terça-feira, março 24, 2009

DON'T BE ANGRY WITH ME, RENATO!





Se há uma pessoa que respeito por aqui. Esse é Renato Perré. Ele não ficou feliz com um texto escrito neste blog. Aqui reproduzo sua manifestação e a devida réplica, que graça, no debate cavalheiresco, característica que esse grande artista também possui:

Caro Miyashiro achei totalmente infundados e fora de propósito os comentários a cerca do espetáculo Ópera de Carvão e Flor considerando que o amigo nem se quer viu o espetáculo.

Renato Perré


Meu querido amigo Perré!
É verdade que, ocupado que estava, não assisti o seu espetáculo, e isso ficou avisado no texto. Assim como vc., ocupado que estava, não assistiu ao meu.
Entretanto quando for assistir, onde espero que em breve irei, acredito que nada de novo será acrescentado ao debate, fora o imenso deleite de apreciar a fina artesania da tua obra .

Talvez, devido a sua vida atribulada, onde espero que os rendimentos sejam compatíveis com tamanhos compromissos, não tenha lido com mais atenção o texto a qual se refere. Se assim o fizer, perceberá que, sem a menor intenção de difamar, talvez incisivo, concordo, devido a velocidade deste meio, onde a cortesia é prolixa; fiz um paralelo de linguagens, minha e sua.

No Visitantes Incomuns, faço a crônica pop-burguesa, sendo eu, desmamado por uma babá eletrônica. Meus pés sempre calçados, pouco sentiram a terra tenra, de tanto caminhar sobre carpets; e embora tenha chupado gabiroba, só consegui reconhecer a notória fruta do Cerrado aos 23 anos.
Minhas cantigas de ninar eram os hinos do Ultra-Seven, Robot Gigante, Goldar, Phantomas.
Cirandas e cantigas eram liturgias que jamais me afetaram. Cantar os cantos populares era uma matéria no currículo das escolinhas, aula de folclore, que graças ao método reprodutivista, distanciaram ainda mais os meninos urbanos do universo rural que vc. tão bem descortina. Além disso, sem ser sexista, as cirandas e jogos de palavras eram coisas de meninas, ao que as professoras não cuidavam de remover a diferença. Aliás estimulavam o futebol e outros jogos físicos para o meninos e combatiam a mistura, a troca, a intervenção, temendo que isso estimulasse a sexualidade desde os tenros 5 anos! Coisas do papado de João XXIII.

O que faço aqui, neste blog é atender uma necessidade de traduzir as técnicas de expressar pelo teatro. Certa vez, declarei a ti, que nós, eu, você, e outros colegas tínhamos nossos modos protegidos de relacionar com o público, nossas repetições, nossas estruturas, seguras e confortáveis. E que admirava outro colega pela sua ousadia, em romper, pelo menos até aquele momento, com o conforto próprio. Esse colega mergulhado no risco assumido de errar, ou pelo menos de oferecer a indigestão ao propor novas regras, chutar o tabuleiro.

É sobre isso, com detalhes pessoais de impressões de assistir teus outros trabalhos anteriores, que teci minha opinião.
Na época em que escrevi o texto, estávamos em cartaz, simultaneamente pela FCC. Achei curioso as visões de espetáculos em oposição. O meio urbano e rural.
Ler e interpretar é fundamental, meu caro.

Um forte abraço e
seja sempre bem-vindo.

Nenhum comentário: