segunda-feira, julho 28, 2008

EDUCAÇÃO E ARTE

Ouvi dizer que algum ministério da educação vai tornar obrigatória a cultura na grade escolar. A cultura... Agucei os ouvidos e soube que por cultura entender-se-a teatro, pintura, música etc.
Lembrei do fator deslumbre. Certo tempo atrás era um rapaz muito curioso e determinado. Sendo brasileiro, menino lutador, não esperei a utopia realizar, fui em busca da minha formação cultural. Achei que o balé preencheria essa lacuna cultural.Inscrevi-me para aulas de balé! Why not!
Fiz uma ano de balé clássico na Academia Yola Guimarães, em Bauru. Não aprendi nada em um ano, somente que há muito mais para se aprender. A dona Yola era muito bondosa e me colocou para ensaiar junto com as meninas do Grupo Imagem, a tropa de elite da academia. Boiei, sofri e não venci.
Com o Grupo Imagem fiz algumas viagens interessantes. Com elas, as bailarinas, passei uma semana deliciosa em Joinville no Festival de Dança daquela cidade, em 1986 ou 85, a memória me falha. Assisti às coreografias de outras academias e achava tudo maravilhoso. Algumas concepções diferentes, novas, experimentais... E quando confrontava com a Yola ou com as meninas, elas faziam alguma ressalva ou ficavam reticentes, sem se impressionar. Eu ficava desorientado.


A mesma coisa aconteceu no teatro de bonecos. Quando iniciei-me nesse universo, e assistia algum trabalho que achava interessante, lá vinham os veteranos demolir meu maravilhamento.


E trampando em Portugal, comento meu maravilhamento pela voz de Tereza Salgueiro do Madredeus, heis que os irmãos d´além mar execram a rapariga!
Tento uma Eugénia Melo e Castro e elas sacam uma tal de Mariza, ou Xutos e Pontapés ou algum outro ou outra fadista inaudível para minhas delicadas membranas brazucas. Ora pois quem está certo?


A cultura está assim. Um “maravilhamento” de uns e a iconoclastia de outros (aprendi ouvindo Tears For Feas que a revista Bizz adorava demolir).
Mas se for a cultura social. A música do gueto, o teatro dos sem-alguma-coisa-em-poder-daqueles-com-capital, o coral pictórico dos cegos, surdos e mudos; fica tudo no consenso.

Esse tipo de CULTURA PROTÉTICA. Uma arte que serve para remendar, completar, solidarizar alguma ausência.

Mas cuidado! Não vá muito fundo, tirando conclusões, fazendo descobertas pois sua audiência vai achar que você está se tornando muito prolixo, loquaz e há no mundo um universo de outros artistas protéticos a espera de uma subvenção.

E a grande expectativa em relação a essa cultura na grade escolar. Que vai dar mais empregos ao pessoal de educação artística, e claro, as crianças vão gostar, sim ,será muito importante para as crianças.
Engraçado que alguém que mergulhe no caminho da produção cultural, hoje está correndo atrás de pós-graduação! Perguntei a um desses novos doutores culturais por quê? Respondeu: para garantir, né!
Parafraseando mein freund Sergião: Doutor é quem menos sabe, porque está sempre estudando. E se está estudando é porque ainda não sabe... Algo assim.

É por isso que entre os timbres de Portugal à Argentina só consigo ouvir a Tereza Salgueiro. Só. De resto, adoro Slave to Love com a língua presa por um aparelho ortodôntico do Brian Ferry. Amo a s baladas viadinhas do Pet Shop Boys, Echo and the Bunnymans; e para que não me deportem estou apaixonado pela Mariana Haidar. Que professorzinho de cultura vai ensinar isso?

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