quinta-feira, maio 13, 2010

EUGENIO BARBA, GROTOWSKI E ESSE POVO TODO

São Paulo é uma coisa.
Pode não ser a esquina do mundo, mas onde cruza a Ipiranga com a avenida São João pode acontecer de tudo.
Bem...não exatamente nesta esquina, mas basta andar um pouquinho e as celebridades esbarram em você.
E com um cursinho de ingles qualquer é possível trocar uma informação do tipo: tem muito ladrão aqui?
É, é a mais cristalina verdade.
Estava fazendo um serviço num evento, dando duro para prosseguir na carreira artística (uma novelinha apenas, depois faço teatro de verdade!) e um garoto de uma reverendíssima companhia de Bunraku, percebendo minhas características asiáticas e pela atividade, um nativo, perguntou se não havia risco de ser assaltado ao andar pela rua. Noutra ocasião, em Porto Alegre um ingles perguntou a mesma coisa.
Sempre aconselho a ocultar as câmeras, evitar coletes, falar o mínimo possível, e sim, ainda podemos pedir informação a polícia fardada.

Em outro evento sob os auspícios do SESC, houve um encontro com o criador do Teatro Antropológico, Eugenio Barba. Embora morando em Holstebro (seja lá onde isso ficava) ele conversou em italiano. Conversou é modo de dizer, ouvimos um monólogo sobre suas teorias. Aliás, encantadoras, não me lembro mais, mas fiquei com a lembrança de sua vivacidade peninsular.

Conheci Jerzy Grotowski, também pelo SESC, quando ele era vivo. Embora, ao contrário do Eugenio, era seco, rigoroso e "conversou" comigo e com Sergio Del Giorno, abrigados de uma tarde tórrida paulistana no Cine Sesc. Para uma platéia ávida, Grotowski falou sobre a precisão e rigor do seu método aplicado em um ator. Grotowski mostrou um filme em que esse ator representava enquanto a câmera mostrava diversos ângulos de seu desempenho. No final, para o êxtase da massa que lotava o Cinesesc, Grotowski revelou que havia apenas uma câmera e que ele trocou de ângulo uma centena de vezes e em todas as vezes em que o ator reproduzia a ação, fazia no exato milímetro do movimento. O objetivo de Grotowski, naquela altura de 1993 era fazer o teatro absoluto, em que o ator mergulharia na ação em que a presença do público tornava-se irrelevante. Na época muito se comentou e riu sobre a possibilidade de fazer teatro sem público. Mas essa era a calúnia insidiosa e intolerante de um povo que se achava cosmopolita mas na verdade eram muito nada a ver.
Ah, sim!
Grotowski disse que a tarde não estava tão quente, que na Polônia fazia muito mais calor, todos rimos, aleijados de emitir uma réplica inteligente...

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