sexta-feira, outubro 31, 2008

ESCRAVIDÃO, PROPRIEDADE E POSSESÃO.

Quando se faz um ranking que elege a bunda e a loira top de preferências sexuais masculinas no Brasil, isso deixa de ser um jogo inocente. Quando se compra uma revista pornô ou um dvd o consumidor está tomando posse daquele corpo, mesmo que o corpo seja uma cópia do corpo original. Se a Gisele Bundchen ficar pelada, milhares de compradores disputarão nas bancas e gôndolas o “clone” da modelo. Na Escravidão, se fazia a mesma coisa com os índios e negros, vendia-se os corpos de povos tribais, “incivilizados”,” incapazes de comungar, confessar e proferir a palavra de Deus”(!); portanto, muito próximo dos animais, portanto comercializáveis. Na antiguidade clássica, gregos, romanos escravizavam artistas, professores, advogados, a classe média atual que consome os clones de modelos nas revistas pornográficas.
Chega a fazer pensar que apropriar-se do outro é um instinto natural!
Deve ser por isso que agora a coisa está dando o que falar: crimes passionais. E quando é um crime passional, perdoa-se? Só se perdoarem crimes de escravidão, cárcere privado.

Por falar em crimes polêmicos de onde sai tanta gente querendo linchar os criminosos? Acho que alguém criou um serviço chamado LINCHENOW ltda. (tecnologia chinesa com a melhor opção de tortura; experimento nosso palitinho de bambu debaixo da unha...)
Uma kombi leva até às delegacias todo o pessoal contratado para fazer aquela pressão sobre o criminoso:
-lincha! Lincha! Lincha!
Eu se fosse um criminosos não ficaria feliz com menos de 1000 pessoas querendo me linchar. Levando em conta que a média de público que aparece nos espetáculos da Fundação seja de 30 pessoas; numa escola 4000 crianças.
Mil linchadores seria a glória!
Quanto será que cobram...????

Estive fora do ar por motivos de levar o pão para casa. Embora na verdade, tenha levado só o trigo. Melhor ainda, nem levado, mas plantado aos quatro ventos. “Jogado” seria a palavra ideal e se plantar, plantou!
Foi um trabalho danado, idealizar e preparar o projeto, escolher as pessoas, envolvê-las, motivá-las e o mais difícil: pegar as assinaturas.
Eu gosto de trabalhar com pessoas. Adoro grupos. Há uma energia incrível (quando há energia) em trabalhar com grupo. Mas ultimamente tenho encontrado muito pouca disposição nas pessoas. Parece que quando envolve dinheiro, quando tudo deveria ser a melhor fase, as pessoas se desanimam, ficam num bode arrastado tremendo!
Por isso e para ganhar dinheiro tenho planejado o desenvolvimento dos projetos de uma forma que haja a menor presença física possível. Parece um paradoxo, mas arte virou comércio.
Palavras impensáveis na década de 70 para a Arte, como: prestação de serviços, produto final, agilidade, custo e benefício são simplesmente o eixo principal das relações entre os “profissionais” da arte.
Uma vez, um bonequeiro amigo disse que a maior conquista pessoal era trabalhar sozinho, sem precisar de grupo. Eu já falei que uma das razoe de preferir trabalhar com bonecos a atores é que, finalmente, posso desenvolver uma idéia de teatro. Com grupo tinha de destruir a idéia inicial, improvisar e negociar todos os aspectos considerados impossíveis de realização com os parceiros.
Com bonecos eu faço e pronto!

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