quarta-feira, dezembro 31, 2008

A TRAGÉDIA DO PALHAÇO


Brisalenta, foto Sérgio Del Giorno/2003


Algum repórter perguntará para o perfil básico da sua carreira, o que o inspirou a tornar-se ator. é de bom alvitre estar preparado, não antes de dar uma pausa dramática, como quem resgata uma reminiscência há muito deixada para trás.
Eu, claro, não farei isso aqui e de pronto vos digo: tinha inveja dos tipos artistas, aqueles caras atirados, tipos exóticos, tomavam conta das festas e animavam a todos. Auto considerado tímido, observava sua maneira, seu modus operandi, para mais tarde imitar, sem muito sucesso. Acho que ainda não tinha a verve, o timing.
Tempos depois, com maturidade antropológica suficiente para fazer uma observação mais ampla, percebi que apenas eu admirava incondicionalmente esses tipos "performáticos"! As pessoas se divertiam, participavam, mas depois, à socapa, comentavam com ironia e até um certo desprezo msobre "aquele tipo performático"...
Mas aí era tarde, eu já era artista. Havia feito um longo apresendizado para ser performático e descubro que nada mais eram do que uns "malas" que faziam todos rirem, mas aquele riso daquele cara que levou a torta na cara, ou que abaixaram as calças exibindo a cueca. Um palhaço no mal-sentido social.
Daí que o palhaço, aquele que foi capturado pela carreira. Tem um componente trágico. Ele é desajustado socialmente e exibe seu desajuste na sua ação, não alardeia, nem clama para sí a graça da cena; porque ninguém se orgulha de ser portador de uma deficiência. A não ser os heróis. A tragédia é a outra face da comédia, mesma estatura. Um palhaço não é o apresentador do circo. E há o tipo performático que se diz palhaço ou "clown", mas não passa de um apresentador bonitinho e engomado.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Benzadeus!


Olhe o deleite do padre!?! É o mesmo que nos fez mostrar o que temos de melhor!
Foto Duda Miyashiro/Botucatu, 2008


A gente marca férias no fim de ano para encontrar a família eo que encontra é aventura e emoção. Tem gente que classifica como "encheção de saco", mas convenhamos, o que é mais emocionante? Saltar numa cachoeira pendurado somente numa cordinha de nylon ou participar das festas familiares de fim-de-ano. é por isso que o Governo faz intensa campanha para festejar sem exagero!!! mas ninguém respeita o Governo e exagera, como eu.
Não contente em só festejar o natal e o reveillon, quiseram batizar o Felipe, nene de 2,5 anos. O que poderia dar errado?... Deixa eu ver... Acho que.... Aam, nada pode dar errado. toooopei, desque que: não tenha que ouvir sermão de padre por não casar no religioso. Escolha minha. Casei no civil. Não está bom? Assumi a encrenca no cartório.
Tudo bem, soube, o padre só abençoa as alianças e batiza o Felipe. O que pode dar errado?
Roteiro apertado. A gente vai até SP (assiste o Sobrevento) sai de lá, vai até Botucatu, abençoa, batiza, festeja o Natal; sai de lá e vai até Bauru encontra outra part da família e festeja o fim-de-ano e volta para Curitiba. o que pode dar errado?
Uhm, Que tal a gente fazer o Natal em Rolândia e o reveillon em Botucatu. Mas e o batismo? "Mas vcs. são f..., está tudo pronto, tudo comprado, o batismo preparado..." Mas estaremos aí para o batismo. "...tem que levar documento, falar com padre...". Tudo bem. Volta o plano original.
Em Botucatu.
Tudo certo? "Tudo".
Não vai levar documento? "Depois leva"...
Ahmmm!
Véspera do batizado, para não falar que no natal comemos frango assado comprado na hora...:
E aí, não vai falar com o padre? "Amanhã a gente fala".
Hoje é amanhã, não vai falar com o padre? Não dá, o padre não dá expediente sábado.
Falamos com ele antes da missa.
Epa! O batizado será durante a missa?!?

chega os parentes de longe, parentes de perto. Um calorão e eu com camisa de manga comprida. Felipe correndo para todo lado.
Padre chama os pais na sacristia. Vai a sogra, cadê o sogro?
Padre chama "todos" os pais na sacristia.
Chii, esse padre vai dar sermão e eu não quero ouvir sermão, faça sua melhor cara.

Padre tem vitiligo, mão macia de quem nunca pegou pesado. Você é o pai? Fixa o olho em mim, sustento e digo: sou! Quem é a mãe? Os padrinhos... é o que estou falando para ela. Não vou casar vocês dois. Não posso casar.
choque!
Não estou nem falando de dinheiro (a igreja não toca em dinheiro),nada. Mas tem que fazer a coisa direito, o processo, só em 2009.
Pensando nos parentes, todos na igreja...
Mas e o batizado?
Sim o batizado pode (ufa, nem foi tão emocionante assim). Mas o casamento não, e não posso abençoar as alianças porque seria casamento e casamento não é assim. Casamento é coisa séria. Nem em 50 anos vocês vão saber o que é casamento (lição de humildade!).
Hora do sermão!
...e vocês são amasiados (!?), não podem ser padrinhos de batizado... sai.

Que tal um pouco de emoção? Pular sobre o padre Michael Jackson e estrangulá-lo com a batina? pense nos parentes, pense nos parentes...
Voltamos com o melhor sorriso e explicamos a situação. Sem casamento e um obscuro batizado durante a missa. Sentados no meio da audiência, como ele fará para jogar a água da pia batismal? "Liga o sprinkler" sugeriu minha irmã...
Começa a missa, padre entra em cortejo pela porta principal, glória!
Padre: irmãos! Devemos orar, neste fim-de-ano... (silêncio)...(longo silêncio)... estou quieto aqui para dar tempo para vocês fazerem a reflexão (ah, bom, pensei que deu tilt no padre).
"Pais e padrinhos sentados aqui na minha frente". Esse padre está pedindo...
Reza a missa.
O bom da missa é que se tem tempo suficiente para planejar todos os lances de um ataque ao padre. Se ele falar assim, eu faço isso. Se ele falar assado, faço aquilo. Se ele der um croque no Felipe que está subindo no altar, faço o que nem sei o que faria!
E agora vamos batizar o Felipe. Mas primeiro vamos perguntar se os pais querem o batismo, quer ou não quer? Puta merda, o que um porra como tu acha? (traduzindo: queremos!)
Então vamos batizá-lo com o óleo bento. E apresentá-lo a comunidade: palmas para o Felipe! Oremos para o Felipe!
Em resumo um carinha de sorte esse menino. Os pais é que se lascam , matam um ou dois lobos por dia e um urso por semana. Sem falar dos piolhos diários. O menino continua lindo. Foi o batizado mais doido que vi na minha vida. Nem aqueles batizados evangélicos de afogar o cara no rio, são mais doidos.
Bom.
Agora estou em Bauru. O que pode dar errado?????????

FUI AO ORLANDO E FOI BOM!


Cena de Orlando Furioso, Grupo Sobrevento, SP/2008



Fui à última apresentação da temporada 2008 de Orlando Furioso, do Grupo Sobrevento, no CCSP.
Trata-se de uma grande produção (para teatro de bonecos), 4 atores-manipuladores, 4 músicos, o sonoplasta e o iluminador.
Orlando Furioso é uma obra de Ludovico Ariosto, a primeira vez que ouvi sobre ela foi na aula de História, na 6ª série, aula sobre o Renascimento, muito en passant, na verdade não li porque o livro nunca esteve disponível nem em biblioteca, muito menos nas prateleiras. Não havia nada de Aristóteles (grego clássico, muito lido na renascença), Maquiavel (20 anos depois li O Príncipe), Gargantua e Pantagruel (Li os dois mas esqueci o autor, antecipou Macunaíma ou talvez fosse descaradamente plagiado pelo Mário de Andrade), Moliére... e por ai
Mas sobre o Orlando do Sobrevento, para mim, essa produção será um marco no teatro de bonecos brasileira, pois trata-se de um legítimo épico. Da mesma forma que há um Bunraku-Zá em Osaka- Japão, um símbolo para os japoneses, o Sobrevento aponta para uma maturidade a ser seguida por outros grupos nacionais na montagem de obras robustas ou os chamados “clássicos” objeto de desejo de todos os atores para alcançar a fase adulta em sua carreira. Resta esperar para ver se é vontade do Sobrevento em tornar-se símbolo nacional, tesouro imaterial e todo esse tipo de coisa.
No entanto há o notório desequilíbrio técnico entre os componentes do elenco, que, resolvi, em minha companhia tornando-se solista. Este desnivelamento das capacidades , fruto, talvez, da diferença etária ou da bagagem de experiências e aprendizados. Luiz André e Sandra Vargas apresentam performance segura nos momentos solos; Luiz André canta uma canção á Orlando Silva com inesperado controle físico e domínio da voz; os meninos ainda estão inseguros: ainda tem medo de errar, ainda não “atiraram-se”, precisam apropriar a parte que lhes cabem neste minifúndio (tratando-se por teatro de bonecos) . Entretanto a melhor manipulação é de Maurício Santana, que manobra o Rei Carlo Magno. Há uma bem equilibrada distribuição de ímpeto e sutileza em sua manipulação. Embora, a direção de Luiz André defenda que o puppi siciliano (ou napolitano) peça o emprego de força, para não entediar o público,Maurício aplicou fúria, ímpeto, pausa e sutileza quando necessários sem causar tédio e brilhando com dignidade.
Tédio é uma sensação impossível em Orlando. Não há cenas contemplativas, tão caras a um pesquisador teatral como eu, leitor de Kierkegaard (mentirinha!). Fúria e ímpeto estão presentes em todo espetáculo. É o motor de todos os atores. A trilha sonora executada por quatro “ciganos” embalam tudo num louco frenesi, numa urgência, arrebatadora e implacável, sem permitir reflexões e titubeios. Esse furor impetuoso, desencadeia uma poderosa energia nos atores, empregada desde em segurar os pesados bonecos de ferro e madeira, até na correria dentro do “submarino” do cenário principal, uma imensa caixa de compensando, que é deslocada, para apresentar a face onde ocorrerá a cena. Os atores a fazem girar em si, de um lado a outro, em seguida, desaparecem em seu interior, para a manipulação dos bonecos, retornam para a cena de atores vivos, giram a caixa-cenário e desaparecem, e reaparecem...
Não fiquei com vontade de fazer um espetáculo de puppi, com varas de aço, o fantoche continua a minha técnica predileta, mas continuo a afirmar, este espetáculo é um divisor de águas para todos nós, atores-bonequeiros.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

CRISE, CRISE, CRISE, ORA... QUE CRISE???


Repreodução não autorizada de " O Ensaio do Prestidigitador" de S.D.


Crise? Eu sou do cinema, adoro close!
Nem estou para essa crise. E quer saber? Tem esse impostômetro em São Paulo que computou R$3.000.000.000.000,00 a carga ganha pelo governo este ano. Aí entrevista o capiau, pô assim não dá! Arrancaram três trilhões do meu bolso? Quem é botou tudo isso aí e nem falou nada pra mim?
E o presidente do Equador que não vai pagar a dívida do BNDS, o presidente Correa. Dá um corretivo no Correa! Agora ele disse que vai pagar, acha sacanagem, mas vai pagar. Se até eu pago meus carnet da Casa Bahia, pq., o Correa não vai pagar? Pagamento é coisa sagrada, nem com propina se dá calote! Paga aí, caloteiro!

Agora é sério, chega de piadinha. Nunca tive talento para contar piada. Meu negócio é drama. Eu gosto de fazer drama. No teatro adora fazer (detesto assistir) um papel em que o personagem é portador de uma angústia insuportável. Tão insuportável que ele apenas se resigna, não derrama uma lágrima. Apenas um respirar angustiado... sufocado. Sem esgares e lamúrias... esse sim, é um personagem. Quase o retrato da minha personalidade.
Não acredita que eu carrego em mim o produto de uma dor insuportável? Só não conto porque aí estaria dividindo minha dor. A dor é minha, tira esse olho gordo de cima dela, porra!

Ah, cara!
Esse final de ano não quero saber de mais nada. Parei com o treinamento, nada mais de fantoche.
Tem escultura para fazer, tem que escolher as cores para pintura, tem que costurar os figurinos, tem que decidir que adereços serão feitos. Tudo para 2009.
Agora só estou tocando violão. Nunca fiz uma aula. Nem sei se a afinação está correta. Mas consegui tirar quatro acordes, que dá para cantar alguma musiquinha de missa de domingo.
Nas missas de domingo iam uma rapaziada que tocava aqueles acordes básicos. Serviam para qualquer música da igreja. Eu achava aquilo maravilhoso. A mesma rapaziada ia nos encontros de jovens. Tinha umas meninas que tocavam bem, principalmente pq. Eram umas gatinhas meigas e recatadas. Mas a conversão cabia a um ou outro rapaz, jovem e maduro, saca? E o jovem maduro tocava aquele acordezinho; pim, pam pom, pim, pam, pom... E com fala mansa ia discorrendo sobre nossos pecados. Eu abaixava cabeça e ouvia o sermão, como ouvia sempre o sermão da minha mãe: “mais um sermão, cacete”. Aliás, o que é que euestou fazendo aqui? Minha mãe mandou eu vir... bom, pelo menos tem umas meninas meigas, recatadas...pim, pam, pom, pim, pam, pom... É cara, eu dou trabalho para os meus pais, tudo bem, quando nascer meu filhote, ele também dará trabalho, só espero não ser um aporrinhador na cabeça dele, pq. ninguém pode ser merecedor de tamanha tortura...pim,pam,pom,pim,pam,pom...Mas como é meiga essa...chorando? (snif atrás de mim) Putz, tem um cara chorando atrás de mim! E outro, mais outro. Putaqueupariu! Só eu não estou chorando! Sou mesmo um pecador punheteiro da porra! Chora, desgraçado, chora, espreme esse olha, faça suco do seu cérebro, mas chora, agora! Chora, pelamor de deus, chooooraaa, pisca, pisca, pisca... pensa em alguma coisa ruim, agora, agora...snif, chu, chu, chuuuuu (puxando gosma do nariz)! Tudo bem, já é alguma coisa, o olhinho está um pouco vermelho, você pode até olhar para alguém e compartilhar. Todos conferindo quem chorou mais, quem é mais cristão... Eu nem fiz muito feio. Puxe um ar raspado no nariz, isso! Sorria!

O negócio é não esquentar.
Quanta culpa já se sentiu nesse planeta. Quanto arrependimento. O importante é ser um bosta, manter-se na superfície. Eu troca tranquilamente uma entrevista na Ana Maria Braga, Jô e Sérgio Gróismann, por uma quantia respeitosa de dinheiro.
Tranquilamente, dispenso conhecer esses caras e outros cabritos montanheses da sociedade glamurosa, para ficar quieto num lugarzinho onde mora a santa felicidade! Eiiita!
Onde mora a Lauriê!
Onde se toma o vinhoto que vem em caminhão pipa do RS. Que não serve nem para fazer vinagre!
Onde as quitandeiras indiscretas perguntam qual a origem do teu dinheiro!
Onde todas as atendentes do varejo são barangas, o que, por contraste, obriga a perceber que sua esposa é um modelo de beleza e simpatia!
Onde os carros andam a 20km p/hora, param o trânsito e não estão nem aí?
Onde todos, invariavelmente, ficam de cara amarrada; te encaram, não cumprimentam!
Onde você não é obrigado a cumprimentar ninguém, nem pedir licença, nem por favor, e como não se aproxima das pessoas, não precisa tomar banho, ou lavar a cabeça nos dias frios!!!!!!
Onde se pode surtar e no máximo, receber um olhar perplexo (para quem não sabe, experimente surtar em São Paulo, vira notícia na Record)!!!!

E por fim. Congestionamento de no máximo 5 , 10 minutos!!!!!!!!
E assim como pode ser que não se saiba que morreu, pode estar no paraíso e não saber.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL MOSCOU 2008

Traduzi esta fala de uma conferencista em Moscou, que rolou em outubro deste ano. É sobre um assunto que já discuti por aqui. Bom divertimento!


TEATRO DE BONECOS PARA ADULTOS: NÃO EXISTE ALGO ASSIM.

Por ANNA IVANOVA-BRASHINSKAYA

Para todos os bonequeiros ao redor do mundo um show para crescidos é sinal de extrema audácia e dissabor profissional ao mesmo tempo.
Ambos sentimentos é resultado de um disseminado, talvez o mais disseminado de todos os equívocos de que o teatro de bonecos é um meio exclusivamente para crianças .
Mesmo na Polônia onde havia Tadeusz Kantor, mesmo na França onde há Philippe Genty, e nos USA onde há Peter Schumann e Julie Taymor – existe uma arte contemporânea que pode ser (mas não tem que ser) enriquecido pelo uso criativo, moderno e desafiador de bonecos, e, então se torna um teatro de bonecos em que a presença do boneco, especificamente, torna-o não-moderno, não-excitante, não-adulto, programa infantil.
Aquele ator bonequeiro que trabalha exclusivamente com público adulto, chama seu teatro de qualquer coisa, menos de bonecos. Teatro de figuras, ou de objeto,ou metamorphose, ou phantasmagoria, visual, experimental,mecânico, ou apenas outro - qualquer coisa que evite a palavra bonec que carrega o danoso estigma da infantilidade.
Na realidade, não há tal questão simplesmente por que não existe tal coisa como de criança, ou teatro de bonecos para adultos. Existe somente teatro de bonecos e não-teatro de bonecos, equivocadamente (incompreensivelmente) entendidos por alguns como para crianças
Incompreensivelmente, porque o não-teatro, disfarçado como para crianças é uma prática dominante no mundo dos bonecos. Em muitos casos é um teatro feito sem preocupações com a experiência psicológica existencial das crianças e suas carências, mas com o perverso, forçado, e o repugnantemente falso desejo de ser próximo a elas e, não obstante, mesmo com bonecos, em ser como elas.
Este é o pior cenário: quando o boneco é usado essencialmente como brinquedo – como o objeto de um jogo, não como a ferramenta do ator. O quê pode ser mais patético que adultos com a fala defeituosa, fingindo ser garotos.
Aparentemente, a presença de bonecos permite aos produtores classificar como teatro de bonecos, mas é um pensamento raso, e não corresponde ao significado de uma das palavras da expressão composta.
É claro, deve haver muita diferença entre um show destinado a garotos e outro para adultos, no sentido de que adultos são diferentes das crianças.
Mas essas diferenças não são relevantes na linguagem cênica (crianças, por exemplo, necessitam muito menos de inovação, porque elas, diferente dos adultos, apreendem o mundo pela repetição, não pela novidade) mas, nas singularidades da percepção de adultos e crianças. Crianças percebem as coisas como ganho; não há necessidade de justificar a presença da empanada para elas, enquanto os adultos não aceitam este necessário grau de convenção teatral, eles precisam de justificativa. Esta justificativa, se olharmos pelo nível básico das coisas, deve ser simples e singular: para os adultos, o boneco é aceitável plenamente quando ele atua em coisas que o ator vivo não poderia fazer. Isto é, quando transporta o assistente adulto para a região da impossibilidade, para o reino do conto de fadas, do mito. Isto não é, imagino, o mesmo que transporta as crianças? O fato de que para a criança o conto de fadas não é impossível, mas, pelo contrário, algo realmente possível, bem conhecido e sabido, não altera a natureza das coisas: o teatro de bonecos tanto para crianças como para adultos é a chave (ou talvez a fechadura) para o mundo mitológico, com o qual, nós todos lembramos dos textos dos livros escolares, a humanidade tentando explicar o inexplicável a partir dos primeiros passos. São somente crianças e adultos olhando através do buraco da fechadura por lados opostos da porta: crianças pelo lado de dentro e adultos pelo lado de fora- mas esta é a única diferença que há.

COMO VENCER A CRISE

Meus amigos, o titio Jorginho vai ensinar para todos como vencer essa crise.
Foi através dos ensinamentos que o odissan Miyashiro, patriarca da família, após o duro treinamento a que passam os samurais okinawanos ( tinha samurai em okinawa???), meu avo chamou-me no mausoléu, onde se oferece o saquê e sushis propiciatórios aos antepassados.
Depois de muito calo nos nós das minhas mãos e calombos no dorso de tanta varada, meu avô transmitiu as preciosas palavras:

“Tá com fome? Come. Tá com problema ? Resolva. Mas não desista. Siga o exemplo da bosta. Seja um bosta. Mesmo que te apertem, mesmo que te expurguem. Bosta nunca afunda! (Nunca testei isso) A permanência é o segredo da eternidade.”

Pois é meus amigos.
Este era o meu vovo! O mesmo autor da frase excepcional: “o saco é o corrimão do mundo”, frase que norteia meu destino e como que impressa à fogo, faz-me torrar uma fortuna em caríssimos cremes para a mão.
Ou então: "a ajuda vem de cima mas o empurrão sempre vem debaixo". Essa frase tem caracteristica oracular e pode ser traduzida tanto para o bem, quanto para o mal, demonstrando a descomunal capacidade do para a lide de assuntos transcedentais.
Quem não conhece a famaosa: "quem não tem cão, caça com gato, mas quem nem tem gato, caça com sapato!" Impressionante a versatilidade do meu avô. É impactante!!!!

Breve , na megalivraria mais próxima, o sucesso de vendas:- “Ametistas do Odissan Miyashiro- Vai, que dá!”

AQUI SE FAZ DO JEITO CERTO- Nº0001

Curitiba parece cosmopolita, mas como qualquer cidade, capital desse país tem traços regionais distinguiveis, embora os nativos teimem em diluir.
Aqui, em nome de um preconceito contra o colonizado, o abastado procura distanciar-se com a aplicação do verniz metropolitano, enfim, toda essa análise antropo-sociológica de almanaque que todos sabemos etc.,etc.

Resta alguns indicios, o erre interiorano, o "e" cantado, algumas palavras como "passeio" (...ande pelo passeio não pela via pública.). Muito pouco perto de uma riqueza perdida para uma diluição carioca-paulistana.

Algumas pepitas restam.
Fui a um armarinho na Santa Felicidade e atendeu-me uma guria, lora, com o jalequinho velho do estavelecimento. Portava um pedaço de papelão, cortado a mão, com o nome escrito com hidrográfica. Escrito na parte escura do papelão, provavelmente porque a parte lustrosa estava impressa com alguma coisa. O nome da guria era Laurie.
Perguntei se ela tin ha familiares ingleses ou americanos.
Ela ficou muda.
Pronunciei seu nome: Lóouri.
Ela continuou muda. Torceu o rosto. Fez um muxoxo. Muda, muda, muda. 15 segundos de mudez. E por fim: nos estados unidos é assim (como eu pronunciei), mas por aqui é Lauriê!
Então estamos discutidos!


PRODUÇÃO ILIMITADA:

Ah! As festas de fim-de-ano!
Estou indo para o encontro fatal com a família. Primos, tios e agregados...
Vamos lá. Espero não ouvir mais algum pitaco sobre ter sucesso na vida, diante dessa crise que está nos ensinando muita coisa sobre ter certezas nessa vida.
EStavam organizando a festinha e amigo secreto já encheu o saco mesmo porque amigo secreto e´caro!!! Imagine, o custo das lembrancinhas!
Então sem amigo secreto (graças a Deus!) pediram sugestão. Eu achei que a gente devia ter uma palestra de um tio que na véspera do Plano Collor sacou toda a sua poupança, foi o único que teve dinheiro na família. Ele nem trabalhava no Banco Central. Achei que esse tio teria muitas coisas para encisnar sobre como lidar com a crise.
Achei que os velhinhos deveriam flar de como sairam de um Japão devastado pela guerra e chegaram num Brasil com selva em São Paulo!
Mas ninguém se manifestou.
Crise é assim. O ônibus cai no rio e as pessoas ficam sentadinhas na poltrona com o cinto de segurança bem preso, por segurança...

Olha só eu falando do que se deve fazer num momento crítico, trabalhando com a lucrativa profissão de ator-bonequeiro.
Eu ficaria muito feliz se meu teatro desse a solução para as pessoas, um bálsamo para as feridas. Isso não é escapismo. Um teatro que amenise o ardor provocado pelos rigores da escrotice que nossos semelhantes inflingem a si mesmos e ao outros.
Ai eu poderia dizer que estou na profissão certa.
Ainda vou aprender a trabalhar com esse equipamento!

O trabalho na madeira está parado.
Faltam os pés.
Só que já não aguento mais o pó de serra. A rinite atacou de um jeito que vou tentar trabalkhar na casa da sogra. Vou encher a sogra de pó de serra! E dizer que se não fizer isso, o neto fica sem o leitinho.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

CURITIBA, 30°

E nessa tarde quente de Curitiba, Felipe estava impossível.
Brinquedos espalhados, virou os móveis (forte como um urso, o meu filho), derrubando a casa...
Pensei: acho que é melhor dar uma passeio com o nene.

Era 15h. Parque? Curitiba estava com um sol de 30°.

Parque não dá. Shopping? Ah, que saco! Shopping?

Supermercado. Vou comprar um brinquedinho chines.
Enchi duas mamadeiras de Ades, Puz na térmica e fomos embora.
Claro que ele ficou feliz da vida!
Fomos ao Carrefour.

Felipe ia pegando três, cinco oito carrinhos e enchia a cesta. Eu ia devolvendo para as gôndolas.
Tarde quente!
No meu celular inscrevi a seguinte saudação: pense bem...!
Quando já estava no limite, entrei na fila do caixa.
Peguei uma conversa entre as duas meninas do caixa.
Algo sobre ingressar na Federal.
A menina que me atendeu, continuou a conversa, dirigindo-se a mim, dizendo que o vestibular só privilegiava os mais ricos.
Verdade! Exclamei.
Basta olhar o estacionamento e verá o perfil dos alunos; só carro do ano.
Parece que ela não percebeu o impacto da minha observação e continuou num monólogo da injustiça social que privilegia os mais abastados.
Consenti que ela estava corretissima.
A outra menina, com fúria desatada, atacou; tudo bem, mas o que não admito é a cota racial, que toma a vaga de gente que estudou...
Olhei para ela, tomado de surpresa com aquela emboscada verbal, preparando o contra-ataque. Recuei.
Pensei bem...!
Estava com o nene. Simplesmente calei.
Porque não interessava mais o que ela e muita gente que toda hora vem expressar esse raciocínio infame. É lei! E acabou. A cota é lei! Dane-se quem estudou e não concorreu pela cota. Estude mais! Ou declare-se negro.
É o tipo de assunto indiscutível. Não há que se debater a cota, mas o aumento de vaga nas universidades. No aperfeiçoamento do ensino. Chega de racismo não assumido.
Que eu saiba em minha família ha pelo menos três gerações não sei se alguém foi acorrentado e submetido a servidão. Fico louco quando alguém profere um simples não, quanto mais abaixar a cabeça diante de um feitor.É por isso que tenho ódio de quem é racista.
Pense bem antes de opinar sobre as cotas e faça as conexões corretas negro-escravidão e cotas, não negro-vagabundagem e cotas...
Vão a merda!
Por falar em racismo.
Sou do tempo da Sony e agora comprei um MP4 Zen chines(!!!!.
O Sony durou 5 anos sem qualquer manutenção. O Zen nem tem seis meses já está na segunda revisão. Ele simplesmente parou: não desliga nem liga. Está lá aceso, sem funcionar.
Estou baixando um programa há duas horas, sem saber se vai funcionar.
O pior é que o mp4 é equipamento dos espetáculos.
E se ele dá uma pane dessa durante uma apresentação?
só para tornar o assunto pertinente ao blog.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

ORLANDO FURIOSO

O Grupo Sobrevento enviou essa merecida reprodução da crítica publicada no blog Cacilda!, pelo Nelson de Sá.
Como já escrevi, tive a oportunidade de ver alguns preparativos e um oitavo de ensaio da peça orlando Furioso. Em breve espero assistir.
Enquanto isso, o sucesso permeia mais uma produção deste fantástico grupo, a quem tenho a honra de ser amigo.


A temporada de nosso novo espetáculo, Orlando Furioso, vai até 21/12/2008. Estamos em cartaz no Centro Cultural São Paulo, às sextas e sábados, 21h, e aos domingos, 20h.
Aproveitamos para divulgar o comentário de Nelson de Sá, publicado no blog Cacilda, da Folha de São Paulo.

02/12/2008

Orlando Furioso

Até o Sobrevento, a única imagem que eu guardava de "pupi", os desajeitados bonecos sicilianos, vinha da segunda parte de "O Poderoso Chefão" _quando o vilão don Fanucci vê uma apresentação na rua, comenta que é "muito violenta" e caminha pela festa católica até seu prédio, onde é assassinado por Vito Corleone ou Robert de Niro.

No dia em que fui ver "Orlando Furioso", encerrada a apresentação, o diretor, intérprete e manipulador Luiz André Cherubini não só convidou o público a conhecer e manipular ele mesmo os bonecos, mas explicou como funcionam e são feitos, um pouco de sua história, seus limites em relação aos bonecos modernos.

Foi uma breve aula prática, que fez com que me envolvesse no assunto, depois, até compreender que "Orlando Furioso" e os "pupi" são bem mais ligados do que parecia. Se juntei bem os pontos, a violência de Orlando e dos paladinos cristãos de Carlos Magno são a própria razão da rusticidade e dos movimentos bruscos dos bonecos sicilianos.

Mas não fui ao Centro Cultural pelos "pupi". Estava em outra fila, uma semana antes, quando vislumbrei na porta de entrada para o Sobrevento, também na fila, três monges. Vestiam batina preta, sandálias, um era mais gorducho, outro jovem. Estavam lá por Ariosto, pela Idade Média, a Igreja Católica, algo assim.

E eu vinha de assistir à "Mandrágora" de Maquiavel, pelo Tapa, no teatro de Wolf Maya. E era naquilo que queria continuar.

(Acabei vendo mesmo a outra peça do Centro Cultural, já havia comprado ingresso. Mas foi bem pouco estimulante, algo que selecionei por ser de algum lugar do Nordeste e se inspirar em Brecht. É o vício por diversidade, que já passou dos limites.)

Precisei esperar o outro fim de semana para encontrar Ariosto e sua crítica relativamente amena, se comparado a Maquiavel, à hipocrisia cristã. Mas ela está lá, no Orlando que rejeita covardemente seu grande amor para atender ao imperativo da fé cristã e do rei sacro, mas não suporta, deixa tudo e corre pelo mundo, até se ver "furioso", louco.

Além da paixão frustrada de Orlando e Angélica, que é também o coração do poema original, a encenação sublinha o conflito de cristãos e "sarracenos", aparentemente para criar pontes com o contemporâneo choque de civilizações, Iraque, Palestina etc. Mas nem era preciso carregar tanto.

Na própria história de amor, criada na Idade Média já a caminho da Reforma e da Contra-Reforma, está o questionamento de Ariosto não só às ordens do sacro império franco, mas a Deus e Roma _ainda que o poema tenha sido dedicado a um bispo, que pouco se deixou tocar.

O que mais permaneceu do espetáculo, por outro lado, foi a impressão deixada pelo rigor e pela riqueza do Sobrevento. Eu já devia saber que não tenho mais paciência para a diversidade em si _e que é a amplitude generosa de trabalhos como "Orlando Furioso" que mais instiga, que estimula a seguir novos ou até rever caminhos esquecidos.

Da música que dinamiza a cena ao cenário engenhoso de André Cortez, que ajuda a trazer para o presente o que poderia ser excessivamente respeitoso, até museológico, a peça vence as limitações eternas do porão do Centro Cultural _e ultimamente a falta de funcionários, o abandono das salas etc. É um espetáculo nada nada século 16, como o poema, ou 19, como seus bonecos.

Também importante, para tanto, é que Sandra Vargas, o próprio Luiz André, Maurício Santana e Anderson Gangla preenchem com veia cômica bem desenvolvida quase toda a apresentação. Para não falar da habilidade na manipulação de objetos tão pesados, com seus duelos de espada, suas cabeças cortadas.

Escrito por Nelson de Sá às 23h30

FIQUE ATENTO!NÃO CULPE A CULTURA PELO FURTO DO RENDIMENTO







A todo momento leio e escuto alguém metendo pau em quem recebe uma dotação do governo, por prestação de serviço na área da cultura. E isso fica martelando na cabeça, uma culpa por receber uma verba que poderia estar pagando a habitação de gente pobre, comprando remédio para um posto de saúde, melhorando a merenda escolar, comprando um livro para uma biblioteca. Pois é, no meu caso, a verba proveniente de impostos que eu também pago, paga o teatro de bonecos assistido por crianças que jamais teriam dinheiro para assistir uma peça de teatro de uma Regina V. ou de um Espaço deax Criança, talvez nem de um Doutor Botika ou muito menos de um Feani.
A última vez que um Guairá pagou-me um cachet de festival, pedi para apresentar na lona do circo na praça Santos Andrade, ingresso gratuito.

Agora, nem todos agem assim.
Cultura com apoio do governo é um bom negócio.
Vejam os pontos de cultura. Em princípio, o edital é louvável. No entanto, somente associações sem-fins-lucrativos com mais de três anos em atividade, podem concorrer. Justo, não é? Entretanto, esse recurso de fundar uma associação é uma forma de burlar a Receita Federal. E o governo burlando a si mesmo, burla quem tenta andar conforme o manual do bom cidadão. Eu que tenho uma empresa, cnpj, um projeto de difusão e formação de novos titeriteiros, não posso concorrer. Porque minha empresa “visa lucro”. E os colegas associados, cooperativados, não!!?!
Vai ser interessante saber o quem vencerá o edital dos pontos de cultura.
Tem uma associação na Saint Felicity , área nobre do frango frito à frio e da polenta veia, que montou peças da literatura teatral mundial, como O Rei leão, A Bela e a Fera, Menino Maluquinho e outras preciosidades necessárias para o bom desenvolvimento infantil e monetário do dono do espaço. Agora reinaugurou o espaço com ampliação de salas, homenageando com nomes ilustres da política e das artes, numa das regiões com grande valorização imobiliária, cercada de mansões e condomínios fechados, e que agora pretende “discutir ou debater” a cultura na região da polenta e do frango frito. Aguardem o próximo ponto de cultura...

Por isso, aqui está. Preciso do governo para trabalhar. Cerca de 50% do meu ganho vem do governo. Porque as pessoas compram o cd da Madonna, pagam para assistir o Harry Potter, mas o teatro tem que ser de graça. A não ser que tenha o marombado da novela. E se algum elemento que exija o cálculo de um quadradinho de sudoku, o público sai da sala acusando este trabalhador braçal de experimental. Mas o dinheiro que recebo do governo é o dinheirinho, não é o dinheirão. dinheirinho que é reinvestido na empresa para produzir outro espetáculo. Não sobra para aplicar em imóveis e carros.A partir de agora vou defender essa diferença.

É por isso que mesmo com terroristas paquistaneses, estou tentando ir para Índia. Mesmo com uma Geórgia e uma Ucrânia prestes a levar uma bateria de ogivas de cobalto por perto, estou tentando ir para a República Tcheka. E mesmo com recessão eu topo ir para os USA!
Esperança por aqui, nem no verde desbotado do pavilhão nacional...

sábado, novembro 29, 2008

OLHA SÓ!


Este é o clone.
Ainda falta terminar a matriz.
O clone ainda está na "câmara amniótica".



Essas são as mãozinhas finalizadas.
Deu um trabalhão danado.




Só para ter uma idéia do tamanho delas em comparação com a cabeça.
Vai ficar delicadinho!!!


E finalmente!
A cabeça do leão!
O que eu retalhei a mão para fazer esse menino , não está escrito aqui, mas no sangue derramado de tanto a talhadeira e o formão pularem da madeira e pararem na pele da mão. São uns cortinhos pequenos, mas muitos. Ardem que é uma beleza!
Mas no final compensa.

sexta-feira, novembro 28, 2008

DANDO DURO NO NOVO ESPETÁCULO

Falta tempo para postar, administrar dois blogs, produzir informação e procurar o melhor preço das fraldas e laranjas limas para o suquinho do bebê.

Bom. Estava me divertindo com a nova micro-retífica da dremel que comprei por R$170,00, na Osten. Achei uma pechincha. No entanto não veio com todos os acessórios. comprei um kit de brocos e lixas para a dremel na Havan (genérico chines. fui na Leroy Merlin e havia brocas, fresas e lixas avulsas, para completar o kit; mas sabe quanto custava uma lixa para acabamento em madeira? R$13,00!!!!!!
PÔ, larguei tudo e voltei para os velhos formões e grosas.

aliás a dremel´é uma ferramenta de fresco. nem dá tanto acabamento assim. no fim é na mão que tem que fazer as coisas.

Terminei as mãszinhas dos bonecos.
preparava para fazer dois clones de cabeças. Iriam servir para uma troca rápida em cena. Sabe quando o ator sai e volta com um adereço ou muda de figurino? Pois é ao invés de trocar só adereço e figurino, troco o boneco inteiro. Aos invés de fazer dois clones, decidi fazer só um. Está lá, só faltando entalhar os olhos e boca e receber uma lixada.

Dei um ralo num leão que tem na peça.
Serrei um bloco quadrado, facetando umas partes e o bloco ficou um diamante, daí passei a grosa nele e terminou co o aspecto da cabeça do leão. Também aguarda fazer as rugas de expressão e olhos. Tenho de esculpir a boca, que é uma segunda parte.

os braços estão doendo. ontem tomei remédio para tanta dor. Há muito tempo não suava tanto. Minha testa pingava. mas o resultado está ficando bom.
A luciana comentou que trabalhei rápido nas esculturas. Foi rápido, mas deu trabalho!

Faltam as pernas; uns sete pares de pernas.
E depois isso vem a costura.

Vou tentar iniciar a costura antes do Natal, porque retomar o trampo depois da ressaca das festas é no mínimo uma crueldade comigo mesmo.

Sem falar que já estou pensando na próxima peça...
isso não tem fim.

e a grana vem mirrada.
aliás já acabou.

Talvez essa peça seja a primeira sem trilha sonora!
Outro desejo, além de esculpir em madeira , é fazer um espetáculo sem música.

Vai ser difícil.

Vai ter um ou dois temas.

Os dois temas que comprei do Bruno Karam e não usei.
Estão pagas e não foram postas em nenhuma peça. Era para ser no Visitantes Incomuns. aliás era para uma peça ecológica de um edital que não rolou.

Acho que vou tacar nesse novo espetáculo.
Isso é que é reciclagem!

Lavoisier puro!

P.s: vou tirar as fotos dos bonecos e posto depois.

sexta-feira, novembro 21, 2008

LITTLE SOAP OPERA -02

Pensamentos numa croassanteria parisiense.

http://www.youtube.com/watch?v=YdsJSLrRpNs

quarta-feira, novembro 19, 2008

Vídeos dos bonecos no ar!

Parece que agora sim.
Está no ar o canalzinho com os vídeos dos funcionários da minha cia.
Pode ser em blog:

http://www.fantoche rebelde.blogspot.com

ou

http://www.youtube.com/MiyashirojR

Fique a vontade e faça uma visita!

sábado, novembro 15, 2008

CONCLAMA PARA A REBELIÃO


EU SEI QUE VC. NÃO LE UMA LINHA DO QUE EU POSTO POR AQUI.
NÃO VOU PERGUNTAR O QUE VC. ESTÁ FAZENDO NO MEU BLOG.
MAS, SENDO ASSIM DÁ UMA PASSADA NO www.fantocherebelde.blogspot.com E SAIBA O QUE VAI PELA MENTE DOS MANIPULADOS. NÃO QUE ISSO SEJA PRIORITÁRIO.

REBELIÃO DOS FANTOCHES

Inaugurei um blog novo, só de vídeos.
É sala de grito dos funcionários da cia.
alí os bonecos tem voz ativa e manifestam suas vontades e verdades.
www.fantocherebelde.blogspot.com
Dê um chego lá.

domingo, novembro 09, 2008

CONTOS DA LUA VAGA

Revendo esse Mizoguchi a gente vê que nunca se revêr um Mizoguchi. Como se assitindo um outro filme, Contos da Lua Vaga, de 1953, é permanente.
É uma fábula moral que critica a ambição desmensurada do ser humano. Jamais contente com o plano original dos seus sonhos.
Antes que encare uma divagação, o dvd está na vídeo one da Pd. Anchieta. Este e muitos outros.

Era sonho de adolescente morar num loft com uma grande janela de blindex na "sala". O sol da tarde iluminaria um piano de cauda (!?). No píano eu sabia tocar uma modinha ´do Mário Mascarenhas e Maré Baixa ("Low Tide", I guess). essa música eu ouvi no filme I Clown, Os Palhaços de Federico Fellini: dois palhaços tocaram Maré Baixa com trompetes. Não foi um ápice, mas o filme é maravilhoso! Para quem dedica-se a homenagear o circo, como 99% das companhias de teatro de bonecos, esse dvd é obrigatório. Conta da vida dos clowns antigos, quando palhaço tinha nome. Mostra algumas sketches, os truques e principalmente, a vida pobre e abandonada que levavam nos anos 70, data do filme, todos velhinhos, uma tristeza.

mas falava de Mizoguchi e a voracidade na realização do sonho humano.
Bem, é impossível frear esse motor. A sociedade recrimina quem "desiste dos seus sonhos". Minha irmã rica diz que eu tinha potencial para ser rico como ela ou mais. mas em algum desvio da vida dessiti de "meus sonhos".
Não vou justificar.
Não desisti de meus sonhos. Eles receberam um upgrade, apenas.
Ao invés de píano de cauda rachando sob o sol da tarde, na sala do blindex; hoje estou preferindo ter uma marcenaria para completar meu "sonho" de trabalhar a caixeta dos meus bonecos. Ora!

Fico pensando se uma Pixar ou outro estúdio qualquer dos USA, convidasse para trabalhar no setor de modeling da firma... Fico pensando.
"Vá logo, demorou, é pra ontem..." diriam os amigos se tal convite realizasse.
O Que impede?
A visão.
A falta de feijão e dieta de hamburguer todo dia.
É trabalho atrás de trabalho (embora pudesse passar as férias em Miami, Hawai ou talvez até em Trancoso!)
Daria até para montar uma marcenariazinha na garagem de uma casa arrematada em leilão, casa de subprimes.
Puxa!
Nada de cervejas no Odiney, o butequeiro que saiu candidato a vereador pelo PMDB.
Nada de comprar pãp todo dia na Panicello.
Nada de brigar com a quitandeira polaca, pela banana empedrada que vendeu...
Pode ser um pecado capital. Mas assim como não cobiçar a mulher do próximo,
é duro uma vida sem sonhos.

beijão a todos os ambiciosos do universo!

sexta-feira, outubro 31, 2008

ESCRAVIDÃO, PROPRIEDADE E POSSESÃO.

Quando se faz um ranking que elege a bunda e a loira top de preferências sexuais masculinas no Brasil, isso deixa de ser um jogo inocente. Quando se compra uma revista pornô ou um dvd o consumidor está tomando posse daquele corpo, mesmo que o corpo seja uma cópia do corpo original. Se a Gisele Bundchen ficar pelada, milhares de compradores disputarão nas bancas e gôndolas o “clone” da modelo. Na Escravidão, se fazia a mesma coisa com os índios e negros, vendia-se os corpos de povos tribais, “incivilizados”,” incapazes de comungar, confessar e proferir a palavra de Deus”(!); portanto, muito próximo dos animais, portanto comercializáveis. Na antiguidade clássica, gregos, romanos escravizavam artistas, professores, advogados, a classe média atual que consome os clones de modelos nas revistas pornográficas.
Chega a fazer pensar que apropriar-se do outro é um instinto natural!
Deve ser por isso que agora a coisa está dando o que falar: crimes passionais. E quando é um crime passional, perdoa-se? Só se perdoarem crimes de escravidão, cárcere privado.

Por falar em crimes polêmicos de onde sai tanta gente querendo linchar os criminosos? Acho que alguém criou um serviço chamado LINCHENOW ltda. (tecnologia chinesa com a melhor opção de tortura; experimento nosso palitinho de bambu debaixo da unha...)
Uma kombi leva até às delegacias todo o pessoal contratado para fazer aquela pressão sobre o criminoso:
-lincha! Lincha! Lincha!
Eu se fosse um criminosos não ficaria feliz com menos de 1000 pessoas querendo me linchar. Levando em conta que a média de público que aparece nos espetáculos da Fundação seja de 30 pessoas; numa escola 4000 crianças.
Mil linchadores seria a glória!
Quanto será que cobram...????

Estive fora do ar por motivos de levar o pão para casa. Embora na verdade, tenha levado só o trigo. Melhor ainda, nem levado, mas plantado aos quatro ventos. “Jogado” seria a palavra ideal e se plantar, plantou!
Foi um trabalho danado, idealizar e preparar o projeto, escolher as pessoas, envolvê-las, motivá-las e o mais difícil: pegar as assinaturas.
Eu gosto de trabalhar com pessoas. Adoro grupos. Há uma energia incrível (quando há energia) em trabalhar com grupo. Mas ultimamente tenho encontrado muito pouca disposição nas pessoas. Parece que quando envolve dinheiro, quando tudo deveria ser a melhor fase, as pessoas se desanimam, ficam num bode arrastado tremendo!
Por isso e para ganhar dinheiro tenho planejado o desenvolvimento dos projetos de uma forma que haja a menor presença física possível. Parece um paradoxo, mas arte virou comércio.
Palavras impensáveis na década de 70 para a Arte, como: prestação de serviços, produto final, agilidade, custo e benefício são simplesmente o eixo principal das relações entre os “profissionais” da arte.
Uma vez, um bonequeiro amigo disse que a maior conquista pessoal era trabalhar sozinho, sem precisar de grupo. Eu já falei que uma das razoe de preferir trabalhar com bonecos a atores é que, finalmente, posso desenvolver uma idéia de teatro. Com grupo tinha de destruir a idéia inicial, improvisar e negociar todos os aspectos considerados impossíveis de realização com os parceiros.
Com bonecos eu faço e pronto!

terça-feira, outubro 21, 2008

MONDAY´S FURY

Na saudação ao ligar meu celular nada de “oi”, “bom dia” , “você é demais”... nada disso. Programei um “pense bem”.
Para começar um dia “pense bem” antes de fazer, no que vai dar. Claro que não dá para prever tudo. Mas tentar já é um exercício de boa fé.
Ontem , segunda-feira foi um dia de “pensar bem”. E olha, eu pensei.

Começou quando liguei pro Sergião (no mesmo celular do “pense bem”) para cobrar uma cervejada durante o previsível empate de São Paulo e Palmeiras, e meu comparsa comunica que está quebrando o pau com a esposa! Tudo bem que era um Sunday´s fury. Mas nada como um bom quebra-quebra de domingo para começar uma péssima segunda-feira. Ó sim!
Tomei um ligeirinho, segunda-feira, 14:00h, lotado, para uma reunião na Fundação Cultural. Em pé, escuto um imperativo: “alguém, aí, dá lugar para o homem com o bebê no colo!” Esse foi o toque da alvorada para a segunda braveira que se descortinava a minha frente. Uns bons 5 segundos e ninguém mexe a bunda. Um passageiro então cede lugar. Perfeito, não fosse a forma deseducada da mulher que mandou alguém ceder o lugar: um por favor não ia fazer mal, né?
Toca o celular (...) e a reunião está cancelada devido a falecimento de colega... e agora? Desligo e a idosa sentada cede lugar a um senhor, bem vestido, cheiroso, pacífico e com visível sinais de distúrbio mental. O senhor dá um escarro sem cuspir e introduz dois dedos na boca para verificar a consistência do muco, em seguida devolve para aboca. Tudo higiênico (não tocou em nada, em ninguém!). Estava num lugar em que as cadeiras são voltadas uma para outra e o garotinho sentado a sua frente ficou perplexo. A mãe deve ter luxado as costas porque ficou virada o tempo todo para outro lado, asco impresso na cara. O homem, por sua vez, ficou intimidado, mas ele tinha a incompreensão dos seus atos e continuou escarrando alto e verificando o muco.
Da minha parte refletia sobre aquela situação, na situação do homem. Já vi muita secreção corpórea e é preciso uma quantidade razoável para virar meu estômago.
Não para os manos atrás de mim que decepcionados ou satisfeitos com algum jogo entre o grêmio e o Coxa no fim-de-semana, pararam a conversa para se indignar com o homem:
-“Mas esse cara deve estar limpando o intestino!”
-“Porco sem-educação!”
-“...É e se achou ruim, pode levantar. Minha profissão é perreio (?!)”.

