segunda-feira, agosto 31, 2009

OS SUBSTITUTOS -03


Aqui estão os bonecos evoluidos na forma mais humanóide possível, com a base de pintura. Vão estranhar o extravagante curativo no primeiro boneco. A Luciana que cuidadosamente aplica as cores nesses inestimáveis objetos, derrubou-o com uma descarga de impropérios, fraturando sua orelha esquerda, feito um Van Gogh cara-de-pau! Logo em seguida quase mata o Felipe no balanço do parquinho daqui do condomínio. O balanço é do tipo pranchão; o nenê de um lado e a Lu com os seus 75 kilos pula do outro, lançando a pobre criatura um metro acima do chão. E dá lhe choro e arrependimento.
Logo mais tarde, mamãe e nene no banho, escuto o mesmo Felipe (por sinal nosso filho, né...) se afogando no chuveiro. O que direi? Sou apenas o pai. Se a mãe é nenecida, tomara que não seja patricida (será isso?)


Aqui em detalhe a cara do substituto.
Eu disse no post passado que os bonecos originais do SHISHI, O Comilão tiveram um interessado em compra-los, não o espetáculo, mas os bonecos. E que o comprador fez doce achando caro. Estávamos negociando e agora ele não deu mais sinal... Tudo bem se quiser comprar está aqui. Senão, remanejo o elenco. O Samurai original, "risonho" será o pai da moça. Enquanto o novo samurai será o ator principal da história, certo? Estou [recisando aumentar o tempo do espetáculo e havia algumas linhas narrativas um pouco soltas.
Nada se perde numa empresa sustentável.


Já mostrei o cortiço onde trabalho a parte "pesada" dos bonecos (escultura, serragem ,corte e raspação de lixa...)
Aqui é a parte "limpa", montagem de projetos, administração, burocracia, pentelhação e alfaiataria!!!!!!!
Sim, monsieurs et mesdames, nesse aperto eu faço o manequim, a modelagem, o corte e só não faço a costura porque a máquina está no banheiro (mentira, está no outro lado do quarto)
Talvez porque os bonecos sejam pequenos, os espaços de trabalho deva ser equivalentes.

quinta-feira, agosto 27, 2009

OS SUBSTITUTOS -02



Aqui estão aqueles blocos que viram no último post.
Uma definição melhor, né? Parecem o Homem de Ferro! Mas já ponho o nariz e os olhos.

Semaninha corrida. Cuidar do Felipe, mandar documentos para o edital que (Om Shiva! Om Shakti! O Shiva Preman Shakti!) consegui emplacar. Por falta de confiança em mim mesmo (to falando, minha auto-estima tá na reserva- e não é carência, não) acabei passando para um secretário a função de recolher a papelada... daí o comprovante de residência estava inválido, e corre atrás de uma manobra sedex para criar um comprovante... E vai no correio e os caras não aceitam uma folha fora do envelope, tem que envelopar!!!! E o cartão-postal?? E corre atrás de um envelope. Na agência, de novo, candidamente o cara pergunta: mas é para você mesmo?!? ... NÀO CARA ! É PRO OSAMA BIN LADEN! SEDEX PRO HOMEM, AI SE NÃO ENCONTRAREM! EU PROCESSO ESSE MONOPÓLIO DESGRAMENTO... e por aí!
Será que estou nervoso?
Olha, antes eu ficaria uma semana remoendo esse episódio. Hoje, mal consigo relatar o geral desse acidente... apagou feito fósforo.
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Preciso se uma idéia para um novo espetáculo, abro uma Veja e na entrevista das páginas amarelas está lá; autor vende livro de boas idéias. Recebo um beijo da boca da musa!!!! Ta aí! Uma peça que fale de boas idéias, tremendo! Só falta ter alguma....
Calíope diz: -Mas que porra de artista! Dou tudinho mastigado e ele quer o que? Depois da mastigação vira merda!

