sexta-feira, abril 18, 2008

CRÍTICA, ORA OS CRÍTICOS.

Ainda aquela questão de peças ser boas ou não.
Supondo a boa fé do diretor que montou um espetáculo, temos ali no palco o seu ponto de vista.
Posso não gostar.
Mas é a maneira que ele traduz sua percepção.
É um código individual ; às vezes pode parecer hermético, pode parecer simplório. Mas é o acento de sua fala, assim, passível de censura, caso o discurso ou sotaque não seja uníssono com o da elite brilhante.
De todos os modos, trata-se da velha homogenização da linguagem.
O crítico nada mais é do que o capataz de um determinado interesse sócio econômico.
O refinamento do crítico se desenvolve com as cabeçadas que leva nos confrontos verbais. Neles, desenvolve as fibras do bom tom. Como um boxeador, acumula prestígio a cada vitória. Quanto mais nocautes mais confiança adquire. Cada vez mais se sente estimulado a estudar, acumular argumentos para municiar-se nos futuros confrontos.
Só que ao invés de fortalecer a si próprio, o crítico ao contrário do boxeador, fortalece a aliança com uma restrita faixa de opinião, culta, rica e bonita (às vezes não). É para eles o que diz dos outros que estão de fora. Ataca impiedosamente o estranho e acaricia o condizente.

Sejamos justos. Há críticas que fazem pensar.

Estava no Festival de Teatro de Bonecos de Curitiba e após apresentar Brisalenta, ouvi uma colega dizer que o filho não havia gostado. Estava enfadado por ser “...mais uma peça com diabo”. O menino de 13 anos estava exercendo seu profissionalismo crítico ao não encontrar nenhuma peça com uma boa nova, que proporcionasse um escapismo, uma esperança uma redenção para humanidade, a sua humanidade.
Sim, minha peça tem uma cena com um diabo, pois é uma homenagem ao fantoche tradicional. Aliás eu presto homenagens em todos os meus espetáculos. Sou muito solidário. Mas veja. Homenagear não é copiar. Ardorosamente procuro novas versões para temas tradicionais. Afinal que novidade há na humanidade? Sempre será isso: romance, tragédia, comédia... faltou alguma coisa?
Disse apenas para o menino: -“mas meu diabo é diferente, não?” ele não concordou.
Mas opa! Aquele menino estava me peitando na cara dura.
Por quê?
Ah, claro! Criança vazando “assuntos internos”. Denunciando a mesa de jantar da família, onde segredos irreveláveis à sociedade, devem permanecer trancados. Heis que a criança em sua ingenuidade revela o assunto interno da mesa de jantar...
Todo mundo tem seus “assuntos internos”.
Eu não gosto do teatro de alguns amigos.
Muito menos de outros inimigos.
Ao mesmo tempo que fico inconformado com a beleza do trabalho de alguns crápulas...Quanta injustiça, meu deus!
Do que não gosto, posso achar detestáveis certos aspectos. Não faria daquela maneira, faria de outra etc. Revelar isso não é legal. Não vou doutrinar o coleguinha a fazer como eu faço. Coisa mais feia. Se pedir uma sugestão, eu mostro como eu faria; eu. Mas o melhor será fazer do seu jeito. Então, todos ficamos quietos. Dizemos apenas que gostamos ou não gostamos e pronto!
O crítico não.
Escancara os assuntos internos dele e impõe a lei marcial da KGB estética. Vigiando todos os passos suspeitos, todas as reuniões, todas as manifestações. Nada escapa do seu monitoramento. Tem opinião e juízo de tudo e de todos.
Não é preciso muita divagação para projetar o que uma pessoa assim fará com um veículo que dê ressonância a suas cordas. Esse animal faz o estrago!

No fim, o que há são panelinhas. Umas melhores que outras. E um monte de gente tentanto pular para essas...

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