Pronto era tudo que precisava, ficar na linha de tiro do “perreio” entre uns manos e um deficiente mental!
E foi.
Os manos provocando entre a praça 29 de Março até a Matriz.
Quando estava chegando na Matriz eu me viro para sair e vejo quem era os “mano”: um gordinho todo fofo, risonho e um bravinho de cabelo espetado, o que mais provocava. O bravinho era baixinho devia ter uns 15 anos, as mãos eram mais finas, brancas e lisas que daminha esposa! O bíceps do menino era meu pulso. Nooooossa, que vontade de dar naqueles moleques (pense bem!!!!). Fiquei na vontade e sai.
Bom no saldo geral do dia, posso dizer que saí vivo, do pai que me encochou e não se desculpou, do desmemoriado que ajudei a lembrar que o filme que ele queria era o do Michael Douglas e não agradeceu.
Ah, e tudo isso que antes amargava minha boca, hoje serve apenas de pretexto para postar esse blog.
Afinal, estou em Curitiba!

quinta-feira, outubro 16, 2008

OS SINAIS DA AUTORIA

Estou dando minhas cinzeladas (usa-se cinzel na madeira?) na segunda cabeça de boneco, na deliciosa caixeta, madeira boa para esculpir que o índio sabedor ensinou ao branco e por sua vez, ao amarelo...
Corta aqui, talha ali... faz a bochechinha, bem gordinha; faz a orelhinha um pouco acima do nível humano (tudo bem, será uma caricatura...) arredonda o topo da cabeça e... um macaco! É terceiro macaco. E fiz sem perceber. Inconsciente. Mais um macaco num espetáculo meu! Estou transtornado. Já ouço as vozes críticas: mas só faz macaco!
O que fazer?
Martelar a escultura?
Está taaaaaaaaaão linda!

O que se pode fazer?
Mesmo quem cria, é vítima da matriz, de sua identidade cultural. Por mais cosmopolita que seja. O autor sempre vai produzir dentro de um sinal pessoal. Fazer algo novo? Um produto original? Não acredito que consiga. Se fizer , pode procurar, que é cópia.
Assim, nesse mundo de crise econômica, quem fornece originalidade copiosa é o produtor, aquele que contrata criadores, autores, financia a produção (não direi :suga, explora, avilta; esse inaudito jargão de esquerda), e quando o finaciamento acaba procura outro autor para alimentar a avidez da crítica, sempre voraz para o novo.

A massa, não. A massa quer o de sempre, o arroz com feijão. Por isso, quem cria e agradou uma vez, fica sempre com aquilo, agradando sempre. Foi o que aconteceu com a música. É o que acontece com o teatro. E não adianta reclamar.


ANEDOTÁRIO


Na Santa Felicidade, bairro onde moro, tem um açougue onde sempre compro bistequinha de porco. Lá tem a bisteca branca, que dizem ser de porco. Quando a bisteca é escura, dizem ser de porca e é dura. Para mim a carne escura é carne velha, enfim, é o que o açogueiro, muito simpático, diz:
- “Bom dia!” diz.
- “Bom dia! Tudo na santa paz?” digo.
- “Aqui, tudo na Santa Felicidade!”

Lembrei dessa somente hoje, dia seguinte:
Andava eu, o anderson Gangla e o Luiz André pela Santa Ifigênia. Luiz André cheio de remorso quiz dar um mimo em retribuição às chaves de fenda e um martelo que comprei para o barracão deles.
-"Olha Jorge! Essa moeda comemorativa dos 100 anos da Imigração japonesa. Acho que tem tudo a ver contigo, com os teus ancestrais, aqueles que vieram naquele navio... olha o navio aqui na moeda, o Tupac Amaru!"
Sempre achei, e agora tenho certeza, que pro carioca japones, chines e inca era tudo igual.


Um pouco humor sórdido:

Sabe um processo para tornar a arte de uns velhinhos, patrimônio imaterial? É uma batalha longa que sendo travada desde a década de setenta.
Enfim.
Um cara aqui em Curitiba, recebeu R$2.700,00 para fazer “pesquiza (sic) teatral sobre mamu... para o governo do estado de Pern...; e ainda recebeu mais R$3.000,00 para: “custeio de alimentação teatral”. O detalhe é que o distinto indigesto mal terminou o “gimnnázio”.
Desculpem. Dessa quem rirá sou eu: ahahahahahahah!

segunda-feira, outubro 13, 2008

ORLANDO FURIOSO SAI DO BARRACÃO!

O SOBREVENTO MANDA ESSA MSG.:




O GRUPO SOBREVENTO estréia ORLANDO FURIOSO no próximo dia 17 de outubro, sexta-feira, às 21h, no Centro Cultural São Paulo - Espaço Cênico Ademar Guerra. A montagem fica em cartaz de sexta a domingo – sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 20h –, de 17 de outubro a 21 de dezembro (no dia 9/11 não haverá apresentação). O preço dos ingressos será de R$5,00 – de 17/10 a 19/10 – e de R$ 12,00, a partir de 24/10. Imprima o convite em anexo e troque por 1 ingresso na estréia (sujeito à lotação da sala). O Centro Cultural São Paulo fica na Rua Vergueiro, 1000, ao lado da Estação Vergueiro do Metrô. Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3383-3402 (CCSP) e (11) 3399-3589 (GRUPO SOBREVENTO).

ORLANDO FURIOSO é um espetáculo teatral para adultos baseado no texto homônimo de Ludovico Ariosto, com bonecos movimentados por vergalhões de ferro. Com 90 cm e pesando 3,5 Kg, estes bonecos são construídos conforme uma técnica siciliana tradicional e fazem movimentos vigorosos, como nenhum outro tipo de boneco é capaz de fazer. Conhecidos como pupi, estes bonecos são ideais para a encenação de combates armados, paixões arrebatadoras, loucura, ingredientes deste poema épico, baseado em canções de gesta que remontam ao século XI. A montagem narra a história do amor que levou Orlando, o maior paladino da França à loucura, pondo em risco o exército de Carlos Magno e o domínio cristão na Europa. Com quatro atores-manipuladores e música ao vivo executada por três músicos (violão, canto e viola caipira; acordeão e percussão), ORLANDO FURIOSO foi realizado com o apoio do PAC – Programa de Ação Cultural – da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.


A técnica dos pupi

Feitos de madeira, com armaduras de bronze, cobre e alumínio, os 19 bonecos do espetáculo foram confeccionados ao longo de seis meses, em um trabalho de oito horas diárias. O acabamento meticuloso das armaduras, em metal repuxado, e dos figurinos dos bonecos chama particularmente a atenção e revela o caráter artesanal e delicado de sua elaboração. O elemento definidor da técnica de animação destes bonecos é a utilização de varões pesados de ferro presos à cabeça e ao braço direito das figuras. Muito pesados, estes bonecos são manipulados por cima e adquirem movimentos de grande vigor e vivacidade, demandando muito esforço físico dos bonequeiros. Os pupi, bonecos de varão característicos da Sicília, semelhantes aos usados na montagem do SOBREVENTO, são considerados patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco. Variantes da técnica de varões podem ser encontrados, particularmente, em Évora (Portugal) e em Liège e Bruxelas (Bélgica).


Os pupi no Brasil

O SOBREVENTO é, hoje, o único grupo em atividade no Brasil que domina a técnica dos pupi e dos bonecos de varão. Sabe-se, por documentos argentinos, da passagem de alguns pupari (marionetistas italianos) pelo Brasil, provenientes da Sicília e de Nápolis, no início do século XX. Não há, porém, documentos de conhecimento público que registrem suas apresentações por aqui. O único registro da atividade de um puparo no Brasil refere-se às atividades de Dante Santaguida (1924-1983), natural de Lecce, no sul da Itália, que mantinha um restaurante na cidade de Londrina (PR), onde realizava apresentações freqüentes com seus bonecos. Em sua variante portuguesa, os títeres de varão tiveram presença importante no Brasil, até o século XIX. Para o SOBREVENTO, a importância de se recuperar esta técnica no país está no quanto ela traduz a nossa Cultura.


Orlando Furioso e Ludovico Ariosto

Ludovico Ariosto nasceu em Reggio Emilia, em 1474, e morreu em Ferrara, em 1533. Filho de um membro do tribunal de Ferrara, estudou Direito, abandonando a carreira para dedicar-se à Poesia. A obra de Ariosto é vasta: Poesias líricas latinas (1493/1503), sátiras, peças de teatro, etc. Sua obra mais famosa é o poema Orlando Furioso, continuação de uma obra anterior de Matteo Maria Boiardo entitulada Orlando Enamorado. O poema, composto de 46 cantos em sua versão final, alcançou grande sucesso, por ocasião de sua publicação. Nele, o poeta ridiculariza a nobreza feudal em decadência, ao mesmo tempo em que prenuncia o novo homem da Renascença. Além de seus aspectos sociais, a obra consegue unir um enredo fantástico a uma versificação harmoniosa.

Orlando Furioso foi traduzido em quase todas as línguas e no próprio século XVI foram feitas mais de 60 edições do poema. Narra uma série de episódios que derivam de épicos, romances e poesia heróica da Idade Média e início do Renascimento, destacando-se três histórias nucleares à volta das quais as outras se formam: o amor de Orlando por Angélica - a de maior importância; a guerra entre cristãos (liderados por Carlos Magno) e mouros (liderados por Agramante) perto de Paris - que constitui o cenário épico para toda a narrativa; e o amor entre Ruggiero e Bradamante. Ariosto ainda deixou o poema inacabado Rinaldo Ardito.


A equipe

ORLANDO FURIOSO conta com cenários e figurinos de André Cortez e música original de João Poleto. O SOBREVENTO é formado por Luiz André Cherubini, Sandra Vargas, Maurício Santana e Anderson Gangla. A estrutura, mecanismos, adereçaria e confecção de armaduras dos bonecos é de Luiz André Cherubini, Anderson Gangla, Maurício Santana e Marcelo Amaral, com a colaboração de Paulo Caverna e Elza Martins. A escultura de mãos e cabeças é de Agnaldo Souza, a pintura é de Léia Izumi, os figurinos dos bonecos são de Sandra Vargas. Para dar início à pesquisa dos pupi, o SOBREVENTO recorreu a Luciano Padilla, argentino, especialista da técnica, trazendo-o ao Brasil para orientar os estudos e confecção. O processo de confecção dos bonecos teve início com um estágio aberto pelo Grupo, ao qual candidataram-se mais de 40 bonequeiros de cinco estados brasileiros para as 10 vagas oferecidas.


O SOBREVENTO é um núcleo da Cooperativa Paulista de Teatro

Visite nossa página em http://www.sobrevento.com.br

sexta-feira, outubro 10, 2008

TO BE A PUPPETEER OR NOT

Estava dando minhas braçadas no oceano da rede mundial, quando uma marola jogou-me essa frase aí de baixo;

"...one phrase Betsy used frequently in her puppet courses, was "anyone can be a puppeteer". My brain would say to itself, "anyone can be a brain surgeon too, but I would be careful which one I picked."
- Alan Cook

Numa tradução malemal:

uma frase que Betsy (???) frequentemente usava em suas aulas de bonecos era “qualquer um pode ser titeriteiro”. Meu cérebro poderia responder a isso, “qualquer um também pode ser neurocirurgião, mas seria cuidadoso com quem escolheria.”

Bem, não sei quem é esse Alan Cook... but, but, but...

Tem um lado social que abre meu coração e quando me perguntam se a pessoa pode um dia ser titeriteiro, ator-bonequeiro, marionetista...ator! Eu, também, digo que sim, pode.
Digo isso, pensando nas tarefas que essa pessoa deveria realizar e assim adquirir a aptidão para fazer o teatro de bonecos.
No entanto, mesmo que se dê todos os segredos da arte, se é que existe algum, a pessoa não vê aquilo que está a frente dos seus olhos.
Parece que está bloqueada. Parece má vontade. É cansativo para quem ensina e para quem tenta aprender. E olha que sou incansável para ensinar. Resultado: quem quer aprender fica de saco cheio e desiste.

Tenho 20 anos de teatro e de administração de aulas e oficinas. Se tem alguém que pode dizer que é cria minha, que sacou a essência da minha disciplina... Umas duas pessoas. Só. O resto passou uns bons momentos ou talvez nem isso.

Que posso fazer?
Não dou emprego na Globo.


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NOTA EXPLICATIVA:

Detesto dar explicação sobre o meu trabalho, mas uma frase está sendo mal interpretada.

“Visitantes Incomuns” meu mais recente espetáculo, tem no release a informação de que levei três anos para produzi-lo.

Isso é verdade.
Da seguinte forma:

Teve um edital da Fundação Cultural que se chamava Arte e Meio Ambiente, a proposta era levar uns “bananas de pijama” que seriam os personagens da campanha municipal para estimular a reciclagem do lixo. Como trabalho sozinho em cena, produzi um espetáculo com os mesmos quatro personagens-recicláveis, comprei uma trilha sonora, fiz um dvd e mandei o projeto. Claro, foi rejeitado, por não se adequar a proposta “banana de pijama” inicial.
Este espetáculo além dos personagens recicláveis da Secretaria do Meio Ambiente, tinha dois mestres de cerimônia fantoches: um menino e um bugio.

