sexta-feira, outubro 30, 2009

SABE ONDE TEM UMA CASA PRA MIM?

Mais um feriadão.
ainda bem que vou trabalhar. Última apresentação do SHISHI, O Comilão etc. etc...
Semana passada a pequena sala do Teatro do Piá lotou. Quatro examinadores do Gralha Azul apareceram (em geral aparecem apenas dois) sem mencionar o quinto que veio na semana anterior. Sérgio Del Giorno, titeriteiro da nova safra que desponta como um hausto no panorama curitiboca, deu o ar da graça da metade pro fim da peça; e finalmente, a presença adorável de Andressa Medeiros.
Andressa fala com voz menina, fala baixo, quase gutural, e bem articulada, tem um currículo inumano. Foi dirigida pelo Marcelo Marchioro, estagiou no ateliê de Manoel Kobachuk, formou-se em letras na PUC e partiu para Oxford. Nada disso seria tão impressionante se Andressa não tivesse largado tudo isso para casar e criar um garotão bonito de 7 ou 8 anos. Eta Andressa!

Enquanto uns se amam outros se repelem. Um grande amigo está divorciando de uma grande mulher.

Voltei a brigar com um proprietário.
Estou tentando comprar o apartamento, para nunca mais submeter a essa ditadura do aluguel.

Tudo isso, esse turbilhão de solicitações sociais, provoca náusea, o corpo parece que não se posiciona diante das referências do bairro. Tudo parece hostil, demasiadamente endofágico, predador.

Uma senhora interpelou-me, aqui nesse blog, sobre minhas atitudes que lhe pareceram a propagação da desumanidade nas relações.
Claro que ela mora em São Paulo, onde chegou aonde se chegou e agora a amistosidade mascara o medo por trás das cercas elétricas, muros e guaritas. Não se debate sobre a vitalidade do oxigênio a cada respirar assim como, no Sul, não se fala em ser legal onde a boa recepção é natural. Pode parecer demagogia, mas o curitibano acredita que é amistoso e cioso de sua intimidade, ponto final! Lembrem-se que sou paulista onde interpreto minha origem e percebo minha geografia... Uaaaauuu!

Ouvi de um afilhado do Sérgio e da Cris, pessoal do Ópera da Mala de São Paulo, que eles moram num bairro classe média alta (seria Perdizes ou Butantã???). E no meio dos casarões, compraram ou alugaram uma casa velha de madeira. Para ajudar, pintaram-na de todas as cores e colaram silhuetas de isopor de figuras fantásticas na parede externa.
Deixe para lá esse papo de mascaramento do medo, vamos aos fatos em si.
Ai eu penso: apartamento ou casa de madeira caindo aos pedaços? pois é só isso que meu dinheiro (que ainda não é meu) vai permitir comprar.

Enquanto isso, a oficina fica fechada. Não tem jeito de pensar nisso agora. Lidar com essa bastardia que é a classe de corretores e especuladores imobiliários, exige concentração muito maior do que enfrentar uma platéia desgarrada.

Se eu comprar uma casa de pau caindo pelas tabelas não esperem tertúlias dionisíacas. Principalmente porque a patroa não vai liberar o pedaço para o desenfreio das ninfas e sátiros da hora. No máximo um churrasquinho de gato regado a vinho da Santa Felicidade, ou então nosso clássico pernil assado em três horas (duro e com sabor de couro cru) para tres ou meia dúzia de amigos ultra chegados. Então a casinha seria o espaço de criação da MITEBO, local sério, de pesquisa e desenvolvimento do títere de luva. Afinal, hoje tenho 44 anos e tenho um garoto de 3. Sem falar do figo que já marinou bastante...

Mas sei lá, os amigos e desconhecidos poderiam aparecer de surpresa, e quando todos estivessem dando risada tiravam os engradados do porta-malas, e quando se desse conta, já foi e que se dane. Convide a polícia para tomar uma ou duas geladas. É isso aí...
Me ajudem a achar uma tapera antes do dia 15/11! É quando tenho que dar a resposta pra esse cuzão capitalista, dono dessa porra de ape!!!!

bjs.

p.s.:
VOCABULÁRIO DO FELIPE

MIMI: ônibus (que buzina mi-mi)
IAU: Gato
IAU: leitede cabra batido com banana e mel.
TRILO: trilho
PAI: Pare! (placa de PARE)
PAPAI: Papai
MAMÃE: mamãe
La, la, la...(cantando): Iaaa, iaaa, iaaa
E todas as onomatopéias zoológicas que descrevem os bichos que ele conhece: porco, macaco, elefante, dinossauro etc.

