segunda-feira, agosto 13, 2007

De que me lembro!

Como podem perceber, estou sem assunto titeritesco faz tempo. É por estar de férias e com toda a produção parada por simples, pura e espero, momentânea falta de idéias. Em alguns dias estarei novamente na estrada e talvez haja algo digno de relatar para o deleite de vossas pupilas delicadas, estimados amigos.

Enquanto isso, resgato uma lembrança motivado pelo relato de falecimento de alguém; câncer de próstata. É incrível morrer de câncer de próstata. Imagino, leigo que sou, que se eu tiver diagnóstico de tumor prostatástico, não titubeie em solicitar ao honrado cirurgião que extirpe impiedosamente o arcabouço de tal enfermidade: -“Pode capar, doutor!!!”
Sempre fui devoto das terapias naturalistas, macrobióticas e orientais, desde a adolescência sempre me apeguei a elas. Tive educação germânica numa família japonesa (não precisa reter as lágrimas!). Era cobrado pelo alto investimento em detrimento da apresentação de baixos resultados na escola. Então o que eu fazia? Tinha miopia e não consertava os óculos. Por isso rendia cada vez menos nas provas. Ia no dentista e pedia para não aplicar anestesia e descontar no orçamento. Desligava a eletricidade do chuveiro e quando lavava as panelas economizava água... eu era um herói.
Falava da próstata...
De tanto ver campanhas procurei um urologista. De cara pedi um exame de toque retal e manifestei interesse por um exame de fertilidade. O douto medicador disse:
-“Péralá, uma coisa de cada vez: fertilidade primeiro...”

Já falei que esse foi o mais chato exame que já fiz na vida. Porque o douto ex-acadêmico da hipocrácia, queria uma coleta de esperma in-vigor. Ou seja, que eu transasse com minha adorada esposa e na hora da dispersão do pólen, o douto “exigiu” que eu usasse de meus poderes yóguico tântricos e retivesse a explosão de prazer, estendesse o outro membro superior, que é o braço ademais o dito membro já estaria muito ocupado, lutando bravamente; tomasse o potinho plástico, desrrosqueasse e... AAAAaaaaahhhh. Tarde demais. Juro, juro, juro que tentei. Por fim fiz a coleta solitária. O douto cientista uretral deu-me um severo puxão-de-orelhas, argumentando a coleta solitária era ineficaz e não representativa dos reais índices de fertilidade. Que desejava e-xa-ti-dão. Contra-argumentei que nunca fora um homem e-xa-to!
O médico era um garotão loiro cacheado, bronzeado, altão, enfim, bonitão. Sabe de uma coisa. Tenho ressalvas com gente bonita. O cara é bonito, sorte dele. Hoje sabemos que a beleza se cultiva. Ela é proposital e não natural. Tem que investir para criar e manter. E o Narciso se alimenta disso. Há uma alta taxa de auto-homossexualidade no narcisista. Quando você suplanta reflexo do narcisista, aí é um problema: ele se apaixona por ti.
Estava peladinho para o exame geral (o toque retal ainda não rolou), o douto aponta:
-“ Que é isso aí!” Eram as cicatrizes dos pontos de moxabustão, acupuntura por combustão que eu recebera; lembre-se que eu ERA um herói.
-“Isso é marca de nascença, aquilo é necrose de heroína, esta é de cocaína e esta é maconha; se em oito anos de estudo não reconhece uma cicatriz por combustão...
O médico ficou quieto, mas vi que ele gostou da resposta.
Desde então não quis mais saber do exame de próstata.

quinta-feira, agosto 02, 2007

O MUNDO TÁ UMA LOUUCURAA!!..

O Sergião queria que eu reeditasse as histórias da esquina da fama, no Água Verde. Só pra fazer jabá do último famoso daquele lugar o medalha de prata no boliche que é padeiro onde eu comprava coca-cola. Vê como o mundo está invertido? Você passa 18 anos num banco escolar para aprender que padaria é onde se faz pão, sapataria conserta sapato, mecânico conserta carro, bombeiro apaga incêndio.
Na verdade, padaria é pra comprar cigarro (como não fumo compro coca), sapataria eu passo em frente porque sapato velho se joga fora, bombeiro serve pra comer mulher famosa. Só o mecânico me mantém são o pouco raciocínio, por enquanto...

Mas aqui na Santa Felicidade, que ainda é Curitiba e portanto tem sua cota razoável de louquinho, tem também seus passa-tempos.
Estava na fila do Bradesco, tentando imaginar onde seria a famosa casa de swing da Santa Felicidade, quando vejo uma velhinha sendo instada pela caixa do banco a tomar seu lugar na fila. A velhinha tinha cabelos médios, lisos e tingidos de preto; tinha a pele branca e úmida; era gordinha e baixa. Como não sou curitibano, ofereci meu lugar na fila.
A velhinha soltou-se e começou a desfiar seu rosário de lamentos. Disse que sofrera um acidente e quase morrera. Respondi que não parecia e que ela, recuperada, podia sofrer outro acidente.
Disse que seu médico estava lá em cima, apontando para o céu... Eu olhei para o alto.
No começo fiquei com medo porque achei que ela sendo louca podia entrar em crise e partir para cima de mim; com louco é melhor não dar trela.

Devo ser louco também para falar essas coisas em público, para uma pessoa desconhecida.
Ela falou que teve um ataque epilético enquanto acendia o fogão, desmaiou e ficou sendo cozida pela boca acesa do fogão. Ficou queimada do abdômen até o rosto. A velhinha levantou a blusa para mostrar a pele queimada cicatrizada. Coisa feia!
No final era uma boa mulher e não me bateu.




Ficamos contando vantagem um para outro. Eu disse que perdera a mãe com câncer no fígado. Ela perdera 12 parentes para o câncer. Cheguei a citar o amigo escritor, mas ele não conta porque está vivo e se recuperando. Nem me deixou terminar de contar o drama do amigo: não tome meu tempo com essas trivialidades de gente se recuperando?
Somando minha mãe e um conhecido de Bauru que morreu de aids, perdi desgraçadamente da velhinha e seus 12 heróicos parentes.
Tive que apelar:
A senhora aí lutando! E tem gente com saúde que vive reclamando. Ah, ela se derreteu toda!

Que acidente da Gol!
Que acidente da TAM!
Que ponte que caiu?
Pinga de barril!!!