terça-feira, outubro 30, 2007

NOVOS CAMINHOS PARA O TEATRO DE ANIMAÇÃO: HORIZONTES, RUMOS, TRILHAS, PASSOS, ÂNIMO!!!



Já vou falando.
Toda hora aparece um título como esse, em qualquer lugar deste Brasilzão.
A bacurinha acadêmica se coça e tomada de ímpeto aquariano, quer regenerar o guarda-roupa, fazer aquela palavra que faz uma semana que eu tento lembrar e não consigo; o diabo, é que talvez essa palavra esteja “out”. Algo como trocar o visual por outro, entenderam, né?
Recebo um mail de uma amiga em que os franco-belgas estão fazendo uma experiência radical no ramo da animação. É sobre manequins de vitrine. Atores interpretam manequins, interpretam os sentimentos dos manequins..., ..., ..., ..., (pasmo)!!!

Tá bom, brincadeira. Deve ser um espetáculo legal. Deve estimular a reflexão. Franceses são bons nisso, sempre foram. Mesmo exterminando argelinos... Tá bom, eu paro.

Mas aí manifesto minha caretice capricorniana. Essa que um astrólogo disse ser o empecilho da minha evolução espiritual, material e psíquica, ao que retruquei ser uma atitude prudente na vida. Na tréplica revidou que era caretice mesmo... Certo doutor Astral, o careta vai falar:

Por mais que se tente, nunca haverá a consolidação de uma “vanguarda”, “modernidade” ou novos caminhos, rumos etc. etc., no teatro de bonecos. Porque a cada passo além disso, o teatro de bonecos não será teatro de bonecos. Assim como literatura sem livro, deixa de ser. Pintura sem tableux, teatro sem ator, açougue sem carne, cozinha sem cozinheiro, puteiro sem puta ( já imaginou um puteiro com umas máquinas suga-porra, com filminho?) etc.
Observem o título desse texto: parará, parará...teatro de animação. Essa nomenclatura surgiu para depor o antigo teatro de bonecos e sobre os escombros da tradição erigir uma gloriosa era de contemporaneidade entre as mídias, que incluísse o pobre boneco, ou objeto animado. Só que nessa jornada ( engraçado que a direção para o moderno se imagina numa excursão à pé), iniciada sem o boneco tradicional (teatro com objetos de utilidade cotidiana) até no teatro sem o uso de qualquer objeto, adereço ou boneco, somente o ator-bonequeiro.
No caso da pesquisa franco-belga, a experiência, pelo que vi em fotos, ocorre sem bonecos, manequins ( não tem manequins, pelo menos??), somente atores, ou cientistas-artistas, pesquisadores-intérpretes. Tá , então não é mais teatro de bonecos ou de animação, é teatro! Ou pior, vitrine-viva. Não haviam desistido disso? Se estão exumando as ombreiras por que não reviver as vitrines-vivas?
Então vamos à definição:

Teatro de bonecos é a imantação (termo muito usado no século XIX) do boneco, causando a leitura de que tal objeto é vivo, reflexo de uma face da existência. Por boneco, compreende-se qualquer manufatura, artifício ou material.

Outra coisa.
Ponha no Google busca “teatro de animação ou forma animada”, o resultado é um monte de filmes de computação gráfica. Seja: a bandeira já caiu...

Estou pronto para os ovos e tomates...

quarta-feira, outubro 24, 2007

OUTUBRO VÁ...

Finda o mês e estou quase acabando os trabalhos, quase me acabando.
Nunca trampei tanto na minha vida! Algo em torno de 42 apresentações!!! Calcule a média em 31 dias...
Amanhã ministro uma oficina e lá serão mais 16 horas de trabalho. Isso sem falar nas horas empreendidas na produção do espetáculo novo, no desenvolvimento de novos projetos, na prestação de contas, envio de documentação e alguma frustração na perda de um ou outro edital.
Nesses últimos dias andei por alguns lugares interessantes. Na regional do Pinheirinho, conheci umas pedagogas gentilíssimas, como a Sarita onde recondicionei meus conceitos educativos.
Em Balsa Nova, tem a Celeste que é uma sósia da Juliana Paz mais magrinha, psico-pedagoga da Secretaria de Educação, uma graça só. As crianças vinham para a Celeste e a enchiam de beijo e abraço. Pensei que era uma atitude usual, que ela era conhecida das crianças, mas ela confessou que nunca fora tão beijada na vida. Só estavam sendo gratas pelo teatro de bonecos. Com um japa estranho como eu, melhor é beijar a Juliana Paz, admito.
Balsa Nova não tem só beleza natural como a Celeste. Primeiro tem aquela serrinha que apóia São Luiz do Purunã, uma presença permanente na visão. Aos pés dessa cuesta espalham bosques, plantações de trigo e pequenas propriedades cheias de pequenos segredos.
Sabe que produzem queijo, vinho, vinho de jaboticaba, vinho de pêssego, vinho de uva, até; mas nunca se encontra os produtos.
Por todos os lugares se vê as pequenas parreiras e as ovelhas. Lugares como Campo do Meio, Rodeio São José, Bugre, São Caetano, lugarzinhos, bairrinhos com igrejinhas.
Há uma escola que parece sítio. Tudo aberto, ensolarado, crianças e professoras alegres. A diretora, a Tata, com um olhão verde e um barrigão de sete meses, linda, ficou com a gente o tempo todo, proseando, tricotando e atendendo uma situação ou outra.
Por lá tem a Itambé, a fábrica de cimento, que racha as montanhas e devolve cineminha e alguma obra de concreto para as vilas ao redor.
Tem a mina de ouro em algum lugar; que se chega meio marcando a hora, meio na clandestinidade.
E tudo isso apresentando o “Luvazine”, que eu não agüento mais fazer.