No ano seguinte, sim. Peguei os dois fantoches e preparei um projeto que seria um espetáculo sem palavras, mas dirigido ao público adulto. Seriam cenas metafísicas, um circo do absurdo, um passeio onírico:
Um homem que vivia ouvindo o som do universo, uma miríade tão infindável, ao mesmo tempo tão sutil que ele estaria impossibilitado de expressar o que ouvia. Ao mesmo tempo que um verborrágico teórico tentaria debater o conteúdo da audição deste homem... Coisas assim.
Passei o ano elaborando essas idéias, mas então a água bateu na retaguarda e parei de divagar.
Comecei a desenhar a idéia do condomínio, onde haveria o escracho de uma comédia de costumes.
Achava que jamais faria uma peça sem palavras, já que a palavra para o fantoche é um recurso que casa muito bem com esse tipo de boneco. O fantoche é loquaz por tradição.

Outra insatisfação criativa é quanto a trilha sonora.
Não é que não goste de música. Gosto!
O que indigna é que o músico não precise de mim para fazer o show, mas eu preciso dele para fazer o meu!!!!
Por quê não posso fazer um espetáculo sem trilha?

SEM PALAVRA E SEM TRILHA SONORA!!!

Daí cheguei ao esboço que resultaria no Visitantes Incomuns atual.
Um passo de cada vez. Um espetáculo sem palavra, mas com trilha o tempo todo.


DERIVANDO NO ABSOLUTO

É engraçado como são as coisas.

Vi uma foto do Ópera de Carvão e Flor, do Renato Perré, que está sendo apresentado neste mesmo período, dentro do mesmo edital de formas animadas. Não assisti ainda, mas vou. Pelo que parece a peça ocorre num ambiente rural, entre agricultores de baixa renda, e com grande apoio na trilha sonora, ao vivo.
E Visitantes Incomuns é uma fábula urbana, uma fantasia classe média (sem querer ser pejorativo), com total apoio na trilha sonora, gravada, claro!
Aliás, as trilhas: Da Ópera deve ser um misto cantigas paulistas com modas nordestinas, já o Visitantes é um jazz fusion plus rock.

Trata-se de um debate de paradigmas opostos.
Não deixa de ser uma batalha ideológica sobre o que somos e o que gostaríamos de ser.
Por meu lado, meu discurso preferido é o silêncio solitário, mas procurando a eloqüência dos gestos. Em que o conflito se estabelece no grau das relações.
O Ópera busca saturar com a linguagem do circo e a fala do oprimido tentando superar o opressor (acho que deve ser isso...).
Se for isso. Se assim for este meu vizinho de teatro, então o público deveria ficar gratificado!
Não?

quinta-feira, outubro 09, 2008

O SONHO DO ESCULTOR


Que tal?
Bem melhor que ontem?
Criei coragem e retalhei o pau!
Usei tanto a serra que achei que ia fazer a escultura à base de serra. Usei serra de arco mas os dentinhos comiam a serragem, ficava horas no serra, serra.
Ia comprar um serrote. Resisti a tentação e usei a serra de esquadrilha que já tenho. Usei a serra solta, aquele trambolho todo. Precisei prender as presilhas da serra com um elástico. Parecia uma metralhadora ponto 8!!! Rambo!

Usei formão reto para arrancar os pedaços diagonais do bloco, por isso ficou com aparência mastigada. Fiquei achando que ia perder o blocomas usei a grosa e quando ficou mais liso, vi que estava bom. Deixei as paredes do boneco bem finas, um capricho, um risco, brincando com o perigo.
A cozinha, claro, ficou cheia de pó de serra. A esposa não diz, mas está louca para me matar. Caso desapareça, vocês já sabem que é a culpada!

Depois usei os formãzinhos da Tombo.
Eram da minha mãe, que comprou-os para não sei para quê. Para esculpir barro, sei lá.
Só sei que roubei dela e fiquei com aquilo, anos, sem saber o que fazer também.
Quase joguei fora.
Hoje usei os Tombos, que são umas maravilhazinhas para esculpir detalhes em madeira.

A caixeta é difícil: tem hora que parece balsa, tem hora que parece pinus. Uma hora é mole demais, outra, muito dura. Ás vezes, se vai contra o sentido da fibra ela esmaga, mesmo.
Com os tombos, afiadíssimos, é mais fácil. Usei uma toco para bater os tombos, mas depois estava cortando que nem isopor. Um isopor mais duro, claro!
Agora preciso saber como dar o acabamento.

Vou atrás de lixa de madeira. O que tenho aqui é lixa de ferro.

As cabeças dos ningyos de Bunraku, depois de esculpidas recebem uma camada de papel de arroz, cola e um verniz à base de conchas trituradas. O resultado é o acabamento liso e aveludado. Estou pensando em usar papel e cola para deicar mais liso.
A cabeça está sem nariz. É porque vou fazer depois, usando durepóxi. Se fosse esculpir direto na madeira ia desperdiçar muito. Preciosismo desnecessário.

quarta-feira, outubro 08, 2008

O SONHO DO TITERITEIRO





Qual é teu maior desejo?
A sedutora questão que por si, catapulta-nos ao mundo imaginado. Qual seria meu maior desejo?
O meu, hoje, além de ganhar na mega-sena, claro, é ter uma marcenaria para fabricar bonecos. Se for de tábuas velhas melhor. Se for cheia de vãos e buracos, melhor ainda. Se o sol do fim de tarde atravessar esses buracos e a luz transfigurar no p´[os de serra em suspensão... aí é poesia, né!

Deixa a viadagem de lado!
Comecei a trabalhar na madeira.
Comprei a caixeta em São Paulo, depois de muitas horas na internet, depois de muita investigação em Sampa, depois de procurar por horas na rua do Gasômetro. Depois de carregar uns dois kilômetros três metros de uma viga de caixeta, e, por fim trazer tudo para Curitiba, então...
Então, nada!
Tive de serrar as vigas, cara!
Três horas para fazer os blocos, serrando, serrando, braço doendo, suando, suando.
E hoje chegamos a isto ali, em cima:



Fala se não é uma belezura?
Não é minha primeira escultura em madeira.
Mas, na outra vez usei um emeril.
Agora estou usando formão e grosa.
Como deve ser feita uma cabeça de boneco.

Uma vez dei uma palestra para o pessoal do Centro do Truks.
Falei do meus processos de fabricação de boneco.
Das torturantes sessões de lixa sobre a cola e a intertela.
O Henrique tirou o sarro: disse que comprou uma lixadeira, e que eu poderia comprar uma também.
“Ora et labora”.
Uma máxima alquimista. De trabalho incessante para transmutar a matéria.
Como explicar uma coisa dessa?
Hoje faz 26 anos que pratico meditação. Tive vários mestres, de várias escolas.
Hoje percebi como se pode fazer de tudo dentro da meditação.
Trabalhar, planejar, viajar, sexo, refletir, descobrir, entorpecer, estimular, descansar, esgotar-se, passar o tempo...despertar poderes paranormais.
Hoje estou só praticando meditação.
Tento não pensar, tento não procurar por nada.
Só manter o pensamento fixo numa unidade qualquer.
Se a mente sair disso, faço voltar.
Foi um ensinamento que nunca tinha dado valor. Preferia procurar por alguma coisa... poderes paranormais.

É como tomar chá.

Os mestres zen, ensinam que tomar chá é uma meditação.
Pois bem. Deve-se tomar o chá e além disso só tomar o chá. Não é para conversar, relaxar, pensar na vida... é apenas tomar chá. Focalizar todos os sentidos na experimentação do chá.
Engraçado que a cozinha molecular desde a nouvelle cousine tem essa premissa de focalizar a experimentação nos pratos. Todo o ser do comensal é voltado para a deglutição comedida, mas intensa de sabores. Por isso, não há aquela saciedade pela saturação da gordura e do açúcar, mas um bem-estar de quem passou por um diálogo com algum mestre zen culinário.

sexta-feira, outubro 03, 2008

EPOPÉIA FAMILIAR


Duda e o batmóvel... papamóvel, papamóvel.



Estamos em Bauru na casa do meu pai. Ontem estávamos em Botucatu, onde passamos 12 horas com os pais da Lu. Felipe ganhou uma pista de Hot Wheels do tio dele. Aqui em Bauru tomou sol, comeu amora do pé, um pé carregado de amoras dulcíssimas que ele no início recusou mas depois se empanturrou. Brincou na piscina e o papai aproveitou e deu umas braçadas.
Daqui a pouco pegaremos um ônibus e às 22:00h estaremos em um apartamento em São Paulo. Amanhã às 18hs. estaremos em Curitiba para no domingo, dia de eleger o prefeito, estarei apresentando o Visitantes Incomuns no Piá.

Procurava por caixeta, a madeira mole, boa de esculpir que o índio do litoral usa para fazer uns bichinhos para vender. E os caiçaras, as violas e rabecas brancas do fandango.
Procurei pela internet, no google, e a busca só dava na família Caixeta e na caixa preta dela própria, como soi repetidamente um candidato a prefeitura de Curitiba.

O pessoal do Sobrevento deu a dica de procurar na Rua do Gasômetro, onde assenta uma dezena de lojas de artefatos de madeira e madeira em geral. O que encontrei por lá foi só a madeira genérica para construção.
Havia passado a manhã com o Luiz André na Santa Efigênia. Só bisbilhotando. Vendo os caras procurando caixas de som, fiquei louco de vontade de trocar a minha velha Staner. Almoçamos buchada, costela cozida e uns bifes de contra-filé mergulhados em alho crú. Meio lesado, fui à pé até a rua do Gasômetro. No caminho comprei uma serra, chaves de fenda e uns 20 metros de pano para fazer boneco e uma agulha de disco para vinil... Daí fui procurar a caixeta com todo o peso das compras dentro de uma mochila, nas costas. Andei, andei, andei, curitiboca que agora sou, debaixo do sol das 15h. sobre a capota, e nada. Ninguém tinha e mandavam para outra loja que também não tinha. Enquanto andava, cheio de esperança, pensei que deveria comprar uns metros de corda para prender os epdaços de madeira, facilitando o transporte. Mas o quê? Mais peso na mochila?

Já estava ficando meio puto. Decidi sair da Rua do Gasômetro e peguei uma transversal. Ví uma marcenaria e perguntei para uma moça sobre a caixeta. Orientação profissional! Ela indicou uma madereira rua abaixo. A primeira, a segunda e acertei!
O seu Francisco vendia a caixeta, mas só a viga inteira. Havia uma viga de 3 metros. A menor. R$30,00. Três metros de viga até Curitiba...!!!...?.?.? Será? mas quando vou voltar alí. Melhor comprar.... Será? Comprei.
Serraram a viga em três pedaços. Pedi para fazer um fardo e o cara amarrou uma fitinha de plástico. Fez uma alcinha e andei com aquilo 2 km. até a sede do Sobrevento, debaixo do sol das 15:40h. No cominho, procurei por uma corda e nada.
Quando cheguei na sede vi um supermercado e uma loja de ferragens. Nem entrei, fui direto para a sede. Larguei tudo por lá, voltei comprei um litro de água e 4 metros de corda. Deixei um pedaço de caixeta com os Sobreventinos e fiz um amarrado com meus dois pedaços, que ficou tão bom que nem peguei um táxi. Voltei de metrô...

E para variar...

Não, deixe-me contar do início.

