segunda-feira, setembro 06, 2010

SOLILÓQUIO PARANAENSE

Milene e sua raposa, Oficina de Teatro de Bonecos de Araucária
O Acendedor de Lampiões e sua dona na Oficina de Teatro de Bonecos de Araucária,
TEATRO DA PRAÇA DE ARAUCÁRIA
O Paraná tem perdido o bonde das dotações federais e aparentemente, poucos tem ganhado bem, enquanto outros muito pouco. Afora a habilidade monetária destes poucos felizardos, algumas iniciativas devem ser apontadas.
O Clube do Boneco de Araucária voltou! Ou pelo menos a iniciativa de manter uma unidade que esteja envolvida com bonecos. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, paga R$100,00 para cada aluno da Oficina de Teatro de Bonecos. São oito crianças sob orientação da ANA PAULA FRAZÃO, que dirigiu o antigo Clube do Boneco, onde demonstrou muita competência e carinho com as crianças durante seu trabalho. Nessa nova versão do "Clube", fui convidado para coordenar uma oficina complementar, na verdade esse foi o argumento oficial para fazer a assistência de direção da nova produção O PEQUENO PRÍNCIPE.

APRTB, TEATRO DE BONECOS DR. BOTICA- OQUE FUNCIONA, OQUE NÃO
O Teatro de Bonecos Dr. Botica não esta mais nas mãos do Manoel Kobachuk. Agora esta sob administração da Fundação Cultural de Curitiba e curadoria da Associação Paranaense de Teatro de Bonecos. Qualquer bonequeiro que queira apresentar nesse espaço deve dirigir sua proposta a presidência a cargo de Luiz Reikdal, que assumiu após a desistência de Marcello Karagozk. Por ser um cargo eletivo SEM remuneração, embora reuna funções de produção e execução, a presidência da Associação não é um cargo cobiçado. Essas discrepâncias se não forem corrigidas poderão motivar o adiado encerramento da associação, que carece de apoio de seus atuais e ex-associados. Ações para agilizar as práticas, oferecer remuneração devida aos trabalhos efetuados, esbarram na incapacidade dos associados em debater objetivamente os assuntos administrativos, com foco no que a associação representa, em lutar pela classe e não pelo ganho individual. É óbvio que passamos por tempos difíceis, mas se não fizermos algum sacrifício em favor de algo maior, nada será conquistado.
Durante quatro dias apresentei um espetáculo no dr. Botica, no horário das 20h. com ganho da bilheteria. É notório que esse horário não tem platéia, ou se tem é pouca. Isso desde a inauguração do teatro. Isso é devido a insistência em se fazer do horário, um horário para adultos. Embora o público adulto demonstre que deseja teatro de bonecos para os seus filhos e não para si. Assim, estando num shopping center, para que praticar sociologia teatral em detrimento do marketing? Trabalhei fazendo desde as 7h. antes de cada apresentação 3 a 4 janelas, pequenas performances de cinco a sete minutos, mostrando umas cenas com bonecos e anunciando um espetáculo 'PARA CRIANÇAS', como um evento CULTURAL PARA CRIANÇAS, divertida para adultos, mas para CRIANÇAS!!! Fazer a janela tem sido um percursso de dor e insatisfação para alguns colegas, mas a verdade é que a janela é o nosso out-door. Nela o público ve um termômetro a quanto anda nossa habilidade como artistas. Essa é a verdadeira vitrine do espetáculo. O público de shopping vem na expectativa de encontrar uma série de opções de consumo, diversão e entretenimento, embora essas opções nem sejam tão variadas. Muitos decidem oque consumir no local. Essa é a vantagem de fazer uma janela atraente. Aliás essa foi a visão do criador do espaço,o dr. Miguel Krigsner; um empresário que ama os bonecos, declarada e ostensivamente. Portanto essa foi a herança do dr. Miguel para os demais colegas, um teatro com visão de marketing.
O resultado dos 4 dias no Dr. Botica foi que, num horário em que se costuma ter caixa de bilheteria zero, eu obtive a metade do que se consegue nos horários nobres das 15h e 17h. Posso dizer que obtive 90% de sucesso nesse horário. Isso por que agi de acordo com as expectativas do local: um shopping center onde se deve promover o produto para um público ávido em consumir.
Uma falha é o Dr. Botica fechado nesses tres dias de feriado! Serão os dias de setembro em que haverá a maior procura pelo teatro. isso porque não foi acertado com a FCC, que não oferece empecilho algum nessas questões.

Já que misturei os assuntos, outra falha da APRTB é a incapacidade de encontrar consenso em firmar contribuições afora as anualidades. É cobrado 10% sobre a bilheteria do Dr. Botica, ótimo! Deveria ser cobrado do Edital de Formas Animadas, direta ou indiretamente. Em São Paulo o CPT que emite uma única CNPJ para todos os cooperados, mesmo com alguma restrição de número de inscritos em alguns editais, chega a tirar 20%, alem da anualidade obrigatória de R$100,00. O argumento é: COOPERATIVA FORTALECIDA PARA TRABALHAR PARA OS COOPERADOS.
Sem o fortalecimento da classe, como lutar por editais mais consolidados? Como lidar com o SESC e SESI? Como inquirir a SEEC? Aonde esta a nossa sede? Aonde esta nossa assessoria jurídica para intervir no texto dos editais, mas alterações da Lei, até quando ficaremos sujeitos ao desmando de rábulas de faculdades fajutas falando grosso contra nos, artistas ignorantes de nossos direitos Constitucionais, protegidos por Lei, esses funcionários que dizem fazer o "favor de nos atender, esses artistas chatos". Nos que fazemos a cara cultural de um Governo, que atendemos a diretamente a população bem mais que qualquer funcionário administrativo. Isso não se obtem, isso se paga. e sem dinheiro não existe associação, não pode nem apresentar um teatro quanto mais reunir artistas. Até quando vamos fazer reuniões em espaços emprestados?
A verdade é que somos cães de rua, fazemos cara boa para conseguir um osso e de vez em quando rangemos os dentes de tanta lambada!

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