quarta-feira, dezembro 31, 2008

A TRAGÉDIA DO PALHAÇO


Brisalenta, foto Sérgio Del Giorno/2003


Algum repórter perguntará para o perfil básico da sua carreira, o que o inspirou a tornar-se ator. é de bom alvitre estar preparado, não antes de dar uma pausa dramática, como quem resgata uma reminiscência há muito deixada para trás.
Eu, claro, não farei isso aqui e de pronto vos digo: tinha inveja dos tipos artistas, aqueles caras atirados, tipos exóticos, tomavam conta das festas e animavam a todos. Auto considerado tímido, observava sua maneira, seu modus operandi, para mais tarde imitar, sem muito sucesso. Acho que ainda não tinha a verve, o timing.
Tempos depois, com maturidade antropológica suficiente para fazer uma observação mais ampla, percebi que apenas eu admirava incondicionalmente esses tipos "performáticos"! As pessoas se divertiam, participavam, mas depois, à socapa, comentavam com ironia e até um certo desprezo msobre "aquele tipo performático"...
Mas aí era tarde, eu já era artista. Havia feito um longo apresendizado para ser performático e descubro que nada mais eram do que uns "malas" que faziam todos rirem, mas aquele riso daquele cara que levou a torta na cara, ou que abaixaram as calças exibindo a cueca. Um palhaço no mal-sentido social.
Daí que o palhaço, aquele que foi capturado pela carreira. Tem um componente trágico. Ele é desajustado socialmente e exibe seu desajuste na sua ação, não alardeia, nem clama para sí a graça da cena; porque ninguém se orgulha de ser portador de uma deficiência. A não ser os heróis. A tragédia é a outra face da comédia, mesma estatura. Um palhaço não é o apresentador do circo. E há o tipo performático que se diz palhaço ou "clown", mas não passa de um apresentador bonitinho e engomado.

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