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Por que os filmes de kung fu fazem tanto sucesso?
Por que o artista brasileiro reluta em pesquisar os temas marciais para a produção de espetáculos?
Relutar é bondade, essa classe tem nojo de cenas de combate!
Mesmo a Ilíada, com pedras esmagando crânios, lanças trazendo os intestinos para a luz do dia... é a obra basilar da civilização ocidental!
O patético é que a relação ator/diretor é uma relação mestre/ discípulo. Tem até o famoso treino de carregar balde onde já vi muito ator/atriz fazendo faxinas monumentais para os diretores; uma relação de total submissão onde acreditam receber o dom da arte como pagamento. Sem falar no famoso teste do sofá. Muito embora este seja um teste não doloroso, mas prazeroso, venhamos e convenhamos.

A única diferença é que no final o diretor será rpocessado por danos morais ou coisa pior, para a alegria das revistas de fofoca. Qual o preço do conhecimento? Falo de conhecimento, não de fama e projeção.
Quanto vale aprender um ofício como o do teatro de bonecos?
Quanto vale aprender uma técnica?
Ou você é daqueles que matam o mestre no meio do filme?
Direto vejo os "novos diretores" que mataram um mestre, com um acordozinho de polpudo ressarcimento.
Ressarcimento de quê?
O cara que apareceu pedindo pelo amor- de- Deus para AJUDAR e arrumar alguma coisa pra fazer. E na saída pede um ACORDO!
O pior que saem sem ter aprendido nada.
Basta abrir nas páginas de teatro infantil; estão lá lado-a-lado dos mestres, ganhando prêmio, como se fossem engendrados pelos deuses aqui na terras. Uns malditos PNCs!!!!

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DICIONÁRIO DO FELIPE, agora com três anos de idade.

Vuvuví: trem
Piuí: trem
Ewe: trem
Aui: trem
Trilo: trilho de trem
Mom: mão
Oiú: olho
Um: número um
Sheti: número dois
etc.

domingo, agosto 23, 2009

OS SUBSTITUTOS




São nesses momentos que agradeço ao professor de educação artística, Professor Osmar da 6ª série de 1982 do EEPG Mercedez Paz Bueno, onde aprendi tudo sobre como traçar uma bissetriz, calcular pontos equidistantes e aplicar a famosa fórmula de Pitágoras. No tempo da camisa hang Ten, calça boca fina e no bolso parafina ( sou surfista)... o professor Osmar usava Ray-Ban e corte militar, uma afronta aos princípios da moda que vigorava. O Prof. Osmar era, antes de tudo, um saudosista!
Alguns anos mais tarde passei para o Colégio Objetivo onde passei a não aprender mais nada. Compreendia os princípos básicos de cada assunto de exatas, mas bastava as operações seguintes para não conseguir encaixar mais nenhum raciocínio. Era inacreditável! Não conseguia solucionar nenhum problema mais complexo, não assimilava as chaves. Imagine que para ligar o computador, vc, tivesse que entender o funcionamento do computador: era assim que me sentia.
Acho que devo ter um distúrbio, ou alguma incapacidade para lidar com stress. Algo como baixa tolerância a volumes de informação. Acontece muito quando faço meditação. Não pensem vcs. que desejo despertar a kundalini, a energia que dorme no rego da bunda, nada disso. Medito apenas para exercitar o foco. Sou capaz de sentar em lótus completo e mentalizar 24x108 mantrans, Entende? Fico sentado de olhos fechados, fazendo 2592 "oms". Claro que não é todo dia que faço isso. Todo dia faço menos, contento com 864 "oms". Pois bem, em algum momento as glândulas começam a secretar os hormônios, sejam eles quais forem, no corpo e a meditação torna eufórica e alucinante. logo em seguida, os hormônios se dissipam e as glândulas não dão mais. Acho que isso ocorre porque sou homem; assim como nunca experimentei um orgasmo múltiplo ( ecom certeza jamais experimente), a meditação começa a ficar angustiante! Mas tem momentos que, como homem, achamos que somos super-homens e forçamos a natureza. Assim, me acabando consigo fazer 2592 "oms". Mas por que eu estou falando disso? Não sei.

