sexta-feira, fevereiro 27, 2009

FIM DA CARNE!


No carnaval a gente não pula, salta!
Luciana Aliberti Miyashiro, iniciando os trabalhos de pintura nas cabeças dos bonecos de SHISHI, O Comilão.
Estréia prevista para maio, no teatro do Piá, da FCC, quid in Curitiba.
No carnaval, eu também, não fiquei parado.
Comecei esculpindo umas cabeças para o próximo projeto.

E estou experimentando algum mecanismo, para dar um pouco mais de frisson!



Sou mais um que odeia, não gosta, detesta, rejeita, recusa, não assiste na tv, na rua, nem ve as fotos das celebridades seminuas do carnaval.
E como trabalhador autônomo, que paga a mesma porcentagem de impostos que um abonado alto executivo (estes abonos devem, neste momento estar sendo repensados...) só agora vou abrir a barraquinha, quando este país surreal vai começar a funcionar.
Para mim, que não quero ser o do contra, não acho que o carnaval devesse ser extinto para o desenvolvimento da nação. Só acho que um remanejamento nas datas já ajudaria bastante. Que tal o carnaval no dia 15 de janeiro? Se o horário de verão pode, porque mudar o carnaval não pode? Vão argumentar os ritmos religiosos. Mas então a missa do galo deveria ser não 0h. de Brasília, mas 0h. do Vaticano!
Engraçado que o carnaval de fevereiro só aqui que rola. Porque na Europa é um frio de rachar, então o carnaval acontece no verão de lá, em junho. Em Portugal fazem os desfiles públicos ao som de música pop americana! A razão do carnaval não é ser festa cívica, como aqui que embora tenha o seminudismo purpurinado, tem o quase hino-nacional que é o samba.




Eu já tentei pular carnaval em salão, na rua, no boteco. E aproveitando estar no boteco, sentei , para melhor beber e descobri que essa é a melhor forma de passar o carnaval, sentado e bebendo. Tentei aprender a sambar, e descobri que precisa ter biotipo. Como japones, não fico bem sambando. É pedante praca! Assim como Wesley Snipes lutando karate fica estranho. Os filmes do Snipes só rolam porque a câmera corta o corpo dele, além de esconder-se num capote ou algo assim.
Então não sambo e o mundo fica mais bonito!
Aliás eu vejo um monte de gente corajosa, sem senso estético e de pudor que se mete a sambar: fica uma coisa desconjuntada e por dentro dá para ver que o cara está forçando a barra.
Sambar é habilidade dos negro. Assim como os assombrosos timbres de voz.

Fazer mangá e anime é coisa de japonês. Assim como teatro de bonecos somente orientais são capazes de fazer alguma coisa coerente! Ahahahaha!
Observem o que rola por aí: teatro de bonecos? Não! Se não for o teatro de R$1,99, aquele com o cara ou a muié todo de preto fazendo um galo com um espanador, um balde, então tem o mesmo cara que se formou numa facú de artes cênicas que não pode fazer o seu teatro só com o boneco, o cara tem que aparecer, tem que dar as caras, mostrar o talento interpretativo que aprendeu na facú...
Cada um com a sua cumbuca porque cada um tem uma boca.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

CANTE UMA CANÇÃO PRA GENTE...




Uma fonoaudióloga certa vez falou que pela voz, a alma se expressa. Pensava que fossem os olhos, os espelhos da alma. Então tá: pelos olhos nós vemos seus traços e pela voz ouvimos seus reclamos.

A voz não é o instrumento do ator, é tudo para o ator. Pela voz irradia-se a expressão que reverbera nos músculos, ossos e nervos e acalora, por fim, olhos e pele do intérprete.
Diria-se que o ator mudo é um mímico. Em sua mudez, sonhamos no percurso das ações. Estou para dizer que a mímica é uma narrativa fria, mas não direi. Pensarei mais sobre isso.

A voz apóia-se no texto. Sobre os significantes da palavra, na poesia, no narrar das conjugações. E para que não fique monocórdio é necessário que o antônimo seja cultivado. Por essa razão o ator deve cantar o texto. Nas muitas melodias que a voz é capaz de interpretar.

