sábado, novembro 10, 2007

LOOKING FOR FAME





Em 1980, ou mais exato, em 1984, o Big Brother de Orwell não apareceu; surgiria em 2003 e pouco em cadeia nacional. Apesar de produzido em 80 o filme só foi lançado em 84 no Brasil: Fama, de Alan Parker.

O filme mais copiado em campanhas publicitárias, com a trilha mais chupada, com o visual mais imitado.

A música “Own My Own” que havia sido martelada pela Nika Costa durante quatro anos, foi interpretada por Irene Kara, no filme: e toma-lhe “Own My Own” em nova versão (embora acompanhada pelo mesmo piano!!!!!) por mais quatro.

As melhores cenas: a do táxi que para em frente a escola e toca a música tema do filme e Hot Lunch Jam, em que uma aluna direitinha entra na cantina esfumaçada, lotada de músicos, bailarinos e atores em completa zona, foram copiadas à exaustão.
Um cara inicia um tamborilar de baquetas sobre a mesa, o personagem Bruno Martelli abre o velho piano e dá as notas baixas, outro vai acompanhando, bailarinos sobre as mesas num crescendo e...

A escola do Fama existe. Foi inspirada na Fiorello H. LaGuardia High School, uma faculdade para música, artes plásticas e performáticas (teatro & dança), de Nova Iorque.

Talvez por esse filme, eu tenha seguido uma carreira artística. Em diversos momentos queria estar numa cantina como aquela de Hot Lunch Jam e tentava recriar aquilo com meus colegas de Educação Física (!?). Fiz Biodança, balé, kung fu para dançar algo parecido como aquela gente. Entrei num coral da terceira idade, com 19 anos, para aprender os rudimentos da cantoria. Por fim, tentei teatro, tentei Artes Cênicas na USP, Unicamp, porque queria uma formatura como aquela; mas acabei em Curitiba fazendo bonecos.
Nada mal!

Aquele frenesi de dança, música e drama foi extremamente sedutor.
Se hoje estou neste trabalho de contenção e economia de pulsões elétricas musculares, naquela década e nos vinte anos seguintes queria explodir em possibilidades, embriagar de adrenalina e daquele outro hormônio de recompensa (tanto tempo sem uso que esqueci).

Hoje fui apresentar o “Luvazine” numa escola do Cajuru, um trampo voluntário sem-remuneração. A escola estava aberta para atender a comunidade com serviços. Entrei, montei o palco. Algumas crianças vinham perguntar o que era aquela tenda de pano. Uns adultos perguntavam onde “tirava RG”. Apresentei o espetáculo no limite das cordas vocais, na verdade “marchei com o texto” porque as pessoas não pararam de falar. Na verdade falaram mais alto por causa do teatro... Nunca vejo a reação do público, ouço: algumas risadas, respostas às minhas intervenções, só. Não foi uma apresentação muito feliz. No final uns aplausos com retribuições dos bonecos. Sem me postar à frente para agradecer, percebi meia dúzia de pessoas distantes uns 8 metros do palco.
A representante da Regional veio me parabenizar. A diretora da escola quer que eu retorne em dezembro para o evento no salão nobre (tinha salão nobre?); soube que havia mais adultos que crianças e que uma mulher dobrava-se de rir... uma pelo menos.

Acho que Curitiba, a população maltrata demais o artista. Saio de trás do palco como se tivesse levado uma surra. Mas daí fico sabendo que gostaram e coisa e tal.

Esse é o caminho de Fama que escolhi.





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