segunda-feira, março 31, 2008

POLENTA AMARGA E FRANGO DE OSSO DURO

E aqui na Santa Felicidade a classe média católica clama por uma cultura da paz (sic) e pede às autoridades constituídas mais segurança, policiamento câmeras (?!) e vão fazer uma baita manifestação em que serão distribuídas rosas brancas e adesivos (??????).
Uma homicídio na frente do grande colégio católico bastou para o olho da imprensa cair sobre a polenta e o frango frito frios do bairro gastronômico! Ronda de helicóptero, rastreando viaturas. Nenhuma viatura, telespectador! Nenhuma!
E nos bairros próximos daqui, mais pobres esse é o almoço diário: um homicídio por dia! Essa é a cultura da paz que se deseja na Santa Felicidade. Tornou-se um Iraque! Imagine, aqui virou uma favela do Rio!
Hoje, 31/03, segunda-feira, barreiras policiais nas principais vias de acesso. Barreiras como nunca vi, com esculcas, forrageadores. Rondas de motocicletas parando motociclistas, perseguindo motociclistas. Ninguém escapa!
Mas nem tudo está perdido: três velhinhos deram bom dia. Um deles era o Gigio, um palhaço aposentado. Esse não conta. Então foram dois.

quarta-feira, março 26, 2008

BATALHA CAMPAL

Estamos aí, na luta!
Estou terminando a nova versão de Gato Por Lebre, vai se chamar "SHISHI, O COMILÃO".
Versão, pq. , estou "contratando" o elenco do Gato Por Lebre para dar vida ao SHISHI.
Shishi em japonês é leão. Aqui como sói, tem outro sentido. Já percebeu que vai dar bagunça, né!
Vamos mover a máquina!

Enquanto isso, aqui na Santa Felicidade, a guerra em nosso quintal.
Um motoqueiro atropela uma mulher na saída do colégio católico daqui. A mulher foi para o hospital etc. O motoqueiro aguarda as providências de praxe. Heis que um assaltante o aborda. Diante da resistência do motoqueiro em ceder a moto, é baleado e morre!
Havia passado por alí uma hora atrás, flanando, com um dvd para devolver... naquele momento percebi que não respirava abdominalmente, como fazia antigamente. Senti-me pleno e com vista melhor. Desci na feira. comprei uvas, ameixas e peras d´água. A única coisa violenta daquele dia foi o comentário do dono da barraca ao dizer que o produtor das peras d´água protegia seu produto com arma de fogo, só isso e nada mais.

Agora mesmo ouço a vizinha gritar com o adorável filhote de 2 anos, como todo dia. Será queestou ficando neurótico ou sempre foi assim ...????

Não vi nada desse Festival de Teatro de Curitiba. Tinha de ver o Edson Bueno, mas os horários de 23hs. são impraticáveis. Vou tentar ver o Natimorto. Tentar.

terça-feira, março 18, 2008

FANTOCHE E MÉTODO

....

O teatro de bonecos com fantoches exige um grande esforço físico.
Dos músculos são exigidos força isométrica, isto é, um esforço na manutenção de uma posição que são os braços elevados.
Quem manipula marionete à fio necessita de apenas um treino abdominal para manter a posição de “garçom que serve a mesa”, já que os braços ficam a altura da cintura. Outra técnica comum é a chamada “bunraku” ou transversa onde basta uma conversa com o cenógrafo para que construa uma mesa ergonômica; além de que se alguém se ferir durante o show, os outros dois podem se viram muito bem.
Com fantoche não há exercício abdominal nem cenário que ajude.
Uma apresentação de 45 minutos de um solista, significa um desgaste energético de 45 minutos de braços elevados, abaixados e elevados novamente, manobras, trocas de bonecos e do mecanismo vocal.
Luxações, e até lesões mais sérias na região dos ombros, nuca, entre as omoplatas, a coluna cervical, lombar, os braços, pulsos, não são incomuns.
Então, fazer teatro de fantoches é: ame-o ou esqueça-o e jamais tente isso novamente!!!


Mas se sua paixão é irrefreável, como a minha, o melhor é fazer um preparo.

É importante ter a propriocepção funcionando.
Para tanto o treinamento.
Quando se fala em treino, para um elenco que crê-se talentoso, é difícil estabelecer uma rotina de trabalhos, quanto mais algo que desperte a percepção de si mesmo.
O conceito de propriocepção vem da neurologia muscular, em que a fibra muscular tem consciência de algo, independente de outros sentidos como audição ou visão. Quando um músculo percebe que 200g é diferente de 202 g., por exemplo.
Ao iniciarmos um treinamento para a manipulação dos fantoches, iniciamos com pesos suspensos, presos entre os dedos das mãos. Os braços são elevados em várias séries de 60 segundos, intercalados com um descanso de 60 segundos ou mais.
Respirações profundas e longas.
A proposta desse exercício não é aumentar o volume muscular, ficar inchado... É estimular a propriocepção, fazer os músculos acostumarem-se com a posição. A respiração energiza o organismo, estimula a liberação das endorfinas, refreia e acalma o ímpeto.
Sem movimentos bruscos não há lesão.
Movimentos cuidadosos e suaves, são bem definidos e bem vindos à manipulação de fantoches.

