quinta-feira, abril 07, 2011

ARDOROSA PROFISSÃO DO CRÍTICO


Lamentava-se que no Brasil não havia críticos nas redações.
O mesmo lamento daqueles que não tinham público em suas platéias. Eram as companhias experimentais, o teatro de pesquisa ou o processo "turn-over under own belly", manja? Percebeu-se que esse lamento era na verdade uma baita carência afetiva,  falta de amor, porque o artista que se ornava da imagem de sexualmente livre, na verdade se viu nu de maneira que não desejava, ou seja estava sempre sozinho, era muito mal amado. O que na Economia se diz: era um consumidor de um produto de baixa qualidade; e o povo reconhece aquele que come mal pra cacete!
Se hoje estamos melhor resolvidos, em boa companhia sexual, afetiva e cúmplice; visto que nas premiações se agradece "primeiramente" a aquele (a) companheiro (a) que sempre esteve ao meu lado...; se hoje estamos melhor remunerados diante das generosas leis de incentivo e fundos acima de nossos joelhos. Pergunto, qual a função do crítico se não com a finalidade de nutrição da vaidade?
O crítico, quando emitia a crítica, se na verdade fosse ELOGIO; era ostentado como o grande troféu na carreira do artista. Prêmio e crítica foi e ainda é os distintivos do artista. Com eles se ganha mais prêmios, mais dinheiro, mais prestígio. O artista é como um boi. Quanto mais obeso, principalmente nos aspectos subjetivo, melhor.
Mas supondo que as políticas sejam mais horizontais, para que o crítico?
O crítico deve mergulhar na obra, fazer emergir com seu texto, sua crítica, o entendimento, a elucidação da obra. O leitor deve iluminar-se e sentir-se enamorado pelo trabalho do artista. Mas se sabe que o crítico acaba sendo (sempre e afinal, de todo modo)  qualquer jornalista na redação, designado para assistir tal espetáculo. O funcionário da redação acaba sendo o crítico da hora, que por obra do destino era o espetáculo de um grande amigo!? E daí? Não é a grande oportunidade desse jornalista externar o norte deste seu amigo, quer dizer, desse artista? Sim! Ele traduz a obra desse artista e essa obra se torna essencial para a sociedade, se torna o veículo por onde alguma linha de pensamento trafega. Lindo, perfeito.
O problema é quando o jornalista-crítico se empolga com o sucesso de suas traduções, de suas iluminações e esquece que ele, no fim das contas, externava apenas a sua opinião sobre o trabalho de um amigo que ele conhecia, que pacientemente, registrou suas digressões nas mesas dos botecos madrugueiros.
E agora sobre esse trabalho, esse artista que não conheço?
Esse não é igual ao meu amigo. Então é RUIM? Tem tais e tais problemas? Não "comunica com o público". Não "resolve a cena"?
Jamais deveria haver crítico profissional, porque esse indivíduo deveria estar embebido num tão vasto conhecimento humano, possuir uma tal compreensão tão planetária das dimensões antropológicas, uma tal onisciência das possibilidades e  alcances das culturas humanas, para poder ser justo e honesto em opinar sobre um trabalho que não conhece.

6 comentários:

Fábio Pinheiro disse...

Olá Miyashiro! Boas falas essas. Lembrei de um espetáculo que se chamava "Bárbara Não te Adora" fazendo referência à crítica de teatro(e especialista em Shakespeare)Bárbara Heliodora. Não sei se por pressão editorial ou maturidade mesmo o fato é que ela tem gostado mais das peças. Que coisa não?

Jorge Miyashiro disse...

Ah, a rainha má do teatro brasileiro!
Pois vc. foi vítima de uma de suas maçãs, um tempo atrás... agora as maçãs estão mais caramelizadas, é?
Hahahaha!
Bom, para nós, vamos dizer, crítica boa é aquela que fala bem da peça. O contrário é uma má crítica. Não é mesmo?

SergioRDG disse...

"O amigo do meu inimigo é meu amigo". Ou seria "o inimigo do meu amigo é meu inimigo". Ou quem sabe "o inimigo do meu inimigo é meu amigo'. Ou "o amigo do meu amigo é meu... amigo"?!?, esta aqui subverteu a doce lógica karaniana...

Jorge Miyashiro disse...

Pô! E vc. sempre se disse meu amigo e jamais me elogiou criticando, ou criticou elogiando, ou melhor elogiou elogiando... ah, jamais disse que eu era o melhor dos melhores! Buááááá!

projeto8 disse...

Jorge, preciso de um Help, eu tenho que fazer uns mamulengos e gostaria de saber que madeira você usa nos seus bonecos.
Abraços
Paulo.

Jorge Miyashiro disse...

Caixeta.
Tem uma madereira, um barracão no mesmo quarteirão do SENAI, Rua Mons. Andrade. Perto da rua do Gasômetro. Ele vende em caibros inteiros, não fica caro. Ele serra em pedaços grandes, mas é bom ir de carro para carregar tudo.
abs.