segunda-feira, outubro 19, 2009

COROADA DE CRIANÇAS


Uma das alegrias de participar de um festival de teatro de bonecos é conhecer e reencontrar amigas e amigos bonequeiros. Foi no FESTEBOM da Ro Fagundes e Sandro Maranho, reencontrei a VERÔNICA GERCHMAN uma das mentes da CIA. TRUKS. Era um anoitecer de inverno, quente, do norte paranaense. Havia uma feirinha ao lado dessa praça. Como não sou nada poeta vou explicar, as crianças brincavam e passavam por trás da Verônica,e por isso COROADA DE CRIANÇAS.
Nessa entrevista, Verônica fala da origem da TRUKS, onde convergiu um povo legal que hoje trabalha a marionete como linguagem. Fala sobre o duro trabalho, incondicional, focado na busca da excelência na manipulação e agrado do público.
Inspirem-se com Verônica!

sexta-feira, outubro 16, 2009

PAULO NAZARENO BERNARDO


Acho que era 2003, eu trabalhava no Teatro de Bonecos Dr. Botica e fomos para Caxias do Sul-RG, apresentar o Tainahakã-a Estrela Vesper. No Botica tínhamos por obrigação fazer tudo em grande produção, por isso além do elenco que eram quatro, acompanhava o técnico. Alguns podem achar pouco, mas hoje vou eu, a sorte e mais ninguém.
Havia um grande volume de equipamento e precisávamos de algo como uma VW-Kombi ou Van para levar tudo. Noite inteira de viagem no ônibus de linha e chegamos a Caxias. Nos recebe um magrelinho com uma "kombi". Aprendi que no Sul, kombi é qualquer carro com um um espaço maior para bagagens que um porta-malas.
Paulo Nazareno estava, as 7:30h., com uma VW Brasília, e uma animação de funcionário de prefeitura.
No almoço, levou-nos a um restaurante chines de Caxias do Sul, daqueles beeeeemm chines, entende? Na verdade ele quis fazer uma média com a dona, para que ela fizesse desconto num origami de dragão que ele estava interessado.
Aos poucos foi se mostrando, se apresentando e por fim mostrou algumas de suas surpreendentes maravilhas titeritescas.
Ele tinha uma Morte, com túnica preta, rosto cadavérico, armado com aquele capinador cujo nome me foge. A Morte virava o rosto, abria e fechava a boca e , surpresa, passava de uma mão para outra o "capinador"!!!! As mãos eram articuladas e capazes de apreender objetos.
Então fomos jantar num restaurante que era dentro de um ex-tonel de vinho e depois caimos na balada num boteco vizinho. Bêbados ele liberou a vista para o capoerista que vcs. veem acima.

Nazareno é um gênio e como estamos no Brasil, todos sabem que o lugar para a genialidade não existe. Esteve no Faustão e em outros lugares como a Itália, acho. O cara está lá em Caxias e espero que fique pouco tempo por lá.

quinta-feira, outubro 15, 2009

BECOMING BITTER FOR GAINING HAPPINESS

Antes de tornar um manipulador (de bonecos) fui um competente professor de tai-chi-chuan.
Tinha uma didática desenvolvida por mim, mas inspirada no livro do Al Chung Liang Huang. Adicionava alguma coisa de bioenergética e umas pitadas de Therése Bertherat: presto! O Método Mia de Tai Chi.
Meus alunos eram bem tranquilos. Jamais encontrei alguém inquieto por conhecimento como eu, algo como para que serve o Tao e como funciona o ying e yang.
Qualquer leitor de revista feminina (por culpa dos editores de revista feminina) sabe o que é um Tao, yin e yang.
Para mim, as vezes sinto que sei, e outras vezes sou incapaz de conceituar o Tao e o yin e yang.

Pois bem, estão como sorte. Hoje eu encontrei uma metáfora que pode solucionar de vez esse desconhecimento.

Para ser feliz, seja amargo!!!!!!!
Siiimmm! Novamente eu. Sagitariano, o signo legal.
Só tenho um problema. Não admito a falta de reciprocidade.
Embora tenha a máscara do sorriso não suporto estranhos que não respondem a um cumprimento, cometem faltas, deslizes sem desculpar-se. Fico louco. Imaginem o que passei aqui em Curitiba onde vizinhos passam 20 anos sem se falar, onde por favor, com licença, obrigado e os bons dias, tardes e noites não existem.
Se não me corresponderam passei a não corresponder. Hoje não gasto o meu obrigado, dou bom dia somente na dose necessária e é uma dose bem pequena. Tanto que anoitece e eu estou ainda dando bom dia. Parece amargura? Pois é a exata condição da felicidade onde essas pequenas e inuteis cortesias perdem a relevância para a comunicação direta.