Vi muitos candidatos a fantocheiro-solistas pegar os bonecos como se fossem uma metralhadora anti-aérea (sob ataque!), dedos tremendo no primeiro segundo... Coisa de doer só de ver! É falta de propriocepção.
Explica, fala, dá bronca e não percebe. O corpo manda um relatório de que está tudo bem.
Daí se pensa que o mundo está analgesiado demais.
Qualquer dorzinha, toma um comprimido.
Qualquer estafinha (depressão!) toma uma cerveja ou uma bola.
Existe medo dos alarmes do corpo.
Dor é alarme.
É como se criasse uma cachorro e quando ele latisse no quintal mandasse uma pedra no coitado. O problema é o barulho do cão e não o ladrão que pode estar invadindo o quintal.
Simples assim.
Conclusão: para sua segurança, relaxe.

quarta-feira, março 12, 2008

MEDIDAS DO CÓRTEX

Não consegui assistir "A Morte de Jesse James" com Brad Pitt e Casey Affleck. Fotografia deslumbrante, ritmo europeu ( havia uns cortes com computação fade out/in)... Mas fiz algo inédito: desisti. Não vi o final. Hoje loquei uma comedinha com uma loirinha Amanda Byrnes. Ela é sósia da Raquel, uma amiga. A Raquel é mais.... madura, já é mãe. A Amanda é teenzinha. Olhando agora ela é uma Barbra Straisand teen sem o narigão.
Locar esse filme é apenas um teste.
Verificar se meu cérebro está encolhendo.
Se assistir até o final. Por alguma razão meu cérebro deve estar diminuindo de tamanho.
Talvez deva beber mais água, ou cerveja!

Perdi um trabalho com uma ong carioca.
O trabalho era puxar quatro bois por dia. Cada boi pesava 300 crianças em média. Seriam 20 dias puxando quatro bois em cada dia. E haveria de puxar sorrindo e cantando, enlevadamente... Pedi aumento, lógico!
Não deram nem aumento de trabalho.
Na verdade diminuiram, já que eu ganhava por boi puxado.
Se não queriam pagar o que pedi, que fizessem uma proposta:
" ...não posso fazer uma contra-proposta, em 20 anos como produtor cultural não faço essa coisa vil!"
Ainda por cima saí com fama de vilão!
Esse produtores culturais não entendem nada de pecuária!


terça-feira, março 04, 2008

PEÇA ENCOMENDADA E AMNÉSIA

Miyashiro no mundo da expansão econômica.
Entreguei uma peça encomendada para um amigo. Ainda não posso revelar sua identidade até a grande estréia, ou até ele permitir. Sobre o texto de autoria do requisitante, eu e Lu esmeramos na confecção dos bonecos e cenário. Um espetáculo com a nossa marca.
Embora pertença a outro, alguém observador poderá francamente perceber os índices que nos identifiquem.
Que orgulho!

Hoje fui gravar um dvd com o "Luvazine".
Tomei duas colheres de chá de guaraná.
Fiquei trincado!
Apesar disso, errei bastante, esquecí partes, cenas e texto.
Não há guaraná que faça uma primeira peça ser bem feita. Pode ensaiar e tomar kilos de guaraná. Algo fica para trás.
Pode ser espetáculo antigo. Se houver um intervalo longo, vai esquecer uma parte. Vai ser espetáculo morno.
Quando apresentava com o Manoel Kobachuk e entrávamos em cena após um período parados, ele sempre, sempre fazia o seguinte. Parava, dava um sorrizinho e dizia : "será que ainda lembro do espetáculo?". Lembrava, mas uma parte desaparecia e as vêzes nunca voltava.

Mas eu estou feliz.
Entreguei a encomenda.
Posso guardar as tralhas e limpara a casa, ufa!
Até o estresse do próximo trabalho.

O povo daqui da Santa Felicidade pergunta sobre o meu trabalho. Me vêem batendo perna o dia inteiro. Comprando frutinha na quitanda, alugando dvd, dando umas corridas pelo bairro... Tenho o maior perfil de traficante ou coisa pior!!! E olha que eu falo sobre o meu metier, mas eles sempre esquecem.