Numa entrevista do Hermeto Paschoal, em 90, explicou o que era musicalidade da voz. Todos os segredos do universo estão ao nosso redor, no entanto, não conseguimos enxergar. Pode-se viver muito bem sem jamais enxergar qualquer segredo do universo. Mas há o tipo insatisfeito, como eu, que não resiste a uma fofoca e muito menos um “segredo do universo” dando sopa na cara, esperando revelar-se. Por essa razão, não faz idéia da felicidade quando percebi a complexidade e, ao mesmo tempo, a evidente simplicidade do segredo paschoalino.
Todos devem se lembrar (ironia, claro!)de um LP experimental do músico, em que ele arranjou a fala do Fernando Collor de Melo e do Osmar Santos. Essas personalidades cultivam uma musicalidade única que os indentifica no imaginário público, e os adequa às exigências do ofício de cada um. Todo “famoso”, se quiser continuar “famoso” tem que cantar, e cantar uma canção só sua. Foi essa surpresa ao ouvir o Collor e o Osmar cantando, com o acompanhamento da banda do Hermeto. Claro que não é aquela canção que conhecemos como canção; mas tornou-se canção com a base ritmica e a harmonia sincopada do Hermeto.
Desde então, estou aplicado a uma constante observação da música de cada pessoa. Gosto muito de tentar imitar a maneira de como as pessoas falam. Pode parecer que estou tirando sarro. E quem me ouve pensa que é assim. Mas não é esse o objetivo.

Acredito que seja esse comportamento que reprime a musicalidade vocal. Não é da boa educação observar as discrepâncias da musicalidade “normal”, muito menos imitá-las. Existe esse padrão uniforme de como falar em público, de como comunicar-se com as pessoas e de como não falar com as pessoas. A gagueira, o cesseio, o vozeirão, o estreitamento das cordas (fala fina) são consideradas patologias. O novo e o diferente sempre provocará fraturas no concenso.
O resultado é o tom monocórdio, socialmente bem comportado, plano e tedioso das falas de todos os dias.

Na atuação isso é a morte! É o fim da peça. É o detalhe desastroso de toda interpretação; e 100% dos poucos espetáculos de grupos novos que tenho assistido tem o vício ignóbil de interpretar com a música de uma fala. Não há variação. Não há acompanhamento do ritmo, não há mudança no tom portanto não há melodia, e enfim: não há interpretação.
Na realidade, o ator novo (e alguns já calejados, sim) tem duas músicas: a da fala diária em volume alto, destinada às comédias ou cenas informais; e o falso drama, “cantado”, semelhante aos volteios dodecafônicos ou um experimento de Miles Davies e isso não é um elogio.

Essas músicas estão lá. Todos os dias da temporada, todos os anos, até quando são contratados nas novelas globais.
Aquelas musiquinhas tediosas...

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

AS TRILHAS DO DESTINO




Então hoje precisamos de mais rodovias. De mais carros para percorre-las. Pagar o pedágio. Tomar uma fila no aeroporto. Viajar as longas distâncias para... Contar pros amigos que esteve lá, sem muito estresse, sem muita canseira. Claro que não é a mesma coisa ir para o sitiozinho da família há 25km daqui. Muito menos descer a serra até a praia. Tem que chegar até a Patagônia, Terra do Fogo, Capetown, Beijing, Himalaya!!! Esses lugares que os europeus levavam 3 anos, separados por duas polegas de madeira sobre o oceano profundo, para ir e retornar se o bom Deus permitisse.
Num texto escrevi que o pequeno contraventor de rua, aquele que pede colaboração de uns trocados para ajudar na cura de uma doença irreversível; ou aquela criança que chega junto a mesa, perto do seu copo de chopp e pede para dar um abraço e em seguida tenta vender um jogo de toalhas de cozinha. Esse contraventor não deve nada à moral tanto quanto deve o comércio e os serviços que pagam os impostos.
Aliás, eu pagador de altos impostos (30% do meu rendimento), por que devo pagar impostos? Pago para não ir preso. A não, pago para ter luz na minha casa. Mas para isso eu pago a conta de luz. Então pago para ter asfalto na rua da minha casa. Mas para isso eu pago a taxa de asfalto e o IPTU, alem de pagar o aluguel (sou uma mula, mesmo). Então para o caso de uma emergência de saúde; então porque estou pagando unimed?
Eu pago imposto para ajudar os bancos. Para toda a obra de infraestrutura de hidrelétricas, gasoduto, petrolíferas e financiar a casa dos mais bem pagos trabalhadores do país, os metalúrgicos. Tudo porque, assim como falou uma navegador: eu faço minha higiene matinal com um copo de água, minhas necessidades poderiam ser supridas com uma viagem de tropeiros, sobre lombo de mulas. Mas resolveram acabar com isso e plantaram as ferrovias e logo acabaram com isso para criar as rodovias que estão se acabando. Somos ou não somos as vacas desse Edmares?
Eu pago impostos para não ser preso. Apresentei-me a junta de serviço militar para não ser preso. Voto para não perder o direito de trabalhar e não ser preso.
O governo trata o civil como animália.
Nos anos 70 a professoras faziam-nos ler aquelas cartilhas de como preservar os símbolos pátrios que eram a bandeira, o brazão da república e os 3 hinos. Havia as recomendações do bom uso da bandeira, como hasteá-la de acordo com as ocasiões, os ângulos corretos do mastro. Havia também a maneira incorreta de ostentar a bandeira nacional. Não podia usar a bandeira como toalha de mesa, como xale, bandana ou estampa de vestuário. Hoje em dia dia tem bandeira até na bunda!
Depois fui saber que a razão para não fazer esse uso diverso da bandeira tinha a finalidade de criminalizar as mulheres dos ferroviários, nos anos 30, que estendiam a bandeira diante das locomotivas para evitar que furassem a greve! Elas usavam também, a bandeira como escudo, contra a polícia.
Não é incrível?