Deu para entender a contradição funcionando a meu favor?
É isso.

SHISHI, O COMILÃO VOLTA EM CARTAZ NO PIÁ


ESTOU DE VOLTA AO TEATRO DO PIÁ. DESSA VEZ CONCORRENDO AO TROFÉU GRALHA AZUL.
AJUDEM A LOTAR OS SEIS BANQUINHOS DO PIÁ, PARA CAUSAR UMA BOA IMPRESSÃO!!!
OBRIGADO AMIGOS!!!


Nos dois últimos domingos de outubro, dias 18 e 25, às 11h, a atração do Teatro do Piá é a peça “Shishi, o Comilão”, a cargo de Miyashiro Teatro de Bonecos. O espetáculo integra a tradicional programação para o público infantil, promovida pela Prefeitura de Curitiba, e foi selecionado por meio de edital do Fundo Municipal da Cultura. A entrada é franca.
Uma homenagem à cultura japonesa, a montagem “Shishi, O Comilão” conta a história de um samurai imbatível e honrado que perde seus bens mais preciosos para Shishi, um leão monstruoso. O espetáculo é resultado de um minucioso estudo sobre os costumes e vestuários do período Edo da história do Japão, entre os séculos XVII e XIX. As cenas se desenrolam com a participação de um “joruri”, um narrador que utiliza uma técnica interpretativa pujante, como ocorre no Bunraku, Kuruma Ningyo e outras formas de teatro de bonecos.
O grupo Miyashiro Teatro de Bonecos, comandado por Jorge Miyashiro, foi fundado em 1999 e desde então tem criado várias peças dedicadas às crianças. Anualmente, a partir de 2002, o grupo tem representado o Brasil em Portugal, nos festivais de marionetes de Vila Nova de Famalicão e de Ovar. Em “Shishi, O Comilão”, Jorge Miyashiro responde pelo texto e direção, além da narração. A confecção dos bonecos é do grupo, com pintura de Luciana Aliberti Miyashiro e consultoria de materiais de Luiz André Cherubini (Grupo Sobrevento).

Serviço:
Peça “Shishi, o Comilão”, com Miyashiro Teatro de Bonecos
Data e horário: dias 18 e 25 de outubro de 2009 (domingos), às 11h
Teatro do Piá (Praça Garibaldi, 7 – Setor Histórico)
Entrada Franca

quarta-feira, outubro 07, 2009

RAZÃO E DELÍRIO

O tal milionário que queria comprar o boneco de espetáculo, que na verdade não era o tal, propriamente, mas colegas que queriam presenteá-lo, finalmente fecharam a compra. Os colegas apesar de bem remunerados não são milionários e por isso precisaram cotizar o valor do boneco, fizeram a tradicional vaca para pagar!
Já se disse que pessoas ricas não são ricas porque gastam seu dinheiro, and so....
Eu me sinto meio prostituto, meio celebridade das artes, uma vertigem que hora enleva , hora provoca náusea. Sei lá, sei lá.

Aliás, descontei R$200,00. Não foi uma grande oportunidade???

Dinheiro, dinheiro e dinheiro...
Quem quer dinheiro?
A pergunta a se fazer é o que se fazer com dinheiro.
Fazer uma viagem ao redor do mundo, pagar as nossas dívidas e dos parentes, investir em imóveis, capitalizar e nunca mais trabalhar: isso é invenção, sonho, ou conversa fiada.

Vejam os campeões de obtenção de verbas de editais. O que se fez com o dinheiro? Depois de comprar casa, carro e roupa nova, montaram espaço próprio e compraram equipamento. O raciocínio BNH da casa própria; para não ficar disputando com os colegas a pauta dos teatros. Tudo para sair do meio hipponga, pobretão e chinelo de dedo. Agora conquistaram a independência estética, resta encontrá-la.

