sexta-feira, maio 29, 2009

PISANDO EM SOLO MOVEDIÇO, DANÇANDO EM CASCALHO

Alguma vez já bancou o mister "M"?
Fez a mágica, deixou todo mundo intrigado e depois mostrou como fez, e todo mundo disse: ah, que fácil!

É assim que as professoras querem que seja o teatro hoje em dia. Explicadinho. Você dá um duro trabalhando a poética do espetáculo, escolhendo as frases, tentando não ser indutivo. Então no fim da peça vem a professora dizendo que vc. tinha que ser mais claro! que as crianças da escola (que prestaram uma atençam descomunal) não entenderam a peça.
Porra! Então cada poeta deveria escrever um manual do usuário de si para que a turba não precisasse assistir mais novelas das 21h.!!!! "ah, é assim que esse cara se sente? Mas pq. ele não toma um viagra e resolve logo essa impotência existencial? Mas tem que tomar com jurubeba pq. impotência existencial deve ser aquela que vem de dentro do escroto"
Essas tias me matam... Na verdade, me brocham!!!!!!!!!!!


Mas estamos assim, senhoras e senhores: estreamos SHISHI, O COMILÃO. Olhem só a caras dos mocinhos! Foto do elenco, logo depois da estréia, no coquetel de lançamento da peça. Tinha champã Tattinger, Bollinger e Cachaçanger. Foi só alegria! a atriz principal deu vexame claro.
Um drama com fantoches! a trágica saga do honrado samurai que é seduzido pela força da grana e do excesso de segurança e cai para compreender a que a vida não é nada disso. Conhece alguém assim? Não? Pois é uma fantasia pura, uma fábula fabulosa. Um verdadeira história desenrrolada com começo meio e fim. Tudo bonitinho!
É minha primeira peça com cenário, dentro desse processo de solista. Ao invés de tornar-me um pouco mais leve, estou engordando materialmente falando. Coisas da idade, não?

Perdi um trampo esperado. Falei de um teste que fui atrás, Sharles e Loura (sabe? Da menina loirinha e do irmão super-protetor) em São Paulo. Pois é.
Só sabia que era para uma peça do dvd que meu filho mais gosta, antes, é claro do Thomas and Friends.
Agora soube que é uma produção comprada pelo Luciano Ruqui (pra despistar na busca, tá!) e sua mulher Agelica, (manja?) que compraram os direitos em Londres da peça pq. o filhote deles gostou! Os caras investiram Hum milhão e quinhentos mir reais na peça!!!!! Que presente esse piá tá levando, sô! Dá para imaginar a família chegando nos bastidores, o garoto detonando os preciosos bonecos e vc. terá de deixar, afinal, é dele, meu! Os bonecos são de borracha E.V.A, rasga tudo moleque, sem dó!!!
Quanto deve ser o salário dos moços? Aliás quem são os moços, pq. será um bandinho de cinco anônimos, como foi em Londres e provavelmente aqui também não será divulgada a ficha técnica. Eu estou precisando de grana, mas assim tabém? Tem dó né Lu!!!
E o casting é de uma doçura sem fim. Fui até lá com o meu dinheiro. Poderiam pelo menos avisar que dancei, um email, bastaria, pô. Nada. Pudera, são cariocas. Alguma vez já viu carioca dar satisfação ou pedir desculpas por algum atropelo? Mas exigem submissão a nobiliárquia de ex-capital da República. São uns porra! Luiz André e o Carioca que me desculpem! Mas vcs. não são mais fluminenses.


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quinta-feira, maio 21, 2009

VIVENDO EM OUTRO MUNDO: LIGUE PARA LÁ!

Estou trabalhando.
Trabalhando feito um camelo num caravançará.
Fazendo serviço de escultura junto com costura.
Serrei um bloco de madeira, tão grosso, tão grosso que preferi rachá-lo à marteladas. Aí tenho um vizinho atleticano, claro, cabelos embranquecidos aos 30 anos, gritando aos berros, incomodado com as marteladas. Continuei batendo e ele continuou gritando.
Engraçados esses idosos. Deveriam ser tranquilos mas são mais agressivos que um mancha-verde barrado na porta do estádio. Com esse vizinho foram três, até agora, encaminhar-ma a alguma ingestão pela saída do produto ingesto... em uma semana, três!
Estou tão esgotado e tão concentrado no trabalho que deixei passar, sinto muito.

