quarta-feira, novembro 16, 2011

O EX- LIVREIRO DOADOR DE IDÉIAS

E nesta quarta pós feriadão a Cris Oliveira dá a dica da palestra do Zé Luiz Goldfarb...quem? O cara foi o dono da Livraria Belas-Artes!!!! Ele é um figura. Contou coisas da livraria e minha cabeça foi se esparramando de memórias, a Belas-Artes era passagem obrigatória das idas à avenida Paulista. Comprei muito álbum de histórias em quadrinhos, acho que foi lá que comprei O Mahabharata na versão do Jean Claude Carriére, da Brasiliense... Certa vez eu fui cambista e a grana que ganhei do ato contravencional eu torrei num "As Aventuras de HP e Giuseppe Bergman"de Milo Manara, sobre um cara comum, com todos os bias cognitivos, todos os erros de julgamento, que é contratado para viver uma AVENTURA que seria registrada pela empresa contratante; a história era da década de 80 ou 90, Big Brother era uma ameaça e o trampo de cambista foi uns ingressos que ganhei de um Alto executivo de um banco japones para um evento no MASP. Pedi um e ganhei uns dez convites, o que fiz, fiquei na bilheteria vendendo os convites. Faturei o equivalente hoje a R$150,00!!! Visitava a Livraria Belas Artes desde os 13 anos. Engraçado que logo ali tinha o Bar Riviera, o point da Rê Bordosa (alguem se lembra?). Só entrei no Riviera no seu ocaso. aos 13 anos ia nas duas Belas-Artes: livraria e cinema. Talvez pela conjunção de espaços culturais (foi nessa época que o termo surgiu), talvez pelo mero cruzamento de avenidas, talvez pelo bar em si; as tribos povoavam a região e por conseguinte a livraria. Foi lá que tive minha primeira experiência de convívio com a diversidade sexual: sapatas, homos, e outras categorias bacanais inacreditáveis! Sem crise, passantes... coloridos e brilhantes.

sábado, novembro 12, 2011

TEATRO EM CASA

Na quinta-feira, 20h. apresentei o LUVAZINE na garagem de casa. Pusemos bancos, cadeiras, servimos tubaína e compareceram 28 pessoas. A Luciana, com síndrome de eventos do facebook, temeu que a rua Xingu fosse invadida pela turba. Não sendo uma pré-adolescente gracinha, não temi por isso. Aguardava por 100 pessoas tendo convidado algo em torno de 300. Queria reviver os tempos de Ridimunho Mindim, como um baile de formatura perfeito, mas o equipamento me pegou: cd player enguiçou, troquei pelo macbook, um trambolho atras da cabine; o headset não parava na cabeça e os refletores à luz de velas resolveram queimar tudo antes do tempo escurecendo as cenas um pouco depois da metade da peça. Outra coisa que quebrou minhas pernas é que faltou-me presença de espírito! Quando saí de Bauru era mordaz e implacável nas críticas, era jovenzinho e não media as palavras. Depois de Curitiba, uma terra onde qualquer escriturário se comporta como coronel, perdi uma parte da velocidade do pensamento, de tanto segurar o tigre!! Outra desvantagem mental de Curitiba é a incrivel falta de inimigos, mas inimigos fiéis e cortezes, que comparecem nos duelos, provoca um buraco na mente da gente!!! O inimigo curitibano é desleal, predador sem a menor admiração pelo adversário. Para falar bem é preciso, malhar a conversa, opinar, ouvir e opinar! Lugares em que opinar é má conduta produz uma gente pacata, reservada e mal humorada. Teatro assim é difícil! Na apresentação, com algumas cenas novas que dependiam da minha eloquência desgastada, ficaram prejudicadas. Espero recuperar a velha mordacidade bauruense... Outra coisa inusitada que percebi foi a estranha conjunção de mulheres bonitas, inteligentes e why not: gostosas; assistindo o espetáculo. Tinha homem, claro! Maridos, crianças. Mas foram as mulheres que se manifestaram positivamente. Um ou dois homens vieram opinar sobre o espetáculo. Em Curitiba era o contrário. Uma maioria masculina expressava-se mais. …................... TECNOLOGIA DA BELA ARTE DE ATUAR ...............Para ser músico é preciso aprender a tocar um instrumento e algo mais. Ninguém diz : “dá esse violão ae que eu vou tocar!” Para ser malabarista, equilibrista, trapezista é preciso treinar. Ninguém diz: “que fácil vou tentar!” Já o teatro não. Para atuar basta entrar para um grupo, escola e em seis meses a pessoa estará suando frio a beira de um palco prestes a dar seu salto mortal diante da massa antropofágica, doida pelo seu tropeço que pode acontecer ou trocar pela coroa da glória celestial do aplauso convicto do bom desempenho. Embora seja uma “arte acessivel” aos poucos o ator vai percebendo que existe alguns aparelhos, gadgets, softers a ser adquiridos para melhorar a performance da sua arte. E que sem esses instrumentos, acessórios complementares a arte vai ficando ultrapassada, cansada, feia por fim.

domingo, novembro 06, 2011

NOVEMBRO, SEMPRE EM FRENTE, SEMPRE CORRENDO!