Chegando na estação metrô D. Pedro II (ou seria o I?), com a mochila cheia e os pedaços de caixeta, ví aquela multidão entrando pela boca da estação. Um regurgito inverso. Chiii, pensei, a maldição dos Del Giorno vigorando... passando a catraca, cadê o povo? Desapareciam para sei lá onde?! Desci as escadas, seguindo os gatos pingados. Trem normal e eu com a mochila cheia e os tocos do lado. o pessoal saia de perto, dando mais espaço ainda.
Na estação Sé é que o bicho vai pegar, pensei.
Que nada!
Não estava vazio, vazio, mas no meio do caminho fui sentado segurando aquelas toras de caixeta. 17:30h!!!!!!!!!!
Muvuca mesmo peguei no lotação, o microônibus até o apartamento. No lotação uma garota gentil ofereceu-se, insistentemente, para segurar a pesada mochila com parte da carga. Declinei. Ela gentilíssima insistiu. Falei que ela ia "se machucar" porque estava carregando ferramentas e tudo mais. precisava ver o rostinho frustrado da moça!!!
Daí um homenzarrão dá uma encochada em mim, para falar com o colega que estava sentado no fundo do lotação.
Acho que não havia cunho sexual, apenas a ansiedade para comversar com o amigo, fazia o homenzarrão se jogar sobre mim... enfim. Inspirado pelos mais puro desejo de harmonia cidadã, perguntei: vamos trocar de posição? Putz, foi constrangedor, mais foi bom para todos os envolvidos. Trocamos e o cara agradeceu! Tres gentilezas num mesmo percurso!! Estou no céu do bom convívio.
O amigo do homenzarrão saiu do carro e o homenzarrão ofereceu o lugar vago!
Quatro gentilezas!
Ah, vou elogiar...claro que vou.
Tudo bem que o emo do lado continua a pisar o meu pé e virar a bundinha anorética contra minha mão...irghh!
Tudo bem que uma mulher parou atrás de mim bem na hora que eu ia sair e iria fazer meu memorável discurso sobre a abundante civilidade nos grandes centros...
Bom, tento de um lado tem o emo, tento de outro, as cadeiras. Sair de ré? Tem amulher...ah, virei meus tocos pro lado e sai da frente, galera, que eu quero é sair!!!!
Tchau, gente até nunca mais!!! Seus pobres! Porque não compram carro?

terça-feira, setembro 30, 2008

O TEATRO NÃO É A SALVAÇÃO DOS TÍMIDOS



Visitantes Incomuns, no Teatro do Piá, 05/10 11h.





Estou em São Paulo, em um laptop que não é meu, por isso...
As pessoas falam, o Sérgião e Vanda disseram, mas até agora não peguei um, nenhum metrô cheio!
Ontem 19hs., estação da Sé: vazio! Viajei sentado. Por isso, o tal colapso dos transportes na capital paulista é pura neurose de paulistano. Coisa da mídia, para vender mais jornal e revista. Para dar lucro aos promotores de evento que patrocinam os debates nas centenas de espaços e auditórios espalhados nessa mancha urbana e sem fim provocada por 90 milhões de seres humanos...afe...

Ontem, também, almocei no Instituto do Princípio Único, onde se serve a melhor comida macrobiótica daqui. Lá na pç. Carlos Gomes, na Liberdade. Cara de cantina familiar, as moças e muitos dos freqüentadores aparentam estar no último nível da força. Parecem doentes, e podem estar . A macrobiótica promete cura para o câncer e qualquer doença crônica e aguda, desde que se siga á risca, suas orientações dietéticas. Por outro lado, a comida, aparentemente simples, tem o preparo extremamente requintado. É saborosa.

Tá.
Na cozinha, havia umas velhinhas lépidas, espertas e com cara satisfeita. Uma moça, como sempre (vou lá desde 1980), tinha a cara desanimada e cansada. Era indecisa.Uma velhinha montava os pratinhos de legumes que acompanham o fabuloso arroz integral, mas teve de largar o serviço. A moça assumiu , pegou uma panela e desistiu, enquanto a fila acumulava. Preferiu mandar todo mundo para as mesas, começando beber a sopa e comer o arroz, prometendo levar os legumes depois.

Mastigando 50 vezes cada bocado do meu arroz, formulei a seguinte questão e a posterior conclusão:

Nas aulas de teatro, deparo constantemente com gente que declara ser tímida. É preciso seduzir essas pessoas, existe um ritual longo que antecede sua participação efetiva nas aulas.
O que em resumo, consome 60% das aulas. Tempo que seria aproveitado para mais exercícios, mais informação. Os tímidos prejudicam até quem é mais voluntarioso, porque não se pode abandonar ninguém, só por ser tímido. É a lei do pelotão: ninguém será deixado para trás!!!!!
Há aqueles que se dizem tímidos, só para fazer charme, quando na verdade estão loucos para se atirar. Vejo muito isso. E perdeu-se uns bons 10 minutos nessa frivolidade, numa aula que dura 2 horas.

Que energia é essa que trava o mergulho das pessoas?!

Ainda havendo o debate interno, o titubear, o vai-não-vai, é muito bem-vindo. Mas imobilizar-se completamente!

O artista não é destravado.
O ator não se lança completamente.
Há um limite. Existe a dor inconsolável. O território obscuro onde jamais se deve voltar. Ali, o explorador sem-medo e incauto, palmilhou em alguns segundos de curiosidade e foi terrivelmente magoado.

Sim. O artista tem limite, senão produziria uma obra caudalosa e diária.

Semana passada estive numa cidade do interior do Paraná e conheci uma menina de 20 anos que cuidava de uma senhora enferma. Passava o dia inteiro sentada, assistindo TV ao lado da senhora. Saía do quarto da TV para levar a paciente num lugar a outro da casa onde só se ouvia o monólogo da mulher enferma.
Não é um destino terrível cuidar de pessoas doentes. Mas assistir TV o dia inteiro ouvindo monólogos, é. Disseram que essa menina queria ser freira e veio até São Paulo para ser admitida num convento. Foi rejeitada pela compleição inerte. Digo que sua aparência é passiva na possibilidade de que suas entranhas devem se revolver.

segunda-feira, setembro 22, 2008

CARACTERIZAÇÃO DO PERSONAGEM

Desculpem!
Eu falei que o Brian Ferry tinha língua presa.
E que ele, por causa disso deveria ser modelo, posar para fotografia.
Nunca gravar disco etc.
Pura maldade, claro!
Se ele acha que pode gravar discos e se eles vendem pra caraco, quem sou eu para dizer o contrário? Aliás que valor tem o comentário de um nipo-brasileiro dizer se ele deve ou não mudar de profissão?
Aliás estou ouvindo agora o Brian Ferry no mp3 enquanto escrevo isso aqui...
Ouvindo as deliciosas músicas da minha juventude... cantadas com a língua presa que eu pensava ser sotaque...

Qual o problema do cara ser fanho e fazer teatro?
Nada, desde que faça papel de fanho em comédia, ora!

Qual o problema se ele for anão fé quiser fazer o papel de um líder histórico?

Se ele não estiver preso ao próprio clichê do seu nanismo físico, pode, não pode? Sem metafísica alguma.
Quem disse que os líderes eram gigantes? Hitler era um anão. Santos Dumont, Ho Chi Mi, Lênin, César devia ser um hobbit; Kublai Khan era. Todos os samurais eram pequenos... Como sempre, depende. E dependendo, sempre pende para a limitação de talento, do cara. Ou seja querer nem sempre é poder.

Que posso fazer?
Preconceito estético, limitado senso se avaliação. Mas a verdade é que certas posições, decisões, são intoleráveis.
Eu por exemplo. Jamais faria o papel de Júlio César. Acho que Aníbal até não sairia feio. Mas como ficaria Jorge Miyashiro de Oscar Wilde?

Foi assistindo Mahabharata do Peter Brook, e testemunhando Vitório Mezzogiorno como Arjuna, que veio a luz de que tudo em teatro é possível! Se um branco latino podria ser um guerreiro hindu, porque o contrário não seria interessante? Jesus negro em Auto da Compadecida, não ficou legal?
Mas nem sempre é assim.
O físico limita e a falta de versatilidade mais ainda.
Já no teatro de bonecos, sinto-me um pouco mais livre.
No TB já fui uma mãe índia Karajá, Heitor Villa-Lobos, Mozart e um macaco azul...!
Já fui monstro, negro, samurai, mestre de kung fu, Dionisos, Lilith...

Mas jamais fui Tarcísio Meira nem Édson Celulari.

O que quero dizer é que posso me transformar em qualquer um e em qualquer coisa na mitologia e no sonho do mundo, mas não posso ser um mítico flagelo diário dentro das casas de milhões...

Isso foi maldade...
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DANDO A MÃO

Por falar em processo criativo estou entrando em um.
Uma estudante de artes plásticas da UNESP mandou-me um email pedindo algumas impressões sobre este estado estético, em que o artista se empenha e emprenha de energia criativa para a realização da obra...

Estou começando pelas mãos.
Mãos de bonecos.
Há dois meses, cortei uns 26 cubos de um grande bloco de isopor, não muito tão adensado, para fazer treze pares de mãos. Um estoque para o espetáculo seguinte ou uma encomenda.
Com estilete dei os primeiros cortes em todos e ficaram até agora parados em um saco plástico, pendurado numa prateleira. Depois disso viajei, tratei de outras coisas, sempre lembrando que queria arrumar uma caixa de papelão para proteger as “mãozinhas”. Nunca lembrei de pegar essa caixa.
Antes de ontem decidi que deveria voltar a trabalhar as mãozinhas. E procura, procura , já estava desencanado quando encontrei o saco. Havia um monte de coisa em cima. Nem sei como não quebraram!

Comecei a trabalhar, detalhando mais as esculturas. Vou fazendo a coisa meio seriada, para manter um padrão mínimo. Vou cortando até um certo ponto. Para não perder a sequ~encia de cortes. Mas estou querendo desistir... Os blocos ficaram grandes. As mãos estão imensas!
É que eu estava pensando numa comédia, mas agora quero fazer algo mais poético. Além do mais vi um dvd do Yuen Fai, irmão do yang Feng e voltei a vibrar pela luva chinesa.

Fazer mãos é um saco.
Fazer cabeça não. É mais legal. Esculpir as expressões. Cabeça é tudo no boneco.
As mãos dão um trabalho fazer dedinhos, cobrir de tela e cola, lixar os cantinhos. Nunca fica bom. E depois, no boneco as mãos nunca ficam naturais. Fica aquela coisa espichada. A gente queria que fosse expressiva , mas ela fica parecendo uma alfineteira.

Sempre tive trabalho com as mãos.

Sempre estou refazendo o conjunto de mãos.
Eram fechadas, em punho, mãos de fantoche chinês.
Depois abri um pouco mais. Ficavam entreabertas.
Hoje estão espalmadas. O problema é quando o boneco tem que pegar alguma coisa. Vai sempre pegar com o pulso. É muito difícil encaixar uma mão esculpida em algum objeto. Não sou tão organizado assim. Faço o boneco, e depois faço os adereços, sem medir, nem calcular nada. Se encaixar , encaixou. Para pegar pega com os pulsos mesmo, dane-se!!!

sábado, setembro 20, 2008

JIU-JITSU, FAMA E DECEPÇÃO

Terminando de ler a biografia de Carlos Gracie, o patriarca da família que desenvolveu a renomada e controvertida escola de Jiu –Jitsu brasileira. Nenhuma boa recepção é boa para o que é novidade. Só se for aumento de salário. Quanto mais uma idéia que aprimore uma arte. E se o “mestre” apoiar-se sobre rigorosos princípios, aí a grita é geral... E se o cara envergar uns pecadilhos curriculares, vixe!!! Fogo do capeta!
Minhas impressão ao ler o livro:
- não fiquei com vontade de aprender Jiu-Jitsu;
- o Carlos Gracie foi da pá virada;
- o Carlos Gracie sabia agarrar uma oportunidade;
- respeitava e agora respeito mais o Carlos Gracie;
- o livro é um toco de grosso e quando está cansando, aparece uma passagem interessante.

Sou contra a pirataria dos dvds de filmes, cd etc... mas...
É certo quando você quer assistir Vestígios de um Crime, com Samuel L. Jackson; comprada pela locadora há 2 meses, você não consegue achar o filme na prateleira?
É certo que o Brasil seja um dos últimos países a receber o lançamento em dvd, mas é um dos primeiros a receber o lançamento em cinema?
É certo pagar R$60,00 por um lançamento em dvd, sendo que depois de 1 ano o preço cai para R$12,00?
E que na banca do pirata você pague pela cópia R$5,00?
E que todos esses truques da indústria é chamado estratégias de venda e o truque do pirata seja chamado crime?

Ainda bem que vivo numa democracia , e posso filosofar!

Falando em demo...
Estou adorando o atual pleito para prefeito no país.
Que limpeza (nas ruas)!
Que silêncio (bem mais que no passado)!
Agora não poder declinar sua preferência por tal e tal candidato no blog?!
Pô, o blog é que nem muro da própria casa, muro no quintal, nos fundos da casa.
Para ler é preciso subir no muro, espiar... Ninguém “passa” pelo blog. Vai e lê quem está imbuído (não tenho outra palavra) pela própria vontade. Agora postar num portal do Ig, Hotmail, Uol, aí acho que é outra coisa.

Juízo juiz...

