quarta-feira, junho 29, 2011

PAULISTÂNIDAS; NÃO FAÇA DA ARTE UM CARRO DO ANO



Marcelo, Verônica Gerchman, Mauro manipulando por telepatia o objeto na oficina de Agnés Limbos.

Meus amigos devem estar ansiosos para saber o que o velho Mia aprendeu na oficina de madame Agnés Limbos!?! Aprendi que não sei nada de teatro de objetos e muito possivelmente não aprenderei. Faço um razoavel teatro de fantoches, alias assisti ao Yuen Fai no CCBB o seu HAND STORIES que conta simplesmente a saga de seu pai, irmão mais velho (Yang Feng) e a sua. Desde a prisão e detração pública do pai, a mal resolvida viagem do Yang Feng (mágoa explícita) e a sua encarada no mundão. Primeiro o Yuen Fai resolve bater latinha, ganhar uns cobres com os fantoches chineses aonde??? Bolívia!!! Tudo bem, amigos, a história tem final feliz. Ele é salvo por um anjo. Mora em Paris! Que final, heim?!
Falava de Agnés Limbos.
A questão é que para se fazer o teatro de objetos é preciso um clown fenomenal. O objeto não é vivificado com simulacros de gestualidade humana. Mas a emissão de significados funcionais produzidos pelo objeto sofre a interferência do corpo clown do artista. O resultado é a elaboração do que Agnés chamou de elipses.
Desnecessário dizer que apanhei muito na oficina. Perdi meu corpo clown ha muito tempo, atras das empanadas, enquanto punha a trilha sonora, preparava a entrada do próximo boneco, lutava com a rouquidão engolindo goles de água... Pergunto se ressuscito esse zumbi...
Errei, errei muito, errei até dizer chega, até as pessoas dizerem que estavam de saco cheio de me ver errar. Mas não foi para isso que fiz essa m... de oficina? Ou para exibir meus talentos inquestionáveis???? A vá!

Assisti o espetáculo da Cia. Mútua, de Itajaí-SC, dirigida por Willian Sievert, com bonecos de Paulo Nazareno, diversas vezes mencionado neste blog. Os bonecos tem a escultura de Mônica Longo, atriz da cia. Um belo espetáculo. Um espetáculo que poderia ser um filme, uma animação 2D, os bonecos tem o desenho e o movimentos dos desenhos animados; talvez esse seja um contrasenso em uma concepção que poderia ser filme mas optou pelo teatro. Senti um subutilização dos atores. É algo para se realizar.

No Brasil é assim. Os espetáculos estão engordando. Cenários grandiosos para comportar os pequenos bonecos. São produzidos como carros do ano. Os espetáculos são pressionados a ter idéias inovadoras a cada ano, para seduzir como seduzem os carros do ano. Quem escolheu transformar a cultura, a arte, nesse tipo de produção? Por quê entramos tão cordiais nesse modo de produzir? Por quê parte do cérebro criativo agora deve lidar com a tradução dos editais, idealizado por aquele burocrata, com graduação e mestrado em artes cênicas, que altera a letra do edital, todos os anos seguintes, sob o argumento de "melhorá-lo"?
Aí está! Nos queríamos melhorar a vida do artista, dar-lhe vida digna. Pois agora temos um carro do ano, a cada ano!!!!
EU SOU CONTRA FAZER DA ARTE UM PROJETO!!!!!
EU SOU CONTRA CHAMAR EDITAL DE ARTE!!!!!
GOVERNO NÃO É MECENAS!!!!!

Mas, falava de Agnés Limbos.
Não sei quem, mas eu preciso ressuscitar o zumbi do meu corpo clown; para que, nas lpalavras de madame Limbos: deixemos de fazer teatro de crianças para falarmos da nossa vida, dores e amores.

Nenhum comentário: