sábado, janeiro 30, 2010

NAS PEGADAS DO TEATRO DO PÉ


Tem muita coisa na rede que a gente nunca fica sabendo.
Achei o blog do Grupo Teatro do pé, uma cia. de atores-pesquisadores de Santos-SP.
Nesse blog: http://blog.teatrodope.com.br/
Tem entrevistas bonequeiros notáveis com Miguel Vellinho (Cia Pequod) , Verônica Gerchman, Henrique Sitchin (TRuk's); atores de técnicas admiráveis como Ricardo Pucceti (LUME).
Vale também conhecer um pouco do trabalho de um grupo produzindo algo consistente fora das capitais.
Uma boa viagem!

terça-feira, janeiro 26, 2010

TO FRIENDS OF ABROAD

Two years had past and I keeping going on. Although something and someone always block the path. Focusing in all these works, this create a energy to stand. Cutting wood, thinking about a system to open/close eyes or mouth, (You can see by these photos blogged) put a puppet alive It's enough to forget all mess of this world: that's grasp my heart and shake my head!
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I'm translating the glove puppet theory, about puppet axis. And in some days I'll make a video, in English!
I hope your all comprehension where i want to go...

segunda-feira, janeiro 25, 2010

PREPARANDO-SE PARA A BATALHA!!!


Brincadeira! To na paz.
Mas olha o que essas meninas japonesas fizeram!
Brincando, heim! Brincando!

quarta-feira, janeiro 13, 2010

2010, O ANO QUE FAREMOS CONTATO!

Lembram desta?
Eu lembrei! Roy Schieder, Hall 2000, monolito em Marte...uau! Estamos quase lá.
Enquanto minha fazenda marciana de plancton não vem , vou lascando o pau no pau.
Aqui os novos bonecos do PROFESSOR CONCERTINO, novo espetáculo sob os auspícios da Fundação Cultural de Curitiba, LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO ( tenho que declinar, afinal, é o patrocinador).
Percebam que olhos e bocas serão articulados, e todo esse sistema será acinado com poucos dedos, uma mão. Para não disfuncionar a minha técnica de duplicação em cena.
Uma das meninas que fizeram a reportagem sobre o mestre de Taiwan, a Micki, ficou minha amiguinha e está dando algumas dicas, que pretendo usar. Ela falou sobre um sistema de fios em que enquanto os braços do boneco se movem, os olhos se abrem e fecham. Coisa de china.
As cabeças (fotos abaixo) estão sendo feitas no meu quarto de serviço, sem que o vizinho se incomode, sem que tenha de parar para a Lu fazer o jantar!!! Tem espaço, posso trabalhar até de madrugada se quiser. E pensar que trabalhei nesse regime repressor por 10 anos!!! Nem o Zé Dirceu viveu assim! Levando bronca de vizinho no apartamento de baixo por causa do pedal da máquina de costura. Levando chupada do vizinho de cima porque eu estava batendo o formão no toco de madeira... O inferno, o inferno!!!
Agora fico até com vertigem, tantas possibilidades, tanto trabalho.
Numa rua sem saída, com vista para uma mata ciliar, preservada, com altas árvores, araucárias, meus velhinhos surdos, aranhas marrons em baldes, pimenteira, laranjeira, pés de espinafre no quintal, limoeiros, artemísia, boldo... só falta o piano de cauda para tocar no fim do dia...
Vejo as nuvens passar, chuvas de Verão. E o antigo dono do apartamento que fui despejado já foi assaltado em casa, cinco bandidos rendendo esposa e filhos. Neurótico pelo trabalho, pelo dinheiro. É dentista, atende os pacientes com uma mão, o telefone na outra e deixa os corretores entrar na sala de cirurgia. Quando as Bolsas bombavam pegou todo o seu dinheiro juntou com um empréstimo do banco e aplicou em ações. Perdeu tudo! Agora, com 45 anos vai para os USA investir nos escombros do setor imobiliário americano. Vai ganhar dinheiro como ganham os mafiosos com o lixo na Itália. Está queimando o condomínio onde morei mas não vai poder vender tudo pq. tem uma pendência com o INSS. Tem uma construtora, usa material de terceira e vende como imóvel de primeira. Qual círculo do inferno esse cavalheiro irá habitar? E a sociedade louva esse tipo. Trabalhador, esforçado, pai dedicado, que não prejudica ninguém: epitáfio padrão.
Como disse o velho Alfredo fico vendo o matinho crescer, mas esses caras me deixam com a consciência pesada. O catolicismo ainda bate na minha testa. Meus parentes são assim, meus vizinhos são assim, meus melhores amigos (heim, Sergião! Faaala Grillo) são assim. E por mais que eu me esforce, sem querer estou olhando para o matinho crescendo!!!!
Essa vida não vai me levar a naaaaaaada!
E aqui, a obra!


