quinta-feira, outubro 16, 2008

OS SINAIS DA AUTORIA

Estou dando minhas cinzeladas (usa-se cinzel na madeira?) na segunda cabeça de boneco, na deliciosa caixeta, madeira boa para esculpir que o índio sabedor ensinou ao branco e por sua vez, ao amarelo...
Corta aqui, talha ali... faz a bochechinha, bem gordinha; faz a orelhinha um pouco acima do nível humano (tudo bem, será uma caricatura...) arredonda o topo da cabeça e... um macaco! É terceiro macaco. E fiz sem perceber. Inconsciente. Mais um macaco num espetáculo meu! Estou transtornado. Já ouço as vozes críticas: mas só faz macaco!
O que fazer?
Martelar a escultura?
Está taaaaaaaaaão linda!

O que se pode fazer?
Mesmo quem cria, é vítima da matriz, de sua identidade cultural. Por mais cosmopolita que seja. O autor sempre vai produzir dentro de um sinal pessoal. Fazer algo novo? Um produto original? Não acredito que consiga. Se fizer , pode procurar, que é cópia.
Assim, nesse mundo de crise econômica, quem fornece originalidade copiosa é o produtor, aquele que contrata criadores, autores, financia a produção (não direi :suga, explora, avilta; esse inaudito jargão de esquerda), e quando o finaciamento acaba procura outro autor para alimentar a avidez da crítica, sempre voraz para o novo.

A massa, não. A massa quer o de sempre, o arroz com feijão. Por isso, quem cria e agradou uma vez, fica sempre com aquilo, agradando sempre. Foi o que aconteceu com a música. É o que acontece com o teatro. E não adianta reclamar.


ANEDOTÁRIO


Na Santa Felicidade, bairro onde moro, tem um açougue onde sempre compro bistequinha de porco. Lá tem a bisteca branca, que dizem ser de porco. Quando a bisteca é escura, dizem ser de porca e é dura. Para mim a carne escura é carne velha, enfim, é o que o açogueiro, muito simpático, diz:
- “Bom dia!” diz.
- “Bom dia! Tudo na santa paz?” digo.
- “Aqui, tudo na Santa Felicidade!”

Lembrei dessa somente hoje, dia seguinte:
Andava eu, o anderson Gangla e o Luiz André pela Santa Ifigênia. Luiz André cheio de remorso quiz dar um mimo em retribuição às chaves de fenda e um martelo que comprei para o barracão deles.
-"Olha Jorge! Essa moeda comemorativa dos 100 anos da Imigração japonesa. Acho que tem tudo a ver contigo, com os teus ancestrais, aqueles que vieram naquele navio... olha o navio aqui na moeda, o Tupac Amaru!"
Sempre achei, e agora tenho certeza, que pro carioca japones, chines e inca era tudo igual.


Um pouco humor sórdido:

Sabe um processo para tornar a arte de uns velhinhos, patrimônio imaterial? É uma batalha longa que sendo travada desde a década de setenta.
Enfim.
Um cara aqui em Curitiba, recebeu R$2.700,00 para fazer “pesquiza (sic) teatral sobre mamu... para o governo do estado de Pern...; e ainda recebeu mais R$3.000,00 para: “custeio de alimentação teatral”. O detalhe é que o distinto indigesto mal terminou o “gimnnázio”.
Desculpem. Dessa quem rirá sou eu: ahahahahahahah!

2 comentários:

Sergio disse...

Aquela frasesinha batida do barro fazer o que ele quer não é tão sem propósito. Dentro das pedras de mármore ou mesmo da tua caixeta, no futuro (ou futuros, já que são infinitos), já estão esculpidos os macacos e quetais, a gente só não sabe disso ainda porque ainda estamos aqui e agora.

Saindo da física para a meta: por outro lado, o espírito do rei macaco safado te pegou e está zuando com tua psdeudo-consciência.

Acredita no que qué quem qué...

Jorge Miyashiro disse...

É isso ai...
Não entendi nada, mas é isso aí!!!!