para essa função. Não adere à verdade. Pois nem ele acredita na sua mais confiavel fala. O ator tem os meios da fraude, a mais divertida e cômica fraude. Lágrimas de crocodilo; ora, substitua o crocodilo por uma bela rapariga: heis a verdade? A Truks tem essa retumbância emocional, esse golpe no peito. Seria a trilha sonora emprestada de filmes hollywoodianos? Seriam os hot-subjects do menor abandonado? Criança com déficit de atenção? Biografia de um imigrante refugiado da guerra? Mas e o ator dentro desse debate do indivíduo massacrado? Como produzir a verdade na animação de bonecos diante do desmascaramento dos apelos dos filmes de Spillberg?
CIDADE AZUL ainda na caixa
. Ao ator cumpre viver, questionar cabe ao estudioso, acadêmico, ao douto. O príncipe budista é alvejado pela seta em plena guerra, cercado de cuidados, vivo, deseja saber quem lançou a flecha mortal, qual sua motivação, por quê a seta não atingiu outra pessoa... fosse o príncipe um ator, faria o registro da visão de sua trajetória até atingir seu corpo, da dor pungente e pediria celeridade nos curativos... Fazer rir, fazer chorar, calar as pessoas e fazê-las ponderar... nem que seja ponderar sobre uma inverdade.
Neguinho esperando para entrar na CIDADE AZUL

sábado, janeiro 28, 2012

STAND FOR ANYTHING

Enquanto as idéias não vem, na velha condenação que o pai/patrão impôs à humanidade... fato é que não tenho postado nada por aqui, certo. Estou aprendendo, aprendendo muito. Se para aprender é preciso ouvir, ouvir e deixar para falar depois. Estou em São Paulo, com nada de acesso a rede, muitas vezes sem câmeras para registrar momentos como agora, num shopping, cercado de crianças gritando "começa, começa...". Estou trabalhando numa companhia de teatro de bonecos, de renome, ainda batalhando pelo espaço, como um iniciante, eu, um verdadeiro iniciante; já que o método de trabalho dista diametralmente do meu. Não direi que é um grupo grande já que grande é algo como o circo do sol. Mas é um grupo maior que eu, com mais problemas, com maior movimentação de dinheiro... pronto. O espetáculo vai começar, as pessoas estão entrando. E vou pedindo desculpas aos meus fiéis leitores, prometendo em breve, alguma conclusões sobre o mercado, a arte e...as consequências de tudo isso nas minhas costas!