quinta-feira, abril 30, 2009

MENOS VALE UMA POMBA NA MÃO QUE UMA ROLA VOANDO



Falava do penteado sobre a cabeça dos bonecos, que empreguei dois anos para aprender fazê-los etc.
Esse penteado não é somente um rabo-de-cavalo, mas um nó sobre a cauda em que se forma um coque chamado gyngko, porque fica na forma da folha da gyngko, aquela usada para fazer um fitoterápico, remédio para depressão. Além disso a testa é raspada e a ponta da cauda é oleada onde permanece sobre esta área raspada. Ainda hoje esse penteado, com devidas variações e estilos é usada pelos sumo-toris, é chamado chonmage, ou na fonética aportuguesada tchon-maguê.

SHISHI, O COMILÃO tem como cenário o Japão do século XVI, num pequeno território de um donatário rural. Shishi é um leão descontrolado, orgulhoso e arrogante, ele invade a mansão deste donatário e inicia a destruição de suas posses e propriedade. É o declínio do poder aniquilado por um poder maior.
Em SHISHI, O COMILÃO, claro que quero tocar na veia aberta pela crise mundial, onde a voracidade pelo dinheiro com que fomos tomados tornou-se a obsessão evidente durante o fim e início do milênio. A promessa de maior distribuição da riqueza tornou-se uma corrida inescrupulosa em que a arte, ideologia e a vocação religiosa foram incapazes de frear.

Hoje fui até a um restô macrobiótico, o Clorofila na Saldanha Marinho, no meio da tarde. A Estelita, uma sensei platense que cozinha em apenas alguns dias. Ela conhece os segredos do cozimento exato do arroz integral. Nesses tempos de chefs formados em cursos caríssimos, em que o ingrediente já é o prato, o arroz da Estelita é um estado de Arte. Estava sendo entrevistada por isso saí para não atrapalhar, mas já podia ouvir a pergunta da repórter: "é fácil a dona de casa fazer uma comida saudável, macrobiótica..." Não cara repórter de pauta planejada, que pergunta respondendo, o arroz macrobiótico não é fácil de fazer, na verdade é arriscado, porque é preciso por um peso sobre a válvula de pressão da panela. Há um risco iminente de explosão a cada cozimento. A cozinha japonesa é toda assim, como o preparo do fugu, aquele peixe inflável que me foge o nome.

Para lembrar, nos anos 80 o Japão fazia um carro, um som, uma tv que deveria ser um objeto de culto e adoração. Vieram os chineses vendendo um produto barato, que dava para usar mais de uma vez, quebrava fácil, mas poderia ser comprado novamente. Esse pensamento de R$1,99 repercute na arte. Começa com o "artista" buscando seus adereços no R$1,99, sendo considerado pelo burocrata da cultura "um estado de arte ideal", e não está equivocado pois é o reflexo do pensamento atual.

Despender meses em detrimento de minutos para construir um boneco é antiquado, até o giro da história mudar tudo novamente.

A Arte é meu ethos. Eu sou radical, porque busco o essencial na raiz. Eu sou ortodoxo, porque a Arte é minha coluna, o meu eixo. Não sou facista porque não almejo a disseminação. Mas atentem para a exigência de diploma para se fazer arte. A faculdade não obteve êxito em gerar talentos, agora quer impor o conceito do que é talentoso e criativo. A faculdade ama o poder. Ama o embate político. Porque não amaria o controle de nossas mentes? Cuidado com os doutores.

terça-feira, abril 28, 2009

ADESPEITODE...



Parece um boneco?
Dois anos de estudo e pesquisa para fazer esse penteado.
É um estilo bushi-no-kata, período 1600 a 1700. As informações chegando devagar. O coque dos samurais.
SHISHI, O comilão. a primeira peça de nossa cia., com cabeças esculpidas totalmente em madeira. Com formão e talhadeira. Foi uma delícia fazê-los, na verdade uma realização. Porque como ator-bonequeiro, titeriteiro, marionetista e todos esses nomes incompletos, incapazes de definir a profissão do confeccionador e apresentador de teatro bonecos, o indivíduo é um enciclopedista iluminista. A característica artesanal forte, a insatisfação em adotar novas tecnologias e o total controle de todo o processo criativo e posterior.
Embora não odeie um bom equipamento de som, luz e informática, considero um desses. Pois projeto, fabrico, sonorizo, vendo e apresento o meu teatro de bonecos.

