terça-feira, outubro 21, 2008

MONDAY´S FURY

Na saudação ao ligar meu celular nada de “oi”, “bom dia” , “você é demais”... nada disso. Programei um “pense bem”.
Para começar um dia “pense bem” antes de fazer, no que vai dar. Claro que não dá para prever tudo. Mas tentar já é um exercício de boa fé.
Ontem , segunda-feira foi um dia de “pensar bem”. E olha, eu pensei.

Começou quando liguei pro Sergião (no mesmo celular do “pense bem”) para cobrar uma cervejada durante o previsível empate de São Paulo e Palmeiras, e meu comparsa comunica que está quebrando o pau com a esposa! Tudo bem que era um Sunday´s fury. Mas nada como um bom quebra-quebra de domingo para começar uma péssima segunda-feira. Ó sim!
Tomei um ligeirinho, segunda-feira, 14:00h, lotado, para uma reunião na Fundação Cultural. Em pé, escuto um imperativo: “alguém, aí, dá lugar para o homem com o bebê no colo!” Esse foi o toque da alvorada para a segunda braveira que se descortinava a minha frente. Uns bons 5 segundos e ninguém mexe a bunda. Um passageiro então cede lugar. Perfeito, não fosse a forma deseducada da mulher que mandou alguém ceder o lugar: um por favor não ia fazer mal, né?
Toca o celular (...) e a reunião está cancelada devido a falecimento de colega... e agora? Desligo e a idosa sentada cede lugar a um senhor, bem vestido, cheiroso, pacífico e com visível sinais de distúrbio mental. O senhor dá um escarro sem cuspir e introduz dois dedos na boca para verificar a consistência do muco, em seguida devolve para aboca. Tudo higiênico (não tocou em nada, em ninguém!). Estava num lugar em que as cadeiras são voltadas uma para outra e o garotinho sentado a sua frente ficou perplexo. A mãe deve ter luxado as costas porque ficou virada o tempo todo para outro lado, asco impresso na cara. O homem, por sua vez, ficou intimidado, mas ele tinha a incompreensão dos seus atos e continuou escarrando alto e verificando o muco.
Da minha parte refletia sobre aquela situação, na situação do homem. Já vi muita secreção corpórea e é preciso uma quantidade razoável para virar meu estômago.
Não para os manos atrás de mim que decepcionados ou satisfeitos com algum jogo entre o grêmio e o Coxa no fim-de-semana, pararam a conversa para se indignar com o homem:
-“Mas esse cara deve estar limpando o intestino!”
-“Porco sem-educação!”
-“...É e se achou ruim, pode levantar. Minha profissão é perreio (?!)”.

Pronto era tudo que precisava, ficar na linha de tiro do “perreio” entre uns manos e um deficiente mental!
E foi.
Os manos provocando entre a praça 29 de Março até a Matriz.
Quando estava chegando na Matriz eu me viro para sair e vejo quem era os “mano”: um gordinho todo fofo, risonho e um bravinho de cabelo espetado, o que mais provocava. O bravinho era baixinho devia ter uns 15 anos, as mãos eram mais finas, brancas e lisas que daminha esposa! O bíceps do menino era meu pulso. Nooooossa, que vontade de dar naqueles moleques (pense bem!!!!). Fiquei na vontade e sai.
Bom no saldo geral do dia, posso dizer que saí vivo, do pai que me encochou e não se desculpou, do desmemoriado que ajudei a lembrar que o filme que ele queria era o do Michael Douglas e não agradeceu.
Ah, e tudo isso que antes amargava minha boca, hoje serve apenas de pretexto para postar esse blog.
Afinal, estou em Curitiba!

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