terça-feira, abril 29, 2008

Recebi um comentário do nosso correpondente no front no "cerra, cerra, cerrado. Serra o papo do vovô", aka.: Bauru, outra área imergente onde manifesta a insólita energia do misterioso triângulo de Alcacu.



Em Alcacu existe um cego cantor. Ele canta tudo o que vê. Não canta nada por que é cego e nada vê.
Assim, ficou também mudo!extraído do fabuloso livro "Fábulas de Alcacu", autor anônimo, como todos os alcacuenses o são...

Edward Jr, o correspondente não correspondido.


Como puderam ler nestas inacreditáveis e desnorteadas linhas, Alcacu está lá fora. Alcacu está ao lado. Todos temos um Alcacu, goste ou não, ele cheira...
Por favor, este curioso livro pode ser encontrado no amazon.com?

quinta-feira, abril 24, 2008

O MISTERIOSO TRIÂNGULO DE ALCACU

Desculpe quem veio a esse humilde blog esperando alguma revelação do mundo titeritesco.
É que estou numa entressafra profissional. Meio exilado aqui nas terras curitibocas.
Não que esteja sem trabalhar.
Trabalho tem.
Além disso, poderia postar um monte de informação etc. etc...
Mas tenho que confessar uma extrema vergonha em se promover como fazem os colegas. Mandar spams e convitinhos que não valem a entrada, realmente não é comigo.
Usar o espaço do blog para transcrever as críticas dos principais jornais sobre meus espetáculos é de uma viadagem ilimitada.
Embora nunca tenha tido uma crítica em jornais de circulação nacional. Dane-se!
Ultimamente tenho metido o pau na crítica.
Alguns podem pensar que não posso ouvir crítica.
Ou que, tomado de tal ego inflado, só tenho espaço para o elogio.
Acho oportuno me retratar:

Crítica eu aceito; o que não aceito é insulto. Quem aceita insulto é idiota!

Muito bem. Agora posso falar do mistérioso triângulo de Alcacu.
Para quem não sabe, o bairro onde moro, Santa Felicidade está numa região demarcada chamada triângulo de Alcacu. Alcacu é a abreviação das três cidades que fazem os vértices do lugar: Almirante Tamandaré, Campo Magro e Curitiba.
Nessa região vive um tipo matuto, semi-urbanizado, que sabe pegar na enxada e usar um caixa eletrônico. Uma característica desse hominídio é a completa incapacidade de proferir as palavras por favor, com licença, obrigado, bom dia, boa tarde, boa noite e por aí.
Se você por acaso passar pela Santa, dê uma parada numa padaria chamada Pannicello, olhe para o caixa, se tiver sorte verá um rapaz sem uniforme da empresa. Ele é o proprietário. Nunca falou um obrigado para os clientes. Jamais um cumprimento. Se você o cumprimentá-lo ele não responde. Uma meia dúzia de vêzes me segurei para não pular o balcão do caixa e enchê-lo de pancada!
Há uma lotérica em frente ao Colégio Sagrado Coração, onde foi baleado o motoqueiro que minutos antes havia atropelado uma mulher. Lugarzinho bucólico, bem no coraçãozinho de ouro da Santa. Naquela loteria há um outro rapaz. Ele também jamais cumprimenta os clientes. Jamais respondeu um cumprimento.
Foi então que descobri, após um luminar estalo da intuição, que isso acontece graças aos costumes de Alcacu.
Numa manhã precisei comprar pão. Embora sob juramento de nunca mais pisar na padaria do Panicello, pisei. Espio o caixa e lá estava o magricelo do Panicello, o dono mudo. Ele retribui a espiada e me volto, frio, para as adoráveis atendentes da padaria (sem ironia, elas são muito gentis). Foi então que tive a idéia de encurralá-lo. A padaria estava vazia, era uma manhã fria e ensolarada. Uma manhã no campo!... Cheguei no caixa e bati a mão no tampo. Gritei:
- BOM DIA!!
O panicello respondeu:

- Hum!

E continuei:
- Está feliz ou triste!
Ele não entendeu.
-Você é palmeirense ou são paulino?
E o carrancudo panicello abaixou a cabeça dando um meigo sorriso!!!!

Então era isso! No campo, fale alto, gesticule, seja extravagante. Porque os espaços são maiores e a gente de Alcacu morava nesses espaços, embora hoje não seja mais assim.
Fala mansa, civilizada de espaços urbanos contidos, a voz baixa, educada, isso não funciona em Alcacu...


Estou preocupado com a futuro do meu filho aqui!!

sexta-feira, abril 18, 2008

CRÍTICA, ORA OS CRÍTICOS.

Ainda aquela questão de peças ser boas ou não.
Supondo a boa fé do diretor que montou um espetáculo, temos ali no palco o seu ponto de vista.
Posso não gostar.
Mas é a maneira que ele traduz sua percepção.
É um código individual ; às vezes pode parecer hermético, pode parecer simplório. Mas é o acento de sua fala, assim, passível de censura, caso o discurso ou sotaque não seja uníssono com o da elite brilhante.
De todos os modos, trata-se da velha homogenização da linguagem.
O crítico nada mais é do que o capataz de um determinado interesse sócio econômico.
O refinamento do crítico se desenvolve com as cabeçadas que leva nos confrontos verbais. Neles, desenvolve as fibras do bom tom. Como um boxeador, acumula prestígio a cada vitória. Quanto mais nocautes mais confiança adquire. Cada vez mais se sente estimulado a estudar, acumular argumentos para municiar-se nos futuros confrontos.
Só que ao invés de fortalecer a si próprio, o crítico ao contrário do boxeador, fortalece a aliança com uma restrita faixa de opinião, culta, rica e bonita (às vezes não). É para eles o que diz dos outros que estão de fora. Ataca impiedosamente o estranho e acaricia o condizente.

Sejamos justos. Há críticas que fazem pensar.

Estava no Festival de Teatro de Bonecos de Curitiba e após apresentar Brisalenta, ouvi uma colega dizer que o filho não havia gostado. Estava enfadado por ser “...mais uma peça com diabo”. O menino de 13 anos estava exercendo seu profissionalismo crítico ao não encontrar nenhuma peça com uma boa nova, que proporcionasse um escapismo, uma esperança uma redenção para humanidade, a sua humanidade.
Sim, minha peça tem uma cena com um diabo, pois é uma homenagem ao fantoche tradicional. Aliás eu presto homenagens em todos os meus espetáculos. Sou muito solidário. Mas veja. Homenagear não é copiar. Ardorosamente procuro novas versões para temas tradicionais. Afinal que novidade há na humanidade? Sempre será isso: romance, tragédia, comédia... faltou alguma coisa?
Disse apenas para o menino: -“mas meu diabo é diferente, não?” ele não concordou.
Mas opa! Aquele menino estava me peitando na cara dura.
Por quê?
Ah, claro! Criança vazando “assuntos internos”. Denunciando a mesa de jantar da família, onde segredos irreveláveis à sociedade, devem permanecer trancados. Heis que a criança em sua ingenuidade revela o assunto interno da mesa de jantar...
Todo mundo tem seus “assuntos internos”.
Eu não gosto do teatro de alguns amigos.
Muito menos de outros inimigos.
Ao mesmo tempo que fico inconformado com a beleza do trabalho de alguns crápulas...Quanta injustiça, meu deus!
Do que não gosto, posso achar detestáveis certos aspectos. Não faria daquela maneira, faria de outra etc. Revelar isso não é legal. Não vou doutrinar o coleguinha a fazer como eu faço. Coisa mais feia. Se pedir uma sugestão, eu mostro como eu faria; eu. Mas o melhor será fazer do seu jeito. Então, todos ficamos quietos. Dizemos apenas que gostamos ou não gostamos e pronto!
O crítico não.
Escancara os assuntos internos dele e impõe a lei marcial da KGB estética. Vigiando todos os passos suspeitos, todas as reuniões, todas as manifestações. Nada escapa do seu monitoramento. Tem opinião e juízo de tudo e de todos.
Não é preciso muita divagação para projetar o que uma pessoa assim fará com um veículo que dê ressonância a suas cordas. Esse animal faz o estrago!

No fim, o que há são panelinhas. Umas melhores que outras. E um monte de gente tentanto pular para essas...

terça-feira, abril 15, 2008

ESTE É O SEGREDO: NÃO HÁ SEGREDO!

Meus estudos esotéricos iniciaram após assistir um filme mega “B” da “Primeira Exibição” de sábado (programaço!!), A Iniciação de Sarah. Vi uma refilmagem desnecessária, cheia de efeitos especiais que não mudaram nada do filme. Só ficou menos sombrio e iluminado como uma tarde de praia no México...
Mostra a história de uma ruivinha magrelinha (uma gatinha!) que se vestia muito mal (coitada!), com péssima auto-estima (culpa da mãe puritana...) que desperta dentro de si poderes telecinéticos violentíssimos. Através desses poderes ela (meio sonâmbula...afinal ela era caladona, mas era sangue bom) se vinga das loiraças ricas da escola, que a humilharam.

