segunda-feira, janeiro 05, 2009

CRIAÇÃO E CONSUMO CULTURAL



A criação de um espetáculo exige o impulso de alguns motores.
No meu caso, a elaboração sobre determinado assunto e o impacto sobre a opinião gerada por um grupo de pessoas.
Essas pessoas são o meu público principal. Mesmo ausente na platéia, é para essas pessoas que dirijo o espetáculo. Muitas vezes pessoas incautas assistem e não compreendem ou passam desapercebidas do real conteúdo do que viram. Mesmo quando eu acredito estar sendo claro.
Há um outro componente, a inação cerebral. As pessoas não querem pensar. Na hora de entreter-se querem que o cérebro vá na banguela. Uma frase comum: “hum, e daí?” Só que para azar desse público a medicina preconiza o uso do cérebro contra suas patologias mais corriqueiras como perda de funções e até Mal de Alzhaimer. Infelizmente é isso, obesidade física e mental.
Onde se explica a preferência por essa coisa abjeta chamada novela. A última novela que consegui acompanhar era Água Viva, porque sonhava em morar no Rio, numa mansão na Rodrigo de Freitas; acreditava inclusive que era possível nadar na lagoa! Era adolescente e iludido, assistia novela, ora!
Hoje sem preconceito algum, tenho espasmos ao ficar mais de 30 segundos na frente de uma novela, seja da Globo ou Record. Interpretações afetadas, elementares, na mais rasteira e tradicional técnica de fundo de quintal, sem desmerecer as peças de fundo de quintal.
Não é para esse público que produzo teatro.

A pergunta é, antes que eu morra de fome, como fazer o consumidor de novelas passar a apreciar as sutilezas de uma peça de bom texto interpretada com maestria?
Pode ser a mesma, árdua, tarefa do nutricionista em fazer o consumidor de frituras e cerveja, passar a alimentar-se de cereais integrais e verduras... Tem que fazer uma ligação entre escolher a vida ou a morte. A morte cerebral!
Novelas, música baiana, sertaneja e rock barato matam o cérebro. Desse jeito.
Essa indústria de entretenimento é como a indústria do cigarro, matam sua sensibilidade, seu discernimento, criam o pensamento raso, oportunista, obsceno e maniqueísta. Sem dúvida o entorpecimento e mal uso do cérebro, provoca o câncer.

As pessoas preguiçosas, focadas na profissão são as que mais necessitam de refinamento cultural, mas são as maiores consumidoras do lixo cultural. Associam a busca de valores estéticos com o estresse causado pela saturação de informação. Aí descartam o esforço pela busca do belo, pela facilidade de comprar o produto pronto das emoções baratas.


O remédio é procurar por talento, qualidade e alimentação saudável!

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