Ah, para explicar porque meu rendimento escolar, meditativo e sexual é baixo....
Cortinas , por favor!

Em todo momento que vou esculpir alguma coisa, aplico os conhecimentos do prof. Osmar.
Na foto acima pode não parecer, é uma cabeça de perfil. Pode-se notar claramente a orelha direita e o queixo solene... Para fazer o corte diagonal do maxilar que desce da nuca ao queixo, busquei duas bissetrizes para não cortar o bloco da orelha.

Serão duas cabeças. Estou cortando simultaneamente dois blocos de caixeta (madeira). Serão os bonecos substitutos do samurai jovem e samurai velho. Dois personagens em tempos distintos da peça SHISHI, o Comilão. Vocês poderão vê-lo, em um foto, nos posts logo abaixo. Notem que esculpi um sorriso na face do boneco. Apesar da peça ser uma tragédia. Agora farei bonecos com cara severa!

O processo criativo é assim, algumas coisas não batem com a reprodução realística. Deve ser por isso que o realismo fantástico é adorado na América e Europa Latina, quando as coisas fogem do controle, não se corrige e nem busca a solução...

Não foi só isso.
Jamais iria mexer nos bonecos apenas para deletar um sorriso.
É que um milionário da indústria cosmética se interessou pelo boneco do espetáculo. Ele quer por que quer o boneco para ele.
Dei o preço que ele achou caro. Expliquei que a conta pagava as viagens a São Paulo, a sola do kichute no frete entre a rua do Gasômentro e a Estação D. Pedro I com 15 kilos de caixeta na mão e todo o suborno na operação de espionagem das cias. que transam caixeta... sem falar na correria que está sendo fazer os substitutos. Ficou barato, né?

O cara está pensando, blefando a pechincha... Quanto mais dinheiro no bolso dos homens, menos no nosso...

sexta-feira, agosto 21, 2009

CURTA METRAGEM

Curitiba!
Cidade urbanizada, racional, transporte modelo... em obras.
17:30h. homens e mulheres apertados uns contra os outros, janelas abertas para dissipar o vírus e o budum, ônibus lotado estaciona no terminal.
Lá fora uma betoneira descarrega a mistura da massa na pista, homens mergulhados até os joelhos no concreto, botas de borracha mal evitam a massa engolfando os pés!
Ao lado a loira (magérrima e com raízes-dos cabelos- negras) engenheira observa o trabalho, com um pedaço do projeto na mão, dá ordens aos trabalhadores que parecem não prestar atenção a loira que calça um belo e elegante par de botas de couro customizados.
No ônibus os passageiros assistem àquela cena banal, mas alguém pergunta: desse pessoal de botas quem você acha que dá mais duro? silêncio. Outro alguém responde: assim olhando, não posso dizer...
Vai não tá vendo quem dá mais duro? Então o outro alguém desiste: Vai o povo que tá com a massa nos pés!
Mas como ce diz uma coisa dessa sem conhecer o marido da loira?
Moral...
"Que jamais se diga que uma loira não dá duro, sem antes conhecer sua família."

Buuuuuuuuuuuuuuuu! Vaias no Festival de Gramado!

terça-feira, agosto 18, 2009

UMA PEQUENA SOBREVIDA

Talvez tenham ouvido meu desabafo, talvez tenham sido justos. O fato é que terminei um bom jejum e, finalmente, venci um edital!!!


EDITAL N.º 094/09
CONVOCAÇÃO CLASSIFICADOS PRIMEIRA FASE DO PROCESSO DE SELEÇÃO DO EDITAL N.º 063/09 - DIFUSÃO EM TEATRO

TEATRO ADULTO- PROPONENTE PROJETO
Inksis Produções Artísticas Ltda- A Comédia de Um Homem Só
Associação de Preservação da Cultura Cigana- Além da Lenda
TD9 Produções Artísticas Ltda- Nu Improviso Por Curitiba