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A Camerata Antiqua de Curitiba iniciou a temporada 2009 do Alimentando com Música.
Desejo boa sorte e uma retificação.
Nos releases que divulgam o projeto chamam o boneco que nossa empresa fabricou para o Alimentando Com Música Villa Lobos, de "luva chinesa". Para uma camerata tão ciosa e detalhista em terminações, causa espécie essa informação. Em nenhum momento, a Miyashiro Teatro de Bonecos informou que o boneco de luva villa Lobos é uma luva chinesa. Para quem tenha visto uma luva chinesa, certamente perceberá que são diametralmente opostas em dimensões e aspectos culturais. Seria o mesmo que declarar que o violino é igual ao violoncelo, ou que a MPB é composta de sambas.
A luva Villa Lobos é uma luva única, desenvolvida pela Miyashiro Teatro de Bonecos para a Camerata Antiqua de Curitiba, como resultado de longa pesquisa.

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Por falar em pesquisa, a Miyashiro Teatro de Bonecos inicia uma fase de busca pelo eldorado dos fantoches.
Vamos desenvolver articulações faciais nas cabeças dos bonecos, feitos em madeira.
Nada de moldes, poliuretano e espumas insufladas!
Nada de facilidades, queremos o domínio sobre a matéria, queremos animar o inanimado, queremos a alta magia, criar o segundo Adão...Ahahahahahaha!

sábado, abril 25, 2009

DIÁRIO DE UM ATOR EM TESTE, OU "ARE YOU MEANING THAT I'M IN?"

Jamais a espera de passar por um teste é feita com naturalidade.

Assim como jamais a espera de um resultado de um edital ou do teste, tem a presença da calma.

Após um sono conturbado despertei 5h. da manhã. Tomei um Cometa para São Paulo; para um teste em um musical. Sabia apenas que teria com bonecos. Não levei currículo nem foto, nem preparei uma cena. Baixei tudo num pen drive e me pus a caminho.
Estava marcado para 17:45h. Cheguei no shopping 13h. O teatro ficava neste shopping, uma bela sala que eu não conhecia. Vi um pouco do movimento nas dependências do teatro. Nada corrido ou disputado. Nada de pais afoitos exigindo disciplina dos filhos candidatos a estrelas.

Para passar o tempo, fui na fotótica ampliar uma foto de corpo inteiro que tirei na véspera. Rodei o shopping inteiro procurando uma lan; talvez por distração ou falta de vontade, não encontrei algo parecido com uma lan. E fui sem curriculo.
Assisti o Dragonball, chupei um sorvete de doce de leite com coco e entrei no teatro duas horas antes do meu horário.
Uma produtora carioca coordenava o teste. Uma loirinha com sotaque fluminense mandou-me preencher alguns papéis. Havia Meia dúzia de uma moçada no saguão. Meninos e meninas veteranos de testes como aqueles.
Vi que se conheciam. Tentavam se reconhecer. Lembravam-se uns aos outros dos detalhes de testes anteriores em que ambos estiveram presentes, mas principalmente, dos trabalhos que participaram. Esse meninos e meninas atuam em shows da broadway que agora são montados mensalmente na capital paulista e dos cariocas. Atendem a fome pelo produto importado em seguida partem para tourné pelo interior, outras capitais e quiçá Buenos Aires, Caracas e caracos.
Conheci um menino, maior de 18, primo distante de uma globalzinha em ascenção, com uma participação em sua primeira novela, já veterano de musicais como Hi Fi, Barney e Cocorico, orgulhoso de sua formação: Macunaíma e Wolf Maia. natural de Barra Bonita-SP, falava com outro garoto algo que tentarei reproduzir:
- Fiz o via funchal.
- Eu também fiz o via funchal.
- Fiz positivo.
- Eu também fiz o positivo.

