terça-feira, março 24, 2009

SOCIOLOGIA DO ANIVERSÁRIO DE CRIANÇAS 2 (ou) - Quem cospe para o alto revida cagada de passarinho!

A meu Deus!

E no dia seguinte, após a epopéia do aniversário dos filhos da vizinha, liga em pleno domingo matinal, de ressaca madrugueira, uma senhora pedindo "pelamordedeus" uma apresentação de teatro de bonecos para a festa de aniversário do neto.
Topei, mesmo sacrificando minha ressaca e recebendo uma merreca, por quê?

Porque tenho conta pra pagar.
Porque os atores que substitui estavam ausentes por razões médicas e morde-fronhísticas.
Porque sou aquele tipo de animal que corre em direção das duas luzes aparecem no meio da estrada escura.


Chegando no local, que local!
Uma mansãozinha de três lotes etc. etc.
Na festa a decoração inspirada nos heróis da DC-Cômics. Super-Homem e Mulher-Maravilha na recepção. Garçonetes lindas e acaba aí a parte vantajosa.
Nunca como nada na festa, para demonstrar profissionalismo. Além do mais, seja rico seja pobre o velhinho sempre vem, os velhos salgadinhos gelados estavam por lá, a sra. Coxinha, a Empadinha, o Quibinho e toda essa delinquência.

Convidados ricos nunca chegam na hora, pior que noiva!
E vieram com seus panos de seda (ou seria javanesa?) casais com filhos, mães "model-stylisted" abandonada pelo marido mas com o filho, peruas idosas-alfa, figurinhas carecas com óculos de aro italiano e os patriarcas cheios de dinheiro propositadamente mal-vestidos e antipáticos.
O aniversariante estava lépido na conquista de seus 9 anos e de cada presente que enchia sua caixa-baú.

Hora combinada 16hs., hora que realmente rolou 17:30h.
É que se esperávamos a vinda dos quíntuplos. Cinco bebês que deveriam fazer a apreciação máxima do espetáculo.

Enquanto isso, os piores vilões do planeta fustigavam a vida do Super-Homem. Do modo mais covarde, atacavam o herói por trás, agarravam sua capa e cantavam a marcha nupcial!!! E SH. crispava um sorriso... chega, naufrago em depressão...

Cadê os gêmeos? Os quíntuplos?
Atrasados, comece agora.
A platéia ansiosa. Criança rica, o pior público.
Tudo está ali para servir-lhe.
Os inimigos do Super-Homem, dirigem seu poder nefando para o pobre bonequeiro...
"Olha aqui! Se continuar assim , não vai haver teatro de bonecos, estamos entendidos?... Menino, fica quieto!"
Ah, se aquelas tias-profes que me punham de castigo, arrancavam minha orelha da cabeça, esbofeteavam minhas nádegas me vissem agora!
Super-Homem morria de inveja...
E lá foi o teatro de bonecos, mergulhado nos gritos das crianças, na inesgotável conversa dos adultos, nos chutes contra a empanada de algum nenê: aaaah, foda-se, cortei a peça, um monte de texto, outro monte de cena. Até uma certa altura do espetáculo: um tranquilo silêncio.
Terminado, vou para frente e estão lá três ou duas velhotinhas e uma mãe; mas esta mãe era a mãe dos quíntuplos, devidamente acompanhada de seus pimpolhos.

Da festa levei o reforço de que a alta-burguesia é um saco, uma taça de água, o cachê miserável e um cansaço enorme.

Não sei por que ainda insistem em encomendar teatro para crianças em festa.
Se é assim deviam chamar aquele FURA DEL BAUS, aquele teatro que tem uns punks que atiram latas de tinta no público, se perseguem de porrada, simulam estupros, enfim: todas essas coisas que fascinam as crianças esclarecidas sobre "o que se precisa saber para enfrentar o mundo de hoje" , dos colégios de altas mensalidades.

Por falar nisso, nesta segunda-feira, num desses colégios que uma aluna selou seu destino.

E para animar, compro uma Trip, com a entrevista do Chimbinha. Interessei-me pela única razão de saber sobre o cara que desperta tamanho nojo dos tios desses pirralhos, gente também "esclarecida", leitora de Veja e assinante da Gazeta do Povo.

Chega de causalidade por hoje!

3 comentários:

Sergio disse...

Cara! Hilário, hilário. Me deu inveja... Tanto que iniciei uma história há muito gestada:

http://cronicasterraqueas.blogspot.com/2009/03/o-horror-pias-o-horror-1.html

Jorge Miyashiro disse...

Ahhh!
É disso que eu gosto nesse blog, a função dinâmica .
Circule as idéias, migo.
Não como alguns colegas melindrosos e... bem tu sabes.

abração

Sergio disse...

Pois é mermáo, o povo não dá nem bom dia e depois reclama quando se fala alguma coisa... Náo dá pra entender.