domingo, setembro 14, 2008

ORLANDO FURIOSO

O Grupo Sobrevento prepara a estréia paulistana de Orlando Furioso. Por enquanto faz apresentações na região metropolitana de São Paulo, para fazer ajustes no espetáculo.
Sobre a obra de Ariosto, o Sobrevento recebeu das mãos de Eduardo Amos (o obscuro mestre do Truks e Cidade Muda) um texto incompleto. Pesquisando, descobriram um épico sobre as Cruzadas, “uma novela inteira!”, como disse Sandra Vargas.
Escolheram o puppi siciliano, pesados bonecos tradicionais da Sicília para encarar o Orlando Furioso.
Na sede da companhia, um pequeno galpão no Brás, pude ver esses bonecos. Esculpidos em madeira caixeta, haste de aço presos na cabeça, um fio ou dois atados na mão. Alguns bonecos preparados para a guerra ostentam armadura, escudo e espada, e são preparados para o choque de uma escaramuça.
Durante o ensaio, tentei dar um “palpite” sobre a manipulação de algum boneco. Achei que deveriam, somente por um momento, suavizar o gesto, dar um tempo para digerir o texto. O “palpite” foi rechaçado! Não querem arriscar fazer um espetáculo parado e chato.
Informe-se em www.sobrevento.com.br

Infelizmente, saí no meio do ensaio para um jantar grego, num restô do Bom Retiro, o Acrópole. Na verdade é um boteco, ou aqueles restaurantinhos portugueses, em que o dono é um velhinho. E o dono do Arcádia é também um velhinho. A entrada foi uma salada mediterrânea, simples, mas com um pãozinho, uma lula e uma azeitona digna de um jantar olímpico! O carneiro estava passável...

No dia seguinte visitei a Cooperativa Paulista de Teatro.
Em 92, conheci a sala da CPT na Major Furtado (acho...). Parecia banca de despachante fim de carreira. Hoje, tem recepcionista, baias de tele- atendimento, um monte de funcionários. Eles compraram um andar inteiro num prédio perto da pç. da República. Virou potência.
O Luiz André falou que ali em Sampa, os artistas conseguiram se unir e dialogar pensando num projeto futuro. Abdicaram de magoarem mutuamente, coisa que ainda é corriqueira aqui em Curitiba. Portanto está longe, muito longe, a chance de alguma coisa funcionar direito no coletivo paranaense.

Voltei ao galpão do Sobrevento, e estavam arrematando um projeto de apresentações nos parques da Zona Leste. Tentei me enfiar, mas não deu. Eles estavam trazendo gente do interior de São Paulo, Belém e de outros lugares. Trabalho, trabalho e mais trabalho.
O Anderson Gangla, mostrou-me uma cabeça de puppi esculpida em caixeta in natura. Fiquei louco de vontade de experimentar trabalhar caixeta. Achava que era muito mole, como balsa, mas não. Bastaria dar uma cobertura firme de cola e intertela que ficaria um aço!
No entanto, como é madeira protegida, não consegui achar a menor pista de onde conseguir uns cortes de caixeta. No google, só dá uns tais de Caixetas, que fizeram de tudo nessa vida e não os quereria como amigo...

São Paulo é tão São Paulo, que até os produtos da pirataria são de melhor qualidade. Achei Kung Fu Panda, Homem de Ferro, O Cinturão Vermelho (David Mamet) com menu , assistíveis e impressão na face do dvd, com o mesmo preço do terminal da Santa Felicidade. Coisa de São Paulo.
Ah, você é a favor da pirataria? Não! Mas também não sou a favor dos lucrativos golpes industriais que restringem o consumo justo.

São Paulo continua a ser aquela nau que deveria ter naufragado na virada do milênio. Onde se tem o pior da vida, e onde se pode conseguir tudo que uma vida tem de melhor.

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