Que código era aquele, meu deus! Tirei as maiúsculas para que os amigos tenham a mesma perplexidade excludente que passei. Falavam dos teatros em que atuaram e antes que eu percebesse que positivo não era um exame sanguíneo, mas sim a valorosa sala da universidade Positivo daqui de Curitiba. Assim está comprovado que Curitiba, agora, faz parte do circuito nacional de shows internacionais (!?).
Esses meninos são muito ciosos do material do seu trabalho. Assistem os musicais com minúcia e seriedade de pesquisadores. Conhecem os elementos técnicos e subjetivos com autoridade de mestres: - "Impressionante, como você cresce no palco!" - O que quero dizer é que enquanto uma falange de adolescentes gasta de R$80 a R$100 por um ingresso para se descabelar histericamente diante de uma imitação de uma simulação, cuja interpretação restringe-se a mímicas, já que os meninos não tem o poder vocal das crianças estadunidenses, onde apelam para playbacks; os colegas vão a esse shows para analisar os concorrentes, para avaliar o que lhes faltam, talvez seja isso.

- O Luciano Huck esteve aqui! Ele é muito gente fina, cumprimenta todo muuundooo!!!
Jamais imaginei que o Luciano Huck fosse gente fina. Com qual finalidade um apresentador de tv sai cumprimentando todo mundo feito um político em campanha? Só se estiver em campanha. Na verdade estou sendo um velho, porque os meninos adoraram o Luciano tratando-os como gente. Porque nessa profissão, a massa gentia é tratada como animal de carga. Bom, e eu perdi chance de ser cumprimentado pelo Lu...!

A loira carioca chamou eu e mais três meninos para a fila do teste, fomos para o lobby. Uma menina de malha de ginástica fazia aquecimento. Ela ainda aguardava sua vez de ser testada. A menina era uma boneca, linda, pequena, morena e ágil. Seu nome, talvez artístico tinha o sobrenome Cavalo!
Cada um que saia relatava o teste, o que, em princípio seria para ajudar, causava pânico.
Para mim aquilo estava sendo diversão. Embora os motivos de estar ali eram menos divertidos. Trabalho que se rolar rolou, senão...
Estou finalmente numa idade em que pratico um cuidadoso e proposital desleixo. Não fico abatido com notas baixas, embora ainda esteja obtendo notas baixíssimas, inacreditavelmente.
Minha vez chegou, entrei pisando duro.
A sala com poltronas novas, palco de madeira resinada, o abafamento de uma sala com acústica perfeita.
quatro mulheres, mesas espalhadas, notebooks ligados, um espelho, uma filmadora e o diretor inglês, do espetáculo que seria produzido. Uma das mulheres era tradutora e perguntou se eu era fluente na língua. Virei para o diretor e disse que era "professional puppeteer". E com isso fui. O englishman deslachou na fala, enquanto eu pegava uma ou duas palavras e ia embora. Fazia cara neutra, respondia com alguma ironia e parecemos todos satisfeitos.
qual o problema da língua estrangeira? É o tal pensar na língua. Você não pode querer tentar falar pensando o estrangeiro em língua nativa. Não pode responder "beleza, aí" com "beauty, there on", e tem frases que traduzidas literalmente até tem o mesmo sentido, mas que não pegam bem, ficam pedantes, fora de contexto, ou de moda, ou foram contaminadas por algum episódio ocorrido na vida de uma pessoas famosa, algo assim. Por isso tento ficar calado, ou reproduzir pequenas frases, com sentido direto. antes, é claro, há muito tempo a trás, queria descrever o que era ser brasileiro para qualquer gringo que aparecia, só dava bosta.
Perguntou se um trouxera um boneco. Não trouxera. Perguntou se tinha currículo...
Mandou-me improvisar no palco, já que não preparara uma cena. "Mas assim sem nada?" a tradutora mostrou uma mesa com brinquedos de plástico, baldinho, molde e pazinhas. Peguei dois moldinhos de areia e improvisei um diálogo, fazendo os moldes de rosto dos personagens. Nada brilhante, nada impressionante, apenas para dar uma visto meu método.
Então mostrou-me um boneco do espetáculo, um personagem de uma série de tv educativa, vou declinar para que não rastreiem esse blog, sabe como é: segurança da informação...
Era uma silhueta, de borracha, com forro. Caprichada mas limitada mesmo.
Fiz algumas manobras sob orientação do diretor e da tradutora. Foi bem reprodutivo, repetitivo. Eles mandavam e eu fazia, falei muito ok, ok, ok...
Algumas manobras arrancaram uns ahs do diretor. No fim ele perguntou se eu teria problema de atuar de joelhos, respondi que era japonês; em seguida respondi, sério, que os joelhos estavam bem, já o resto...
Mostrei para ele o desempenho dos meus joelhos que fizeram uns clics malignos e quando saí do palco, percebi que estava mancando. Afinal, desleixado que estava fiquei assistindo o deleitoso aquecimento da Cavalo, e o entra e sai dos garotinhos, que como soe nesses ambientes, são efeminados, nada fleumáticos, correm para cima e para baixo. Eu, no caqui dos meus fios brancos preferi ficar sentado nos pufes das poltronas do lobby. Aliás estava sentado nas últimas 14 horas. O joelho fez o que pode para mostrar uma boa imagem ao diretor. E disse algo mais sobre escolher a parceira do meu papel, descreveu algumas técnicas que iriam ser usadas, sua fala pareceu que eu já estava escolhido. Mas como estou calejado pelas decepções decidi apenas calar-me e aguardar o curso do destino.
Além disso não ocorreu a frase: -"Are You meaning that I'm in?" Pensei em "Am I contracted?", suspeitando do verbo. Preferi o sábio silêncio .
Agora é, mais uma vez, aguardar.