sábado, fevereiro 07, 2009

O SUOR DO MEU ROSTO



That´s where all my carved puppets are produced. Near at Cooking and cleanning gear.



...And this is the results.

ÉTICA CABE EM QUALQUER LUGAR



Meu querido hermano DEL GIORNO mandou um reply about my passed post PALHAÇO REJEITADO. ele tem um blog meio descuidado, mas que vale a "perca temporal" para uma visitinha em:
http://cronicasterraqueas.blogspot.com

Por aqui, deliciem com as aventuras perigosas do amigo:

Não é anedota, mas essa coisa toda me lembrou que uma vez, em uma grande reforma da Rodrigues Alves, em Bauru, próximo ao DB, à delega e à ferrô, maravilha, nenhum veículo circulava, pois o piso estava escavado para a nova pasta de asfalto chegar.

Em um fim de noite, fomos em um botecaço por lá, coisa de risca-faca. Uma menina da nigth, digamos, gostou de mim. E fizemos amizade. E ela me levou para conhecer o irmão, que estava em uma mesa, cercado de "amigos" que você não iria querer ter por perto. Fumava por trás da mesa, o dono do pedaço. Por ser universitário sonso, fiz das minhas gracinhas e ele gostou de mim. E disse pra irmã: beleza, o cara é limpeza, na boina. OK, ficamos só conversando e de vez em quando dançando alguma modinha no meio do bar.

Lá pelas tantas, cinco da matina, pra ser mais exato, começou a rolar maior ziriguidum, uma briga feia, chutes, socos, garrafas pra todo lado. Eu e meus amigos - não o camarada da irmã e os amigos - estávamos em uma mesa na rua, de frente pra avenida, e nos protegemos como pudemos. No meio da confusão, um cara pegou uma garrafa de cerva nossa e deu na cabeça de outro! Cara, inacreditável!. Depois que a poeira assentou, e isso demorou, veio um cara com a cabeça sangrando e nos pagou uma cerveja. Era o cara que tinha recebido na cabeça a nossa cerva, e veio repor! Pode?

Thats it. I`m in the zone.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

MEU MUNDO E MINHAS MOTIVAÇÕES



E fácil dizer que a vida de alguém é muito legal. É fácil invejar a vida alheia e inveja é um esporte que pratiquei desde cedo.

Os vizinhos daqui do prédio perguntam "mas que raio de trabalho é esse que o cara fica em casa o dia inteiro"? Inveja?
Tem uma que ficou vindo durante umas duas ou três semanas no fim do ano passado. Viu tudo que tinha de ver e agora mal nos cumprimenta. Geminiana, claro! Uma outra que já não está mais aqui, queria saber onde eu apresentava. Nenhum vizinho jamais foi ver uma apresentação minha.
Por isso conscientes da nossa imagem um tanto incomum, ficamos um pouco reclusos, sem misturar com a pequena burguesia. Em parte por isso, outra razão é que temos de produzir e ficar concentrados nos trabalhos. Somos estranhos, mesmo. Escolhemos ser.
Mas falava da inveja da vida alheia. De que viver o alheio dá mais prazer.
Todos os nosso bonecos, adereços e cenários são feitos aqui, num apartamento de 170m2. Pode parecer grande, mas é moradia e estúdio. Além disso tem o nene, o que faz a casa ter áreas intocadas pelo trabalho.
Assim só posso usar a área de serviço e um quarto-depósito.
Mesmo assim, existe o componente da limpeza. Tenho de planejar bem desde a hora até a duração do uso desses espaços. E há a hora de cuidar do Felipe, há a hora em que ele dorme, e há a hora em que todos estão dormindo. E isso significa que não posso ligar a furadeira, serrar e martelar a qualquer hora do dia e da noite. E por isso jamais sou motivado para trabalhar. Não sou levado por inspiração, mas por regras de serviço.
Certa vez fiquei costurando até 4h. os figurinos do Gato por Lebre, foi ótimo. Mas no dia seguinte a vizinha veio reclamar do barulho.
Poderia alugar uma sala. Grande sonho. Talvez faça isso um dia. Por enquanto estou me virando com a economia.

