sábado, novembro 12, 2011

TEATRO EM CASA

Na quinta-feira, 20h. apresentei o LUVAZINE na garagem de casa. Pusemos bancos, cadeiras, servimos tubaína e compareceram 28 pessoas. A Luciana, com síndrome de eventos do facebook, temeu que a rua Xingu fosse invadida pela turba. Não sendo uma pré-adolescente gracinha, não temi por isso. Aguardava por 100 pessoas tendo convidado algo em torno de 300. Queria reviver os tempos de Ridimunho Mindim, como um baile de formatura perfeito, mas o equipamento me pegou: cd player enguiçou, troquei pelo macbook, um trambolho atras da cabine; o headset não parava na cabeça e os refletores à luz de velas resolveram queimar tudo antes do tempo escurecendo as cenas um pouco depois da metade da peça. Outra coisa que quebrou minhas pernas é que faltou-me presença de espírito! Quando saí de Bauru era mordaz e implacável nas críticas, era jovenzinho e não media as palavras. Depois de Curitiba, uma terra onde qualquer escriturário se comporta como coronel, perdi uma parte da velocidade do pensamento, de tanto segurar o tigre!! Outra desvantagem mental de Curitiba é a incrivel falta de inimigos, mas inimigos fiéis e cortezes, que comparecem nos duelos, provoca um buraco na mente da gente!!! O inimigo curitibano é desleal, predador sem a menor admiração pelo adversário. Para falar bem é preciso, malhar a conversa, opinar, ouvir e opinar! Lugares em que opinar é má conduta produz uma gente pacata, reservada e mal humorada. Teatro assim é difícil! Na apresentação, com algumas cenas novas que dependiam da minha eloquência desgastada, ficaram prejudicadas. Espero recuperar a velha mordacidade bauruense... Outra coisa inusitada que percebi foi a estranha conjunção de mulheres bonitas, inteligentes e why not: gostosas; assistindo o espetáculo. Tinha homem, claro! Maridos, crianças. Mas foram as mulheres que se manifestaram positivamente. Um ou dois homens vieram opinar sobre o espetáculo. Em Curitiba era o contrário. Uma maioria masculina expressava-se mais. …................... TECNOLOGIA DA BELA ARTE DE ATUAR ...............Para ser músico é preciso aprender a tocar um instrumento e algo mais. Ninguém diz : “dá esse violão ae que eu vou tocar!” Para ser malabarista, equilibrista, trapezista é preciso treinar. Ninguém diz: “que fácil vou tentar!” Já o teatro não. Para atuar basta entrar para um grupo, escola e em seis meses a pessoa estará suando frio a beira de um palco prestes a dar seu salto mortal diante da massa antropofágica, doida pelo seu tropeço que pode acontecer ou trocar pela coroa da glória celestial do aplauso convicto do bom desempenho. Embora seja uma “arte acessivel” aos poucos o ator vai percebendo que existe alguns aparelhos, gadgets, softers a ser adquiridos para melhorar a performance da sua arte. E que sem esses instrumentos, acessórios complementares a arte vai ficando ultrapassada, cansada, feia por fim.

2 comentários:

Joba Tridente disse...

No ponto e ponto,
hein, Miya?!

Abração!

Jorge Miyashiro disse...

Desculpa a redação!
Abraçõa Jobão!