quinta-feira, novembro 22, 2007

ESCAPISMO, PELAMORDEDEUS!!!

Por favor! One just truly soap opera!!!!
Quero afogar-me na irrealidade fantasiosa.
Como devem ter percebido estou revisitando as décadas anteriores para filmes. Ver Fama, Bonequinha de Luxo, Descalços no Parque (Jane Fonda tesudíssima, Robert Redford parecendo um paquito)...

Não vi a Tropa de Elite.
Vi Harry Potter, tá uma merda de chato.
Não comprei o livro mas já sei que ele morre.
Como tudo afinal...

Mas existe um fôlego para arrematar 2007. Jack Aubrey vai em missão secreta nas Ilhas Maurício e Reunião, sudeste da África, combater a frota Napoleônica; convocado pelo Dr. Stephen Maturin: aaaaaaaaahhhhhhhh!!! (orgasmo polimúltiplo)
Saiu o 5º volume da coleção Mestre dos Mares de Patrick O´Brian. O comandante Aubrey está casado com Sophia Willians, mora com a sogra, uma sobrinha duas nenês gêmeas e a criadagem. O encontro de Maturin com as gêmeas dispensa comentários (trad. Domingos Demasi):


“Jack conduziu Stephen escada acima ao interior de um quartinho inclinado, sobre cujo soalho estavam sentados dois bebês carecas, vestidos com roupas limpas. Tinham o rosto pálido, globular e, no meio de cada rosto um nariz surpreendentemente comprido e pontudo que chamava a atenção da mente de um observador imparcial. Elas olharam firmemente para Stephen: ainda não haviam atingido a idade de qualquer contato social que fosse e não havia a menor dúvida de que o tinham achado desinteressante, maçante, até mesmo repelente: seus olhos derivaram para alhures, rejeitando-o, ambos os pares no mesmo exato momento. Podiam ser infinitamente velhas ou seres de outra espécie.
- Belas crianças - observou Stephen. – Eu as reconheceria em qualquer lugar.
- Não consigo distinguir uma da outra- comentou Jack.- Você não acreditaria na algazarra de que elas são capazes de fazer quando as coisas não são do seu agrado. A da direita deve ser Charlotte.-
Ele olhou-as e elas olharam, vigilantes. – Oque acha delas, Stephen?- perguntou, batendo sugestivamente na testa.
Stephen retomou seu papel profissional. Em sua época de estudante, ele fizera o parto de um número grande de bebês na Rotunda, mas, desde então, sua prática se restringira aos adultos, particularmente entre adultos do mar, e poucos homens de sua posição profissional podiam ser menos qualificados para essa tarefa; entretanto ele os levantava, auscultava seus corações e pulmões, abria suas bocas e perscrutava lá dentro, flexionava seus membros e fazia movimentos diante de seus olhos.
- Qual a idade delas?- indagou ele.
- Bem, já devem ser bem velhas- disse jack.- Elas parecem estar aqui uma eternidade. Sophia é quem sabe exatamente.
Sophia entrou, e Stephen, para seu prazer, viu ambas as criaturinhas perderem seu ar antigo, eterno; sorriram, sacudiram e estremeceram convulsivamente de alegria, meras larvas humanas.”


Estava tendo que me virar com uma biografia de Alexandre em simultâneo com um Michael Ontatjie soporífero. Ondatjie às vezes parece Hemingway em O Sol Tbém. se Levanta; às vezes parece que apenas “quer” imitar.
Enfim, estou salvo.

FALANDO EM SUPERAQUECIMENTO...

Fui correr no São Brás, Santo Inácio, dois bairros próximos daqui. Atravessei uma rua linda cheia de bosques de mata Atlântica nos terrenos ainda vazios. As construtoras estão ocupando, derrubando tudo. E quem compra ajardina com gramado e primaveras. Depois pagam por faxineiras para lavar suas calçadas com compressores de água. Isso quando fazem calçadas. Então as mulheres, donas de casa com diplomas universitários, em empregos de mentira, passam voando com os filhos em Ragers, Mitsubishis...
A humanidade não em salvação.