Segunda-feira estréio em alguma escola do bairro.
Agora que a peça está tomando forma.
Descobri como termina a peça.
Minhas mãos estão inchadas. Não consigo fazer trabalhos muito detalhados. Serrei dois dedos e apareceu uma rachadura na ponta do polegar que dói muito.
Costuro, erro, desmancho e re-costuro.
Serro, a serra desvia e corta demais. Volto a rachar outro toco para serrar.

E acabo de perder outro projeto.
Estou procurando em todo lugar, mas não acho o gato preto que enterraram na minha casa...
E como estou me virando? Emprestando dinheiro com parentes, claro.
Irmão, irmã e meu pai.
Para o meu futuro biógrafo: meu pai quer que eu mude de profissão. Ele acha que massagista ganha mais dinheiro que ator-bonequeiro.

CONCORDO PLENAMENTE, PAI!!!!!

Só que minhas mão estão definitivamente destruidas. Devido ao tratamento com thinner, aguarrás, cola, serragem e ferramentaria em geral. Jamais vou conseguir fazer massagem com as mãos. Mas como diria a bicha, quem tem boca... Creeeedo!!!
Na verdade não tenho mais mãos, tenho um par de cascos dianteiros. Minha mulher deve viver alguma fantasia, enquanto cumpro com minhas obrigações maritais, de estar sendo atacada por algum pedreiro, jardineiro, limpador de piscina. Com essas mãos só assim dá jeito.

Mas tenho fé que esse período passará.
E quando der minha entrevista ao David Letterman, fico imaginado o que diria a ele se perguntar como vivi de teatro no Brasil... diria:
Theater in "Brasil" gives much money, a big amount money. But takes twices and a little bit youth too.

Peçam a benção pro vô!

P.S.: Inauguração da nova sede do Grupo sobrevento em São Paulo, fui convidado.
Pelo meno ao invés da merda passei para la mèrde! Et mèrde pour vous!

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quarta-feira, maio 13, 2009

SHISHI, ESTAMOS CHEGANDO




Faltam duas semanas para a estréia de SHISHI, O COMILÃO.
O cenário não está pronto, a trilha sonora não está pronta, o texto não está pronto. e os bonecos não estão prontos (apenas o que está posando nas fotos, mas está tudo solto, falta costurar, colar, calibrar...) que s. pelo cronograma descente, deveria estar ensaiando. Mas não. Estou aqui postando, fazendo filminho pro youtube, overmundo. Tendo idéia mirabolante pro futuro e produzindo toxinas para o fígado, elucubrando a forma de pagar minhas contas exorbitantes.

Mas ontem recebi um conselho budista da seita Nitiren-soka gattai: a dificuldade não dura para sempre.
pode parecer banal, mas sendo japonês, tenho tendências fatalistas. Um rápido exame sobre minhas brincadeiras com a morte , (textuais!!!) podem comprovar o que digo ...
Então, daqui a pouco o dinheiro para pagar a bagaça dessas contas vai aparecer. Porque ia ficar feio um artista e sua família, descobertos podres, num ape da Santa Felicidade. O fim da decência civilizatória! Então tá, chega de falar de problemas...

Está aí o primeiro boneco completo. Faltando apenas os ajustes. Mas aí está frente e verso para poder apreciar de antemão mais uma conquista técnica da Miyashiro-Aliberti Títeres, ex- Miyashiro Teatro de Bonecos .
O penteado de samurai que já falei.
O yukatá, o kimono, a roupa tradicional dos japoneses do período Edo, 1603 a 1868 e pouco. A camisa, hapi, com abertura cruzando sobre o peito que todos conhecem do judô e karatê, forrada. O hakamá, a calça, essa menina dos olhos dos figurinos.
O hakamá pode ser de dois tipos: o umamori que tem duas pernas para a prática da equitação e o andon-bakamá como uma saia. Escolhi o andon-bakamá que serve perfeitamente para o tipo de fantoche que estou usando neste espetáculo.
Agora estou na correria pra terminar os outros figurinos. Espero encerrar a costura na sexta-feira e então partir para a cola.
Semana que vem quero terminar o cenário e algum adereço para começar ensaiar.
Desejem-me sorte, pliz!

quarta-feira, maio 06, 2009

CRISE? QUE CRISE?

