quarta-feira, outubro 12, 2011

JORNADA PARA O SUL / JOURNEY TO THE SOUTH + english allowed

A jornada para o Sul começou em Maringá-PR. Fui convidado pela Ro e pelo Sandro para o 5º FESTEBOM. Maringá é uma cidade peculiar, em 2009 no auge da crise econômica e do virus H1N1 eu e o Bernardo Grillo fomos apresentar o Trem de Ninguém por lá. A notícia que chegava era o do 1º óbito pela gripe; entupi de imunizante e fomos. O que vimos foi comércio vendendo e platéia lotada! Dessa vez em 2011, a cidade continuava a mesma ou melhor. Por lá encontrei colegas bonequeiros onde trocamos rápidas notícias ou algo mais extenso no café matinal. Tambem pude dar uma recapitulada no trabalhos dos mesmos, o que fiz registrando a Cia. Articularte (foto). O FESTEBOM é um festival feito por famílias e isso que o torna único. Acaba fazendo amizade com os filhos e sobrinhos dos Maranhos e Fagundes. Alguns colegas acabam não percebendo essas peculiaridades devido ao estresse das grandes cidades e acabam fazendo exigências inconvenientes ou simplesmente não dão a devida atenção e respeito aos pagantes da sua arte. Visite o Maringá Shopping; vá a praça de alimentação, compre um chopp Brahma com a simpática atendente e vá sentar no mezzanino que dá vista ao Parque do Ingá... ali pense na vida enquanto dá bicadinhas no chopp.
Voltei a Bauru e alguns dias depois tomei um ônibus até Curitiba e de lá, junto com o Bernardo fomos a Jaraguá do Sul-SC (foto) para o Festival de Formas Animadas. Esse talvez seja o festival predileto das grandes companhias, profissional, grandes platéias. As conversas são rápidas, impessoais, logo encerradas para que a demanda dos serviços seja realizada. Quase não conversamos com os colegas que estavam no festival e quase não conversamos com os palestrantes do seminário que acontece em paralelo ao festival. Exceção da Juliana, uma recem formada em Gestão Ambiental. Ela subiu ao palco para expressar seu encantamento com o espetáculo. Ela se impressionou com um adereço da peça, o trem; achou que ele tinha um mecanismo complexo e ficou um pouco desapontada quando viu que, a estrutura era apenas uma "caixa". Mesmo assim, ela insistiu que a locomotiva era muito expressiva porque tinha uma mola que permitia a chaminé esticar para fora do aparelho. Foi quando percebi o quanto a platéia não discerne: o público não reconhece a manipulação do boneco. Não reconhece o gesto produzido pelo boneco com linguagem, embora interprete com uma idéia generalizada. Algo como bater o olho num cartaz publicitário, saber do que se trata, mas não fez o esforço de "ler" o cartaz. A massa do público ao ver o conjunto do espetáculo é capaz de apreender a sequência de eventos, mas não registra a forma com que os eventos aconteceram. Algo com que muitos bonequeiros se preocupam, mas o público parece não se interessar: a manipulação. Manipulação no teatro de bonecos é comparavel a engenharia da sequência de ilustrações dos filmes animados: Shreck, Toy Story, Carros. a audiência sabe que esses filmes são milhares de vezes mais atrativos que os antigos da Hanna Barbera, a mesma situação ocorre com um espetáculo que tem uma boa manipulação de outro com manipulação menos trabalhada.
Depois de Jaraguá retornamos a Curitiba para duas apresentações no Teatro de Bonecos Dr. Botica. Eu trabalhei nesse teatro desde a sua inauguração. Hoje sua administração esta a cargo da Fundação Cultural de Curitiba. Com infiltrações, moscas saindo pelos ralos, baratas... num teatro dentro de um shopping. As companhias que apresentam no teatro devem fazer um mini-show gratuito antes do espetáculo começar. Esse show costumava lotar a frente do teatro, o que é um atrativo para o shopping, cuja administração não tem o menor interesse por esse mini-show. Mesmo a sorveteria, em frente ao teatro, D'Vicz, sempre reagiu com hostilidade, reclama do som alto, embora o estabelecimento faça parte da "praça dos bonecos"... da minha parte não tomo mais os seus sorvetes. Mas esse desacordo é ruim para todas as partes. A multidão não acumula mais diante do teatro porque as atrações não são mais uniformes e as criações nem sempre são do agrado do público consumidor das lojas. O Botica fica nessa variável, nem é produto de shopping nem resultado criativo.