TEATRO INFANTIL PROPONENTE -PROJETO
Miyashiro Teatro de Bonecos Ltda- O Teatro é Como ele é
Marcio Roberto Gonçalves - Me- Flicts
Ruben Carvalho Silva- O Rei de Cabeça Oca e Dona Bernúncia e Seus Amores
Marcelo Andrade dos Santos - Me- O Rei Que Ficou Cego
Olga Yolanda Romero- Ludicamente
Guimarães e Guimarães Produções Artísticas Ltda- Sonho de Uma Noite de Verão
Anima Teatro de Bonecos Ltda- João e Maria

O que posso dizer é: PUTAQUEUPARIU!!!! O próximo que falar mal da FCC na minha frente, direi, sinto muito, mas quem está te apoiando? Quem vc. está defendendo???? Com a FCC, fora contratempos, não tenho problemas.
No mais eu quero trabalhar naquilo que sei fazer: teatro de bonecos.
Aos prospectores e especuladores desta arte, agora que estabeleci um novo e generoso parâmetro, eu digo, VÃO TRABALHAR, SANGUESSUGAS!!!

Um beijo!

sábado, agosto 15, 2009

CARTA AOS PRESTADORES DE SERVIÇO EM TEATRO

Conversando com meu velho amigo Del Giorno da Cia. de Artifícios Teatrais, concluimos que em tempos de "recuperação"da crise, o que sempre faltou e falta é um bom prestador de serviço. Desde um calafetador até um contra-regra, o cara está ali para pegar o salário e que se dane tudo mais.

Lembrei de um pessoal que foi contratado para iluminar um espetáculo em um teatro que tinha as dimensões de um banheiro. Havia um grande patrocinador na parada, e a rapaziada queria mostrar servicó. No caso, mostrar serviço era encher o espacó de equipamento. Só que não havia, espaço, para comportar tudo aquilo. Eles puseram um canhão para iluminar uma máscara por dois minutos. O trambolho bloqueava a entrada da platéia... Para aqueles pensadores do chiaro-scuro não interessava, como bem notou Del Giorno, queimar as retinas dos atores.

Tive problemas com músico.
Um músico é um cara que despende a vida em cursos e aulas em seguida tentar produzir alguma coisa vendável para uma gravadora. Isso, e um concursando, é a mesma coisa. O fato é que o músico é estanque ele não divide a criação com outros artistas, formalmente, embora receba e necessite de influências externas. Então, nós, incompletos artistas, contratamos essas pessoas para suprir nossa deficiência e produzir uma trilha sonora.
Trabalhei com um músico que jamais assistiu sua trilha sonora inserida no contexto de um espetáculo. No entanto demonstrava avidez em receber o pagamento. Na encomenda da trilha, evidentemente, era uma aposta, uma adivinhação da parte dele em traduzir por cifras musicais os meus anseios. Sabe o que lançava no mais profundo Hades da depressão? Pedir que tirasse as percussões, os sopros e tudo mais que encorpasse a trilha sonora. Ele não fazia idéia do que era algo "roubado a cena". Um músico se prepara para queimar uma bolacha, gravar um disco. Por isso precisa construir uma massa sonora suficiente para satisfazer o ouvinte. É sintomático que esse meu ex-colaborador, que jamais testemunhou um contexto de trilha e cena, jamais poderia apreender que uma trilha encorpada, em determinados casos, satura a cena. Compete com a cena.

Por isso, se por alguma razão o senhor, músico, cenógrafo, iluminador, designer, pretende obter algum cobre nesse território que é o teatro, deve primeiro entender a dinâmica do conjunto cênico, para então dosar sua intervenção e tornar a obra como um todo, rica.

O resto é som e fúria...

quarta-feira, agosto 12, 2009

TO CAIDO MAS NÃO TO MORTO. TO BANGUELA MAS AINDA MORDO


É amigos e inimigos! Quando falei para mamãe que seguiria a trilha da arte, que não iria fazer alistamento militar, que não faria advocacia, que não estudaria medicina nem faria concurso para o Banco do Brasil, Caixa Econômica e nem pra Receita Federal, mamãe disse que eu iria sofrer.

E falei para mamãe que o sofrimento nas asas da beleza é o sofrimento do amor. É a paixão pela inefável contundência da palavra. Pela ferida cáustica da imagem... ah etc.,etc, etc...

