quarta-feira, dezembro 17, 2008

AQUI SE FAZ DO JEITO CERTO- Nº0001

Curitiba parece cosmopolita, mas como qualquer cidade, capital desse país tem traços regionais distinguiveis, embora os nativos teimem em diluir.
Aqui, em nome de um preconceito contra o colonizado, o abastado procura distanciar-se com a aplicação do verniz metropolitano, enfim, toda essa análise antropo-sociológica de almanaque que todos sabemos etc.,etc.

Resta alguns indicios, o erre interiorano, o "e" cantado, algumas palavras como "passeio" (...ande pelo passeio não pela via pública.). Muito pouco perto de uma riqueza perdida para uma diluição carioca-paulistana.

Algumas pepitas restam.
Fui a um armarinho na Santa Felicidade e atendeu-me uma guria, lora, com o jalequinho velho do estavelecimento. Portava um pedaço de papelão, cortado a mão, com o nome escrito com hidrográfica. Escrito na parte escura do papelão, provavelmente porque a parte lustrosa estava impressa com alguma coisa. O nome da guria era Laurie.
Perguntei se ela tin ha familiares ingleses ou americanos.
Ela ficou muda.
Pronunciei seu nome: Lóouri.
Ela continuou muda. Torceu o rosto. Fez um muxoxo. Muda, muda, muda. 15 segundos de mudez. E por fim: nos estados unidos é assim (como eu pronunciei), mas por aqui é Lauriê!
Então estamos discutidos!


PRODUÇÃO ILIMITADA:

Ah! As festas de fim-de-ano!
Estou indo para o encontro fatal com a família. Primos, tios e agregados...
Vamos lá. Espero não ouvir mais algum pitaco sobre ter sucesso na vida, diante dessa crise que está nos ensinando muita coisa sobre ter certezas nessa vida.
EStavam organizando a festinha e amigo secreto já encheu o saco mesmo porque amigo secreto e´caro!!! Imagine, o custo das lembrancinhas!
Então sem amigo secreto (graças a Deus!) pediram sugestão. Eu achei que a gente devia ter uma palestra de um tio que na véspera do Plano Collor sacou toda a sua poupança, foi o único que teve dinheiro na família. Ele nem trabalhava no Banco Central. Achei que esse tio teria muitas coisas para encisnar sobre como lidar com a crise.
Achei que os velhinhos deveriam flar de como sairam de um Japão devastado pela guerra e chegaram num Brasil com selva em São Paulo!
Mas ninguém se manifestou.
Crise é assim. O ônibus cai no rio e as pessoas ficam sentadinhas na poltrona com o cinto de segurança bem preso, por segurança...

Olha só eu falando do que se deve fazer num momento crítico, trabalhando com a lucrativa profissão de ator-bonequeiro.
Eu ficaria muito feliz se meu teatro desse a solução para as pessoas, um bálsamo para as feridas. Isso não é escapismo. Um teatro que amenise o ardor provocado pelos rigores da escrotice que nossos semelhantes inflingem a si mesmos e ao outros.
Ai eu poderia dizer que estou na profissão certa.
Ainda vou aprender a trabalhar com esse equipamento!

O trabalho na madeira está parado.
Faltam os pés.
Só que já não aguento mais o pó de serra. A rinite atacou de um jeito que vou tentar trabalkhar na casa da sogra. Vou encher a sogra de pó de serra! E dizer que se não fizer isso, o neto fica sem o leitinho.

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