Em 2009 sai de Curitiba para São Paulo, Shopping Eldorado, para fazer o teste para Charlie & Lola. Eu rodei e o mais inexperiente com bonecos, o garoto iniciante no mercado dos castings levou o trampo. Pretendia aprender o que seria uma produção comercial, de royalties, a linguagem pedagógica e de consciências correta para lidar com crianças, correta para pais workalcoholics que passam pouco tempo com os filhos e são tomados da paranóia de perdê-los... Pais que obrigam baby-sitteres a vestir aventais, jalecos, como enfermeiras para evitar o germe da favela. O mesmo germe que deve estar inoculado na professora, ou na cozinheira que faz o jantar da família. Agora em 2011 mandei meu currículo para um cia. de Parati. Não fui aceito, mas tive a educada promessa de ter o currículo arquivado, no caso de precisarem de alguém com experiência. Isso indica que outro candidato cru, sem a menor noção de manipulação, sem inquietação... de solicitações salariais menores foi aprovado para o trabalho. Novamente, o meu projeto para esse serviço seria o aprendizado. Ninguem é tão completo que não precise de se alimentar de novas informações, mesmo no ambiente dos trabalhos semelhantes muito há de se aprender com os concorrentes. E por considerar que sou um concorrente, talvez, jamais venha a conseguir trabalhar dentro de outra companhia maior. Por falar em trabalho, acabo de ser excluido da programação de uma instituição (hhh) de Bauru. Estava tudo certo, quando o produtor saiu de férias (!!), a substituta argumentando desconhecer o trabalho dispensou nossa cia. Para isso bastava acessar este blog, ou simplesmente o material enviado... ou talvez presenciar os eventos selecionados pelo Sesc São Paulo, onde uma cia. me citou durante uma palestra por um "ótimo trabalho". Daí continuo um estrangeiro na minha própria cidade. Eita vida no campo! Para compensar, vou tornar a casa dos meus pais em teatro. Especificamente a garagem. Quinta-feira apresento LUVAZINE, uma das peças do repertório. Era algo que fazia bem feito ante de sair daqui: o Teatro do Tatame e o Ridimunho Mindim. Tem pessoas que jamais esqueceram. Agora será o Teatro da Rua Xingu. Vamos lá fazer direito, como se deve fazer o teatro feito com arte. Também estou trabalhando em outra marionete, com mais articulações, de madeira. Por isso cada pedacinho leva o dia inteiro para ser feito; porque além de entalhar tem que se ajustar com outro pedaço, daí a demora. CASE EMPRESARIAL: SOCIEDADES EMPÁTICAS. Ontem tivemos uma reunião tensa na empresa. O fulcro da Miyashiro Teatro de Bonecos, que é uma empresa pequena, muito menor que uma micro, portanto ágil e criativa. Criatividade e execução eficaz: ninjas dos bonecos!!! Porem a outra parte da sociedade havia esquecido isso, estava vacilando na pesquisa e desenvolvimento de projetos. É dificil desacomodar, instigar a equipe sair da zona de conforto. Tudo insulta, tudo provoca, tudo é agressivo quando se convoca para sair da letargia e tocar a empresa para frente. De um lado a empresa que funciona, estoque no limite, funcionários a beira de um ataque de nervos, cronogramas cumpridos no último minuto. Do outro o diretor amigo dos funcionários de braços cruzados, máquinas embrulhadas no plástico, tudo parado, limpo, novo, com potencial mas improdutivo, ou pouco produtivo. Ao convocar a outra parte a cumprir a demanda (incrível) o debate descamba para o lado moral, debates sobre competência, capacidade, emotividade, vitimização!!! O inferno! Como despertar as áreas eclipsadas da empresa e fazê-las produzir? Enigma do capital!

sábado, novembro 05, 2011

CANSOU?

Esta é uma canção para aqueles que se ajoelharam diante de seus inimigos. Este é um desenho para aqueles que tiveram todas as portas fechadas. Este é um poema para aqueles que ouviram somente não. Este é um livro para aqueles com dedos apontados diante de si Este é um filme para aqueles que todas as noites ouvem o doer dos amados. Este é um balé para aqueles que apesar de armados sentem-se fracos e desprotegidos. Este grito é para aqueles cujo lamento é mudo. Este teatro é para todo o sofrimento de um corpo infantil. Este choro é para aqueles que não se importam mais. Esta mão é para aqueles que desistiram. A inclemência é uma das patas da vida. Um cão com firme propósito de sangrar suas vítimas. Aproxima, morde, afasta, aproxima novamente... A vida é uma estranha contradição. Todos aprendem a lutar, ...mas viver depende da renúncia em enfrentar. Lutar é um ato contra a vida. Proteger os mais fracos é antinatural. Amar é contra a lei. Não ha amor sem enfrentar o destino Lutamos sempre pelos outros, nunca por nos mesmos. Portanto lutar pelo objeto de desejo sem perecer se chama arte.