Telefone tocando, conta caindo, fazendo plano para compra da casa própria, sonhando o sonho dos velhos pais!!! Falando mal do poeta ébrio, do pintor alucinado, do músico drogado que quebra o violão nas fontes das pracinhas. Com medo dos vermes, bactérias e vírus. Quem hoje teme a crise algum dia torceu pela sua vinda.

Mas por que estou nesse solilóquio insano?
É apenas a macro-legenda da foto acima.
Dois dias para esculpir em madeira essas duas cabeças.
Vão perceber alguns pontos escuros, trata-se do curativo de durepóxi; a caixeta é uma madeira meio friável, e por isso a menor falha na talha sai uma lasca inteira!!!
Trata-se de uma encomenda para uma cia. chamada Portaluvas (mais um grupo de fantoches...)

Por isso meu tempo não é gasto somente para mandar cartinhas de protesto; eu trabalho também quando tenho trabalho.

terça-feira, agosto 11, 2009

O DERRADEIRO ESPETÁCULO

Senhoras e senhores, é com franca tristeza que anuncio, talvez, o derradeiro espetáculo da Miyashiro Teatro de Bonecos ltda..

Há dois anos vimos enfrentando a diminuição do trabalho e apesar disso investimos na qualidade, no equipamento; e o resultado foi a completa foi desalentador. A somar, o quadro de crise mundial e da influenza mortal.

Em três anos obtivemos êxito apenas em dois editais da FCC e perdemos uma parceria com a Petrobrás, com a Prefeitura de Araucária, Camerata Antiqua de Curitiba e uma ong carioca de incentivo a leitura. Com o dinheiro acumulado no melhor período, investimos na compra de equipamento de mídia: um notebook, impressora e uma filmadora que permitem a melhor divulgação e comunicação da empresa. Investimos em aquisição de equipamento para escultura em madeira, uma mini-retífica Dremel, estoque de madeira caixeta aparelhada (de São Paulo), tecidos, tinta e solventes.

Esses investimentos permitiram a evolução de nossos bonecos, cenários e adereços e uma melhor performance na manipulação.

Foram R$36.000,00 soma acumulada junto a uma herança familiar (que teria destino a compra de uma casa própria) que se dissolveram, com o custo de aluguel, alimentação e despesas, nossas e do Felipe nosso filho, antes de iniciar este ano de 2009.

Em 2009, tínhamos esperanças de ser selecionados nos editais APOVA da FCC, circulação da SEEC e SESI (Paraná e São Paulo). Desses editais todos, somente minha esposa Luciana venceu o APOVA e obteve R$12.000,00 e esse dinheiro, de acordo com a contabilidade vai acabar em setembro, coincidentemente, junto com o contrato de aluguel (o proprietário decidiu vender o imóvel).



Senhoras e senhores, desculpe a longa e entediante descrição, mas necessária para esta última apresentação. Digo última, porque, diante das preferências das bancas de seleção dos editais, tenho a sensação mais triste de um esforço dramatúrgico: a previsibilidade. E o previsível, é que o nosso próximo projeto que concorre ao EDITAL DIFUSÃO TEATRAL 2009 não será selecionado.

Muito embora nossa proposta seja escandalosamente generosa.

Convido-os a assistir essa tragicomédia que vem sendo desenhada e começa a ter contornos tensos a partir de agora.

Revelo aos estimados amigos e amigas o nosso formulário de inscrição para o edital difusão 2009.

Está anexado a esse email e propõe além das 18 apresentações obrigatórias, 22 e acrescenta 40 mini-palestras nas escolas, totalizando 40 apresentações e 40 mini-palestras com as crianças. Serão 80 viagens até os bairros promovendo o teatro e o teatro de bonecos.



Este pode ser nosso derradeiro espetáculo. Se ganharmos teremos uma sobrevida financeira para continuar investindo no teatro de bonecos e pagar nossas despesas.

Se perdermos vocês assistirão o trágico fim de uma idéia, o trabalho de 10 anos acreditando na cultura em Curitiba.