quarta-feira, abril 15, 2009



Olha aí!
Um evento super legal. Num point que os curitibocas frequentam a boca miuda.
Tem uma pousada super legal, da Bete Bolfer, e ela está agitando o lugar.
É outro espírito, é outra cabeça.
De zero a dez: cem!

segunda-feira, abril 13, 2009




Olha a falta que um lugar para trabalhar faz.
Não dá para ver, mas o quarto está tomado de micro-bolinhas de poliuretano, ou, fiapos de isopor. Isso entra nos olhos, nas fossas nasais, na boca. Felizmente não causa mais irritação, o organismo já assimilou e reconhece como elemento... ah, sei lá!

Tudo para dar uma mudada no cenário da peça. Um telhadinho.
Vão pensar, o que um telhadinho vai mudar? Pois se eu tivesse um telhadinho para trabalhar, poderia fazer muito mais coisas.
E replicarão: mas o verdadeiro talento manifesta, independente das condições materiais. Concordo meio-a-meio.
Ví uma cena em vídeo com o Yueng Faï, irmão do falecido patriarca da família Feng, o Yang Feng; ele carregava todo o seus bonecos e props numa valise de couro, uma mala com capacidade para 10 ou 13kilos. Nem um amarrado de tubos de alumínio, pvc ou varas de madeira. Só a mala! O sonho do titeriteiro itinerante. Embora só precisando dessa mala, seus espetáculos tem a dimensão física de uma mala. Correm o risco de enfadar. O cara tem que ficar com pé na estrada o tempo todo, devido a sede de novidades do público. Principalmente se esse público for de uma cidade grande ou média.
Uma vez, já comentei isso, ví uma sala de manutenção dos bonecos de bunraku, de Osaka no Japão. Como lá metro quadrado é calculado por kilo em ouro, os caras estão numa boa se tiver uma edícula para trabalhar, e era o que tinham.

Aqui, o herói da peça, esperando o acabamento na pintura, por Luciana Aliberti Miyashiro.

