quinta-feira, maio 21, 2009

VIVENDO EM OUTRO MUNDO: LIGUE PARA LÁ!

Estou trabalhando.
Trabalhando feito um camelo num caravançará.
Fazendo serviço de escultura junto com costura.
Serrei um bloco de madeira, tão grosso, tão grosso que preferi rachá-lo à marteladas. Aí tenho um vizinho atleticano, claro, cabelos embranquecidos aos 30 anos, gritando aos berros, incomodado com as marteladas. Continuei batendo e ele continuou gritando.
Engraçados esses idosos. Deveriam ser tranquilos mas são mais agressivos que um mancha-verde barrado na porta do estádio. Com esse vizinho foram três, até agora, encaminhar-ma a alguma ingestão pela saída do produto ingesto... em uma semana, três!
Estou tão esgotado e tão concentrado no trabalho que deixei passar, sinto muito.

Segunda-feira estréio em alguma escola do bairro.
Agora que a peça está tomando forma.
Descobri como termina a peça.
Minhas mãos estão inchadas. Não consigo fazer trabalhos muito detalhados. Serrei dois dedos e apareceu uma rachadura na ponta do polegar que dói muito.
Costuro, erro, desmancho e re-costuro.
Serro, a serra desvia e corta demais. Volto a rachar outro toco para serrar.

E acabo de perder outro projeto.
Estou procurando em todo lugar, mas não acho o gato preto que enterraram na minha casa...
E como estou me virando? Emprestando dinheiro com parentes, claro.
Irmão, irmã e meu pai.
Para o meu futuro biógrafo: meu pai quer que eu mude de profissão. Ele acha que massagista ganha mais dinheiro que ator-bonequeiro.

CONCORDO PLENAMENTE, PAI!!!!!

Só que minhas mão estão definitivamente destruidas. Devido ao tratamento com thinner, aguarrás, cola, serragem e ferramentaria em geral. Jamais vou conseguir fazer massagem com as mãos. Mas como diria a bicha, quem tem boca... Creeeedo!!!
Na verdade não tenho mais mãos, tenho um par de cascos dianteiros. Minha mulher deve viver alguma fantasia, enquanto cumpro com minhas obrigações maritais, de estar sendo atacada por algum pedreiro, jardineiro, limpador de piscina. Com essas mãos só assim dá jeito.

Mas tenho fé que esse período passará.
E quando der minha entrevista ao David Letterman, fico imaginado o que diria a ele se perguntar como vivi de teatro no Brasil... diria:
Theater in "Brasil" gives much money, a big amount money. But takes twices and a little bit youth too.

Peçam a benção pro vô!

P.S.: Inauguração da nova sede do Grupo sobrevento em São Paulo, fui convidado.
Pelo meno ao invés da merda passei para la mèrde! Et mèrde pour vous!

...

..

5 comentários:

Paulo Carvalho disse...

Eu sei bem como é isso tb estou em processo de produção da uma olhada lá.
www.projeto8.wordpress.com

Sergio disse...

Não liga, não, mermão.

Deus tá vendo, como dizia nosso patrono Flavio Gut nos áureos tempos.

Firme no leme. Cacem os joanetes, cerrem as bolinas, atenção ao borrifo a barlavento. Ou coisa que o valha...

Bração.

Jorge Miyashiro disse...

E paulo.Vi, gostei. Tá nos favoritos pessoais.

Jorge Miyashiro disse...

Esperando o chamado dos gajeiros de "vela a vista"!
Enquanto isso besunto as caronadas e lustro as espadas...

Jorge Miyashiro disse...

Esperando o chamado dos gajeiros de "vela a vista"!
Enquanto isso besunto as caronadas e lustro as espadas...