E com isso, lanço o desafio aos vencedores, revelar o conteudo de seus projetos. Que sendo colegas, revelem aos demais colegas que seus projetos foram mais vantajosos a Curitiba que o nosso. Que a qualidade e a proposta são melhores que o meu projeto derrotado!!!



Se assim for, retiro-me de cena. Encerro a empresa. Pois as circunstâncias mostraram que estou errado, que a proposta da minha empresa é errada. Minha administração financeira errou. E principalmente, minha percepção de pertinência da minha arte..



Senhoras e senhores, convido-os a alguns dias eletrizantes!!!!



Muito gratos pela atenção de todos



Jorge Miyashiro

Luciana aliberti Miyashiro

e Felipe

segunda-feira, agosto 10, 2009

BRINCADEIRA SINDICAL

Os sindicatos e associações tem a finalidade democrática de representar os interesses de sua categoria. Aqui no Paraná, notadamente sua capital Curitiba, os Governos promovem a difusão através de concorrência pública com a finalidade de dar maior transparência para a disputa. Uma banca mista entre os representantes das associações e sindicatos mais o representante do Orgão ou Federação selecionam os projetos enviados.
Porem, em alguns casos o que era para ser um exemplo de transparência tornou-se uma ameaça a essa instituição.
Um sindicato de produtores culturais, no afã de conquistar benesses aos seus sindicalizados, obteve êxito de impor seus representantes em importantes bancas examinadoras, a constar Fundação Cultural de Curitiba, Governo de Estado e SESI. E por estranho que pareça, um proponente bonequeiro sempre alcança êxito nessas seleções, há dois ou três anos. É intrigante a maneira massiva com que este senhor conquista sua alta pontuação. Embora transparente, os editais acobertam os nomes da banca, e assim a interpretação dos critérios torna-se mistério.
Esse sindicato é irresponsável quando seleciona seu predileto apenas pela "irmandade sindical", sem levar em conta os princípios norteadores do edital. Põe em risco as conquistas democráticas e revela que algumas lutas sociais não passaram de busca de proveitos pessoais.
Os senhores desse sindicato brincam com fogo. Passaram pelo período de chumbo e com memória deteriorada cometem arbitrariedades. Há de lembrar que o SESI de São Paulo não constitui banca de seleção. O SESI Bonecos , cujo proponente é pernambucano seleciona por critérios pessoais.

domingo, agosto 09, 2009

O PROFESSOR DE DEUSES-1ª PARTE





Manoel Kobachuk entrevistado por Jorge Miyashiro numa caminhada de 15 minutos entre o ateliê e o shopping onde fica o teatro de bonecos dr. Botica.
Se alguma figura mitológica fosse usada para descrever Manoel, seria o centauro. Um cérebro humano locomovendo a potência de cavalo. Mas ao mesmo tempo um preceptor, um formador e generoso auxiliar de outros artistas. Inicialmente relutante, Manoel cedeu esta entrevista onde podemos ouvir sua voz indispensável.

O PROFESSOR DE DEUSES-2ª PARTE



Manoel Kobachuk entrevistado por Jorge Miyashiro, numa caminhada entre o ateliê e o shopping onde fica o teatro de bonecos dr. Botica, numa fria tarde de julho. Se uma figura mitológica fosse usada para descreve Manoel, seria o centauro. Um cérebro humano agindo com a potência de cavalos. Ao mesmo tempo é preceptor generoso e divulgador da arte do teatro de bonecos. Aqui a voz indispensável de Manoel Kobachuk

PROFESSOR DE DEUSES


3ª E ÚLTIMA PARTE:
Manoel Kobachuk é entrevistado por mim, Jorge Miyashiro, numa caminhada do ateliê até ao shopping onde fica o TEATRO DE BONECOS DR. BOTICA.

sábado, agosto 08, 2009

FESTEBOM, O FESTIVAL DE MARINGÁ


Rô Fagundes e Danilo Furlan

Posso não ser o mais requisitado para frequentar festivais, mas dos poucos que fui, um se destaca por uma certa particularidade invejável, ser um festival agradável.
O FESTEBOM, festival de teatro de bonecos de Maringá é um monumento a um modo de vida familiar. Ro Fagundes e Sandro Maranho são os chefes que põe a família para trabalhar nesse festival. Os filhos Iraquitan, Kayran, Nuara, e os primos Estevão, Mariane e a Fernanda são as mãos e o coração desse festival. Uma meninada bacana, disciplinada que compreende o teatro, dão um suporte sensível e de mínima interferência. Enfim, tremendamente elegantes e discretos.

