quinta-feira, setembro 04, 2008

FOME DA PEQUENA FAMA

Tenho um sobrinho de 11 anos, em São Paulo, que vira para os colegas diz, "meu tio é famoso!" Claro que apesar de famoso os coleguinhas do meu sobrinho não foram tocados pela iformação da minha fama. Isso aconteceu porque a TV Sesc deu-me o privilégio de registrar imagens e algumas opiniões no programa Balaio Brasil, em 2003, acho. Por mais inacreditável que seja, meu sobrinho fez parte da audiência desse programa e para ele tornei-me digno de configurar no panteão da fama.
Pode-se escreveu um tomo partindo dessa premissa de que a fama é relativa.
Numa longa viagem de São Paulo a Bauru, passei cinco horas ao lado de um marceneiro, radialista pirata e locutor de festival de rock´n roll indy. O cara se disse famoso, pois, apareceu no canal 48!!! Um canal da vhf paulistana. Desculpe, mas eu não o conheço; e virei de lado, forçando um fio de baba no canto da boca, fingindo dormir...
Claro que eu gostaria de ser mais reconhecido. Não muito. Não a ponto de, sentando na mesa do boteco, parar de contar uma piada porque tenho de dar autógrafo, ou ouvir que fulano tem um projeto que é minha cara. Na verdade acho que só queria o dinheiro que a fama trás. A fama eu daria para outra pessoa.

Estreei o VISITANTES INCOMUNS em Curitiba, no Teatro da Maria.
Foi uma ótima primeira apresentação. Poucos erros. Preciso aumentar o repertório de coreografias de manipulação dos bonecos e refazer alguns defeitos na trilha.
O público.
Comecei com sala cheia. Metade da platéia ficou. Outra saiu no meio da peça. alguém disse: - ...tão conceitual que nem as crianças entendem."
Da minha parte nem eu quero entender. Mas fico imaginando o que pessoas desse tipo vem fazer num teatro gratuito na periferia da cidade?!
O que desejam está nas grandes salas cujo ingresso é R$20 ou R$30,00!
Alí, temos a oportunidade de pesquisar ou experimentar novas formas de linguagem bonequeira, pagos pelo edital da Fundação Cultural, cujo resultado é oferecido à população sem custo direto. E foi o que fiz.
VISITANTES INCOMUNS é a obra máxima da Miyashiro Teatro de Bonecos. Foi o melhor que pude fazer até hoje. O espetáculo é franco, direto e sincero. Não há excessos, gordura e hipocrisia. O tempo de duração de 40 minutos é onde consegui chegar.
A trilha composta por Rodrigo Grigoletti é um jazz inspirado, construido para dar suporte e não competir com o espetáculo. Justo, métrico e belo!
Sem palavras, cada gesto dos bonecos exprime um sentido.
É uma peça sem arroubos, gritos e artistas desesperados em não perder a atenção das crianças e acompanhantes.
Nele há elegância, discrição e delicadeza.
Não me interessa esse público muquirana que se entedia com cenas elaboradas.
Afasta de mim essa gente!


Hoje não tenho frase de efeito

Um comentário:

Eraldo Rosa disse...

Agora tenho certeza. Você vai apresentar neste domingo dia 7, né?! Vou tentar levar meu sobrinho lá! ahaha

abraço