O que consola, é que tudo isso terá um fim.
Pode parecer meio deprê. Mas é a real. Tudo acaba debaixo da terra.
Assim, eu me esforço, mas não até o ponto de me matar, entende?
Fico maneiro, na maciota, sem pressão.
Deixa que me matem. Não vou contribuir procurando as balas no meio do tiroteio.

Hoje posso estar aquecido pela inspiração de uma idéia maravilhosa de um espetáculo. Amanhã por alguma razão que não desejo invocar, tudo isso perderá o sentido e tranquilamente porei fogo, o mais serenamente que for capaz.

Na passagem do ano ouvi uma história maravilhosa, um precedente na família.
Na minha família ouvi poucas histórias inspiradoras, poucos atos de rebeldia. Rupturas. Os relatos eram sempre de bom comportamento, atitudes corretas, não direi exemplares porque para mim exemplar não é o que chamam de bom exemplo.
Enfim. Uma tia contou como sua irmã havia morrido. Uma vez eu vi foto de uma menina, dessa irmã-tia, ninguém contou muito detalhe e essa era a atitude normal. Para as crianças, não havia muita explicação, mas havia muita ordem e mando; o que fazia da desobediência um colorido natural a esse modo de vida frustrante.
Eram pequenas as tias, muitas irmãs, minha mãe, e os dois irmãos. Moravam em Marília-SP, num sítio. E a irmã-tia começou com uma dor de cabeça que evoluiu para algo pior. Meu avô lutou muito para buscar a cura da filha. Levou-a até São Paulo para uma cirurgia no cérebro. Mas voltou com a filha apenas para vê-la morrer em casa.
Um fenômeno comum na zona rural, é o surgimento de floradas acidentais. De alguma maneira, flores aparecem, sem semeadura planejada; e disseminam, cobrindo grandes extensões da propriedade. É agradável, maravilhoso de se ver. E quando a tia morreu, abriram-se crisântemos brancos por toda a propriedade. Lindos crisântemos. É uma flor que representa a pureza e a casa Imperial do Japão. Mas para meu avô aquilo foi aviltante. Ele tomou a enxada e derrubou todos os crisântemos e jamais deixou alguma flor crescer no sítio, enquanto esteve ali.

Nas minhas famílias (pai/mãe) não há personalidades históricas, militares, políticas ou artísticas. Durante muito tempo pesquisei se havia algum samurai ou lutador de karatê. Um tio bêbado dizia que havia um arqueiro muito famoso, mas talvez fosse de outra família, um nome semelhante tipo João da Silva, famoso arqueiro samurai, manja?
Mas no anonimato é que ocorrem as mais fascinantes histórias. São aquelas que as famílias se envengonham de expor que mais inspiram a ir em frente. É a experiência dolorosa, o erro, o deslize, o equívoco que aponta para a humanidade.
Tais como a história desse mesmo avô matador de crisântemos que sequestrou minha avó, porque os irmãos não admitiam o casamento deles. Porque meu avô era um pé rapado. E porque apesar de, e mesmo assim, grávida, a família da avó não iria ceder. Então... então não sei de mais nada, porque não me contaram as lacunas em branco.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

SOBRE OS PÉS

Já mostrei as cabeças e as mãos dos meus fantoches.
Agora estou fazendo os pés.
Havia cortado a madeira em dezembro de 2008.


Iria aproveitar os feriados, na casa do meu sogro, onde terminaria as esculturas dos pés.
Mas o clima não estava bom, afinal, sogro tem aquela indisposição típica de sogro; aquela coisa de que "você roubou minha filha". Claro que ele não diz, mas dá para sentir...
Pensei então trabalhar na casa do meu pai, mas também o clima não estava dos melhores. e não havia uma morsa ou torno como soi dizer da ferramenta nos balcões alusivos.



E foram dois meses para projetar que tipo de escultura e dois dias para esculpir, para deixá-los prontos para a lixação.
Dois dias olhando aqueles toquinhos, arrancando energia sabe-se lá de onde, para raspar o formão, serrar aparas, com uma vontade louca de largar tudo aquilo, sem prazer nenhum, como se fosse arrancar a pele de um búfalo para ter carne e couro para o longo inverno que se aproxima. Obrigado a fazer, senão: morte.

Mas, aí está. Agora que estão feitos. É um prazer olhá-los e imaginar que poderia continuar a esculpir, criar em cima das botinhas... chega vamos terminar por aqui