AGORA: TEATRO

Ainda bem que tenho esse blog. Falei aqui o que não consigo falar em uma oficina. Se levantasse um oitavo das questões que levanto aqui numa oficina, no segundo dia estaria vazia.
Certa vês disse que “devemos fazer um teatro que incendeie os corações”... Meio messiânico concordo. Mas estava na faculdade ainda, era jovem etc.
Recebi o apelido de Nero.
Não é para entristecer?


sábado, novembro 10, 2007

NOTAS SOCIAIS

TENHO O DEVER DE ANUNCIAR QUE NÃO ESTOU MAIS ORFÃO DE COMPANHIA ETÍLICA.
SERGIÃO GOOD FELLOW OF DRINK CARNIVALS, RETORNOU DE SEU CURTO SPA RENERGIZADOR.
ASSIM, EM FORMA, JÁ ATACA A PACIÊNCIA DE ALGUNS GARÇONS ORDENANDO QUE AS MESAS JAMAIS FIQUEM SECAS.

NOVEMBRO ANIVERSÁRIO DA COMPANHEIRA WANDA RAMOS, ESPONSA DE DEL GIORNO, EL MIGO FIDELO. ESCORPIANA NO HORÓSCOPO CALDEU E MACACA NO CHINES, ROGAMOS VIDA LONGA E PLENA DE OPORTUNIDADES FANTÁSTICAS E LUMINARES A ESSA MUJER DI ACERO! ALLALAÔ!

DESEJO FUERZA, ENERGIA Y SANGRE PARA EL AMIGO MANUEL CARLOS KARAM. QUE A RUDE VIAGEM QUE ATEAVESSA, ATRAVESSE DE UMA VEZ E REGENERE NO FORTE E PODEROSO COMO SEMPRE FOI.
ESTOU SEMPRE PENSANDO EM TI E SE A MENTE NÃO FOR SUFICIENTE BASTA CHAMAR QUE APLICO A FORÇA FÍSICA. EVOÉ MAESTRO!

SOUBE (~DE FONTE NON DIGNA ) QUE A SECRETARIA DE CULTURA DE ARAUCÁRIA PAGA AOS ALUNOS r$100,00 p/ mes como BOLSA ARTISTA, PARA DAR SUPORTE AO PESSOAL DE REAL NECESSIDADE. É UMA EXCELENTE NOTÍCIA. O PESSOAL DE LÁ BATALHA HÁ MUITO TEMPO E SÓ TINHA PROMESSA.
VAMOS VER SE VAI DESSA VEZ.

ACHO QUE ESTOU PREPARADO PARA TERMINAR A PEÇA NOVA. EU DISSE "PREPARADO".

FELIPE FALA "PAPÁ" QUE SIGNIFICA PAI E COMIDA; "MAMÂ" QUE É A LU E A COMIDA. FALA TBÉM. WA-WÁ QUE É CACHORRO. FALA U-VÁ-VÁ QUE É UVA, A FRUTA QUE ELE ADORA. "TÉÉ-TÉÉ-TÉÉ" É UMA BRONCA INTRADUZÍVEL QUE TALVEZ SIGNIFIQUE "ME DEIXE , SEUS FILHADAPUTAS!".
OS PROGRESSOS LINGUÍSTICOS DO MEU NENÊ.

ESTOU AJUDANDO A REDE SOL.
A COISA É BRAVA. CADA LUGAR QUE A GENTE NEM IMAGINA.
ASILO COM MANICÔMIO JUNTO, VELHINHO DEITADO FEITO CACHORRO.
A VIDA É FEITA PARA NÃO DURAR.
SEMANA QUE VEM VOU PARA ESCOLAS ESPECIAIS.
QUERO SÓ VER.





LOOKING FOR FAME





Em 1980, ou mais exato, em 1984, o Big Brother de Orwell não apareceu; surgiria em 2003 e pouco em cadeia nacional. Apesar de produzido em 80 o filme só foi lançado em 84 no Brasil: Fama, de Alan Parker.

O filme mais copiado em campanhas publicitárias, com a trilha mais chupada, com o visual mais imitado.

A música “Own My Own” que havia sido martelada pela Nika Costa durante quatro anos, foi interpretada por Irene Kara, no filme: e toma-lhe “Own My Own” em nova versão (embora acompanhada pelo mesmo piano!!!!!) por mais quatro.

