domingo, maio 22, 2011

UM DIA EM PAULYWOOD / A DAY IN PAULYWOOD



Nem só de arte vive o artista. Ele tem que pagar contas e sonha em possuir uma casinha de tres quartos, ou uma chacarazinha para reunir os seus discos, livros , amigos e nada mais. Portanto uma hora ou outra cede a tentação de aceitar fazer um teste para uma novela ou peça publicitária. No caso, aceitei o convite para um casting de um filme sobre a cultura nipônica no Brasil, nikkey.
sabe o que é chato nesses testes de casting? Não é o teste nem o trabalho em si, mas as pessoas que fazem o teste, a produção do casting. Sempre assisto filmes de casting ou testes de admissão de hollywood: Fama, Chorus Line, No Balanço da Dança (até). Nos filmes, o examinador, severo, rigoroso e de cara muito sizuda dificulta e constrange no limite da disciplina, o candidato a bolsa, ao papel, que seja; mas jamais, jamais, pelo menos no filem, desmoralizará o candidato! A crítica SEMPRE será construtiva, ou respaldada pela verdade. O examinador dirá se o candidato tem ou não tem talento, se ele tem alguma deficiência a ser trabalhada: isso é ou não é legal??? O Brasil...
Ah, o Brasil que não é USA! Porque aqui somos gente de coração aberto.
No Paraná, em sua capital Curitiba, uma das melhores capitais do país para se viver se dizia; os curitibanos diziam que Curitiba era autofágica; que quando alguém se destacava os pares tratavam de eliminá-lo, se uma idéia progredia os prórpios envolvidos no projeto tratavam de solapá-lo.
Acho que autofagia é o mal do país.
Então falava do casting. Quer ir mal no casting? Ouça o que a direção do casting tem a dizer.
As meninas do casting mandaram um email falando que o personagem era meio louquinho, tinha um passado de traição conjugal, a esposa o abandonara e ele passara a achar que era samurai e vivia a proferir impropérios em japones pelas ruas.
A casting pediu que eu não me preparasse, aqui ó!
Então a revelia do casting preparei:
- dois a tres insultos em japones;
- uma cena de gritos (japones odeia barulhos) e frases impertinentes;
- uma cena de insultos contra a esposa (presente ou não)- minha melhor cena.
Tudo isso em japones, falado em japones.
Perfeito.
Fui até o estúdio para gravar o teste.
A Diretora então dá o golpe, o golpe previsível:
"O cara que te corneou esta ali onde a câmera está, vc. o ve e fica louco, xinga em japones".
"Mas só tenho tres insultos!?"
"Ué, você não fala japones?!" Do tipo recite o VXIII Cena de Sonhos de Uma Noite Verão, em inglês... ora você não disse que sabe inglês?
"Sei, eu sei japonês e você sabe? Não, pena". Falei tudo que tinha ensaiado, inclusive a cena de insulto da esposa: Futei no tsuma (esposa infiel!); kanojo wa shinu (quero que ela morra).
ora o cara era louco, a diretora também e eu quero ficar! Dane-se o mundo! Quero emprego e pagamento na Paulywood em São Paulo!

Not only art the artist lives. He has to pay bills and long to achieve the dreams of owning a house with three rooms, or a little contry house to gather your records, books, friends and nothing more. So sooner or later falls in to temptation of accepting audition for a soap opera or advertising. In this case, I've accepted the invitation to a casting of a film about the japonese culture in Brazil, Nikkei.
Do you know what's annoying in these casting tests? Not the test nor the work itself, but people who do the testing, production of the casting. I always watch movies in casting or School of Art's admission exams : Fame, Chorus Line, and others. In movies, the examiner, severe, strict and very hard face hinders and constrains the limits of the discipline, the candidate for the scholarship, or the paper, that is, but never, ever, at least in film, demoralize the candidate! The constructive criticism is ALWAYS or supported by fact. The examiner will tell if the candidate has or has not talent, if he has a disability to be worked out: it is nice or not?? The Brazil ...
Ah, Brazil is not USA! Because here are people with open hearts.
In Paraná, in its capital, Curitiba, capital of one of the best country to live if he would say; the Curitiba Curitiba was said that self-phagic; that when one stood out the couple tried to eliminate him, if the own specific idea progressed involved in the project tried to undermine it.
I think that selfphagy is evil in the country.
Then I've spoke of the casting.
Do you want to fail in the casting? Listen to what the direction of the casting has to say.
The diretor of casting sent an email saying that the character was a kind of crazy, had a history of marital betrayal, his wife left him and he happened to think it was samurai and lived to utter curses in Japanese, through the streets.
The casting has asked that I did not prepare me, here ye!
So the absence of the casting directions, I prepared:
- Two to three insults in Japanese;
- A scene of screaming (Japanese hates noises) and naughty phrases;
- A scene of insults against his unfaithfull wife (present or not) - my best shot.
All this in Japanese, spoken in Japanese.
Perfect.
I went to the studio to record the test.
The director then gives the coup, the coup predictable:
"The guy who stolen his wife is there, where the camera is. You see him and gets mad, he curses him in Japanese."
"But I only have three insults!?"
"Hey, you don't said you're Japanese spoken?" In this same case, recite the XVIII Scene Night's Dream Summer in Old'English ... don't you said you knew English?
"I know, I know and you know Japanese? No, sorry." "I spoke to had tested, including the scene of his wife's insult: Futei in Tsume (unfaithful wife!) Kanojo wa Shinui (want her to die).
Now the guy was crazy, the director and I also want to go! Damn the world! Want to employment and be paid in Paulywood in São Paulo!

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