AS DIVINDADES E A CRISE

Cada um tem sua maneira de lidar com o transcedental.
Eu costumava ir a algum lugar de força natural, tipo, cachoeira, rio, lago, fazia um pedido aos deuses do lugar e jogava uma moeda de menor valor que tivesse na carteira. Outra coisa que fazia, era ir a um cruzeiro em algum cemitério, acendia uma vela e pedia para o espírito da minha mãe defender - nos contra as forças que atacavam o membro da família. Tipo, você luta por aí que nós lutamos por aqui. Evitando que espíritos do mal viessem atormentar o mundo da materialidade. Minha irmã espírita deu-me uma bronca por demandar com nossa mãe, e parei, por via das dúvidas. Disse que eu estava atrasando seu crescimento espiritual. Mas meu raciocínio não é impecável?

O fato é que nunca ví as igrejas tão cheias como agora.
Gente extremamente materialista. Buscam auxílio espiritual para aumentar o patrimônio!
Que até onde vi, jamais tiveram o menor interesse pelo próximo.
Jamais fizeram uma ação a favor do mundo.
Aliás, agradecem a tragédia que acontece em outro lugar do planeta e não na sua casa.
Estas são pessoas que estão ao lado.
Pergunte sobre elas e vão reclamar que o dinheiro está difícil.
Conversam contigo porque souberam ser importante estender a rede de conexões.
Um vizinho chega ao cúmulo de "aproveitando a oportunidade" para vender um plano de financiamento de imóvel do Unibanco com juros menores que a Caixa Econômica, e ele demonstra. Embora, os juros da Caixa sejam subsidiados e os do Unibanco visem o lucro, ele demonstra. Até hoje não consegui entender o que ele diz, por que ele fala para dentro, e eu sou meio surdo... fico olhando para ele, concordando... tomando minha cerveja amarga.
Tente convidá-lo para um programa voluntário.
Prefere ir para a igreja, clamar por ajudar dos céu.
É um pagamento de promessa.
Prometeu frequentar os cultos semanais, caso obtivesse alguma venda.
Agora está pagando.
A maioria dos meus vizinnhos é católica. Mesmo os que mudaram daqui, posso reencontrá-los na missa dominical.
Mas por qual interesse?
Jamais foram assistir uma peça minha.
Católicos, por natureza, não assistem teatro.
Nem dizendo que é de graça.
Somente os autos da paixão e talvez, de natal. E olhe lá...

Daí a conversa rola em torno de empresas, economia e política. Na verdade, trata-se de uma revisão das leituras de jornal. As opiniões são repetições de editoriais. Resta o futebol. Mas como o futebol é como religião, evita-se esse assunto, caso não haja muita familiaridade para troça.

A muito tempo não faço uma bela troca de figurinhas. Não ouço uma defesa apaixonada por este ou aquele artista, de como ele está mudando a cena da música , do teatro e da literatura. Mesmo porque os academiquinhos castraram todo e qualquer debate com os seus Arheims, Teixeira Coelhos, Florestan Fernandes, Câmara Cascudos, Derridas, Sartres, Foucaults e outros carecas que, graças ao C.S.Peirce, esquecí.

sexta-feira, abril 10, 2009

O PASSADO ME CONDENSA


Vejam vocês esse intrigante instante registrado pela Ana Maria Bacci, em Bauru, na Oficina Cultural Glauco P. de Moraes. Espetáculo de rua, numa luxuosa oportunidade dentro de um espaço fechado.
Eu (de costas) no papel de "Dragão chinês"contra o "Santo Japonês" interpretado com o devido grito de seu som e fúria por Sérgio Del Giorno.
Era um início de carreira, que nos deixou, infelizmente, muito metidos; porque a peça "O Santo Japonês contra o Dragão Chinês", escrito pelo Sérgio e dirigido com mão-de-ferro por mim, com o perdão dos fatos verídicos e testemunhos fidedignos, levantava a galera.
1992 a 1996, era uma época que todo mundo encenava Nelson Rodrigues. Onde havia um palco, havia A Valsa nº6, ninguém mais aguentava. Estava surgindo os Parlapatões Patifes e Paspalhões fazendo coisas fantásticas; o Pia Fraus tinha 45% do elenco morando em Bauru; e eu virei para o Sergião dizendo que não aguentava mais A Valsa nº6. Que queria fazer uma peça que tivesse muita pancadaria. Admito que admirava La Fura Del Baus.
Mas também gostava do Sankai Juku, Alice K, de alguns clowns como o Daniele Finzi-Pasca com o seu solo "Ícaro" que mudou minha vida, a Maria Bozzanigo.
Eu só sei que uma peça é um evento que independe de quem a cria.
Ela então surgiu e nos maravilhou e fez rir um monte de gente.


