segunda-feira, setembro 22, 2008

CARACTERIZAÇÃO DO PERSONAGEM

Desculpem!
Eu falei que o Brian Ferry tinha língua presa.
E que ele, por causa disso deveria ser modelo, posar para fotografia.
Nunca gravar disco etc.
Pura maldade, claro!
Se ele acha que pode gravar discos e se eles vendem pra caraco, quem sou eu para dizer o contrário? Aliás que valor tem o comentário de um nipo-brasileiro dizer se ele deve ou não mudar de profissão?
Aliás estou ouvindo agora o Brian Ferry no mp3 enquanto escrevo isso aqui...
Ouvindo as deliciosas músicas da minha juventude... cantadas com a língua presa que eu pensava ser sotaque...

Qual o problema do cara ser fanho e fazer teatro?
Nada, desde que faça papel de fanho em comédia, ora!

Qual o problema se ele for anão fé quiser fazer o papel de um líder histórico?

Se ele não estiver preso ao próprio clichê do seu nanismo físico, pode, não pode? Sem metafísica alguma.
Quem disse que os líderes eram gigantes? Hitler era um anão. Santos Dumont, Ho Chi Mi, Lênin, César devia ser um hobbit; Kublai Khan era. Todos os samurais eram pequenos... Como sempre, depende. E dependendo, sempre pende para a limitação de talento, do cara. Ou seja querer nem sempre é poder.

Que posso fazer?
Preconceito estético, limitado senso se avaliação. Mas a verdade é que certas posições, decisões, são intoleráveis.
Eu por exemplo. Jamais faria o papel de Júlio César. Acho que Aníbal até não sairia feio. Mas como ficaria Jorge Miyashiro de Oscar Wilde?

Foi assistindo Mahabharata do Peter Brook, e testemunhando Vitório Mezzogiorno como Arjuna, que veio a luz de que tudo em teatro é possível! Se um branco latino podria ser um guerreiro hindu, porque o contrário não seria interessante? Jesus negro em Auto da Compadecida, não ficou legal?
Mas nem sempre é assim.
O físico limita e a falta de versatilidade mais ainda.
Já no teatro de bonecos, sinto-me um pouco mais livre.
No TB já fui uma mãe índia Karajá, Heitor Villa-Lobos, Mozart e um macaco azul...!
Já fui monstro, negro, samurai, mestre de kung fu, Dionisos, Lilith...

Mas jamais fui Tarcísio Meira nem Édson Celulari.

O que quero dizer é que posso me transformar em qualquer um e em qualquer coisa na mitologia e no sonho do mundo, mas não posso ser um mítico flagelo diário dentro das casas de milhões...

Isso foi maldade...
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2 comentários:

Sergio disse...

Bem, veja aí o Lula, que teve que se adaptar ao papel, e que tinha dez metas principais, mas baixou pra nove por falta de mindinho.´

Jorge Miyashiro disse...

Ahahahahaha!
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Que infame!