terça-feira, janeiro 05, 2010

ARTE BONEQUEIRA, PASSAGEM E PROSSEGUIMENTO

Juventude e memória da juventude são as duas tônicas da narrativa.
Tenha uma peça ou filme com um ou ambos os elementos, esse blockbuster ira alçar as alturas de Obra eterna.
Atire o primeiro lenço quem não deitou uma lágrima por Romeu e Julieta, de Baz Lurhman o único papel de leonardo de Cáprio e Claire Danes; ou não perdeu o fôlego na viagem temporal de Anton Ego diante de uma garfada de Ratatouille.
Todo adulto lamenta sua juventude perdida. Como um anel que tu me deste que era vidro e se quebrou... Olha com melancolia aquela bela garota, magra, desprezada, de aparelho, que tanto lutou pelo seu amor... "era bonitinha!" Dirão que nem tudo na dramaturgia é moçadinha bonita e cheirosa. Mas quando há uma velhinha (o), repare que eles são imbuidos de uma energia vital, alegre, motivada... juvenil. Na verdade, o maior temor é de que o corpo falhe, falte e envelheça. Ninguém se convence de que uma cabeça boa resolve quase tudo, ou pode-se ir levando, na maciota. Se o medo de um corpo deteriorado é grande imagine, a mente!
Que mal terrível o Alzheimer! Não há destino mais cruel para uma era tão virtual, tão construida no pensamento (bom ou mal).

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Não quero ser diferente, mas meu fim-de-ano foi uma bosta!
Se um dia ganhar um APCA, Oscar, Leão de Ouro jamais vou agradecer minha família. Da sogra até minhas irmãs, do meu sonolento pai até minhas tias, ninguém acha que tenho o tal dom, talento ou sequer a mínima propensão para permanecer na profissão (perdendo edital e dinheiro como perdi, até eu aconselharia a mim mesmo a mudar de rumo...). Que seja essa minha vingança!
O que fazer? Eles estão certos. Hoje, arte é valor, mercado, fama extraordinária. Não tenho dinheiro, e no tópico fama, as pessoas tem uma vaga noção a meu respeito. Aliás não muito boa:- "aquele japonezinho que fez xixi no palco, né?"
2009 errei tudo! Errei a dose, errei o caminho e estou quase para pegar um saco, um cabo de vassoura, largar mulher, filho e família, e sair vagando pelo mundo feito um cometa.
Quando era adolescente era movido por essa possibilidade. Se tudo der errado, saio pelo mundo a vaguear. Hoje eu erro, erro e erro mas continuo insistindo porque sou brasileiro e não aprendo nunca. (É para rir, tá!)

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No fim-de-ano conversava com minhas irmãs, cunhados e cunhadas. Lembrávamos os velhos tempos em que éramos crianças. E a imagem que todos guardam de mim, é que eu era um caso perdido.
Sou tomado pela ansiedade em explicar os motores que me levavam a agir daquela forma. Para que? Ano que vem vou levar a mesma bordada!
Meu cunhado chegou a confessar que jamais confiaria um seviço a mim, caso eu fosse engenheiro, advogado ou físico nuclear!!! Tudo bem, ele é médico e eu jamais confiei minha saúde em sua medicina.
Minha sogra disse que ainda acha que minha profissão não tem nada a ver; depois de dez anos casado com a filha dela, ela vem me dizer isso!
Começo a entender que para a família, a única vez que terei minha vida relatada com um pouco de lirismo será após o meu falecimento.

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Na volta passei pelo Vale do Ribeira, para fingir que nas férias explorei as cavernas do Ribeira. Na verdade flanei pelas rodovias curvas dos morros daquela região. Deu para esquecer o mundico!
Estava com tudo ali, Mac, filmadora, câmera, não captei nada!