Aqui, eu, numa cena a la Daniel-san.
Dá para ver como éramos felizes?
Se há algo de que tenho saudades, era da resistência física pra fazer dois duelos de espadas três combates mano-a-mano, e dar o texto em 1,20 hora.
Em dois anos de apresentações passaram pelo 3º elemento, que interpretava uma série de importantes papéis:
Marcinha "Encrenca";
Marceli Escanuela;
Aurélinho;
o César, Cezinha do pão de queijo, de São Paulo;
e um cara de Piracicaba que, numa ignominiosa falha da memória deixei seu nome para trás...
Cada um desses amigos, interpretaram, foram a seu tempo o 3º elemento, que com tanta dificuldade em encontrar substitutos, nos impediu de continuar as produções da cia. Bakateru. Com muita razão, já que, nos anos 90, quem em sã consciência participaria de uma peça cuja base física era a porrada?


news...

Bom se o álcool lubrifica sex... quer dizer socialmente, eu tenho sido violentado, currado à seco.
Não consigo mais beber cerveja!
A última foi uma heinneken que não consegui terminar. Passei para o vinho branco com muito gelo e mel para poder engolir. Tá phoda!
Isso significa que não estou tendo paciência com os amigos, deve por isso que estou a perdê-los a caçambadas...
Fazer o que? Coisas de velho.
Ninguém vai dizer: tadinho?

sexta-feira, abril 03, 2009

VIVA LA VIDA


Amigos! Eu não destruí a natureza!


Ontem estava determinado a invadir o seio farto da mãe natureza e despejar o abjeto resíduo de isopor em seu leito. Em resumo ia raspar os blocos de isopor do meu mais novo cenário!
Pensei melhor e resolvi não cometer esse crime.
Tranquei-me no quarto que serve de escritório e ali comecei a fazer o trabalho lixar o isopor.
Já fez isso,menino? Lixar isopor dentro de um quarto?
Tem serviços que a gente deve fazer para um dia contar para os netos:
-"Sabe meu filho o vovô já fez de tudo nessa vida, comeu puta (mas não tragou) , homops (e não regurgitou), correu atrás de porco no chiqueiro e lixou isopor dentro de um quarto fechado".

Para comparar, seria como cobrir-se pixe e jogar pena por cima. Claro que pixe e pena não causam o dano que o isopor causa... Ahhh! O quarto está lá, branco feito o Mont Blanc...
Mas não há maior prazer no mundo, o de ver que o cenário está saindo. Chega a ser inacreditável a realização mental, concreta alí na sua frente. Toda a idéia do objeto, com todos os senões, tomando forma diante dos seus olhos. É um tesão!

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ESTE ANO NÃO HAVERÁ O FESTIVAL ESPETACULAR DE TEATRO DE BONECOS.

É a notícia que está circulando pelo teatro Guaíra. Mas todo ano eles lá dizem isso, e no final, pelo esforço da classe (alguém se levanta e vai atrás) o festival acontece com a presidente do TG assinando uma bonita declaração.
Os sinais são de que quem sobe naquela cadeira presidencial, sofre o desejo intenso de acabar com esse festival.
Dos cargos comissionados aos estatutários naquele Teatro Guaíra, todos querem, não entendo por quê, extinguir o Festival Espetacular!
20 anos de festival ininterruptos. E a presidência quer, na sua gestão, ostentar no currículo: -"Na minha gestão, eu consegui acabar com aquele festival de bonecos!"
Será que eles apostam entre sí, quem será o sortudo, perspicaz, capaz, competente que vai se livrar dos bonequeiros?
Por que todo burocrata da cultura quer, em termos práticos e pouco cortezes, exterminar essa ou aquela vertente, quando o cara está sendo designado e pago para fomentar? As fundações, órgãos, secretarias em que o burocratazinho, o funcionário atua, esquece e esquece rápido que a sua posição é devida a existência do artista. Caso contrário, estaria no bairro, distribuido marmita ou varrendo rua, porque é essa a escolaridade do indivíduo.
No fim dá tudo certo, e os bonequeiros sobrevivem a mais esse atentado contra a sua facção artística.