E fui atrás dos poderes paranormais. Comecei com Joseph Murphy e terminei com algum Ripomche. Hoje faço uma pratiquinha de yoga normal, indiana. Um mantrinha, um pranayama e só. Mas foi uma lenta educação de que não precisava usar meus poderes para o mal. Que se quisesse vingar de alguém. Bastaria o tempo e uma boa rede de informantes para saber que o indivíduo fraturou um pé ou foi deixado só pela mulher... Afinal, quem não se dá mal algum dia? Uma hora acontece até com os bons. Que o diga Jesus!
Mas não vamos tocar nesses assuntos espinhosos, principalmente de quem usou até uma coroa deles...

O fato é que esses livros, que hoje recebem a classificação de auto-ajuda, não ajudam muito. A não ser é claro, alguém muito bem declarou, quem vende.
Mas esses livros prometem mudar a vida do cidadão, bastando a energia mental e alguma ação em direção ao objeto de desejo. Se o poder mental for tal, de grande magnitude, feito um Akira... bom, aí nem se levantar é preciso.
E lá foi o véio Mia ajardinando sua energia em pró revolucionar a lataria. O que eu poderia mudar, vejamos, sim! Sou meio travado em reagir às pequenas escaramuças diárias. Do tipo você está num lugar público, sem conhecer ninguém mas quer socializar e um cara fala alguma coisa, você emenda e o cara te esculacha na frente de todo mundo. Meu desejo é: “quando for esculachado, quero ter presença de espírito para devolver uma frase elegante mas tremendamente esculachante para o agressor!” Pronto! Isso é que é desejo.
“Iniciação de Sarah” eu assisti em 1978, ou 79, vai fazer 30 anos e eu ainda não consigo ser um gatilho mais rápido do oeste na reesculachação!!! Quando era esculachado queria chorar. Há dez anos ficava com um sorriso amarelo e a vontade de desaparecer. Hoje fico com um sorriso de Mona Lisa tipo revista Caras, colado na cara e um mês depois, após uma lenta maturação me toco que poderia dizer tal e tal coisa pro cara. Ele se danaria, ah, se danaria! Grande merda!

Por isso, crianças. Não existe esse negócio de poder mental, não há segredo nenhum. Apenas o extrato bancário de quem produz essa merda de leitura.

sábado, abril 12, 2008

ABRIL! MEU OLHO NÃO VIU

Não tenho escrito muito, porque não há muito para escrever, ora!
De fato estava entorpecido, cuidando do filhote, comprando laranja lima (meia dúzia por dia), uva que estiver doce (500g. por dia), fazendo pãozinho, levando para passear, escolhendo e comprando brinquedinho, comprando sua leitura preferida (uma publicação mensal chamada Transporte Mundial) enfim, essas obrigações paternas. Aí as tarefas da companhia e da escrita ficaram esquecidas.
Anteontem colei as cabeças e as mãos dos fantoches, fiz as últimas costuras no figurino, e terminei o último adereço da peça encomendada. Ontem vi que as mãos não ficaram ajustadas, por isso terei que descolar, diminuir o pano e colar novamente. Normal!
Depois vou ver o que falta no pano do cenário e definir as últimas músicas que faltam da trilha sonora.
Na trilha há duas músicas do Bruno Karam, estão perfeitas, mas talvez precise reformular a letra.
Preciso de vinhetas talvez peça para mano veio fazer. Não sei.
Aí é jogar o barco na água e ver se ele não afunda. Em geral as leis da física prevalecem.

Terminei de escrever uma peça para adultos.
Foram quinze dias na frente do pc. Dormindo às 5 horas da manhã. A base de guaraná em pó.
Não sei se por falta de sono ou pelo guaraná, os braços disparavam para frente...
Vou inscrevê-la num concurso, por isso não quero revelar antes do dia 30 de abril, data final da inscrição do concurso.
Como foi difícil dar o nome da peça. Primeiro foi “Quarto 212”, cenário principal em que transcorre a cena. Tomando banho vi um rótulo de shampoo e ocorreu a idéia de “Cuidados Essenciais”. Se acharam esses nomes interessantes, aguardem dia 1º de maio e revelo o título da peça.

