quarta-feira, maio 04, 2011

AGRICULTURA UTÓPICA

Chega o tempo em que a vida nos faz mudar o rumo. Já ruminei o desgaste que o modelo neo-liberou-geral dos falidos partidos sóciodemocratas, inclusive aqueles que se travestiram, tentam imprimir na mais velha ainda, máquina do funcionalismo; impor a produtividade industrial. O governo agora quer profissionalizar a produção de arte. O nome que dão para isso é "MODERNIZAR", mas na verdade os modernosos querem é promover a revolução industrial, implantar a tear à vapor nos projetos culturais. Legal, né? Por essa razão a interlocução junto ao Governo passa necessariamente diante das cooperativas, associações e até por partidos; o Governo jamais vai ouvir a sua proposta individual, caro Lobo Solitário. Nos que pensamos um dia mudar o mundo, apenas um grau em sua latitude, podemos mandar o cavalinho para debaixo da cocheira.
Falando em cavalinhos e modelos administrativos falidos, resolvi radicalizar. Propus a cia. Miyashiro Teatro de Bonecos a adesão a um novo projeto estético. A busca das verdadeiras raízes, as raízes do brócole, almeirão, cebolinha e da laranja. Sim, amigos. Estamos aventurando no mundo campezino. Não como alguns colegas oportunistas que andaram visitando acampamentos dos irmãos revolucionários dos trabalhadores rurais. Nada disso. A proposta é pegar na enxada, plantar, puxar terra, suar o sal para receber o fruto telúrico. E assim tentar entender o que a Terra diz ao homem e por quê o homem insiste em não aprender.

A adesão da companhia foi de mais da metade, isso implica no diretor e nos bonecos. A parte de cor (Luciana) não aderiu porque alguem tinha que cuidar do Felipe. Pronto.

Os canteiros escolhidos são da propriedade dos Maedos. Primos do diretor. A propriedade é produtiva, altamente aproveitada, com somente 1 alqueire. Mas produz caixas e caixas diárias de verduras entregues a supermercados e sacolões. Nesse sentido não há espaço para experimentações ousadas. Falhar ali é quebrar uma cadeia econômica e alimentar. Portanto fomos designados a arracar matinho. Essa atividade prozaica, em genuflexão, num gesto de catar migalhas, é quase uma mortificação. O impacto físico é o massacre do nervo ciático.
Mas antes de as costas se congelar em 90 graus, aprendemos coisas interessantes. Ao arrancar a beldroega e o picão, que são os tais matinhos, suas raízes deixam buracos próximos as raízes das verduras. Isso poderia fragilizar a verdura, mas com a rega de água, a terra se fecha como uma cicatrização, deixando a verdura saudavel novamente. O que entendi é que o mato não prejudica a verdura, mas dificulta a sua colheita.
Pedimos para mudar de função devido ao pane do nervo ciático. Nos ensinaram a usar a enxadinha. Com o cabo fino e pequeno, lâmina leve e retangular, a enxadinha poda o mato no nivel do solo de forma surpreendetemente eficiente. E o trabalho rende de tal forma que não se pode entusiasmar como fez o diretor; e assim não só lesionou as costas mas a coxa, ao fazer uma torção à la kung fu, para limpar dois canteiros simultaneamente. A terra nos ensina a ser parcimoniosos e nada exibidos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi muito bem estruturado blogue , amei mesmo muito, acho que poderiamos fcar amigos de blog :) lol!
Aparte de brincadeiras chamo-me Raimundo, e à semelhança de ti publico na internet se bem que o tema do meu espaço é muito distinto do teu....
Eu estudo websites de poker sobre poker gratis sem arriscares o teu dinheiro......
Apreciei muito o que li aqui novamente
Virei aqui mais vezes
Ps:desculpa o meu portugues