Razão e delírio. É pressuposto da arte mergulhar no caldo inconsciente, misterioso ou terrorífero. Na Grécia Clássica havia uma maratona a cada sessão de teatro. Eram dois dramas entrecortados por uma comédia curta. Curta em relação aos dramas que levavam cinco horas cada um.
Hoje o teatro deve ser leve, ser comédia. Ah, já basta a tragédia de todo dia. Não é mesmo?
Havia uma dançarina tradicional japonesa, cujo movimento era atravessar uma passarela. Ano após ano sua performance principal era fazer essa travessia. Perguntaram como ela se sentia fazendo todos os dias aquela mesma ação. Respondeu que jamais fazia a mesma ação, que num dia ela fixava um ponto no fim da passarela a dói metros do chão, noutro a dez centímetros e assim por diante.
O que leva ou levou alguém a um teatro para ver uma mulher atravessar uma passarela para verificar essa variação de foco? O que isso tras para a alma desse assistente?

E aqui no berço da civilização Guarany, o que vale é ter sangue azul, de preferência um Boubon & Bragança (não confundir com o me dos francos) sem mencionar os Cardosos, Magalhães etc. Um lugar em que ficam pasmos com o Sul onde os loiros são pobres (gente dos Sudestes...). Pois aqui deram de achar que para ser artista tem que ter diploma. Aliás, em São Paulo, desde que pisei no solo sagrado do tablado, exige-se o canudo para poder trabalhar (é ou não uma monarquia?)! Nos editais da FCC tem um espaço para declinar sua “titulação acadêmica”, sua publicações (tenho um tijolinho publicado no Jornal da Cidade, de Bauru, mas escrevia cartas -muitas- para a coluna do leitor do Diário de Bauru). Como se para escrever uma boa peça precisasse esquentar a bunda na carteira, prestando atenção nos sábios conteúdos do professor. Como se para ter uma boa presença no palco fosse necessário um boletim de notas acima de 6.0, ou que tal notas acima de 8.5 , será exigido, por favor.
Vão pensar que sou contra a produção acadêmica.
Eu sou graduado e no tempo da graduação queria ser doutor. Tentei Pós em Multimeios na Unicamp. Fiz estágio no LUME, conversei com o Burnier... Mas depois de tudo aquilo, vi que ou dedicava a relacionar meu pensamento com os decanos e prosseguir a carreira acadêmica, ou começava a olhar para dentro de mim.
O que eu tinha a dizer?

Ontem fui lá na Vila Nova Barigui, apresentar o Luvazine numa creche. Chuva, barro e muita pobreza. Sinceramente, uma delícia!
Todos estão ali para me assistir, ninguém está reclamando de perder o Brazil Next Top Model.
Mas deu um problema na trilha sonora e a execução ficou ralentada. Escutava as crianças se mexendo nas cadeirinhas, mas ouvia as risadas de algumas professoras. A sorte é que após cinco anos que produzi essa peça resolvi o final. O resultado é que ouvi uma professorinha, aquele tipo de tia bem chucra, revelar para a coordenadora pedagógica:
...esse teatro é bão! Tem umas coisas que vem aqui que eu num intendo nada. Mas esse eu intendi tudo!

“Menas”, “nos sumos”, “eu di”, sou da facção que defende que essa linguagem não é erro, mas discordância. As pessoas que se expressam assim tem sido meu público. E por isso os funcionários das instituições acadêmicas, que consideram a linguagem popular um erro a ser corrigido extirpado e higienizado (já que são positivistas e portanto monarquistas) não gostam dos meus espetáculos.
Na minha opinião, sendo eu um ex-candidato à academia e atualmente, artista. Pela minha trajetória pessoal, acho racionalmente impossível um doutor produzir arte que toque o cerne das pessoas.

Não que eu consiga realizar esse feito. Afinal meu tempo é dividido entre cuidar do nenê, fazer faxina, visitar o supermercado, açougue e a quitanda e montar os projetos para os editais. Dedicação para compreender os mecanismos da sensibilidade humana: 0 horas.

É por isso que sinto falta das mesas de bar e da saúde que tinha para enfrentá-las. Ali havia uma piracema diária e nenhum fiscal para dizer quanto podia ser pescado. Alegria, alegria.

Estão gostando do passeio?
Vamos voltar agora.


O que fazer com o dinheiro sendo você um artista?
Presumindo que na arte, a condição para obtenção do lucro é árdua.
Na verdade, uma opção errada, ou não-lucrativa, como vimos, ao constatar o investimento em mini-centros culturais particulares. Isso é queimar dinheiro, é ou não é?

