domingo, agosto 23, 2009

OS SUBSTITUTOS




São nesses momentos que agradeço ao professor de educação artística, Professor Osmar da 6ª série de 1982 do EEPG Mercedez Paz Bueno, onde aprendi tudo sobre como traçar uma bissetriz, calcular pontos equidistantes e aplicar a famosa fórmula de Pitágoras. No tempo da camisa hang Ten, calça boca fina e no bolso parafina ( sou surfista)... o professor Osmar usava Ray-Ban e corte militar, uma afronta aos princípios da moda que vigorava. O Prof. Osmar era, antes de tudo, um saudosista!
Alguns anos mais tarde passei para o Colégio Objetivo onde passei a não aprender mais nada. Compreendia os princípos básicos de cada assunto de exatas, mas bastava as operações seguintes para não conseguir encaixar mais nenhum raciocínio. Era inacreditável! Não conseguia solucionar nenhum problema mais complexo, não assimilava as chaves. Imagine que para ligar o computador, vc, tivesse que entender o funcionamento do computador: era assim que me sentia.
Acho que devo ter um distúrbio, ou alguma incapacidade para lidar com stress. Algo como baixa tolerância a volumes de informação. Acontece muito quando faço meditação. Não pensem vcs. que desejo despertar a kundalini, a energia que dorme no rego da bunda, nada disso. Medito apenas para exercitar o foco. Sou capaz de sentar em lótus completo e mentalizar 24x108 mantrans, Entende? Fico sentado de olhos fechados, fazendo 2592 "oms". Claro que não é todo dia que faço isso. Todo dia faço menos, contento com 864 "oms". Pois bem, em algum momento as glândulas começam a secretar os hormônios, sejam eles quais forem, no corpo e a meditação torna eufórica e alucinante. logo em seguida, os hormônios se dissipam e as glândulas não dão mais. Acho que isso ocorre porque sou homem; assim como nunca experimentei um orgasmo múltiplo ( ecom certeza jamais experimente), a meditação começa a ficar angustiante! Mas tem momentos que, como homem, achamos que somos super-homens e forçamos a natureza. Assim, me acabando consigo fazer 2592 "oms". Mas por que eu estou falando disso? Não sei.

Ah, para explicar porque meu rendimento escolar, meditativo e sexual é baixo....
Cortinas , por favor!

Em todo momento que vou esculpir alguma coisa, aplico os conhecimentos do prof. Osmar.
Na foto acima pode não parecer, é uma cabeça de perfil. Pode-se notar claramente a orelha direita e o queixo solene... Para fazer o corte diagonal do maxilar que desce da nuca ao queixo, busquei duas bissetrizes para não cortar o bloco da orelha.

Serão duas cabeças. Estou cortando simultaneamente dois blocos de caixeta (madeira). Serão os bonecos substitutos do samurai jovem e samurai velho. Dois personagens em tempos distintos da peça SHISHI, o Comilão. Vocês poderão vê-lo, em um foto, nos posts logo abaixo. Notem que esculpi um sorriso na face do boneco. Apesar da peça ser uma tragédia. Agora farei bonecos com cara severa!

O processo criativo é assim, algumas coisas não batem com a reprodução realística. Deve ser por isso que o realismo fantástico é adorado na América e Europa Latina, quando as coisas fogem do controle, não se corrige e nem busca a solução...

Não foi só isso.
Jamais iria mexer nos bonecos apenas para deletar um sorriso.
É que um milionário da indústria cosmética se interessou pelo boneco do espetáculo. Ele quer por que quer o boneco para ele.
Dei o preço que ele achou caro. Expliquei que a conta pagava as viagens a São Paulo, a sola do kichute no frete entre a rua do Gasômentro e a Estação D. Pedro I com 15 kilos de caixeta na mão e todo o suborno na operação de espionagem das cias. que transam caixeta... sem falar na correria que está sendo fazer os substitutos. Ficou barato, né?

O cara está pensando, blefando a pechincha... Quanto mais dinheiro no bolso dos homens, menos no nosso...

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