Só espero, dando tudo certo, a comissão julgadora, não selecione os próprios espetáculos, veja lá, heim!

TRABALHO, DINHEIRO, HE,HE,HE...OH NÃO! MAIS TRABALHO

INSCRIÇÕES PARA FESTIVAIS DE DANÇA E TEATRO NO NOROESTE DO PARANÁ
Até o dia 9 de abril estão abertas as inscrições para a IV Mostra de Dança Contemporânea UNIPAR, um dos mais importantes eventos culturais do Noroeste do Paraná, que acontece de 22 a 31 de maio, em Umuarama, com extensões em Toledo e Cascavel. As inscrições podem ser feitas pelo site www.unipar.br. De 21 a 31 de agosto será realizado o VI Festival UNIPAR de Teatro nas três cidades, que está com as inscrições abertas até 13 de junho, através do mesmo endereço eletrônico. Informações: (44) 3621-2825 ou cac@unipar.br.

PROGRAMA BR DE CULTURA

Vá para: http://www.br.com.br/wps/wcm/connect/617b80804d99abda8fd7af79ac4c0748/cult-regulamento-br-cultura.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=617b80804d99abda8fd7af79ac4c0748

E abra o edital de circulação da estatal.

Bom proveito!

PRA SABER, TEM QUE FAZER

OFICINAS DE DOIS ADMIRÁVEIS PROFIS DESSA TERRA FLORESCENTE DE DEVASTAÇÃO:
L'ALFREDO GOMES E MAURO ZANATTA.
A QUEM INTERESSAR POSSA, EXCELÊNCIA PARA VARIAR...



Em 2009 a Escola do Ator Cômico lança novos cursos.
 
 
 
O UNIVERSO DO CLOWN
 
Um estudo sobre o universo do clown/palhaço: a potencialização do clown na compreensão da tragédia pessoal, a construção de um processo continuo de improvisação, a função “jogo” na relação clown/platéia. Uma ingênua busca pelo clown.
 
Ministrante:                Mauro Zanatta
 
Público alvo:             Atores profissionais
 
Período:                     17, 18, 24 e 25 de abril de 2009
Dias:                          sextas feiras das 19:00 às 22:00 hrs
sábados das 9:00 às 17:00 hrs
*almoço no local
 
 
 
INTERPRETAR: UM EXERCÍCIO CONTÍNUO
Reflexões para o intérprete-criador
 
Reflexões teórico/prática sobre a atividade interpretativa em diversas artes, através de textos, filmes, músicas, exercícios e análise de obras, de perfis de diversos criadores em diversas áreas, relacionando a produção artística e cultural com outras áreas do conhecimento.
 
Ministrante:             Flávio Stein
 
Público Alvo:          Artistas cênicos, músicos, arte-educadores e interessados em processos criativos.
 
PERÍODO:                20 de abril a 25 de junho de 2009
DIAS:                        segundas e quintas
HORÁRIO:               14:30 às 17:30 hrs
 
 
 
TEATRO DE FORMAS ANIMADAS
 
Um estudo teórico/prático sobre o teatro de formas animadas, com noções técnicas de dramaturgia, iluminação, mímica, construção de bonecos de látex/espuma e cenografia, para espetáculos de manipulação direta.
 
Ministrante:             Alfredo Gomes e Mauro Zanatta
 
Público alvo:          Atores, bonequeiros e estudantes de artes cênicas.
 
PERÍODO:                20 de abril a 25 de junho de 2009
DIAS:                        segundas e quintas
HORÁRIO:               14:30 às 17:30 hrs
 
 
 
CURSO DE COMÉDIA PARA ATORES E NÃO ATORES
 
Curso prático/teórico voltado ao estudo e desenvolvimento do ator. A partir de técnicas de comédia, atores e não atores trabalham a potencialização de dificuldades, o ridículo social e a improvisação como método criativo.
 