Então aqui a minha declaração:
Não vou me matar para disputar todos os editais que aparecerem. Vou tentar bater forte até conseguir comprar minha casa. Pronto! Com a casa quitada ou financiada (com juros na tabela Sacre), vou arrumar a oficina e praticar o ideal ( não restam muitos, né?) renascentista de compreender a mecânica do Universo pelo racionalismo Aristotélico (ta, não gosto do Fritjof, não entendo Física Quântica, e não me encham o saco). Assim, hoje é esculpir madeira e fazer a madeira esculpida vibrar como pele e músculo.
Só isso.

Para que dinheiro?
Para que matar-se para ganhar tanto edital?

Se não entrar mais nada, quando os doutores monopolizarem , finalmente, todos os canais pagos de produção, aí eu saio para matar.

sexta-feira, outubro 02, 2009

VÁ AO TEATRO E AJUDE O COMÉRCIO.




Ai estão. Os substitutos, você se lembra?
Aqueles que ficariam no lugar dos originais que seriam vendidos ao milionário colecionador... pois, soube que na realidade eram os funcionários que queriam presenteá-lo. Tipo comprar desde já o presente do patrão. Só que acharam o presente caro. Então deviam dar um chego na Casa China, né mesmo? Certa vez achei um fantoche por R$1,99. Não levei, achei caro!!!!
E ficamos negociando, os funcionários nem chove, nem molha. E eu já terminei os substitutos mas não vendi os originais. Foram 45 dias de enrolação.
Agora vou fazer o seguinte: quando ligarem pedindo o boneco vou sugerir que comprem um Chivas 24 anos, é o tempo em que o presente esteve esperando para cair na mão do patrão!!!!

Será que o teatro vaticina o destino da sociedade?
Não temos esse poder de comunicar com os deuses.
Somos oportunistas, no sentido de que agarramos a oportunidade de dizer o que a sociedade quer ouvir. E a sociedade quer ouvir que se teça loas a sua beleza, ou talvez queira uma boa reprimenda.

A sociedade é o Grande Humano, o grande organismo composto de milhões de homenzinhos como eu e você. Claro que algumas células são rebeldes como um Bin Laden, um Almadinejá ou um Hugo Chávez, talvez.
O ator há muito deixou de ser, ou talvez, jamais foi ou estive a altura de um desses aí. Claro que por “rebelde” estamos falando de algum centro nervoso, bem nervoso, com as células rebeldes (estou elocubrando)...

Rio de Janeiro será a sede das Olimpíadas quando aquela loira de Copenhage, que foi âncora da votação, estiver curva sobre a bengalinha. Enfim, foi emocionante? Foi. E esse é o espetáculo do esporte; nós superamos eles: e choramos. Nós, derrotados por eles|: ... e choramos. O esporte é a novela de roteiro mais antigo do mundo. Depois da guerra é claro. O teatro jamais vai superar essa arte, pelo menos em audiência. Uma novela, sob alguns aspectos perde feio, mas está sempre na mesma chave.

Mas veja bem: Stockhausen chamou o ataque às Torres Gêmeas de obra-prima. Em seguida se corrigiu, dizendo que o trabalho, a burla, o escamoteamento e por fim o ataque exigiu um esforço físico que desencadeou tamanho resultado, sob avaliação cartesiana, pode ser chamada obra prima.
Pois bem. Eu jamais poderia executar um ataque como aquele. Na preparação, eu ia ficar de bode, cansado, deprimido, entediado... ia fazer teatro, ganhar uns aplausos, uns trocos. Sou um pouco disciplinado para o rigor do teatro; para o esporte eu sou um vagal. Para o terrorismo seria descartado no teste de câmera.
Como jamais poderei realizar uma obra prima, já que não sou tão disciplinado, ainda tem o fator eloquente dos afazeres mundanais. Quem pode deixar de atender ao choro de criança na sala pedindo suco? Ou para limpar a bundinha? Quem pode deixar de atender a ligação da telemarketing? Do cobrador de contas atrasadas? E alguém pode deixar de ir atrás de uma cobrança indevida, um conserto doméstico? Enquanto a musa espera a hora de lançar seus dardos inspiradores sobre minha mente ansiosa? A idéia vem quando a gente senta o almofadão na tábua dura da cadeira?

A vida vai e nós com ela. Comer, morar, comunicar, locomover... o Grande Humano cobra um custo para as células-homúnculas. A que hora vou poder imprimir minha cicatriz nesse Grande Homem?

Quando jovem queria realizar a obra prima, o trabalho máximo em que diria “esse eu não supero”.

Direi: telemarketeiras, essas eu não supero!!!


AH! E EU AINDA ESTOU SEM BANDA LARGA!!!!