A Ro e o Sandro cercam os profissionais visitantes de muito aconchego. Por ser a terceira edição, acompanham pessoalmente todas as companhias das entradas no teatro, hotel e restaurante. Em breve isso pode se tornar difícil.

Pretendem imprimir uma filosofia própria e passa pelo fortalecimento da arte bonequeira. Ultimamente tenho resignado ao tratamento de bóia-fria que os produtores de festivais de várias partes desse país graças ao "profissionalismo". E essa resignação é requisito elementar para que se continue presente nesses festivais, sendo pago (ou não) e sendo tratado como um peão de obra.
Cheguei em Maringá com o parceiro Bernardo Grillo, com a costumeira resistência emocional. Aos poucos fui cedendo a simpatia daquela gente. Ali estavam a Verônica Gershmann, linda, grávida, um amor e o seu adorável João. Em seguida veio o Willian Sievert. E lá estávamos reunidos com os maringaenses, numa mesa de bonequeiros como há muito não via e que agora estava presente e que deveria sempre, por alguma Lei da Arte (e não essas merdas de lei de incentivo) deveria estar.

É uma meta de vida. Será uma meta para mim fazer um festival de amigos. Com pouca ou muita grana. Mas receber bem a todos. Pagar um cachet não apenas para o bolso, mas alimentar de vida o artista para que o artista seja vivo. E basta.

segunda-feira, agosto 03, 2009

O TEMPO INTERESSANTE QUE IREMOS VIVER


Estou a duas horas da reunião da APRTB. Na Boca Maldita, Bar Triângulo. São 17:00h. e comi o melhor cachorro quente do país. Salsicha grossa, molho de pernil, cheiro verde picado no pão "bundinha", ahhhhhh, diga se não é o melhor cachorro do país!!!
O Bar Triângulo era meu point. Hoje apareço de vez em quando. Conhecia os garçons, o chapeiro e o caixa; turno da noite, claro! Agora tem essa bela loirinha e uns carinhas estranhos que não são de muita conversa. Já ajudei a traduzir menu para estrangeiros, já pedi e dei conselho, era da casa. As velhas paredes deste boteco. Agora até a casa mudou.

E por falar em mudança, sem ser alarmista... mas alarmando todo mundo: que tempo é esse heim? Além dos 15 dias de chuva, essa gripe espanhola de nome alfanumérico. Economia retraida, a gripe assassina. A mãe dessa matou 50 milhões no passado. Essa, quanto matará? 25mi? 10 mi? Economia mais retraida. Desemprego. Marcas quebrando, moedas inutilizadas, volta do escambo e por fim uma grande guerra. Só assim para frear a humanidade, não é mesmo? Em tempos auspiciosos é uma fome de lobo, para que tempos auspiciosos, então?
Fome. Luta por comida e água. Não foi assim que a 1ª Guerra começou? Só que agora a guerra é tecnológica, cirúrgica, e isso significa menos sangrenta?

Se estou deprimido? Não, não estou. Vivi o medo da bomba, da meningite, do sexo, do homem do saco, da loira da Gilette do planeta dos macacos. E não é uma H1N1 que vai botar pânico na minha cabeça.
Esse é problema, o pânico, o medo contagioso. Muito mais letal que a filha da gripe espanhola.
Assista de camarote o pânico agindo.
Semana passada um senhor de meia-idade, macho-alfa, não cumprimentou ninguém numa reunião. Talvez, finalmente, tenha alcançado o ideal curitibano, mas o fato é que ele estava com medo e contaminado e contaminando o pânico.
Assistam como é volátil a solidez desejada por 10 entre 10 integrantes da classe média.

