terça-feira, junho 01, 2010

QUEM AMA NÃO ESCRETA

... e pensei.
Esse sadhu só deve estar louco. Cancelar o ciclo biológico tão util como a excreção. Esqueci por um tempo aquele koan, mantra, enigma.
No conforto da modernidade, entorpecido de extensões midiáticas, mergulhei nos meus narcóticos de endorfinas informacionais. Bastou um milésimo de tempo diante do ecrã cristalino para receber o impacto das palavras do sadhu.
Quem ama não escreta.
Pode-se muito bem escretar a todo momento, mas não se pode chamar de amor. E o que se tem feito foi amar a si mesmo despejando no mundo afora toda a sua futilidade, todo o encargo da sua manutenção, procurando por reflexos hedonistas. Buscando pela perfeição. O que não passa de um equilíbrio precário, fome de si mesmo.
Pode-se amar o mendigo? Pode-se amar o cão da sarjeta? Pode-se amar o corpo destruido pelo tumor? A metade de um seio, o órgão exalando mal odor, o trabalho das células para permanecer.
Na verdade... a humanidade construiu o maior amor possível; o amor pelas manchas gráficas, retículas luminosas, pelo píxel.

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