sexta-feira, julho 03, 2009

QUERO DEUSES SOBRE O PALCO

Está rolando o Núcleo de Dramaturgia pelo SESI-Paraná que tem a curadoria do Luis Damaceno. Só pude participar da palestra do Luis Alberto de Abreu.
Esse intercâmbio unilateral entre SP/CWB põe a capital das araucárias a par do que rolou e do que está rolando com a outra capital do maior PIB da nação: São Paulo. Falo unilateral porque SP é sempre a metrópole, temos todos que saber o que está rolando por lá e eles, por sua vez, estão pouco se lixando para o que rola no resto do país. Isso não é crítica, é constatação. O registro histórico cultural brasileiro, grande parte aconteceu e acontece em São Paulo.
Proteste, grite, reclame mas eles sabem fazer e acontecer.
É fato consumado.

Na palestra havia claro o pessoal louco de vontade para saber como trabalhar na Rede Globo. Engraçado isso. É gente que quer ganhar dinheiro fazendo teatro. De onde surgiu isso? Por que o cara não fez logo Advocacia? Economia? Informática? Medicina Molecular? O cara quer ganhar dinheiro fazendo novela!!! Porque não pegou o dinheiro para comprar a coleção completa do Dias Gomes e não comprou logo um boi? Melhor uma vaca prenhe. Assim as chances de ganhar dinheiro seriam bem maiores, não é?
Tem algum professor que está incutindo isso nas cabecinhas dos alunos. Que a "profissionalização" é o caminho.

Não sou contra a um "choque de gestão" no modo de produção teatral. Não acho legal aquele cara fixado somente na pesquisa de sua estética. Passa fome mas não se vende para as forças do capital especulativo... É muita paranóia. Se pelo menos ele fosse o autor dessa idéia, mas é texto bolado há muito tempo atrás e uma legião adota esse papo. Isso, para mim, é anti-teatro. Mas anti-teatro também é o não-teatro que a galera carioca Global faz. É indigesto.

O vaidoso ator Global (que diz não ganhar muito dinheiro mas aplica seus mirrados tostões no mercado agro-pecuário...) encena Shakespeare e argumenta a bilheteria esgotada como defesa ao seu requintado talento.

Aí o mulatinho aqui pensa:
se eu admiro o Russel Crowe por que não Wagner Moura?

(me dê cinco segundos)

...

Ora, se a questão é grana de São Paulo; se São Paulo produz um Wagner Moura, imagine o que Los Angeles ou NY fizeram para um caipirão como Russel Crowe(supondo que todo australiano tem um pouco de Crocodilo Dundee)? Al Pacino, Paul Newman, Robert Redford...
Então São Paulo tem que cabeçar mais, ganhar mais dinheiro para fazer alguma coisa decente.

Agora, justiça seja feita: Letícia Sabatella sabe do seu ofício.
E surpreendentemente é daqui!
É bicho do Paraná!!!!!

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