É amigos, com crise ou sem crise, a coisa está brava.
Estou sabendo que os brothers estadunidenses, que nunca deram a menor bola para o que se passava por aqui, nesta reserva de mulatas, agora estão pedindo arrego; o pessol por lá está desempregado! Estão sem trabalho, não conseguem marcar apresentações, vender espetáculos, aparecer em programas de tv e todas as coisas simples, que não eram Hollywood, mas que davam um fair money, uma fortuninha para nós (se fosse eu a ganhar, claro).
E por aqui a coisa não está melhor.
No meu caso, desde 2006 venho investindo na empresa, comprando equipamento, aparelhagem para melhorar a qualidade de som, computador, filmadora de geração recente, e ao invés de alavancar a procura pelas apresentações, acorreu ao contrário! Queda total nas vendas!
Sem mencionar a rasteira que alguns colegas nos dão. Esse assunto delegamos às forças do karma, onde, aqui se planta, aqui se colhe. Ou que esse modus operandi acabe levando tais meliantes de encontro ao seu destino fatal, para um descabeçado qualquer.

Sem mencionar ainda, gente amiga que investida de um pouco de poder, deprecia nosso trabalho, imbuída de uma "sinceridade profissional", insulta o resultado de longa reflexão e trabalho que é o espetáculo. São convidadas para formar bancas de avaliaçcão de editais e expõe um faceta de gosto duvidoso e nos desclassifica inclementes, todos nós. O que fazer? Sem amigos, sem trabalho e sem dinheiro?

Mas isso é apenas um lamento de um empresário. Mais um entre milhares de reclamões.
E se estivesse neste ramo pelo dinheiro, melhor seria ter procurado uma formação em administração, medicina, farmacêutica ou engenharia de alimentos, correto?

Embora uma exigência para artista trabalhar para o governo ou empresa é a CNPJ, tornar-se emprésário. Armadilha! O resultado é a grande quantidade de gente TALENTOSA EM EMPRESARIAR! como essas pessoas tem tempo para criar, trabalhando tanto? Vendendo tanto? Viajando (de avião, carro, ônibus...) tanto? É evidente que ninguém cria alguma coisa de valor se não tiver o tempo necessário para criar esse algo. O Estadão publica que Gay Talese dispende de 5 a 10 anos para escrever um livro! E no atual sistema brasileiro isso é considerado inépcia, não permite isso. Ele privilegia o empresário. Mas paga insuficiente, exige muito e o que é pior, julga adequado o projeto empresarial como indicado para para receber o dinheiro. Isso ocorre tanto nos editais quanto nas propostas apreciadas pelas empresas.

Por isso o teatro hoje em dia não projeta as intenções criativas. É uma coisa aborrecida, superficial, instantânea, nada instigante. e o público vai ficando cada vez mais analfabeto na leitura das imagesn , na audição e interpretação dos textos.
É por isso que o artista pobre, próximo da inanição, se deixa iludir e sonha em produzir um espetáculo rico. E o empresário dos espetáculos ricos, fica louco com uma agitação como essa que o MINC está fazendo para revogar a Lei Rouanet e propor uma nova Lei com cara do novo MINC. No Brasil, ainda vamos continuar a se surpreender com o talento dos artistas estrangeiros e continuar a fazer produções medíocres. Falou-se tanto na reserva cultural do país, a cada dia vemos a mecanização do talento.

Mas eu estou na minha diretriz, estabelecida há uns bons 20 anos quando quiz ser artista.

Pois então, falido, estou produzindo um espetáculo que há muito gostaria de ter produzido, uma peça com mecanismos, com engenharia teatral, manja?
Roldanas, polias, sistemas deslizantes.
Aí que está.


Estou fazendo praticamente tudo. Fabricando peças em madeira, justamente, porque não encontro nas lojas de ferragens e afins. É o proprio o~fício das artes. Nada de teatro R$1,99! Tudo feito à mão. Tem os pregos e parafusos, mas ainda chego lá. O que quero dizer é que conheço a atitude de cada mecanismo, de cada dobra de pano, sei o que cada junta faz... Isso não proporciona uma maior condição para expressar? Já o mesmo não pode acontecer se for usar um boneco comprado, um cenário de autor. os limites são bem maiores se as instâncias da produção são concentradas em poucas pessoas ou em uma pessoa.
Tem um blog: www.puppetvision.info/ de um marionetista canadense que lançou uma discussão sobre "o fim da animação de títeres (puppetry)"; ele diz, muito educado, fazendo uma longa introdução, que o artista, hoje em dia , ao produzir um espetáculo, deveria fazer algo com maestria, algo que fizesse conta para a humanidade; se for fazer alguma coisa que faça bem. Não é fazer algo que não seja ultrajante, é ao fazer algo na linha do South Park, que faça algo melhor que os criadores do South Park fizeram.
Precisa falar que os desempregados anglófonos do mundo inteiro ficaram possessos?

Mas quem deveria ouvir isso está preocupado em esquentar a poltrona do cargo, e se irá continuar nela nos próximos oito anos... São esses os responsáveis pelo que você vê no teatro, na música e na p...
tchau!