sexta-feira, outubro 10, 2008

TO BE A PUPPETEER OR NOT

Estava dando minhas braçadas no oceano da rede mundial, quando uma marola jogou-me essa frase aí de baixo;

"...one phrase Betsy used frequently in her puppet courses, was "anyone can be a puppeteer". My brain would say to itself, "anyone can be a brain surgeon too, but I would be careful which one I picked."
- Alan Cook

Numa tradução malemal:

uma frase que Betsy (???) frequentemente usava em suas aulas de bonecos era “qualquer um pode ser titeriteiro”. Meu cérebro poderia responder a isso, “qualquer um também pode ser neurocirurgião, mas seria cuidadoso com quem escolheria.”

Bem, não sei quem é esse Alan Cook... but, but, but...

Tem um lado social que abre meu coração e quando me perguntam se a pessoa pode um dia ser titeriteiro, ator-bonequeiro, marionetista...ator! Eu, também, digo que sim, pode.
Digo isso, pensando nas tarefas que essa pessoa deveria realizar e assim adquirir a aptidão para fazer o teatro de bonecos.
No entanto, mesmo que se dê todos os segredos da arte, se é que existe algum, a pessoa não vê aquilo que está a frente dos seus olhos.
Parece que está bloqueada. Parece má vontade. É cansativo para quem ensina e para quem tenta aprender. E olha que sou incansável para ensinar. Resultado: quem quer aprender fica de saco cheio e desiste.

Tenho 20 anos de teatro e de administração de aulas e oficinas. Se tem alguém que pode dizer que é cria minha, que sacou a essência da minha disciplina... Umas duas pessoas. Só. O resto passou uns bons momentos ou talvez nem isso.

Que posso fazer?
Não dou emprego na Globo.


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NOTA EXPLICATIVA:

Detesto dar explicação sobre o meu trabalho, mas uma frase está sendo mal interpretada.

“Visitantes Incomuns” meu mais recente espetáculo, tem no release a informação de que levei três anos para produzi-lo.

Isso é verdade.
Da seguinte forma:

Teve um edital da Fundação Cultural que se chamava Arte e Meio Ambiente, a proposta era levar uns “bananas de pijama” que seriam os personagens da campanha municipal para estimular a reciclagem do lixo. Como trabalho sozinho em cena, produzi um espetáculo com os mesmos quatro personagens-recicláveis, comprei uma trilha sonora, fiz um dvd e mandei o projeto. Claro, foi rejeitado, por não se adequar a proposta “banana de pijama” inicial.
Este espetáculo além dos personagens recicláveis da Secretaria do Meio Ambiente, tinha dois mestres de cerimônia fantoches: um menino e um bugio.

No ano seguinte, sim. Peguei os dois fantoches e preparei um projeto que seria um espetáculo sem palavras, mas dirigido ao público adulto. Seriam cenas metafísicas, um circo do absurdo, um passeio onírico:
Um homem que vivia ouvindo o som do universo, uma miríade tão infindável, ao mesmo tempo tão sutil que ele estaria impossibilitado de expressar o que ouvia. Ao mesmo tempo que um verborrágico teórico tentaria debater o conteúdo da audição deste homem... Coisas assim.
Passei o ano elaborando essas idéias, mas então a água bateu na retaguarda e parei de divagar.
Comecei a desenhar a idéia do condomínio, onde haveria o escracho de uma comédia de costumes.
Achava que jamais faria uma peça sem palavras, já que a palavra para o fantoche é um recurso que casa muito bem com esse tipo de boneco. O fantoche é loquaz por tradição.

Outra insatisfação criativa é quanto a trilha sonora.
Não é que não goste de música. Gosto!
O que indigna é que o músico não precise de mim para fazer o show, mas eu preciso dele para fazer o meu!!!!
Por quê não posso fazer um espetáculo sem trilha?

SEM PALAVRA E SEM TRILHA SONORA!!!

Daí cheguei ao esboço que resultaria no Visitantes Incomuns atual.
Um passo de cada vez. Um espetáculo sem palavra, mas com trilha o tempo todo.


DERIVANDO NO ABSOLUTO

É engraçado como são as coisas.

Vi uma foto do Ópera de Carvão e Flor, do Renato Perré, que está sendo apresentado neste mesmo período, dentro do mesmo edital de formas animadas. Não assisti ainda, mas vou. Pelo que parece a peça ocorre num ambiente rural, entre agricultores de baixa renda, e com grande apoio na trilha sonora, ao vivo.
E Visitantes Incomuns é uma fábula urbana, uma fantasia classe média (sem querer ser pejorativo), com total apoio na trilha sonora, gravada, claro!
Aliás, as trilhas: Da Ópera deve ser um misto cantigas paulistas com modas nordestinas, já o Visitantes é um jazz fusion plus rock.

Trata-se de um debate de paradigmas opostos.
Não deixa de ser uma batalha ideológica sobre o que somos e o que gostaríamos de ser.
Por meu lado, meu discurso preferido é o silêncio solitário, mas procurando a eloqüência dos gestos. Em que o conflito se estabelece no grau das relações.
O Ópera busca saturar com a linguagem do circo e a fala do oprimido tentando superar o opressor (acho que deve ser isso...).
Se for isso. Se assim for este meu vizinho de teatro, então o público deveria ficar gratificado!
Não?

2 comentários:

Renato Perré disse...

Caro Miyashiro achei totalmente infundados e fora de propósito os comentários a cerca do espetáculo Ópera de Carvão e Flor considerando que o amigo nem se quer viu o espetáculo. Em abril estaremos em cartaz aos domingos, no Teatro Cleon Jacques do Centro de Criatividade de Curitiba e você é nosso convidado.
Ópera de Carvão e Flor
Dias 19 e 26 de abril as 16h
ou 03, 10 de maio.
Apareçam todos os amigos deste blog!

Jorge Miyashiro disse...

Meu querido amigo Perré!
É verdade que, ocupado que estou, não assisti o seu espetáculo, e isso ficou avisado no texto. Assim como vc., ocupado que está, não assistiu ao meu.
Se puder reler a divagação bloguística que escrevi, perceberá que, sem nenhuma intenção difamatória, fiz um paralelo de linguagens, minha e sua. O que faço aqui, neste blog é atender uma necessidade de traduzir as técnicas de expressar pelo teatro. Certa vez, declarei a ti, que nós, eu você, e outros colegas tínhamos nossos escudos que nos protegiam do público, nossas repetições, nossas estruturas, seguras e confortáveis. E que admirava outro colega pela sua ousadia, em romper, pelo menos até aquele momento, com o conforto próprio.
É sobre isso, com detalhes pessoais de impressões de assistir teus outros trabalhos anteriores, que teci minha opinião.
E como encerrei meu texto, considero um privilégio para Curitiba nos ter como artistas em seu território, pois oferecemos duas visões opostas sobre um assunto que é próximo.

Um forte abraço e por favor:
Pode bater mais forte!