terça-feira, março 18, 2008

FANTOCHE E MÉTODO

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O teatro de bonecos com fantoches exige um grande esforço físico.
Dos músculos são exigidos força isométrica, isto é, um esforço na manutenção de uma posição que são os braços elevados.
Quem manipula marionete à fio necessita de apenas um treino abdominal para manter a posição de “garçom que serve a mesa”, já que os braços ficam a altura da cintura. Outra técnica comum é a chamada “bunraku” ou transversa onde basta uma conversa com o cenógrafo para que construa uma mesa ergonômica; além de que se alguém se ferir durante o show, os outros dois podem se viram muito bem.
Com fantoche não há exercício abdominal nem cenário que ajude.
Uma apresentação de 45 minutos de um solista, significa um desgaste energético de 45 minutos de braços elevados, abaixados e elevados novamente, manobras, trocas de bonecos e do mecanismo vocal.
Luxações, e até lesões mais sérias na região dos ombros, nuca, entre as omoplatas, a coluna cervical, lombar, os braços, pulsos, não são incomuns.
Então, fazer teatro de fantoches é: ame-o ou esqueça-o e jamais tente isso novamente!!!


Mas se sua paixão é irrefreável, como a minha, o melhor é fazer um preparo.

É importante ter a propriocepção funcionando.
Para tanto o treinamento.
Quando se fala em treino, para um elenco que crê-se talentoso, é difícil estabelecer uma rotina de trabalhos, quanto mais algo que desperte a percepção de si mesmo.
O conceito de propriocepção vem da neurologia muscular, em que a fibra muscular tem consciência de algo, independente de outros sentidos como audição ou visão. Quando um músculo percebe que 200g é diferente de 202 g., por exemplo.
Ao iniciarmos um treinamento para a manipulação dos fantoches, iniciamos com pesos suspensos, presos entre os dedos das mãos. Os braços são elevados em várias séries de 60 segundos, intercalados com um descanso de 60 segundos ou mais.
Respirações profundas e longas.
A proposta desse exercício não é aumentar o volume muscular, ficar inchado... É estimular a propriocepção, fazer os músculos acostumarem-se com a posição. A respiração energiza o organismo, estimula a liberação das endorfinas, refreia e acalma o ímpeto.
Sem movimentos bruscos não há lesão.
Movimentos cuidadosos e suaves, são bem definidos e bem vindos à manipulação de fantoches.

Vi muitos candidatos a fantocheiro-solistas pegar os bonecos como se fossem uma metralhadora anti-aérea (sob ataque!), dedos tremendo no primeiro segundo... Coisa de doer só de ver! É falta de propriocepção.
Explica, fala, dá bronca e não percebe. O corpo manda um relatório de que está tudo bem.
Daí se pensa que o mundo está analgesiado demais.
Qualquer dorzinha, toma um comprimido.
Qualquer estafinha (depressão!) toma uma cerveja ou uma bola.
Existe medo dos alarmes do corpo.
Dor é alarme.
É como se criasse uma cachorro e quando ele latisse no quintal mandasse uma pedra no coitado. O problema é o barulho do cão e não o ladrão que pode estar invadindo o quintal.
Simples assim.
Conclusão: para sua segurança, relaxe.

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