Ministrante:             Mauro Zanatta
 
Público alvo:          Atores e não atores
 
Período:                   03 de agosto a 28 de outubro de 2009
Dias:                          segundas, terças e quartas
Horário:                    19:00 às 22:00 hrs
 
 
Garanta já a sua vaga.
Para mais informações sobre os cursos e a programação da Escola entre em contato conosco:
 
Escola do Ator Cômico
(41) 3332-4361
escola@atorcomico.com.br
www.atorcomico.com.br
 
Endereço:
ESCOLA DO ATOR CÔMICO
Rua Lamenha Lins, 1429 – Rebouças
Curitiba / Paraná

quinta-feira, abril 02, 2009

APRILE, APRIL, ABRIL...

Estive fora por uns dias.
ROTAVIRUS, CARA!!!!!
Como o Joba Tridente falou: "coisa de Arquivo X, xiiiiique...". Xique o quê!?? Seis dias de diarréia!!! Nunca via algo assim. No segundo dia fui dormir as 4 horas da madrugada, porque a diarréia pegou pesado das 11hs., e acalmou 3:30h.
Sorte que não deu febre. Já pensou o pobre Jorginho, ardendo na cabeça e no...?

Mas uma coisa que detesto é ficar sentado lamentando minha sorte, ou azar. Comecei a escrever um romance. Algo que projeto desde os 13 anos. Minha primeira tentativa chamava "O Dote de Mister Harley". Era uma total experiência, ia definir quem era esse tal Harley e que dote era esse, no processo da história. Aliás o mister na minha cabeça era miss, por isso que havia o dote... bom, eu tinha 13 anos, as coisas eram meio confusas, a voz uma hora engrossava, noutras afinava.

Estou na 30ª página. Se diz que um romance é bom quando você consegue ler além da décima página. Se é assim para a leitura, para escrita por certo é semelhante.
Ontem digitei até as 4h. da madrugada, com poder de fogo para ir até as oito da manhã. Estou surpreso com a minha capacidade de desenrolar uma história. O perigo do romance é tornar-se prolixo, esmiuçar demais alguma detalhe. Coisa kafkaniana, antena da barata, perninha da barata, gosma da barata. E o que foi bom para Kafka pode não ser bom para quem vem depois dele. Pura exibição. A tentação é enorme, ter que preencher pelo menos cem páginas. E porque alguém disse que o escritor deve ser perito na letra não no enredo.

Trata-se , ficção, da história de um lutador. O melhor e mais perito lutador de karatê. Imbatível nesse estilo desacreditado pela moda dos vale-tudos, embora esteja surgindo um belenense chamado Lyoto Machida, karate-ka, que parece estar apavorando contra os Jiu-Jitsu e Muay Thais da vida. O meu lutador tem cravado no seu íntimo de que sua forma de combate é perfeita e por essa razão, aguarda o nêmesis que irá derrota-lo até o seu aniquilamento. Tão certo de sua invencibilidade, certo de sua derrota iminente. É por aí que começa minha história.

Que tal? Dá samba?


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Voltei a produção de Shishi, O Comilão, há um mês da estréia.
Está tudo pelo começo. Só tenho duas cabeças pintadas.
Após o rotavírus, resolvi pegar o cenário.
Tem uma parte que é um telhado que resolvi fazer de isopor.
TRabalhar com isopor, já disse, dentro do apartamento é o próprio Vietnãn.
Tenho que recolher cada bolinha que cai, e são muitas bolinhas. A cada 15 minutos de cortes, tenho que parar porque o trânsito fica difícil e se bate um ventinho, espalha tudo. Então passo a vassoura seguido do aspirador de pó.
Assim de 15 em 15 minutos.
Fico um bagaço.

Ai, tenho que raspar três blocos de 0,50m. Fiquei olhando aquelas três peças. Trabalho ou não trabalho... Decidi que amanhã vou por no carro e ir para o meio do mato, bem destruidor da natureza e raspar o isopor por lá.

Se der certo esse cenário será minha primeira cenografia de dispositivos. Aguardem!