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Pronto estamos passando do ape para uma casa. Tem quintal, dois limoeiros, a oficina vai ficar num quarto grande, vamos fazer da sala um espaço para cursos, reuniões e penso em fazer uma sarau aberto para a vizinhança na garagem, com bonecos. Quero fazer num dia ou outro duas ou tres horas de improviso!!! é uma proposição de início de ano, portanto passível de não ser cumprida. Estou muito entusiasmado. A casa fica numa rua sem saída, anotem: Rua Egídio Antonio Zamillian, 221, Santa Felicidade , Curitiba-PR.
Tem velhinhos por todos os lados... Minha única preocupação será aquecer a casa no inverno, sei lá, achei-a meio fresca.

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Eu sou ator-bonequeiro. Tenho ouvido muita gente que faz teatro com bonecos, um mal teatro de bonecos, dizendo-se: A-T-O-R! Afora o serviço que essa gente presta para a arte, isso demonstra uma falta de amor próprio. Ou talvez algo pior, o desprezo, motivados pela mesquinharia burguesa nobiliárquica de ficar sempre por cima, por uma vertente que reune teatro, escultura, pintura e mambembagem. O cara se diz ator como quem diz: sou cardiologista e não clínico geral. Minha opinião é de que isso aconteceu nos anos 70, no período em que o teatro era arma contra a ditadura. E os atores daquela época tiveram encontros com os mestres de outros países, embora houvesse outros bonequeiros por aqui. Esses mestres do estrangeiro eram articulados, traziam dentro de si a luta política e revolucionária. Já o bonequeiro brasileiro era e ainda é, gente simples e analfabeta; e dificilmente aderia a causa política. Portanto as técnicas de manipulação de estrangeiros tornaram-se instrumento para o ator brasileiro e isso permanece até hoje. Só que ao invés de anotarem a teoria dos mestres estrangeiros, ficaram só com o currículo e o exibicionismo perpetua. No entanto, em contradição, há um medo contra a aplicação demasiada sobre a técnica. O ator teme ficar "bitolado", "marombado"pela técnica. A vida nos ensina que, sem o exercício disciplinado e regular jamais o boneco será manipulado adequadamente, assim como um instrumento musical jamais será tocado apenas ela intuição momentânea. Uma coisa é a defesa da identidade nacional. Outra é a adoção de boas práticas. Nem sempre a sabedoria do índio funciona no corre-corre. Deve-se separar e reconhecer o que é patrimônio do país e a adoção de normas , técnicas e formas, vindas do Exterior que sejam interessantes. Esse velho debate de gente da cidade reproduzindo, sem reler e adaptar o canto de trabalho da gente do campo, soa distoante. Porque a forma física do urbano não revela a carga dura do campesino. Mas isso é outro assunto.
Ressalto que apesar do teatro de bonecos ser considerado arte menor pelos próprios atores que usam bonecos, o teatro de bonecos não seria o que é, disseminado e praticado, sem eles. Um mal que vem para o bem, talvez...

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Só o teatro brasileiro admite um violeiro que não toca violão, um cantor que não canta, um dançarino que não dança. Embora as escolas citem e adotem o Stanislavski. A coisa fica na citação. Portanto qual a mensagem de uma cia. que aplica uma técnica diferente a cada espetáculo, e um espetáculo por ano? Eu faço há 12 anos fantoche. Procuro trazer uma cena nova a cada dois anos, com fantoches. É o que dá para fazer. Consigo fazer um fantoche cantar e o outro tocar violão. Vai entrar na próxima peça. Foi o que consegui até agora. Já fiz a manobra clássica, do fantoche pular da minha mão dar cambalhota e voltar para a mão. É difícil, a cena as vezes não dava certo, mas fiz. Pois sou considerado um especialista pelos colegas. Isso denota que sou tedioso e pouco criativo, para eles. Mas vá procurar um músico erudito que venha a tocar um instrumento diferente a cada cinco anos para ver o que acontece com sua carreira.
Afinal, a fome intelectual e infantil, a visão jornalística e crítica por novidades, não passa de outra voragem consumista como a que acontece nos axés, funks e sertanejos da vida.
É isso, cara! Se você não é erudito, então é massificado! Durma com essa.
E voltamos a falar da juventude...

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