Veja por esse lado... Agora você terá uma boa história para contar ( e a todos entediar) sobre os tempos posteriores a gripe H1N1! Serão tempos realmente de chumbo, e não aquele período que iniciou em 68, em que os piás não tinham Wii, Cartoon Network, MTV, Jonas Brothers, não podiam beber, fumar, e principalmente: faltava sexo (apesar da pílula). As meninas não liberavam geral. Pô assim qualquer um iria derrubar uns dez governos e matar vinte papas. É ou não é?
E vem os tigrões com aquele papinho, "hoje a juventude não se mobiliza... esse troço de internet não rola... Ah, ve se aprende a jogar um playstation e desopila, cara.

Mas falava sobre os tempos que virão...
Ah, será que dá tempo de jogar uma conversa na loirinha?

domingo, agosto 02, 2009

JOBA EM EXIBIÇÃO


Mais uma oportunidade para vcs. conhecerem este contador de histórias/bonequeiro. E para quem conhece, rever o trabalho de forte apuro gráfico de Joba Trindente.

III FESTEBON

Estamos indo visitar nossos amigos Ro Fagundes e Sandro Maranho. Vamos apresentar o TREM DE NINGUÉM, eu e Bernardo Grillo. O III-FESTEBOM(Festival de Teatro de Bonecos de Maringá) acontecerá de 03/08/09 a 09/08/09. Todas as entradas serão gratuitas e os convites deverão ser retirados uma hora antes das apresentações nos lugares das mesmas.

Abaixo a programação:

01/08/09, 10hs, Desfile de abertura do FESTEBOM com bonecos gigantes.
Ass. Arte Boa Oficina e Teatro de Bonecos- Maringá-PR
Av. Brasil;
Av. São Paulo.
-Livre

03/08/09 -13:30hs
Show de Bonecos,
Cia Fanto Kid’s-Maringá-PR
Praça Raposo Tavarez
-Livre

03/08/09-14hs-20hs
Um conto para nossa história
Arte & Manha-Guarapuava-PR
Teatro Barracão I-Livre

04/08/09-14hs
Cinco Hitórias em Crise ,
Grupo Pau de Fita-Maringá-PR
Casa da Cultura do Jardim Alvorada-Livre

04/08/09-14hs-20hs
Cidade Azul
Cia Truks-São Paulo-SP
Teatro Barracão I-Livre

05/08/09-14hs-20hs
Pequenas Coisas
Cia Morpheus Teatro 12-
São Paulo-SP
Teatro da UEM-Livre

05/08/09-14:30hs
Tem História na Mala
Cia Manipulando-Maringá-PR
Asilo São Vicente de Paula-Livre

06/08/09-08:30hs-10hs
O Beco
Cia Fanto Kid’s-
Maringá-PR
Teatro Barracão I-Livre

06/08/09-20hs
O trem de ninguém
Cia Simples Suspiro-
Curitiba-PR
Teatro Barracão I-Livre

07/08/09-08:30hs
O trem de ninguém
Cia Simples Suspiro-
Curitiba-PR
Teatro Barracão I
-Livre

07/08/09-14hs-21hs
Incluído na Programação do “Projeto Convite ao Teatro”
O incrível ladrão de calcinhas(Adulto)
Cia Trip Teatro de Animação-SC
Teatro Barracão I
-Adulto

07/08/0920hs
O Beco
MAR-Ministério de Artes Renascer-Maringá-PR
Teatro Reviver-Livre

08/08/09-16hs-20hs
O velho lobo do mar
Cia Trip Teatro de Animação-SC
Teatro Barracão I-Livre

08/08/09-20hs
O menino que ganhou uma boneca
Cia tipos e caras-Maringá-PR
Casa da Cultura do Jardim Alvorada-Livre

09/08/09-16hs-20hs
Vis MotriX
Imago Teatro de Animação-Londrina-PR
Teatro Barracão I-Livre