sexta-feira, outubro 02, 2009

VÁ AO TEATRO E AJUDE O COMÉRCIO.




Ai estão. Os substitutos, você se lembra?
Aqueles que ficariam no lugar dos originais que seriam vendidos ao milionário colecionador... pois, soube que na realidade eram os funcionários que queriam presenteá-lo. Tipo comprar desde já o presente do patrão. Só que acharam o presente caro. Então deviam dar um chego na Casa China, né mesmo? Certa vez achei um fantoche por R$1,99. Não levei, achei caro!!!!
E ficamos negociando, os funcionários nem chove, nem molha. E eu já terminei os substitutos mas não vendi os originais. Foram 45 dias de enrolação.
Agora vou fazer o seguinte: quando ligarem pedindo o boneco vou sugerir que comprem um Chivas 24 anos, é o tempo em que o presente esteve esperando para cair na mão do patrão!!!!

Será que o teatro vaticina o destino da sociedade?
Não temos esse poder de comunicar com os deuses.
Somos oportunistas, no sentido de que agarramos a oportunidade de dizer o que a sociedade quer ouvir. E a sociedade quer ouvir que se teça loas a sua beleza, ou talvez queira uma boa reprimenda.

A sociedade é o Grande Humano, o grande organismo composto de milhões de homenzinhos como eu e você. Claro que algumas células são rebeldes como um Bin Laden, um Almadinejá ou um Hugo Chávez, talvez.
O ator há muito deixou de ser, ou talvez, jamais foi ou estive a altura de um desses aí. Claro que por “rebelde” estamos falando de algum centro nervoso, bem nervoso, com as células rebeldes (estou elocubrando)...

Rio de Janeiro será a sede das Olimpíadas quando aquela loira de Copenhage, que foi âncora da votação, estiver curva sobre a bengalinha. Enfim, foi emocionante? Foi. E esse é o espetáculo do esporte; nós superamos eles: e choramos. Nós, derrotados por eles|: ... e choramos. O esporte é a novela de roteiro mais antigo do mundo. Depois da guerra é claro. O teatro jamais vai superar essa arte, pelo menos em audiência. Uma novela, sob alguns aspectos perde feio, mas está sempre na mesma chave.

Mas veja bem: Stockhausen chamou o ataque às Torres Gêmeas de obra-prima. Em seguida se corrigiu, dizendo que o trabalho, a burla, o escamoteamento e por fim o ataque exigiu um esforço físico que desencadeou tamanho resultado, sob avaliação cartesiana, pode ser chamada obra prima.
Pois bem. Eu jamais poderia executar um ataque como aquele. Na preparação, eu ia ficar de bode, cansado, deprimido, entediado... ia fazer teatro, ganhar uns aplausos, uns trocos. Sou um pouco disciplinado para o rigor do teatro; para o esporte eu sou um vagal. Para o terrorismo seria descartado no teste de câmera.
Como jamais poderei realizar uma obra prima, já que não sou tão disciplinado, ainda tem o fator eloquente dos afazeres mundanais. Quem pode deixar de atender ao choro de criança na sala pedindo suco? Ou para limpar a bundinha? Quem pode deixar de atender a ligação da telemarketing? Do cobrador de contas atrasadas? E alguém pode deixar de ir atrás de uma cobrança indevida, um conserto doméstico? Enquanto a musa espera a hora de lançar seus dardos inspiradores sobre minha mente ansiosa? A idéia vem quando a gente senta o almofadão na tábua dura da cadeira?

A vida vai e nós com ela. Comer, morar, comunicar, locomover... o Grande Humano cobra um custo para as células-homúnculas. A que hora vou poder imprimir minha cicatriz nesse Grande Homem?

Quando jovem queria realizar a obra prima, o trabalho máximo em que diria “esse eu não supero”.

Direi: telemarketeiras, essas eu não supero!!!


AH! E EU AINDA ESTOU SEM BANDA LARGA!!!!

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