quarta-feira, janeiro 09, 2008

O IOGUE





Lendo AUTOBIOGRAFIA DE UM IOGUE, Ed. Lótus do Saber; a vida em sua própria assinatura, de Paramahansa Yogananda.
Havia duas edições diferentes. Muito provavelmente ocorreu um litígio. Esta que tenho em mãos deve ser a edição que venceu. Por isso tenho a versão que suprimiu a outra. Enfim, o autor fala de paz, mas no mundo dos homens o que rola é pau na testa do inimigo.
É um “Harry Potter” bollywoodiano.
Gurus e swamis com poderes extraordinários procuram cooptar discípulos para seus “ashrans”. Existe uma hierarquia entre esses gurus super-poderosos, ou deve ter existido. Hoje não se fala muito deles. Os que existem só tem o poder de falar pra caramba.
Deve haver uma organização, uma estrutura, mesmo que informal, pois recebem nomes de reconhecimento, títulos como: “ Santo de Dois Corpos”, “O Santo dos perfumes”, Swami dos Tigres”, Santo que levita”, “O Devoto Bem-Aventurado Romântico”, “a Iogue que jamais se Alimenta” etc.
Como nos filmes de kung fu, na Índia, os iogues e gurus, meio que se desafiam. Mas ao invés de “convidar” para uma pancadaria, eles se entrevistam e se recomendam mutuamente. Quando estabelecem contato, o possuidor de maior fluxo espiritual, vence o encontro. O derrotado é esmagado pela espiritualidade do vencedor, e se afasta arrastando-se sobre os joelhos, totalmente convencido.
Índia!
Cada país fabrica o grogue que lhe apraz.
No Brasil não tem nada semelhante? Aqui tudo tem que ser na base de Jesus e cipó?
O que dizer sobre um texto assim:
Controla a respiração, diminuindo o ritmo e focaliza sua atenção em um ponto entre as sobrancelhas. E a razão de tudo que foi criado será clara para ti. Todo o sofrimento cessará e todos os poderes estarão disponíveis a ti. Não haverá mais, a necessidade de renascimentos. A união com a divindade bastará!

E aqui ainda se fala em perdão, descansar no céu, viver em paz... Descansar! Parece coisa de escravo. A vida com uma bola de ferro presa ao tornozelo.
Ou horror dos horrores: casa de Jesus, carro de Jesus, propriedade de Jesus.
Não vai demorar para:
Pode olhar, mas essa bunda é de Jesus!
Já é um saco o:
“... minha carreira foi Deus quem me deu!”
Nesse “mistério” católico de que uma entidade fiscaliza individualmente cada fiapo de vida e por isso, tira dos meus inimigos e fornece para mim.

É um grande poder ióguico passar a vida pelado, sentado em lótus na floresta concentrado em uma única sílaba.
Minha vida é quase isso.
Santa Felicidade é quase uma floresta.
Passo o dia inteiro um pouco sentado, outro deitado.
Ouvindo nhén, nhén, nhén.
Darei um passo para a eternidade.
Vou reduzir para: nhén!

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