Hoje participei da minha primeira reunião de condomínio. Foi legal, teve refri, bolo de carne, de sardinha, formigueiro, bala sete belos (eu que levei!), bala de café ( esse também), uma beleza. Elegemos a nova síndica que já estava eleita por um representante que detinha 22 votos. Mesmo assim, fizeram a gente votar. Democracia é um dogma!
Tenho assistido a MTV com a Penélope cobrando dos teens o compromisso de acompanhar o rumo da nação. Um tal de operação Pasárgada, dossiê da Casa Civil, prefeitos de Minas presos...sabe alguma coisa disso?
Dá para a gente ficar com remorso e confessar: preciso ler mais... Soa dois minutos de remorso e depois passa.
Se essa moça viesse falar assim comigo, o que eu diria?
Olha amiga.
Eu sou aquela migalha da grande massa adormecida. Ás vezes acordo e depois volto a dormir. É simples assim. Deixe os comensais de matar primeiro. Deixe se baterem na batalha titânica para ver quem come o maior pedaço. Quando um cair verei a versão do vencedor e tentarei tirar alguma conclusão. Se extrapolarem, acordo junto com a massa. Cometeremos todo tipo de depredação, mortandade e estupro das pessoas e famílias envolvidas, assim eles aprenderão a nos deixar dormir em paz. A respeitar nosso merecido sono.

Ah, e teve a baixaria básica de moradora gritando com ex-síndico. Uma cena deliciosa de se ver numa tarde chuvosa de sábado.

Para quem não sabe e é do ramo:
Inscrições prorrogadas para o Festival Espetacular de Teatro de Bonecos até o dia 18/04, sexta-feira que vem. Vá em www.teatroguaira.pr.gov.br, procure por mais notícias clique em fevereiro de 2008 e lá terá um link. É um saco! Eu nem fiquei sabendo que havia aberto as incrições. Enviei ontem, 11/04 a minha. Nem sei se serei selecionado! De volta ao início. Essa é a vida de artista.

Outro dia percebi uma coisa.
O público de Curitiba não dá retorno.
Comparecem ao teatro (quando comparecem), assistem, aplaudem (às vezes mais, outras menos) e depois desaparecem.
Não tem retorno, ou feedback.
Tem amigos que no final dizem se gostou ou não gostou. Só.
Em Bauru, naquele torrão torrado no coração de São Paulo, terminava uma peça o pessoal ia embora, mas se encontrava em meia dúzia de botecos da cidade. A cidade é quente o melhor é ficar na rua, sentados em mesinhas de bar nas calçadas. Isso é um atraso no projeto urbanístico; impede a passagem de pedestres, atormenta a novela e o sono dos vizinhos. Mas para a fomentação cultural é uma benção!
Muita coisa amadureci nessas mesinhas de bar.
Onde a cerveja era acessória e não o principal.

Mas talvez eu esteja fantasiando e na verdade sentávamos naquelas cadeiras de chapa fria só para meter o pau no trabalho alheio, alimentar nossos egos, encher a cara de mé e sair gritando pela rua acreditando que um dia estaríamos em São Paulo sendo dirigidos pelo Gerald Thomas.

É por isso que hoje eu acho:
Todo espetáculo, da pecinha crente da tia do cemei ao holiday on ice broadwoodiano que pinta por aí. Tudo é bom!
Não pode ter trabalho ruim, se houve trabalho. Se o cara resolveu levantar as pândegas e resolver por a mão na massa falida e tocar adiante.
Posso não gostar. Mas aquilo jamais pode ser chamado de ruim, horrível e imprestável. A não ser que a presunção de que tudo que eu goste seja perfeito para todos os gostos.
Moral da história:

se crítico fosse bom, quem faria a profissão do crítico seria o diretor-executivo do jornal.

Moral da história 2:

Para serviços sujos, pague, mas pague pouco.

quarta-feira, abril 02, 2008

QUEM TEM AMIGO NÃO TEM MEDO!!!!!

Pô!
Tem cara que devia ter blog.
Tem cara, como eu, que tenta.

Olha aí o que mandou o Edward:

"Fala Mia, o Shiro.A Felicidade sempre foi apocalíptica, imagine então a SANTAFelicidade...Polenta amarga é osso duro de roer e na falta de Ibope, baixa o BOPE, o apocalipse do nascimento, do capitão Nascimento, por isso véio, senta que o leão é vesgo!Saudade cara. Profundos e atarraxantes amplexos na famiage toda.
Edward Jr., correspondente internacional from Bauru City "

Olha, migão!
To com vergonha!
Agora sou um escravo do capitalismo predatório e do patriarcalismo judaico-nipônico, por essa razão não pude viajar 460 km até a sua orgia-surpresa em comemoração à tua efeméride escorpiana!!
Mas eu bebi meia dúzia de chopp artesanal "Gaudenbier" em sua justa homenagem.
Bejão no cê e na tutta famiglia!