domingo, março 22, 2009

SOCIOLOGIA DO ANIVERSÁRIO DE CRIANÇAS

O Google analictycs (something like that) indica que tenho alguns leitores em Portugal. Pode ser algumas amizades brazucas. Por aqui, distante da terra do vira, mas na terra do se vira, algumas cias. se viram a completar seus ganhos animando epheméride anual do aniversário de crianças. É um horror, porque os miudos de cá, crêem que o ator é o Judas a ser malhado em todo aniversário, seu ou de algum amiguinho. Qual não é o suplício dar um texto com aquele meio-homem desdobrando-se a recitar o vocabulário pagão de todos os nomes e ofícios licenciosos de minha mãe?

Odeio aniversário de criança.

Outra razão para dar suporte a minha rejeição, é que alguma pedagoga encanou que não se deve ingerir beberagem alcoólica diante dos petizes!
Mas pode-se encharcar de refrigerantes (extremamente salutares!) e deglutir as esferas de carbohidrato frio como o beijo da morte, com alguma pasta de proteína acomodada no interior da bola, de origem bovina, aviária, vegetal (soja) etc. ; a que chamam "salgadinho".

Sem mencionar que o ambiente animado, é frequentado por uma dezena de pessoas desconhecidas. Ou conhecidas entre si, mas desconhecidas de ti! E todos enturmados, para teu desconcerto.

Mas...
Este sábado, uns vizinhos nos convidaram para a festa de aniversário de dois irmãos.
A princípio, desconfiados, relutamos em aceitar tamanho golpe dois presentes em contrapartida de apenas uma festa?!?
Mas somos jovens e corajosos, e cingidos do espírito intrépido, aceitamos.
Minha esposa, embalada de entusiasmo, costurou um gato de pano para presentear a menina. Não contente com o resultado do animal de pano, costurou uma bolsa de feltro para embalar o presente.
Para o menino, que costuma praticar o bulling contra nosso nenê e outras crianças menores, ela comprou dois carrinhos Matchbox de R$3,00 cada.
Claro que o presente masculino foi apenas formalidade.
Já o presente para a menina ela caprichou. Toda hora pedia uma opinião sobre o estágio em que se encontrava o gato de pano. Eu, para mantê-la no chão ficava reticente.
Não foi masoquismo matrimonial, ou alguma espécie de tortura conjugal, mas lembrei-lhe de que a vizinha não havia mandado o convite que prometera. Com todos os parentes no apartamento, será que ela ainda manteria o convite?
Será que quando aparecêssemos na soleira do salão de festas não seríamos escurraçados pelo olhar geral de "quem convidou esses aí?".
Temerário.
Por muito pouco o gato de pano não tornou-se um gato planador.
Mas vou poupá-los de um enfadonho suspense novelístico e dizer que outra vizinha veio nos buscar para a festa.
Os presentes foram distribuidos para as crianças que os desprezou, solenemente, para a decepção da minha esposa.

Apesar de viver muitas experiências, demoro para aprender. E uma coisa que não aprendo, é desaprender ser educado em ocasiões de festa de aniversário infantil. Saí do apartamento, decidido a não cumprimentar ninguém. Pois basta cumprimentar as pessoas desconhecidas na festa para uma surdez generalizada fazer o teu cumprimento bater na parede e voltar com a força de um tabefe na cara!
Foi o que não fiz.
Cumprimentei a vizinha, percebi pela visão periférica, que a sala estava repleta de gente desconhecida e fechei a cara.
A vizinha fez uma apresentação geral de quem éramos e completei com um esgar meio próximo de um sorriso, olhando para uma parede além da última janela atrás da última pessoa na sala. E pronto!

A vida é uma sucessão de surpresas.
Seu traçado jamais é uma linha reta, racional e previsível.

Primeiro, a vizinha, dona da festa nos serviu cerveja.
Em seguida estávamos todos juntos, conversando, debatendo sobre a metodologia de se produzir uma festa, sobre os rumos políticos do país e finalmente sobre a origem do caráter criminoso nas camadas sociais economicamente desprivilegiadas.
É supreendente como surge sociólogos de copo na mão, com teorias criativas, pró-ativas e finais com um poder atômico persuasivo.
Eu, para não ficar de fora, embalado na fórmula de que dois corpos não ocupam o mesmo espaço, expus a minha de que dois copos não bastam para mandar para o espaço... imagine! Ouvi tudo muito bem comportado, fazendo rugas de compenetração.
Para que ganhar de goleada, se um dois a zero estava tranquilo?

Ufa! A próxima só em julho, espero.

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