As melhores cenas: a do táxi que para em frente a escola e toca a música tema do filme e Hot Lunch Jam, em que uma aluna direitinha entra na cantina esfumaçada, lotada de músicos, bailarinos e atores em completa zona, foram copiadas à exaustão.
Um cara inicia um tamborilar de baquetas sobre a mesa, o personagem Bruno Martelli abre o velho piano e dá as notas baixas, outro vai acompanhando, bailarinos sobre as mesas num crescendo e...

A escola do Fama existe. Foi inspirada na Fiorello H. LaGuardia High School, uma faculdade para música, artes plásticas e performáticas (teatro & dança), de Nova Iorque.

Talvez por esse filme, eu tenha seguido uma carreira artística. Em diversos momentos queria estar numa cantina como aquela de Hot Lunch Jam e tentava recriar aquilo com meus colegas de Educação Física (!?). Fiz Biodança, balé, kung fu para dançar algo parecido como aquela gente. Entrei num coral da terceira idade, com 19 anos, para aprender os rudimentos da cantoria. Por fim, tentei teatro, tentei Artes Cênicas na USP, Unicamp, porque queria uma formatura como aquela; mas acabei em Curitiba fazendo bonecos.
Nada mal!

Aquele frenesi de dança, música e drama foi extremamente sedutor.
Se hoje estou neste trabalho de contenção e economia de pulsões elétricas musculares, naquela década e nos vinte anos seguintes queria explodir em possibilidades, embriagar de adrenalina e daquele outro hormônio de recompensa (tanto tempo sem uso que esqueci).

Hoje fui apresentar o “Luvazine” numa escola do Cajuru, um trampo voluntário sem-remuneração. A escola estava aberta para atender a comunidade com serviços. Entrei, montei o palco. Algumas crianças vinham perguntar o que era aquela tenda de pano. Uns adultos perguntavam onde “tirava RG”. Apresentei o espetáculo no limite das cordas vocais, na verdade “marchei com o texto” porque as pessoas não pararam de falar. Na verdade falaram mais alto por causa do teatro... Nunca vejo a reação do público, ouço: algumas risadas, respostas às minhas intervenções, só. Não foi uma apresentação muito feliz. No final uns aplausos com retribuições dos bonecos. Sem me postar à frente para agradecer, percebi meia dúzia de pessoas distantes uns 8 metros do palco.
A representante da Regional veio me parabenizar. A diretora da escola quer que eu retorne em dezembro para o evento no salão nobre (tinha salão nobre?); soube que havia mais adultos que crianças e que uma mulher dobrava-se de rir... uma pelo menos.

Acho que Curitiba, a população maltrata demais o artista. Saio de trás do palco como se tivesse levado uma surra. Mas daí fico sabendo que gostaram e coisa e tal.

Esse é o caminho de Fama que escolhi.





quinta-feira, novembro 01, 2007

QUEM QUER SER BOZO?

Eu quero!
Não tenho nenhuma vontade de alcançar algum âmago estético. Nada ambicioso assim. Quando era bobo e acreditava nas vanguardas, revoluções, ações terroristas contra burguesia estabilizada, tinha vergonha de dizer que gostava de comer bem, passar a tarde a beira da piscina, tomando suquinhos compostos, coquetéis doces esse tipo de coisa viada, mas que é muito boa.

Já levei porrada de uma pseudo-crítica de que o que eu fazia em teatro estava sendo uma merda. Claro! Eu quero ser Bozo, porra! Vaga de Garibaldo já está tomado; teria que assassinar o Júlio na gaita e a bicharada no vocal, cocoricó... Não isso não.
Mas a vaga de Bozo tá vaga.

Outra coisa que é boa na vida desses tipos é a companhia, as ajudantes de auditório. Um séqüito dedicado de mocinhas, loucas pela fama, disciplinadas feito esquadrão de tropa de elite, com amor pela camisa, mesmo sem ela...

É uma celebridade oculta. Palhaço ou boneco, nunca a identidade secreta é revelada. Pois muito se sabe que a fama só é boa nos primeiros 15 minutos. Depois enche o saco! Aí a gente quer mesmo é por chinelo e bermuda, sair de barba crescida, com bafo, olhando feio para todo lado sem dizer bom dia para ninguém. Esse é o maior prazer e objeto de desejo de quem é realmente famoso.