quinta-feira, julho 15, 2010

O PRISMA DA OBRA ARTÍSTICA

Fala-se de mapas do teatro brasileiro, e o que se faz é o mero catálogo, uma “lista telefônica” de cada companhia, de cada artista. Ainda, uma lista falha, sempre olvidando de alguém interessante e representativo.
Quando será mapeado o coração de cada companhia, a essência interna? Quando será relatada a estirpe de cada artista? Existe uma árvore cujos ramos são cada grupo, originário de um único tronco, ou haveriam vários troncos, várias árvores? Por que a pesquisa acadêmica consolida apenas a experiência presente, os processos atuais? Seria possível registrar e quantificar os matizes e variáveis de um trabalho artístico?
Nenhum criador é capaz de se autorenovar a todo momento, na verdade ele se repete. Há um padrão, uma marca pessoal, suas impressões digitais artísticas, indelevel, impossivel de alterar. É o mar de brisa branda, em sua mente, após a borrasca do processo criativo, onde tudo se encontra, se equilibra e se explica no resultado que é a realização do espetáculo. Seriam esses modos tão caóticos que visão externa alguma lograria perceber qualquer padrão?
O que se pode supor é o medo de cada artista de se conhecer limitado. Que existe uma fronteira no que se supunha um “universo criativo”. Que seu corpo artístico não é capaz de superar esse limite. E com humildade, estabelecer um processo criativo concreto com as ferramentas em sua mão de forma coerente e com maior possibilidade de alcançar o sublime.

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