Estava lá no começo da rodovia 277, apresentando pela Rede Sol na Escola Ecumênica, onde conheci a Musse. Uma simpática professora que de cara veio falando que lia este blog e era minha fã!!!!
Isto é espantoso, porque quem está acostumado a levar a vida e os títeres pelas trilhas e estradas inóspitas deste mundo afora, não escuta muita louvação e elogio admirado. Um “legal” bem sem-graça já é um diploma de qualidade! “Sou seu fã” dá medo. Parece que a pessoa vai ficar ligando todos os dias e por fim, frustrada, aparece do nada com um punhal na mão... Claro, que não a Musse! A Musse é um doce de pessoa. Uma sobremesa de chocolate!!!

Certa vez, estava em Canela-RS. No festival de lá em 1997. Apresentei “Surpresa” com o Manoel Kobachuk. Foi uma apresentação conturbada. No Rio Grande, os técnicos não tem muito cuidado com quem sobe ao palco. O pessoal técnico de lá, dá umas pisadas na bola, tem a mão meio grossa... e eu que sou meio ressabiado, fico pensando o que é que eu fiz de errado para aquela pessoa.
Enfim.
No dia que apresentamos no festival, havia umas 20 a 30 pessoas no palco, mexendo sei lá o que e passando fio para tudo que é lado. Perguntamos onde era a fonte de força e indicaram uma tomada.
Pluguei.
Na hora do espetáculo, vou dar o clique no som, cadê a força????
Nunca havia visto aquilo.
Num festival!!!
Gente do Brasil inteiro, do mundo inteiro! David Sirotiak, Augusto Bonequeiro, Magda Modesto, Hugo Soares, Jesus Cristo, Buda, Yang Feng, o presidente da república e o financiador que pagaria o cachet... todos viram que meu clic não deu clic.
Manoel no palco improvisa, vê que não viria o som e foi para trás, procuramos outra tomada e veio a luz, ou melhor o som.
Óbvio que fiquei abalado e que errei outras cenas.
No final recebemos os aplausos, fui direto para o fundo da empanada. Alguns amigos vieram me cumprimentar e me encontraram convulsionado de choro, que nem um piá de 6 anos perdido no supermercado.
Putz, não desejo isso pra ninguém.
Isso para contar que a vida prossegue e fomos assistir um espetáculos do festival. Entramos eu, o Manoel, O Evaldo Barros e o Márcio na sala e sentamos. Daí veio um cara pedindo autógrafo, um colega de lá de Porto Alegre. Achei que o cara estava tirando uma, devia estar. Mesmo assim dediquei uma assinatura.
Ele pegara gosto pelo clown que eu fazia no Surpresa. Tinha umas técnicas de mímica e por sinal, o espetáculo que fizera mais sucesso em Canela, naquele ano, foi o “Cuentos Pequeños” do Hugo & Inês, mímicos.
Mas o cara devia estar chapado, só podia estar...

MINHA AGENDA FEÉRICA

Semana que vem estarei em Rolândia-PR, norte do estado para uma série de apresentações do LUVAZINE destinadas às crianças de uma creche de um bairro carente. Dias 25 e 26 de setembro. A convite da Maçonaria local.
Não vou receber cachet algum, apenas pedi duas passagens extra para a Luciana e pro Felipe. Com dois anos esta será a primeira viagem aérea do meu filhote. Vai voar de avião que ele diz ser “gioooo, gioooo, gioooo....”. Todo onomatopéico, giooo é o motor do avião!

domingo, setembro 14, 2008

ORLANDO FURIOSO

O Grupo Sobrevento prepara a estréia paulistana de Orlando Furioso. Por enquanto faz apresentações na região metropolitana de São Paulo, para fazer ajustes no espetáculo.
Sobre a obra de Ariosto, o Sobrevento recebeu das mãos de Eduardo Amos (o obscuro mestre do Truks e Cidade Muda) um texto incompleto. Pesquisando, descobriram um épico sobre as Cruzadas, “uma novela inteira!”, como disse Sandra Vargas.
Escolheram o puppi siciliano, pesados bonecos tradicionais da Sicília para encarar o Orlando Furioso.
Na sede da companhia, um pequeno galpão no Brás, pude ver esses bonecos. Esculpidos em madeira caixeta, haste de aço presos na cabeça, um fio ou dois atados na mão. Alguns bonecos preparados para a guerra ostentam armadura, escudo e espada, e são preparados para o choque de uma escaramuça.
Durante o ensaio, tentei dar um “palpite” sobre a manipulação de algum boneco. Achei que deveriam, somente por um momento, suavizar o gesto, dar um tempo para digerir o texto. O “palpite” foi rechaçado! Não querem arriscar fazer um espetáculo parado e chato.
Informe-se em www.sobrevento.com.br

Infelizmente, saí no meio do ensaio para um jantar grego, num restô do Bom Retiro, o Acrópole. Na verdade é um boteco, ou aqueles restaurantinhos portugueses, em que o dono é um velhinho. E o dono do Arcádia é também um velhinho. A entrada foi uma salada mediterrânea, simples, mas com um pãozinho, uma lula e uma azeitona digna de um jantar olímpico! O carneiro estava passável...

No dia seguinte visitei a Cooperativa Paulista de Teatro.
Em 92, conheci a sala da CPT na Major Furtado (acho...). Parecia banca de despachante fim de carreira. Hoje, tem recepcionista, baias de tele- atendimento, um monte de funcionários. Eles compraram um andar inteiro num prédio perto da pç. da República. Virou potência.
O Luiz André falou que ali em Sampa, os artistas conseguiram se unir e dialogar pensando num projeto futuro. Abdicaram de magoarem mutuamente, coisa que ainda é corriqueira aqui em Curitiba. Portanto está longe, muito longe, a chance de alguma coisa funcionar direito no coletivo paranaense.

Voltei ao galpão do Sobrevento, e estavam arrematando um projeto de apresentações nos parques da Zona Leste. Tentei me enfiar, mas não deu. Eles estavam trazendo gente do interior de São Paulo, Belém e de outros lugares. Trabalho, trabalho e mais trabalho.
O Anderson Gangla, mostrou-me uma cabeça de puppi esculpida em caixeta in natura. Fiquei louco de vontade de experimentar trabalhar caixeta. Achava que era muito mole, como balsa, mas não. Bastaria dar uma cobertura firme de cola e intertela que ficaria um aço!
No entanto, como é madeira protegida, não consegui achar a menor pista de onde conseguir uns cortes de caixeta. No google, só dá uns tais de Caixetas, que fizeram de tudo nessa vida e não os quereria como amigo...

São Paulo é tão São Paulo, que até os produtos da pirataria são de melhor qualidade. Achei Kung Fu Panda, Homem de Ferro, O Cinturão Vermelho (David Mamet) com menu , assistíveis e impressão na face do dvd, com o mesmo preço do terminal da Santa Felicidade. Coisa de São Paulo.
Ah, você é a favor da pirataria? Não! Mas também não sou a favor dos lucrativos golpes industriais que restringem o consumo justo.

São Paulo continua a ser aquela nau que deveria ter naufragado na virada do milênio. Onde se tem o pior da vida, e onde se pode conseguir tudo que uma vida tem de melhor.

O INDISCUTÍVEL GOSTO, OU O DOCE QUE AMARGA

Numa oficina de fundo de quintal, entre prateleiras velhas, ferramentas enferrujadas, burilando a madeira e iluminado pela luz sépia do fim de tarde. É assim que quero terminar meus dias.
E quando morrer havia pedido a minha esposa para tocar Slave To Love, do Brian Ferry. Isso foi há uma década atrás. Essa música já foi tema de alguns casamentos, não sei por que traz alguma boa lembrança. Aliás, esqueci que boa lembrança era...
Com o tempo, o inglês da gente melhora, a audição ensurdece e fica mais seletiva; o pouco que se ouve se ouve com mais rigor. E percebo como nunca percebi que o Brian Ferry tem língua presa. Sem falar que nunca dá crédito aos extraordinários músicos que o acompanha e encobrem suas tremendas limitações musicais. O cara é cheio de bossa e estilo. Se veste bem, devia ser modelo e só.
Resultado é que estou sem trilha sonora para meu funeral, a menos que minha esposa me falhe e esqueça que risquei essa música do meu testamento e me faça pagar um mico: ser um porre até depois de morto...

Uma que está durando é Bizarre Love Triangle, do New Order. Tinha uma tecladista superclean, caladinha, boquinha, timidinha, um amor. O vocalista tinha uma impostação indefinida,que um monte de gente daquela época fazia, meio Jerry Lewis com Donald Duck. Dava ênfase nas últimas vogais. Mesmo assim consigo achar bonito... são temas que marcaram época. Pode acreditar quando digo que ouvi essa música ad nausean, num cruzeiro nas Bahamas. Estava em Miami onde comprei meu primeiro e único walkman e três fitas k7. duas do Cocteou Twins e o do New Order. Conhei duas irmãs gregas de São Paulo, a Sofia e a Ana. Parece óbvio, mas foram duas musas que tocaram meus centros de prazer e deleite.

Daí aparecem os doutores. Cheios de opinião e palpites a dar.
Funciona assim. Tem um carinha cheio de idéias, mocinho. Os doutores batem o olho no cara e se apaixonam, logo elegendo-o pilar central da cultura mundial. Falam coisas do tipo, “... e o Brasil com tantas cabeças como essa não tem o devido reconhecimento”. E o carinha acredita que está armado e municiado para encarar o duro batente de limpar a latrina cultural do mundo e oferecer seu vantajoso produto cultural. Crítica é paixão, tesão e viadagem enrrustida.
Doutor é que nem padre. Uma relação que tem um preço.

quinta-feira, setembro 04, 2008

VISITANTES INCOMUNS



Acervo da Fundação Cultural de Curitiba

FOME DA PEQUENA FAMA

Tenho um sobrinho de 11 anos, em São Paulo, que vira para os colegas diz, "meu tio é famoso!" Claro que apesar de famoso os coleguinhas do meu sobrinho não foram tocados pela iformação da minha fama. Isso aconteceu porque a TV Sesc deu-me o privilégio de registrar imagens e algumas opiniões no programa Balaio Brasil, em 2003, acho. Por mais inacreditável que seja, meu sobrinho fez parte da audiência desse programa e para ele tornei-me digno de configurar no panteão da fama.
Pode-se escreveu um tomo partindo dessa premissa de que a fama é relativa.
Numa longa viagem de São Paulo a Bauru, passei cinco horas ao lado de um marceneiro, radialista pirata e locutor de festival de rock´n roll indy. O cara se disse famoso, pois, apareceu no canal 48!!! Um canal da vhf paulistana. Desculpe, mas eu não o conheço; e virei de lado, forçando um fio de baba no canto da boca, fingindo dormir...
Claro que eu gostaria de ser mais reconhecido. Não muito. Não a ponto de, sentando na mesa do boteco, parar de contar uma piada porque tenho de dar autógrafo, ou ouvir que fulano tem um projeto que é minha cara. Na verdade acho que só queria o dinheiro que a fama trás. A fama eu daria para outra pessoa.

Estreei o VISITANTES INCOMUNS em Curitiba, no Teatro da Maria.
Foi uma ótima primeira apresentação. Poucos erros. Preciso aumentar o repertório de coreografias de manipulação dos bonecos e refazer alguns defeitos na trilha.
O público.
Comecei com sala cheia. Metade da platéia ficou. Outra saiu no meio da peça. alguém disse: - ...tão conceitual que nem as crianças entendem."
Da minha parte nem eu quero entender. Mas fico imaginando o que pessoas desse tipo vem fazer num teatro gratuito na periferia da cidade?!
O que desejam está nas grandes salas cujo ingresso é R$20 ou R$30,00!
Alí, temos a oportunidade de pesquisar ou experimentar novas formas de linguagem bonequeira, pagos pelo edital da Fundação Cultural, cujo resultado é oferecido à população sem custo direto. E foi o que fiz.
VISITANTES INCOMUNS é a obra máxima da Miyashiro Teatro de Bonecos. Foi o melhor que pude fazer até hoje. O espetáculo é franco, direto e sincero. Não há excessos, gordura e hipocrisia. O tempo de duração de 40 minutos é onde consegui chegar.
A trilha composta por Rodrigo Grigoletti é um jazz inspirado, construido para dar suporte e não competir com o espetáculo. Justo, métrico e belo!
Sem palavras, cada gesto dos bonecos exprime um sentido.
É uma peça sem arroubos, gritos e artistas desesperados em não perder a atenção das crianças e acompanhantes.
Nele há elegância, discrição e delicadeza.
Não me interessa esse público muquirana que se entedia com cenas elaboradas.
Afasta de mim essa gente!


Hoje não tenho frase de efeito