quinta-feira, julho 30, 2009

SINCERIDADE NÃO MATA, MAS DEIXA A VIDA SOLITÁRIA


Reunião da APRTB, alegria só. Da esquerda para direita: Tarcísio Meira (Glória Menezes e Francisco Cuoco hahahaha!), Odílio Malheiros, sérgio Del Giorno, Marcelo Karagozk, Jorge Miyashiro, (abaixo) Luiz Reikdal, nosso valoroso presidente Joelson Cruz, Tadica Veiga, Renato Perré e Olga Romero.
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Não tem nada a ver com a foto acima, mas hoje deu vontade de dar umas bordoadas, justamente quando um leitor deste blog, o amigo Paulo Carvalho, do blog Projeto 8, reclamou da falta de novas postagens.

Primeiro convido vcs. a conhecer a Galeria Virtual dos paulistanos cia. Bonecos Urbanos, basta colar esse paragrafosinho aí, tomara que de certo:

http://culturainfancia.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1041:exposicao-a-alma-do-inanimado-parte-1&catid=121:fotografia&Itemid=173

Pronto. agora vamos ao que interessa.
Uma colega convidou para assistir o seu espetáculo e pelo temor da perda de sua amizade (já perdi bastante para uma vida) não vou declinar o nome da cia., nem da produção. É um trabalho que permanece na década de 80, do século passado. Do tempo das performances e happenings, que se fazia coisas estranhas e injustificadas com a finalidade única de chocar. Roupas pretas colante, velas, incenso, música impactante-pseudoétnica, temas demi-xamânico, teoria Gaya, new technology, minimalismo, bauhaus...ufa, ainda bem que esse tempo acabou. Mas minha amiga traz tudo de volta! Oh, painfull way.

Claro que pediu algum comentário. Mas comentar um espetáculo é quase uma direção. antigamente eu fazia disso um hobby. As pessoas então ficavam passadas, porque poucos são frios o bastante para lidar com os defeitos de nascença da sua cria. Crítica é assim ou vc. ouve ou despreza. Após levar muita cara de "mas quem perguntou????" resolvi trocar a sinceridade (das minhas verdades interiores) por um cínico "maravilha, maravilha".

Bom, mas a minha colega pediu. Mesmo eu dando a desculpa de que tinha de cozinhar a complexa papinha Nestlé do bebê e lavar uns dez quilos de fraldas descartáveis. Até que a garota se saiu bem, rebateu pouco as críticas e assimilou o resumo da coisa. Pelo menos deu a entender que assimilou (me engana que eu gosto).

Hoje em dia o mercado de cias. está saturado. E o que salva é ser um pouquinho coerente. Pistoleiro que dá tiro para todo lado não está com nada, porque, na nossa categoria, a opinião dos colegas conta mais que uma crítica elogiosa da Bárbara Heliodora!
Sabe por que?
Porque não temos ninguém que ensine a fazer o que a gente faz. Mas tem um monte que mete o pau no menor deslize. Assim está lá, o cara que faz bem uma luva não vai se meter a fazer sombra, o do fios pode até experimentar a fazer uma manipulação (vai lá...) tipo bunraku; mas vai pedir desculpas pela "homenagem"e logo volta para os queridos fios.
Aquele cara que trabalha com uma, duas ou mais técnicas, mas compreende e não avilta, não banaliza essas técnicas tem o respeito da maioria dos bonequeiros (tava achando que eu falava de quem?) e por eles é sempre recomendado.
Assim, mais do que antes, embora os decanos rejeitem os rótulos, quem tem um bom rótulo vende mais. Quem tem marca tem patrimônio diria o velho publicitário, louco para pegar a a sua conta.

E a manipulação de objetos, técnica escolhida pela colega, então?
É um maltrato só.
Chamo de teatro R$1,99. Porque reservando alguns fenômenos, é feito com adereço comprado nessas famigeradas lojas e tem a mesma qualidade. Represente um galo; o que se faz? pega um espanador de penas de avestruz e um prendedor afilado de cabelos!
Represente a chuva, usa um regadorzinho de plástico!
Obviedade das maneiras óbvias.

No meio do espetáculo dá para ver aquele pessoal em cima do palco, passeando pelos corredores empoeirados da loja de R$1,99, "descobrindo o boneco": olha isso, olha isso, massa, dimais, ha-ha-ha....
A coisa fica mais feia quando mistura tudo, adereço R$1,99, boneco feito, adereço feito com partes R$1,99... O samba do roqueiro chapado todo mundo abandona o salão.

Bom espero que a amiga não se reconheça por aqui, mesmo porque ela não se reconheceu na crítica. Além do mais, se reconhecer e não gostar, não será a primeira e nem a última amizade que eu perco.
Qualquer coisa tenho os joguinhos do mac, ora!

5 comentários:

Sergio disse...

Primeiro, uma pérola o humor da legenda da foto. Segundo, tique de editor de jornal e revisor: por que só meu nome tá em C.B.? (lá vai o cara me mandar praquele lugar, putz, logar, entrar achar o post, mudar um "s", que se foda, deixa assim mesmo, afinal, não vou perder esse amigo por causa de uma merreca dessas)... Mas falando (quase) sério, bem legal. Pode não dar nada, mas pode ser que sim, que maravilha a dicotomia da vida! Ou sim ou não, nunca um talvez... Seguindo, já posto outro.

Sergio disse...

Continuando. Cara, teus fãs têm razão em te achacar e te cobrar. As análises são perfeitas, e, o melhor (pra mim, pelo menos), hilárias. A mistura dos 1,99 e quetais... Muito legal.

Situação nesta quinta à noite: estou postando de um boteco ao lado da Casa di Bel, Doppo, num puta frio, mas o boteco é fechado, acompanhado de uma caipira e uma loira (cheio de muié, mas mais uma vez, não comemos ninguém...), terminando meu projeto para enviar amanhã. Tô com fé que dessa vez vai! Braço!!!

Jorge Miyashiro disse...

Teu nome está em caixa baixa, pq. vc. adquiriu o direito de estar na foto com aqueles estelares. Na próxima fase, qd. lembrarem o teu nome, ai sim esse direito maiúsculo será adquirido.
...annn, Casa Di Bel, com uma caipira e uma loira, sei, sei... Imagino de que projeto vc. esteja falando.kkkk.
Ao beber não digira, não dichira, não xixixa... ah, ce sabe, né!

Sergio disse...

Ah, beleza, então tá bom, quando eu crescer, quero quero C.A., tá, tiuô. Mas fiz o projeto, como não, nada como ter um escritório com a sua cara.

Jorge Miyashiro disse...

Boteco, escritório com a sua cara, ahãm!