JOURNEY TO THE SOUTH The journey to the South began in Maringá-PR. I was invited by the producers Ro and Sandro for the 5th FESTEBOM. Maringá is a unique city, in 2009 at the height of the economic crisis and H1N1 virus, me and Bernardo Grillo were invited to present with our puppet theater the Trem de Ninguem there. The news came that there was the death of a victim to the flu, and we were immunizing a lot. What we found was the sidewalks crowded, stores selling and trading with high capacity! This time in 2011, the city remaining the same or better. For where I met fellow puppeteers exchanging quick news or something longer accompanied by breakfast. Could also give a recapitulated in the friend's work, which I did recording the Articularte Co. (photo). The FESTEBOM is a familiar made festival and what makes it unique. Ends up making friends with the sons and nephews of Maranhos and Fagundes. Although some colleagues have just not noticing these peculiarities due to the stress of big cities and end up making demands inconvenient or simply do not give due attention and respect for the buyers of his art. Visit the Shopping Maringá, go to the food place, buy a Brahma beer with the friendly attendant and go sit on the mezzanine that overlooks the Park of Inga ... here think of life as it gives sipped the beer. I went to Bauru and a few days later I took a bus to Curitiba and there, along with Bernard went to Jaragua do Sul, SC (photo) for the Festival de Formas Animadas. This is perhaps the favorite festival of large companies, professional, large audiences. The talks are fast, impersonal, then closed for the demand of services. Hardly talked with colleagues who were at the festival and hardly talked to the speakers at the seminar that takes place in parallel to the festival. Exception of Juliana, a newly formed Environmental Management. She took the stage to express her delight with the show. She was impressed with a prop in the play, a train, thought it had a complex mechanism and she were a little disappointed when she saw that the structure was just a "box". Still, she insisted that the engine was very impressive because it had a spring that allowed the chimney to stretch out from the engine. That's when I realized how much the audience does not discern: the public does not recognize the manipulation of the puppet. Does not recognize the gesture produced by puppet as language must be, though made a general idea. Something like the eye hitting a oudoor, know what it is, but made no effort to "read" the advertising. The mass of the public to see the whole show is able to capture the sequence of events, but does not the way of events happened. Something that many worry about the puppeteer, but the public does not seem to be interested: the manipulation. Handling the puppet theater is comparable engineering of the sequence of illustrations of animated films: Shrek, Toy Story, Cars. Audience to know that these animated films are more a thousand times more attractive than the old Hanna Barbera cartoons, the same situation occurs with a spectacle that has a good handling of another with less manipulation worked. After Jaraguá returned to Curitiba for two shows at the TEatro de Bonecos Dr Botica. I worked in theater since its opening. Today his administration is in charge of the Fundação Cultural de Curitiba. Leaking, flies out of the drain, cockroaches ... a theater inside a mall. Companies in the theater must present a free mini-concert before the show begin. This show used atracted a crowd to the front of the theater, which is an attraction for the mall, whose administration has not the slightest interest in this mini-show. Even the ice cream store in front of the theater, D'Vicz, always reacted with hostility, complains about the loud sound , although the establishment takes advantage of the "square of the puppets" to sell their products... on my part no longer take their ice cream. But that disagreement is bad for all parties. The crowd does not accumulate more on the theater because the attractions are no longer uniform and the creations are not always appreciated by the consuming public stores. The Botica is on this variable, nor is the product of creative outcome or shopping product.

2 comentários:

SergioRDG disse...

Legal a crônica. Falta um botãozinho de curtir...

Jorge Miyashiro disse...

"Curtir"é no salão de festas, cerveja quente, todo mundo falando ao mesmo tempo... aqui é a biblioteca, puro cubano, brandy, malte, até cerveja gelada! hahaha!