segunda-feira, setembro 22, 2008

DANDO A MÃO

Por falar em processo criativo estou entrando em um.
Uma estudante de artes plásticas da UNESP mandou-me um email pedindo algumas impressões sobre este estado estético, em que o artista se empenha e emprenha de energia criativa para a realização da obra...

Estou começando pelas mãos.
Mãos de bonecos.
Há dois meses, cortei uns 26 cubos de um grande bloco de isopor, não muito tão adensado, para fazer treze pares de mãos. Um estoque para o espetáculo seguinte ou uma encomenda.
Com estilete dei os primeiros cortes em todos e ficaram até agora parados em um saco plástico, pendurado numa prateleira. Depois disso viajei, tratei de outras coisas, sempre lembrando que queria arrumar uma caixa de papelão para proteger as “mãozinhas”. Nunca lembrei de pegar essa caixa.
Antes de ontem decidi que deveria voltar a trabalhar as mãozinhas. E procura, procura , já estava desencanado quando encontrei o saco. Havia um monte de coisa em cima. Nem sei como não quebraram!

Comecei a trabalhar, detalhando mais as esculturas. Vou fazendo a coisa meio seriada, para manter um padrão mínimo. Vou cortando até um certo ponto. Para não perder a sequ~encia de cortes. Mas estou querendo desistir... Os blocos ficaram grandes. As mãos estão imensas!
É que eu estava pensando numa comédia, mas agora quero fazer algo mais poético. Além do mais vi um dvd do Yuen Fai, irmão do yang Feng e voltei a vibrar pela luva chinesa.

Fazer mãos é um saco.
Fazer cabeça não. É mais legal. Esculpir as expressões. Cabeça é tudo no boneco.
As mãos dão um trabalho fazer dedinhos, cobrir de tela e cola, lixar os cantinhos. Nunca fica bom. E depois, no boneco as mãos nunca ficam naturais. Fica aquela coisa espichada. A gente queria que fosse expressiva , mas ela fica parecendo uma alfineteira.

Sempre tive trabalho com as mãos.

Sempre estou refazendo o conjunto de mãos.
Eram fechadas, em punho, mãos de fantoche chinês.
Depois abri um pouco mais. Ficavam entreabertas.
Hoje estão espalmadas. O problema é quando o boneco tem que pegar alguma coisa. Vai sempre pegar com o pulso. É muito difícil encaixar uma mão esculpida em algum objeto. Não sou tão organizado assim. Faço o boneco, e depois faço os adereços, sem medir, nem calcular nada. Se encaixar , encaixou. Para pegar pega com os pulsos mesmo, dane-se!!!

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